quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Os brasileiros devem estar loucos...
terça-feira, 27 de Outubro de 2009
Credores da Sedico rejeitam recuperação
Agência Lusa
segunda-feira, 26 de Outubro de 2009
Quo vadis, PSD?
O fim das eleições do líder em congresso e o advento das eleições directas no seio do partido, cumprindo a máxima de “um militante, um voto” por que um grupo de pessoas lideradas por Miguel Braga clamava há vários anos, permitiram que um homem rasgasse a espessa teia dos barões e, embora apenas à segunda tentativa, alcançasse o trono da social-democracia. Esse homem, Luís Filipe Menezes, que do Norte se ergueu contra os “sulistas e elitistas”, derrotou Marques Mendes e venceu as directas, mas esbarrou, logo no momento seguinte, com a implacável oposição do núcleo duro laranja, tomado pelos tais barões. Fizeram-lhe a vida negra. O também autarca de Vila Nova de Gaia, surpreendendo todos aqueles que, como eu, pensavam ver nele um sequioso de poder, elevou-se bem alto para dizer “basta”, e saiu pelo seu próprio pé, intacto na sua dignidade, de um lugar onde não era desejado.
Sucedeu-lhe Manuela Ferreira Leite. Eleita com pouco mais de um terço dos votos, deixou para trás, no segundo lugar, o “eterno JSD” Pedro Passos Coelho (o homem já tem 45 anos, mas ainda é tratado pelo grupo afecto à actual líder como um mero debutante), e no terceiro Pedro Santana Lopes, em quem deu a entender não ter votado nas legislativas de 2005, mas que depressa se apressou a “encostar na prateleira” da Câmara de Lisboa, quiçá para não ter de o ver muitas vezes, nem de temer que este lhe fizesse frente. Manuela Ferreira Leite é, do meu ponto de vista, totalmente inábil para a política. É uma opinião, naturalmente, mas creio que comigo concordarão todos os que não são do PSD, e mesmo alguns (muitos?) que, sendo militantes do partido, esperavam mais de um líder do que a pobreza de argumentos com que a senhora presenteia o seu eleitorado e os seus adversários.
Nas últimas eleições para a presidência social-democrata, Passos Coelho obteve quase tantos votos como a líder eleita, mas foi ostracizado, como se não existisse ou não fizesse parte do partido. Nesse tempo como agora, há no PSD uma franja de pessoas que parece cultivar a ideia de que há militantes que valem mais, e outros que valem menos, ainda que nas urnas todos tenham igual importância. E é por isso que, num momento em que o partido parece ter batido no fundo, com resultados execráveis em todas as eleições a que se vem apresentando nos últimos anos (apesar de alguns insistirem em catalogá-lo como vitorioso, o resultado das últimas autárquicas é claro, a favor do PS), os “barões” repetem o erro de outrora, e voltam a fechar-se sobre si, na busca de um substituto. Ignoram Pedro Passos Coelho, como aliás têm feito sempre, e ignoram Castanheira Barros, que volta a dar conta da sua disponibilidade para avançar.
Fazem mal.
E fazem mal porque qualquer um deles tem condições para ser melhor presidente do PSD do que Manuela Ferreira Leite alguma vez foi. Fala-se, à boca pequena, da disponibilidade de Paulo Rangel, que em Junho foi eleito como cabeça-de-lista para o Parlamento Europeu, mas a sua eventual eleição, além de trair quem votou nele para Bruxelas, seria “mais do mesmo”, numa espécie de reedição de Ferreira Leite. Com Rangel ou com outro, entre os elementos mais próximos da actual líder, nenhum será melhor do que Passos Coelho ou Castanheira Barros. A proximidade à actual líder será mais um defeito do que uma virtude nesta corrida, e nesse campo tenho o grato prazer de anunciar que Castanheira Barros é, quando comparado com Passos Coelho, muito mais coerente. Desde o primeiro momento, e eu sou disso testemunha porque estava lá quando aconteceu a eleição de Ferreira Leite, o advogado de Coimbra foi claro naquela que era a sua, e também a minha posição: a eleita não era, como não foi, a pessoa indicada para o cargo.
Nas recentes campanhas eleitorais, para as europeias, legislativas e autárquicas, Castanheira Barros manteve a sua natural discrição, enquanto Pedro Passos Coelho pareceu vender – ou pelo menos emprestar – a alma ao diabo, surgindo ao lado da mulher contra quem tinha concorrido, e cujos defeitos tão acertadamente tinha apontado. Soou a hipocrisia. Pareceu um apoio de circunstância, por interesse. Não caiu bem. Bem sabemos o que pensa o povo da gente da política: que são falsos, que são vendidos, que querem é “tacho”. Eu não costumo engrossar esse coro, mas essa atitude de Passos Coelho, honestamente, não me agradou. Até porque, semanas depois de ter aparecido em alguns eventos de campanha – e na maioria foi olimpicamente ignorado pela líder a quem fazia o favor de aparecer – Passos Coelho voltou a tomar a estrada da crítica, e está novamente candidato. Não parece sério mudar tantas vezes de campo.
Castanheira Barros, por seu turno, está onde sempre esteve. Na posição de quem é e sempre foi contra, sem artifícios, sem favores, sem vícios nem mudanças de opinião extemporâneas e ao sabor do momento. Já aqui disse, e reafirmo, que tenho Castanheira Barros na conta de um amigo, mas acima de tudo vejo-o como um homem sério, íntegro, dedicado e disponível, interessado e atento ao seu partido. Na alma que emprestou ao combate à co-incineração, vi a força de carácter de um homem que luta por aquilo em que acredita, e que não teme fazer-se à estrada, mesmo que inóspita, para chegar onde quer ir. Este homem seria, com toda a certeza, um excelente presidente do PSD. Com ele, talvez o partido recuperasse o seu lugar como partido de alternância no poder. Porque eu vejo a política é como vejo o futebol: gosto que o Futebol Clube do Porto seja campeão todos os anos, mas também gosto de ver a minha equipa lutar pelos resultados e fazer por merecer esse campeonato…
Foto: Carla Teixeira
domingo, 25 de Outubro de 2009
Assembleia de credores decide futuro do jornal «O Primeiro de Janeiro»
O plano de recuperação da empresa Sedico (ex-O Primeiro de Janeiro, SA) apresenta diversas incongruências, dados misteriosos e insiste em situações lesivas para os trabalhadores e para a lógica empresarial.
A Sedico já passou por dois planos de recuperação, o primeiro em 1993, quando o empresário Eduardo Costa tomou conta da empresa e que levou ao despedimento de dezenas de trabalhadores a quem nunca foram pagas as indemnizações devidas. Apela-se a estes credores e todos os demais que participem na assembleia de terça-feira e rejeitem o actual plano de recuperação. Só faz sentido recuperar-se a empresa se as indemnizações dos trabalhadores forem as primeiras a liquidar, de uma só vez e na totalidade. Caso contrário, a recuperação irá assentar mais uma vez no esforço não reconhecido daqueles que durante anos trabalharam para tornar «O Primeiro de Janeiro» um título credível. Note-se que os quatro jornalistas que actualmente produzem o jornal trabalham a partir de casa, deslocando-se à redacção ao fim do dia para fazer o fecho, já que a empresa não garante o pagamento dos salários, nem os meios técnicos necessários. Apesar disso, o plano de recuperação apresentado ao tribunal afirma que a empresa dispõe dos meios humanos e técnicos necessários para produzir o jornal.
O plano é omisso quanto à actividade da empresa, insistindo em pressupostos errados. Não se compreende a sua recuperação baseada no título «O Primeiro de Janeiro», quando se sabe que este é pertença de uma empresa com sede em Ovar, a Caderno Digital, que não tem ligação à Sedico. Além do mais, o principal credor interessado na recuperação é a antiga cooperativa Folha Cultural (que mudou o nome para Editorial Cult, CRL), e cujo presidente é Eduardo Costa. O antigo administrador da Sedico já reconheceu publicamente, várias vezes, que agia como testa de ferro do empresário de Oliveira de Azeméis. Também não se compreende a actuação da Segurança Social, ao pretender viabilizar a recuperação da empresa, quando tem estado a discriminar os jornalistas despedidos em 2008, procedendo apenas a alguns a pagamentos no âmbito do Fundo de Garantia Salarial, recusando-se a justificar sequer porque paga a alguns e não a outros.
Os jornalistas despedidos em Julho de 2008
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Castanheira Barros quer liderar o PSD
Se é verdade que é sempre bom reencontrar amigos e pessoas cuja lembrança nos inspira um sorriso, é ainda melhor perceber que essas pessoas continuam activas na sua coerência e na sua militância, lutando pelo futuro daquilo em que acreditam. O advogado Jorge Castanheira Barros, de Coimbra, é uma dessas pessoas, que felizmente tenho como amigo. No momento em que acaba de anunciar a sua disponibilidade para avançar na corrida à liderança do PSD, se conseguir reunir os “apoios humanos e financeiros” suficientes para sustentar “uma forte probabilidade de vitória”, não me resta alternativa a apoiá-lo nessa pretensão, com a certeza de que a sua eleição representaria uma lufada de ar fresco num partido cuja história recente tem registado uma embaraçosa curva descendente.Conheci o cidadão e o advogado, antes de conhecer o político. Empenhado na sua luta contra o avanço do processo de co-incineração, vi sempre nele um homem de causas, sério, certeiro, atento e dedicado. Castanheira Barros não vira a cara a um desafio, e se já em 2007 anunciou a sua disponibilidade para assumir a presidência do partido, numa candidatura minada ainda numa fase embrionária, precisamente por falta de apoios materiais para a sua concretização, é com bons olhos que o vejo agora reincidir nessa intenção. Nessa altura, enfrentaria Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, duas figuras de peso no partido. Hoje, consumando-se esta candidatura, enfrentará Manuela Ferreira Leite, uma decrépita sombra do que já foi, desgastada pelas recentes derrotas eleitorais, e Pedro Passos Coelho, o “eterno jovem” a que muitos social-democratas hesitam ainda dar o seu voto de confiança.
Para já, são estes os dois putativos candidatos à liderança do PSD. Adivinha-se um combate de titãs, disputado e interessante. Castanheira Barros afirma que, se a actual líder do partido continuar “agarrada ao poder”, será necessário “mostrar-lhe, quanto antes, a porta da saída, através da convocação de um congresso extraordinário e da consequente apresentação de uma moção de censura à actual Comissão Política Nacional”. Creio que Pedro Passos Coelho não discorda desta análise. Numa conferência de imprensa realizada há poucos dias, Castanheira Barros recordou que é “opositor de Manuela Ferreira Leite desde a primeira hora” (e eu sou testemunha disso!), garantindo que não ficará a assistir à corrida para a presidência. “As condições actuais são bem diferentes das do Verão de 2007, em que surgi como um candidato outsider posicionado entre Marques Mendes e Filipe Menezes”, explicou. Sobre aquele que é actualmente o seu único opositor, considerou que, “ao contrário daquilo que defende Pedro Passos Coelho, o PSD deve hoje procurar afirmar-se como um partido eminentemente social-democrata, e não como um partido liberal”.
Castanheira Barros quer apresentar “lista de oposição” a Manuela Ferreira Leite - “FOI UMA VITÓRIA FRÁGIL”
Diz que “o Conselho Nacional é que decide quem é candidato a primeiro-ministro”, mas não esconde a convicção de que Ferreira Leite é a militante mais mal colocada para esse combate. Castanheira Barros está a recrutar elementos para uma lista de oposição à líder do partido...
Carla Teixeira
Foi adversário de Marques Mendes e de Luís Filipe Menezes na corrida à liderança do PSD no âmbito das segundas eleições directas do partido, que tiveram lugar em Outubro do ano passado, com o lema «Unir o partido, devolver o poder às bases e restaurar o espírito ganhador». A apenas três dias do XXXI Congresso Nacional do PSD, agendado para o próximo fim-de-semana no Pavilhão Multiusos, na cidade de Guimarães, Castanheira Barros recorre ao mesmo argumento – a unidade no seio da social-democracia –, para justificar o desejo de apresentar uma lista de “frontal oposição” à nova presidente do partido, a quem não reconhece “potencial eleitoral para garantir a vitória nas legislativas de 2009”. Em declarações a O PRIMEIRO DE JANEIRO, o advogado de Coimbra explicou que, para vencer as eleições em 2009 e resgatar ao PS de José Sócrates a governação do País, “é preciso capitalizar os votos da Função Pública”, e “Manuela Ferreira Leite é a militante social-democrata mais mal posicionada para conquistar esses votos, porque foi ela, enquanto estava no Governo, que pôs em causa expectativas legítimas e direitos consagrados dos funcionários públicos”.
Na opinião de Castanheira Barros, o passado político e de governação de Manuela Ferreira Leite – que foi ministra da Educação e das Finanças, tendo protagonizado, na última daquelas missões, algumas políticas de rigor que não caíram bem no seio da Função Pública e da sociedade em geral – funciona como “handicap”, tornando muito difícil a sua eleição para o cargo de primeira-ministra, ainda que o advogado concretize que “o Conselho Nacional é que decide quem é o candidato a primeiro-ministro”, e não o presidente do partido”, apesar de ser tradição ser o responsável máximo pela estrutura a assumir os combates eleitorais com os outros partidos. No entanto, Castanheira Barros recorda que Manuela Ferreira Leite não tem a “ampla representatividade partidária” necessária a quem se assume como candidato a um cargo de tal responsabilidade para o País. E diz mais: “A vitória que alcançou nas últimas eleições directas é uma vitória democrática, mas muito frágil”, posto que se a nova líder obteve cerca de 37 por cento dos votos, é também certo que quase o dobro daqueles militantes votaram num dos outros candidatos.
Por isso, o antigo candidato à presidência avisa que Manuela Ferreira Leite “tem de ter noção de que a sua vitória é muito frágil”, sendo útil a apresentação de ideias e projectos de uma ala que se assuma como oposição dentro do partido, sempre com frontalidade e no âmbito da “tradição vincadamente pluralista que é um património do PSD”. Nessa linha de pensamento, adiantou ao JANEIRO, está a desdobrar-se em contactos com “figuras proeminentes que apoiaram as outras candidaturas à presidência do partido”, tendo ontem estado reunido com delegados ao congresso da zona da Figueira da Foz, e tendo para hoje agendados “encontros importantes” para a formalização da lista que pretende apresentar em Guimarães. Reconhece que “são pessoas muito ocupadas e os contactos não são fáceis”, e acrescenta que “o tempo também é escasso”, mas avisa que “até sábado às 20 horas” é possível que apresente a relação das pessoas que o acompanham neste desafio.
Instado a comentar se, tendo os candidatos derrotados nas directas feito um apelo no sentido da unidade do partido e da união em torno da nova presidente, não será a apresentação de uma lista de oposição vista como uma afronta a Ferreira Leite, o advogado considerou que “ainda estão por eleger três órgãos nacionais do partido”, que vai muito além do seu presidente, e que a sua concepção política é “inversa” à da actual líder, que “quer recuperar o PSD a partir das cúpulas e barões”, enquanto Castanheira Barros defende a necessidade de “devolver o partido às bases. É uma pirâmide invertida”, ilustrou.
Entretanto, alguns apoiantes da candidatura de Pedro Santana Lopes reuniram-se ontem na Figueira da Foz para “um jantar seguido de uma pequena reunião”, como explicou à Agência Lusa o ex-deputado social-democrata Luís Cirilo, concretizando que “foram convidados todos os mandatários distritais, quem trabalhou na direcção de campanha e os delegados eleitos pela candidatura” do ex-autarca da localidade. Por decidir continua, pelo menos oficialmente, a possível apresentação de uma lista daquela equipa ao Conselho Nacional do PSD, que Luís Cirilo diz ser “largamente provável”.
«O Primeiro de Janeiro»
18 de Junho de 2008
Líder do Governo Regional da Madeira foi “a grande ausência em Guimarães” - JARDIM CHAMADO À LIDERANÇA
Manuela Ferreira Leite acaba de ser eleita, mas a união em torno da presidente do PSD parece ter falhado em toda a linha. Castanheira Barros instou os militantes a formar uma lista de “frontal oposição” à líder, e ontem apontou Alberto João Jardim como o líder desejado.
Carla Teixeira
Ainda Manuela Ferreira Leite não esquentou o lugar de presidente do PSD e já nos bastidores do partido se equaciona a sua sucessão, defraudando a tentada imagem de unidade que foi mais convincente nos dois primeiros dias de trabalhos do XXXI Congresso Nacional do PSD reunido em Guimarães. À baila vem, segundo afirmou a O PRIMEIRO DE JANEIRO fonte interna social-democrata, a possibilidade de, ao cabo de poucos meses, a ex-ministra decida abdicar da liderança do partido a favor de Rui Rio, seu vice-presidente, que assim será chamado ao confronto directo com José Sócrates nas legislativas de 2009, mas Castanheira de Barros, o advogado de Coimbra que tentou constituir uma lista de “frontal oposição” à nova presidente, crê que as mudanças não se ficarão por aí, e lança o nome do presidente do Governo Regional da Madeira para a sucessão de Ferreira Leite.
À margem do congresso, e em declarações ao JANEIRO, Castanheira Barros disse que vê Alberto João Jardim como “o mais vitorioso dos social-democratas”, aferindo que “só quem não conhece a Madeira não é fã de Jardim”, que tem, frisou aquele militante, “a capacidade de falar com o povo, mas também um discurso de grande erudição, que estranhamente não passa para a Comunicação Social”. Castanheira Barros acredita que o líder madeirense seria bem aceite pelas hostes nacionais do PSD, justamente por esse discurso, que não é de oposição ao Continente. “Ele é o maior concretizador de objectivos que conheço, e a Madeira tem o maior índice de desenvolvimento da Europa nas últimas décadas, e estes são sinais evidentes de progresso, quer na chamada política do cimento, quer na vertente social”.
Pela mais-valia política que Alberto João Jardim representa para o partido laranja, o militante Castanheira Barros afirmou que “houve condições para que ele avançasse para a liderança do partido – só ele saberá por que não o fez –, mas voltará a haver condições para isso no futuro”. Quanto à hipotética passagem de testemunho entre Manuela Ferreira Leite e Rui Rio, o apoiante de Santana Lopes acredita que “é um cenário possível, mas insiste que “essa ideia resulta se pensarmos na possibilidade de colocar Jardim na presidência do partido”, porque, “ao contrário do que passa na Comunicação Social, a aceitação de Jardim no seio do partido é muito ampla, como ficou demonstrado com os apoios que reuniria, se tivesse avançado nas directas de 31 de Maio para a presidência do partido”.
Castanheira Barros falhou na pretensão de constituir uma lista própria, de oposição a Manuela Ferreira Leite, de que chegou a dar conta a O PRIMEIRO DE JANEIRO dias antes do conclave de Guimarães, mas ontem, à margem dos trabalhos, fez um ponto da situação e explicou por que aceitou integrar a lista de Santana Lopes para a Mesa do Congresso. Explicou que, no dia em que aquelas declarações chegaram às bancas, recebeu, numa reunião de apoiantes de Santana Lopes, um convite do próprio ex-candidato à liderança: “Pretendia congregar numa lista única os esforços de apoiantes de Passos Coelho e Santana Lopes, num consenso alargado entre os dois grupos de militantes, mas não foi possível”. Questionado sobre o resultado dos apelos à união no partido respondeu, laconicamente, que “nem por sombras” se vê essa unidade no seio da social-democracia.
«O Primeiro de Janeiro»
23 de Junho de 2008
sábado, 17 de Outubro de 2009
Pauliteiros de V. N. de Anços no Cadaval
De acordo com informações avançadas pela Câmara Municipal do Cadaval, promotora desta iniciativa, a Festa das Adiafas “tem como ponto de partida a celebração anual do final das colheitas, sejam de carácter vitícola ou frutícola. Ao longo das edições, o certame expandiu o seu âmbito, e hoje constitui um autêntico espaço agregador das actividades económicas e dos produtos da região”. Contudo, e “visto que os pilares fundamentais da Festa das Adiafas continuam a ser a produção frutícola e vitivinícola, de onde sobressaem, respectivamente, a reconhecida pêra rocha (o Cadaval é um dos principais produtores e exportadores do País) e o tão apreciado Vinho Leve, de que o concelho é também um exímio representante”.
quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
Um vídeo e muitas reacções...
1) Quando a noção de humor de uma pessoa inclui disparar uma série de afirmações historicamente erradas e cuspir na fonte de um monumento nacional de outro país, acho que fica bem patente o valor moral e até a inteligência de quem assim procede. Afinal, por mais que diga qualquer um de nós, ninguém dirá senão o que é, e Maitê Proença demonstrou bem o seu nível ou, neste caso, a falta dele;
2) Por outro lado, todos os que ao longo de várias décadas endeusaram e idolatraram uma actriz de segunda categoria (baseando-se, não raras vezes, na sua alegada e sempre discutível beleza), sem conhecer o mínimo do seu carácter, merecem isto e muito mais. É para aprenderem a não valorizar excessivamente o que vem de fora, apenas porque sim;
3) O mesmo digo de um povo que se tornou conhecido pelos seus “brandos costumes”, e que aceitou, entre outros sinais de falta de amor-próprio, a conspurcação da sua língua materna com vocábulos horrendos e muito frequentemente imbecis inventados pelos brasileiros, trocando a Língua Portuguesa por uma treta de (des)acordo ortográfico que consagra os erros deles, em vez das nossas regras. Os Portugueses habituaram-se há muito tempo a ser ridicularizados pelo mundo, e é nessa medida que me causa alguma estranheza esta empolada resposta patriótica, ainda que concorde com os seus preceitos. Ainda assim, declarar Maitê Proença como persona non grata em Portugal parece-me francamente exagerado. É dar-lhe muito mais importância do que aquela que a senhora efectivamente tem. E isso é coisa que não faço.
quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
domingo, 4 de Outubro de 2009
Quem tem dois pares de sapatos iguais?!
Quem, neste mundo, tem dois pares de sapatos iguais? Pois é… Eu. Eu tenho dois pares de sapatos exactamente iguais. E numa época atribulada, em que o volume de trabalho chega quase ao tecto cá de cada e em que mal tenho tempo para respirar, sentindo que vos tenho deixado um pouco ao abandono, eis que regresso do nada para vos dizer isto. Sim, é verdade. Tenho dois pares de sapatos exactamente iguais, no modelo e na cor, mas bem diferentes no preço. Esta é a história: comprei um par de sapatos que estavam com uma promoção fantástica, a metade do preço – um óptimo negócio, by the way, porque são confortáveis e engraçados –, mas cerca de uma semana depois arranhei um no pedal da embraiagem do carro e fiquei desolada! Felizmente, ainda que por mero acaso, logo no dia seguinte encontrei, na loja onde tinha comprado o primeiro par, uma nova promoção. Os sapatos que tinha comprado com 50 por cento de desconto custavam agora 20 por cento do preço inicial. Claro que aproveitei a oportunidade. Nesta espécie de saldos dos saldos, acabo por ter dois pares de sapatos por um preço inferior ao que custava cada um dos pares no início desta bela história. E pronto. Bem sei que isto não vos interessa nada, mas aceitem este post como sinal da minha vontade de regressar, na certeza de que, a breve trecho, estarei mais liberta para vos dar aquele “hello” diário a que vos tinha habituado nos últimos anos. I’ll be back!NOTA: Os sapatos desta imagem não são meus...
sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
sexta-feira, 11 de Setembro de 2009
Um bom exemplo made in Baião
O presidente da Câmara de Baião, José Luís Carneiro, que se recandidata ao cargo pelo PS, suspendeu segunda-feira o mandato para «evitar confusões» resultantes da dupla condição de autarca e candidato. A presidência da autarquia passou, a partir dessa data, a ser assegurada por Paulo Pereira, vice-presidente e vereador da Educação, Desporto, Associativismo e Juventude na Câmara de Baião. Em declarações hoje à Lusa, José Luís Carneiro explicou que decidiu meter férias até 11 de Outubro, data das eleições autárquicas, o que classificou como, «na prática se traduz numa suspensão de mandato».Aí está um homem que não está agarrado ao poder.
Excelente exemplo.
quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Confraternização de ex-Jornalistas do JN
Porque sinto que a história do «Jornal de Notícias» é também um pouco minha (foi lá que comecei a minha carreira jornalística, em 1999, por convite do então editor de Cultura, Manuel António Pina, e do director, Frederico Martins Mendes), deixo-vos aqui o anúncio do primeiro encontro de confraternização de ex-jornalistas daquela casa, num post “roubado” ao Alto Hama, espaço do meu amigo e camarada Orlando Castro: “Este encontro de ex-JN (e alguns actuais) abarca colaboradores desportivos e jornalistas e pretende ser, tão-só, uma jornada de confraternização e convívio entre pessoas que ajudaram a construir um grande jornal nacional e que não sabem umas das outras (entretanto, alguns já partiram sem que o soubéssemos).
A ideia é, pois, tocar a reunir o que nos uniu mais ou menos anos, com alegrias ou arrelias a mais ou a menos, e confraternizar e partir para um contacto mais "permanente" entre todos, até com os que tivemos sérias zangas, se possível.
É que a tolerância ainda existe e o JN que ajudamos e manter na primeira linha da imprensa portuguesa cultivou, apesar de todas as "guerras" internas e externas, essa capacidade de perceber os outros na grandeza e na pequenês dos seus actos.
O Encontro é no dia 19 de Setembro (um sábado), no Porto: Programa: missa, 11h, na Igreja da Trindade; almoço, 13h, em local dependente do número de adesões; prazo de inscrição: 5 de Setembro; preço: por definir (há, sempre, a possibilidade de se levar acompanhantes, em casos de força maior)”.
Comissão Organizadora 2009:
Gomes da Rocha: 966126935
gomes.da.rocha-2284p@adv.oa.pt
Sérgio de Matos: 961955985
asergiodematos@mail.telepac.pt
António Moura: 963272114
Costa Carvalho: 965581696/226007476
joserccarvalho@gmail.com
Frederico Martins Mendes: 964009506/226176483
fredmartinsmendes@gmail.com
Aurélio Cunha: 96 608 7258
aureliocunha@netcabo.pt
Fernando Martins Mendes: 967948703/229518122
fammendes@hotmail.com
terça-feira, 11 de Agosto de 2009
domingo, 2 de Agosto de 2009
Eduardo Oliveira Costa desmascarado!
Ex-admin
istrador da Sedico “desmascara” Eduardo Costa José Reis, ex-administrador da empresa Sedico, vem a público denunciar Eduardo Costa, empresário oliveirense responsável pelo jornal Correio de Azeméis, pela Rádio Azeméis FM e pelo jornal “O Primeiro de Janeiro”. Amigo de Eduardo Costa desde cedo, José Reis tornou-se seu funcionário assim que chegou a Portugal vindo da Venezuela. Desde 1992 que a história de José Reis se confunde com a actividade profissional de Eduardo Costa. Com o objectivo de limpar a sua imagem e de desmistificar o empresário oliveirense, José Reis conta ao Mais Alerta o seu percurso desde 1992 e caracteriza Eduardo Costa, que sempre tomou por grande empresário e pessoa honesta. Neste momento, as palavras que José Reis usa para descrever o empresário oliveirense são “delinquente” e “trapaceiro”.
José Reis tem, actualmente uma dívida superior a um milhão de euros que diz resultar da actividade da empresa Sedico (empresa ligada à actividade do jornal “O Primeiro de Janeiro), da qual foi administrador. As suas contas bancárias foram congeladas e o uso do cartão de crédito interdito. José Reis diz que a finalização do processo penal pendente em que é arguido ainda pode resultar em pena de prisão. No entanto, garante que durante todo o tempo em que esteve ligado à empresa pouco soube da sua actividade, apenas assinava cheques e documentos por indicação de Eduardo Costa. “Eu fazia de tudo de olhos fechados. Ele era um homem honesto, sério e eu punha a mão no fogo por ele (Eduardo Costa)”, esclarece José Reis. “O Eduardo ia sempre para o Porto. Ele tinha lá um escritório para trabalhar e geria o Janeiro, mas as secretárias dele sabiam que ele nunca assinava e que vinha tudo para cá num envelope. Eu ia e assinava. Era assim que se fazia: eu só ia à Folha Cultural ou à Coraze assinar”, afirma José Reis.
Foi assim que José Reis assinou o despedimento de cerca de 30 jornalistas de “O Primeiro de Janeiro”. Conta que a decisão foi tomada por Eduardo Costa, mas como o empresário tinha renunciado ao cargo de presidente de “O Primeiro de Janeiro” em 1993 teria que ser José Reis a assinar como administrador da Sedico. “Ele tinha renunciado em 1993 e como não podia assinar, mandou-me assinar a mim. Fui eu que assinei. Ele estava a negociar e chamou-me para assinar, nem vi as cartas”. O advogado reformado adiantou que “ele sempre administrou o Janeiro, nada passava ao largo dele. Ele administrava e geria mas não assinava nada”.
“Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era”
Mas o início da história remonta a 1992. José Reis, advogado reformado, chega a Portugal vindo da Venezuela e monta um escritório em Oliveira de Azeméis. Pelo que conta Eduardo Costa tinha instalações perto das suas e, como tinha sido seu professor, o empresário oliveirense chamou-o para trabalhar consigo. José Reis explica que foi em 1992 que se ligou profissionalmente a Eduardo Costa e começaram por trabalhar na empresa “O Primeiro de Janeiro, S.A.”. “Ele disse que ia precisar de mim para trabalhar para o Janeiro”, avança José Reis. O agora advogado reformado afirma: “O Eduardo (Costa) tinha medo do Janeiro porque era uma estrutura grandíssima, estava tudo a desmoronar-se, havia contas por pagar, dependências por limpar, coisas a guardar. Era uma grande aventura aquele negócio”. Mesmo apesar de saber que era tarefa difícil, José Reis decidiu acompanhar Eduardo Costa.
Enquanto trabalhava para Eduardo Costa, José Reis conta que fazia um pouco de tudo, “era um tarefeiro”. Mas os problemas de saúde limitaram os seus movimentos e José Reis deixou de ir para o Porto, onde estava sedeado “O Primeiro de Janeiro” e ficou em Oliveira de Azeméis. O advogado reformado conta que se manteve na cidade oliveirense, recebia um ordenado e apenas ia ao Porto de vez em quando. “Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era. O Eduardo, quando dá um ordenado a uma pessoa, não investe cegamente”, explica José Reis.
“Nessa altura comecei a perceber que estava tramado”
Depois de ter alguns cuidados de saúde e de ter estado, inclusivamente, internado, José Reis é nomeado administrador da Sedico, em 2003. A Sedico é a empresa que surge para administrar “O Primeiro de Janeiro”. José Reis conta que a empresa ficou sedeada em Gondomar e explica que “isso foi uma encenação”. “No porto qualquer arrumador de carros conhece o Eduardo Costa como dono do Janeiro, qualquer pessoa o conhece, porque é sempre ele que aparece. Era uma vergonha haver dívidas ou ilícitos fiscais no Porto. Ele queria cometer ilícitos e para não os fazer no Porto (onde toda a gente o conhecia), transferiu a sede para Gondomar”, esclarece José Reis. O advogado reformado avança que apenas foi a Gondomar uma única vez. “Fui lá (Gondomar) uma vez depois de 2007”, esclarece José Reis que diz ter encontrado “um curral de cabras, chão em terra batida, cadeiras rotas”.
“Aquilo (Sedico) não era empresa nenhuma, era um depósito de cadeiras”, afirma dizendo que começou a abrir os olhos quando chegou o primeiro aviso de dívida. “Eu era administrador de direito e não de facto, ou seja, nunca administrei nada. Eu tinha a conta no meu nome, mas nem sabia informações nenhumas”, garante José Reis. Apesar de desconfiado, José Reis continuou como administrador da Sedico. O advogado reformado diz que continuava a assinar todos os cheques e documentos que vinham do Porto. É em finais de 2008 que descobre mais uma dívida da empresa sedeada em Gondomar. “Escrevi também uma carta para ele a dizer que aquilo era da responsabilidade dele. Esperei que ele pagasse, mas ele não pagou”, explica José Reis que diz: “Nessa altura comecei a perceber que estava tramado”. E foi então que resolveu começar a juntar provas para se defender e para denunciar a actividade de Eduardo Costa.
“Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”
Durante toda a conversa com o Mais Alerta, José Reis sempre fez questão de reforçar que nunca questionava as decisões de Eduardo Costa. “Uma decisão de Eduardo Costa não é para contestar. O Sr. Eduardo decidia e decidia bem e ele é que sabe da sua empresa. Eu assinava sempre pensando que era para bem da empresa. Tudo o que eu assinava era para a gestão eficiente da empresa”, garante José Reis, que conclui: “Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”.
Empresário oliveirense incontactável
Desde que os cerca de 30 jornalistas foram despedidos de “O Primeiro de Janeiro” que Eduardo Costa tem sido motivo para reportagens. A revista “Visão” já lhe dedicou várias páginas e outros órgãos de comunicação falam dele frequentemente. Em Agosto de 2008, o Diário de Notícias dizia que “sediado em Oliveira de Azeméis, detém cerca de 30 empresas ligadas a dez áreas de negócio distintas. Da comunicação social nacional e regional ao imobiliário e construção civil, do turismo à distribuição de livros”. Eduardo Oliveira Costa detém a Carteira Profissional de Jornalista e detém 16 títulos. Já foi julgado e condenado a uma pena de prisão de dois anos e meio, suspensa por um ano, por fraude na obtenção indevida de subsídios por parte do Estado, através do jornal Recortes da Província. Na repetição do julgamento, foi absolvido dos crimes de burla e de falsificação de documentos. O Mais Alerta tentou entrar em contacto com Eduardo Costa, mas até ao fecho de edição não foi possível ouvir qualquer comentário do empresário.
Frases
“Eu fazia de tudo de olhos fechados. Ele era um homem honesto, sério e eu punha a mão no fogo por ele (Eduardo Costa)”
“O Eduardo ia sempre para o Porto. Ele tinha lá um escritório para trabalhar e geria o Janeiro, mas as secretárias dele sabiam que ele nunca assinava e que vinha tudo para cá num envelope. Eu ia e assinava. Era assim que se fazia: eu só ia à Folha Cultural ou à Coraze assinar”
“Ele sempre administrou o Janeiro, nada passava ao largo dele. Ele administrava e geria mas não assinava nada”
“Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era. O Eduardo, quando dá um ordenado a uma pessoa, não investe cegamente”
“Ele queria cometer ilícitos e para não os fazer no Porto (onde toda a gente o conhecia), transferiu a sede (da Sedico) para Gondomar”
“Aquilo (Sedico) não era empresa nenhuma, era um depósito de cadeiras”
“Eu era administrador de direito e não de facto, ou seja, nunca administrei nada. Eu tinha a conta no meu nome, mas nem sabia informações nenhumas”
“Eu assinava sempre pensando que era para bem da empresa”
“Nessa altura (finais de 2008) comecei a perceber que estava tramado”
“Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”
Laura Sequeira, Mais Comunicação
4 de Junho de 2009
quinta-feira, 30 de Julho de 2009
Um ano depois, a história renova-se!
Os 32 jornalistas e demais trabalhadores do jornal «O Primeiro de Janeiro» ilegalmente despedidos há um ano continuam a aguardar que as entidades judiciais e estatais façam valer os seus direitos, violados de forma sistemática e inaceitável, e hoje, pelas 20h30, assinalam o primeiro aniversário do despedimento colectivo ilegal de que foram vítimas a 31 de Julho de 2008, com um jantar no Restaurante Mar do Norte (à Rua Mouzinho da Silveira, no Porto). Para os mais desatentos, porque haverá ainda muita gente que desconhece os meandros de todo este processo, ficam alguns dos mais recentes desenvolvimentos desta arrepiante história:
Jornal de Notícias, 18 de Julho de 2009
Rádio Renascença, 20 de Julho de 2009
Jornal de Notícias, 21 de Julho de 2009
Servir o Porto – Blog de Pedro Baptista (PS/Porto)
domingo, 26 de Julho de 2009
Pauliteiros de V. N. de Anços no Minho
IV Festival Folclórico «Os Amigos de Longos Vales»
Mosteiro, 15h
Grupo Folclórico «Os Amigos de Longos Vales»
Rancho Folclórico e Regional do Lavradio, Barreiro
Grupo Folclórico da Casa do Povo de Lomar, Braga
Praça Deu-la-Deu Martins, 21h
Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços, Coimbra
Grupo Folclórico "Os Amigos de Longos Vales"
Pauliteiros fizeram a festa em Marvão
O dia de ontem foi um dia em cheio. O calor era mais do que muito, mas a festa não esperava por ninguém, e por isso ganhou a vontade de nos fazermos à estrada e percorrermos os cerca de 250 quilómetros que, em Vila Nova de Anços (concelho de Soure, distrito de Coimbra), nos afastavam de Santo António das Areias (freguesia do concelho de Marvão, no distrito de Portalegre). Foram algumas horas de caminho: primeiro pela A1, depois pela A23, e no troço final por estradas mais pequenas, mas sempre em grande animação. A festa foi de arromba e, como é hábito, o Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços dançou e encantou a plateia. Se é certo que nunca me definiria como uma amante do folclore, a verdade é que (apesar de a minha opinião ser suspeita) ver os espectáculos dos Pauliteiros é sempre muito agradável. E mesmo que assim não fosse, a vista do Castelo de Marvão compensava o sacrifício! Hoje, os Pauliteiros actuam em Monção, no Alto Minho!sábado, 25 de Julho de 2009
sexta-feira, 24 de Julho de 2009
O "voto sentido" de Carlos Narciso...
Carlos Narciso no Escrita em Dia
quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Será ingenuidade de Elisa Ferreira?!
A candidata do Partido Socialista à Câmara Municipal do Porto – que insiste em definir-se como independente e que um número crescente de militantes do partido contesta – disse ontem, em declarações à Agência Lusa, que a “gestão ruinosa” do Parque da Cidade vai levar Rui Rio a perder a presidência da autarquia, nas eleições de Outubro. Não sei se isto revela ingenuidade ou desespero de Elisa Ferreira. É que Rui Rio não vai perder as eleições! Até porque, se por um lado é certo que a candidata de alguns socialistas pretendia referir-se à promessa eleitoral de Rui Rio de não autorizar qualquer construção naquele espaço, a verdade é que esse assunto passa completamente ao lado da maior parte dos portuenses, que vê no Parque da Cidade apenas um local de grande valor natural e paisagístico, onde é possível respirar ar puro, praticar algum desporto, descontrair e estar em contacto com a natureza. Eu, sendo portuense mas não eleitora no concelho, vejo-o assim. Já lá fiz muitas das minhas caminhadas diárias, ao final da manhã ou ao serão, e vejo o parque apenas e só como um excelente lugar para usufruir do verde, da proximidade do mar, numa espécie de fuga, ainda que temporária, ao stress da cidade. Achar que Rui Rio vai perder a Câmara do Porto por causa da forma como tem gerido o Parque da Cidade é, no mínimo, ingénuo.segunda-feira, 20 de Julho de 2009
Um ano depois, só mudam as moscas…
Jornalistas no “Janeiro” e no “Motor” ainda sem salários
1.Apesar da intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho, a pedido do Sindicato dos Jornalistas, os jornalistas e outros trabalhadores ao serviço das publicações “O Primeiro de Janeiro” e “Motor” continuam sem receber os respectivos salários, em dívida há três e oito meses, respectivamente, bem como os subsídios de férias e de Natal do ano passado e o subsídio de férias deste ano.
2.Trata-se de uma situação completamente inaceitável e insustentável, atentatória dos elementares direitos dos trabalhadores e que revela a falta de respeito do empregador para com o extremo sacrifício desses profissionais, os quais, apesar de nada receberem, continuam a comparecer regularmente nos seus postos de trabalho e a assegurar a produção daquelas publicações.
3.Recorda-se que, além dos profissionais ainda ao serviço do “Janeiro” e do “Motor”, três dezenas de outros jornalistas despedidos ilegalmente do “PJ” há quase um ano continuam sem receber os respectivos créditos e a reclamar os seus direitos.
4.O SJ considera urgente pôr termo a esta situação e continua a acompanhar e a apoiar os jornalistas na tomada das medidas necessárias, a fim de que o respeito pelos seus legítimos direitos seja reposto.
5.O SJ alerta uma vez mais os jornalistas para o facto de – como a realidade se tem encarregado de demonstrar – a cedência de direitos que constituem conquistas civilizacionais em nada ajudar à resolução dos problemas laborais, antes contribuir objectivamente para agravar e perpetuar situações de exploração que atentam contra a dignidade humana.
Lisboa, 20 de Julho de 2009
A Direcção
sábado, 18 de Julho de 2009
Adam Lambert está na música para ficar!
Um pouco por acaso, e não com muita regularidade, fui acompanhando, às sextas-feiras à noite, algumas das etapas da última temporada do programa «American Idol», que passa actualmente na Fox Life, o meu canal de eleição. Este homem que vêem neste vídeo chama-se Adam Lambert e, na minha opinião, não venceu o concurso por um lamentável equívoco. Na voz dele, na forma como redesenhou todos os temas que interpretou, pelo look, pela entrega, este homem é o que considero um verdadeiro artista. Ouvi-lo é um prazer, e esta música, que ouvi ontem à noite na voz dele, ficou-me na memória. Porque enquanto a ouvia, sentia aquele arrepio característico dos momentos em que algo nos toca mais profundamente. Não tenho dúvidas de que Adam Lambert está lançado no mundo da música. Para ficar.
sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Uma desilusão chamada Elisa Ferreira
Elisa Ferreira desiludiu-me. Como candidata à presidência da Câmara Municipal do Porto tem sido desastrosa, dando sucessivos tiros nos pés e pretendendo passar uma imagem de segurança que acaba por revelar fragilidade. Insiste no estatuto de independente de forma quase absurda, quando todos sabemos que cresceu e chegou onde chegou sempre apoiada no PS. Tem revelado também, e acreditem que sei do que falo, tiques muito pouco democráticos, ao pretender, por exemplo, imiscuir-se no quotidiano de empresas com as quais nada tem a ver, querendo reservar-se ao direito de decidir quem é que essas empresas podem ou não contratar. A imagem que tinha de Elisa Ferreira, alicerçada na forma sempre afável e disponível com que atendia os telefonemas dos jornalistas – e liguei-lhe bastantes vezes durante os meus 10 anos de carreira – e se dispunha a esclarecer dúvidas e responder às perguntas que estes lhe faziam, ruiu há poucos dias, de forma tão radical quanto insanável.É pena. Basicamente, porque considero que Elisa Ferreira poderia ser uma excelente presidente de câmara. É decidida, é ousada, revela grande ligação ao que faz e forte empenho no seu trabalho (pelo menos até ao momento em que decide dizer que só lá vai assinar o ponto, porque o que quer mesmo é outra coisa). Com esta candidatura, creio que o PS perdeu qualquer possibilidade de recuperar a presidência da autarquia portuense, mesmo tendo em conta que Rui Rio também não tem sido exactamente brilhante no papel de autarca. Se já tinha a ideia de que a sua “obra” se resumia ao Red Bull Air Race e às corridas de carros na Boavista, nos últimos tempos, justamente em iniciativas promovidas pela candidatura socialista (não venham com o “independente”, porque Elisa Ferreira só existe graças ao PS), fiquei a saber que a obra do PSD tem sido também bastante destrutiva para a cidade, designadamente nas áreas do Desporto e da Cultura. Isto para não falar de que à noite o Porto é um deserto, que tem perdido liderança no contexto do Norte e que está a definhar a olhos vistos.
Se Elisa Ferreira poderia resolver alguns destes problemas? Poderia. Capacidades não lhe faltam. Mas não vai ter sequer essa hipótese, porque se deixou enredar numa teia de falhanços claros e sucessivos, e de argumentos incapazes para os justificar. É certo que seria difícil, e constrangedor, para o PS encontrar um substituto a esta altura do campeonato. Mas a verdade parece evidente: a candidatura de Elisa Ferreira vai protagonizar o pior resultado de sempre do PS na cidade do Porto. Não será culpa de José Sócrates, nem do Governo, embora não vão também faltar as vozes a tentar fazer-nos acreditar nisso. A culpa será, apenas e só, da candidata. Elisa Ferreira não está à altura do desafio. Marco António Costa disse-o, ainda a “independente” era apenas uma opção, e na altura critiquei-o por desmerecer assim uma pessoa com tal currículo. Parece, no entanto, que ele tinha razão. Talvez não pelos motivos que apontou, mas tinha razão. Elisa Ferreira tornou-se uma desilusão para mim. E tenho pena.
segunda-feira, 6 de Julho de 2009
sábado, 4 de Julho de 2009
Tragam daí uma babete, “faxabor”!
sexta-feira, 3 de Julho de 2009
Era bem capaz de viver em Madrid!
Alguns dos melhores museus do mundo, edifícios de tirar o fôlego, preços escabrosos que por pouco nos tiram a vontade de comer e de beber, e a imensa curiosidade de conhecer tudo, de parar em todo e qualquer cantinho, de trazer no bolso aquela (viva)cidade. Apaixonei-me por Madrid. Por cada dia em que percorri quilómetros e quilómetros. A pé, de autocarro, de metro, de táxi, de comboio… Pela arquitectura que nos deixa de nariz levantado e boca aberta, a olhar os majestosos edifícios, pelas lojas da Calle de Preciados, pelo reclamo luminoso na Puerta del Sol, pela lindíssima Puerta de Alcalá, pela Plaza Castilla, pelas más memórias de Atocha, pela beleza do edifício que alberga o Ministério da Agricultura, pela famosa estátua de «El Oso y el madroño», símbolo da cidade, que tanto procurei… e que encontrei logo na primeira noite. Madrid é espectacular, acreditem!
António Lobo Antunes vaticinou, num dos seus mais recentes livros, que haveria de amar uma pedra. Antes Fernando Pessoa quis guardar todas as pedras e construir um castelo. Eu amei todas as pedras de Madrid. Quero voltar, construir por lá o meu castelo. Madrid me encanta! Como ouvi da boca de uma espanhola, “Madrid que la parió”! No bom sentido, claro!
quarta-feira, 24 de Junho de 2009
Um desabafo que é uma mensagem
Ao longo da minha ainda curta existência, nem sempre pelos melhores motivos, descobri que sou uma pessoa marcante. Sou directa e frontal, não olho às hierarquias, tenho a tendência para dizer sempre o que penso, doa a quem doer, e até gosto de provocar alguma celeuma com as coisas que sei e que digo. Sou leal para com os meus amigos, apesar de muitos não terem merecido nem honrado essa lealdade, e dou sempre muito mais de mim do que aquilo que recebo.Normalmente não desisto das coisas de que gosto, porque sei que estou à altura de as alcançar e manter. Agora que estou quase a entrar nos 33 anos, idade que sonhei reiteradamente (durante 12 longos anos, noite após noite) que não conseguiria atingir, encontro-me numa fase de balanço e, acredito, esse balanço é francamente positivo. Porque preferi ser dona de uma moeda do que escrava de duas. Sempre. E porque sou feliz com as escolhas que fiz.
Outra coisa que sempre soube é que, na política como em muitas outras coisas, há gente capaz de ir muito baixo. Gente capaz de se esfregar no lodo que deixou criar na pedra que tem no lugar do coração. Gente capaz de ofender e injuriar, apenas porque não consegue chegar ao mesmo nível daqueles a quem dedica tão viscerais sentimentos.

Contrariamente ao que é normal em mim, que raramente desisto daquilo que quero, houve dois episódios em que o fiz: quando desisti de lutar contra a administração de «O Primeiro de Janeiro» pelos ordenados em atraso e pela indemnização a que tenho direito, por ter sido, há já quase um ano, alvo de um despedimento colectivo ilegal, e quando me demiti do emprego que tive depois, por razões estritamente pessoais, mas profundamente importantes para mim.
Desse emprego, na área da assessoria política e de imprensa, constava uma relação profissional com o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, pessoa com quem aprendi muito e de quem gostei desde o primeiro instante. Castro Fernandes é uma pessoa profundamente dedicada à política, conhecedora dos dossiers e dos procedimentos, envolvida no quotidiano do seu município, divertida e disponível. No entanto, razões pessoais levaram-me à demissão, consumada no final de Março deste ano.
Curiosamente, nunca pensei que ficasse tão conhecida – e tão odiada – em Santo Tirso. Fiz amigos, é certo. Amigos de quem guardo boas recordações e alguns números de telefone e endereços de e-mail. Já lá voltei inúmeras vezes depois da demissão, para estar com alguns deles, se bem que a minha vida – que agora se divide entre as cidades do Porto, de Aveiro, Coimbra e Torres Vedras – não me tem permitido dedicar à amizade tanto tempo quanto desejaria.Ainda assim, há quem pense que o meu fantasma ainda trabalha na Câmara de Santo Tirso e – pasme-se! – têm lançado ameaças à minha pessoa, como se me ofendessem muito por dizer que eu trabalho lá, se de facto lá trabalhasse. Fui alertada por uma amiga que trabalha lá que há comentários a circular em vários blogs, que se referem directamente a mim, que utilizam informações que disponibilizo neste blog, e que inclusivamente me ameaçam de “expor” a minha vida, e a das pessoas que gosto. Dizem que vão mostrar fotografias minhas, da minha família, do meu carro…
Enfim!

Um amigo meu, advogado na Vila da Feira, assegura-me de que posso processar os blogs em questão e formalizar uma queixa contra desconhecidos. Eu acho que quem desistiu de exigir o que é seu (no caso Janeiro) não tem grande grande vontade de se ir meter em tribunais por causa disto. No entanto, não é agradável ser ameaçada por pessoas que não conheço, e que acham que publicar fotos minhas ou da minha família e do meu carro (onde as arranjariam não faço ideia) me faria parar o que quer que estivesse a fazer que as ofendia.
Nunca tive medo de nada, nem de ninguém. Espreitei os blogs em causa e, creiam, são tão deprimentes que nem vale a pena pensar mais nisso. Aliás, dá mesmo vontade de criar um e falar da vida política de Santo Tirso, mas assinando como sempre assinei tudo o que disse e escrevi. Uma coisa é certa, porém: nisto não posso decidir apenas por mim, e se alguém ofender a minha família ou os meus amigos, ou por qualquer motivo expuser a vida privada de qualquer dessas pessoas, terei necessariamente que tomar medidas.
Porque sei que as pessoas que orquestraram essa ridícula tentativa de desmascarar alguém – que julgam ser eu – lêem este blog, optei por deixar também aqui o aviso. Caso o meu nome venha a ser envolvido em qualquer polémica relacionada com os blogs de Santo Tirso, concelho que nada me diz desde o passado mês de Março, farei as necessárias diligências no sentido de processar os envolvidos. Nunca tive vocação para bode expiatório, muito menos num concelho que nem sequer é o meu. Obrigada pelo vosso tempo, e desculpem os que nada têm a ver com isto nem encontram nesta situação qualquer ponto de interesse. Eu continuo a achar que a mente humana é profundamente insondável…
Vou de férias.
Portem-se bem!
terça-feira, 23 de Junho de 2009
Bom S. João para todos os despenteados!
Por cá o fumo anda no ar e há muito que o cheiro invadiu toda a rua. Cheira a sardinha, a pimento assado e a broa caseira. As conversas entre vizinhos sentam-se à volta do fogareiro, prepara-se os balões de ar quente a lançar ao céu mais logo, e as crianças correm já em busca de cabeças sobre as quais disparar as tradicionais “marteladas”. Com martelo (às vezes com o cabo) e alho-porro, já se me queixa a cabeça das batidas. Mas é S. João, e a malta não leva a mal, até porque também já tive a idade deles. Portanto, meus amigos, façam o favor de se divertir nesta noite que é de folia, mas com juízo! Bom S. João para todos, e uma beijoca especial aos “primos” da Terceira, que nos Açores a festa tem outra categoria!segunda-feira, 22 de Junho de 2009
Minerva e Costa Marina em Leixões
Caro Modesto, as minhas desculpas por só tão tardiamente atender ao seu pedido, mas o dia de hoje foi bastante intenso, com viagens e afazeres, e só há poucos minutos, quando cheguei a casa, vi o seu e-mail. Já não será muito actual, mas é sempre uma boa notícia. Hoje, o repórter de serviço foi o meu amigo! Parabéns.
domingo, 21 de Junho de 2009
S. João do Deserto em todo o esplendor
Fotos: Mente DespenteadaEstava um calor infernal, e de início até parecia que não ia aparecer muita gente. Depois de muito pó engolido para lá chegar, e daqueles primeiros alguns minutos de alguma expectativa quanto ao sucesso da coisa, a actuação do Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços fez a festa, como aliás é hábito. Depois desta tarde, o lugar de S. João do Deserto, no Concelho de Penela, nunca mais será o mesmo... :)
Pauliteiros de V. N. de Anços em Penela
Arrancaram ontem, na aldeia de Espinhal, Concelho de Penela, Distrito de Coimbra, os tradicionais festejos em honra de S. João do Deserto. Num lugar famoso pelo seu miradouro, de onde, “com um bom binóculo e um pouco de imaginação”, é possível avistar seis distritos – Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Guarda, Aveiro e Viseu – sem gastar mais do que botas, como afirmava Eugénio de Castro, sucedem-se, até amanhã, os momentos de celebração. De acordo com a junta de freguesia local, a aldeia de Espinhal tem “muitos encantos naturais”, entre os quais figuram as represas naturais da Louçainha, a bravia da Pedra da Ferida e, obviamente, o Lugar de S. João do Deserto, “uma das paisagens em que mais se comprazia o grande poeta Eugénio de Castro”. Não faltam, por isso, os ingredientes para que este seja um passeio inesquecível. Mas hoje há ainda mais uma razão para lá ir: o Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços, em que milita o meu consorte, actua hoje, a partir das 15 horas, naquelas festas, antes mesmo da tradicional garraiada. Fica o convite, a quem estiver por lá perto. Apareçam! “A Serra do Espinhal oferece aos olhos de quem passa uma paisagem inigualável. Daqui se avista a bela Vila de Penela, encimada pelo seu Castelo. Dependendo da altura do ano, a serra cobre-se de tonalidades diversas, que vão desde o verde, ao azul, passando pelo cor de rosa e pelo amarelo, dependendo da imensa variedade de plantas e árvores que aqui se pode encontrar. Na freguesia do Espinhal, para além das diversas habitações nobres, é imprescindível visitar as Piscinas Naturais da Louçainha, subir ao alto da serra de Stª Maria (onde existe um característico relógio de sol) e deslumbrar-se com as paisagens de S. João do Deserto. Um dos edifícios mais importantes da freguesia do Espinhal é a Igreja Matriz datada do séc. XVI, a qual se destaca pela sua arquitectura e pela sua escultura”. http://www.aldeiasdoxisto.pt/
sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Cristiano Ronaldo no Real Madrid
Acho que nem sei ler os números relativos à transferência de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, pelo menos sem uma lupa e um telescópio! No entanto, acho que não tem razão de ser a indignação que tomou conta do país por causa desta transferência. O país está em crise? Estará… O mundo está em crise? Talvez. Mas, e daí? O Cristiano Ronaldo pôs-se um preço, e alguém, mesmo tendo noção da enormidade dos números, dispôs-se a pagá-lo. E agora? Deveria o homem vender-se por menos, para não chocar ninguém? Não concordo. O dinheiro que ganha é dele, seja dentro, seja fora do campo. O dinheiro que lhe pagam é pago por quem pode, e por quem não sente falta dele e o dá por bem investido. Não é por Cristiano Ronaldo custar mais ou menos que vai acabar a crise e a fome no mundo. E se foi considerado (justa ou injustamente, pouco importa) o melhor do mundo, acho bem que se faça pagar por isso. Só paga quem quer e quem pode. O resto, os comentários de quem faz deste assunto um drama, que diz que ele não vale nada, que é um arrogante, que não sei que mais, e de quem vai buscar a crise mundial para justificar a sua ira em relação a este negócio, soa-me apenas e só a inveja. Pura e dura! O homem estipulou um preço e houve alguém que o pagou. Assunto encerrado.E acrescento um pormenor: dentro de poucos dias deslocar-me-ei à capital espanhola para uns (merecidos) dias de férias. Tenho a intenção de visitar o Santiago Barnabéu (a entrada custa 15 euros por pessoa, mas que se lixe! Faço uma pausa na crise), e de trazer uma camisola do Real Madrid já com o nome do Ronaldo.
sexta-feira, 12 de Junho de 2009
quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Haverá fumo sem fogo?
Foto: Carla Teixeira/Mente Despenteada Ao início da tarde de ontem, quando passava pelo posto de abastecimento de combustíveis da Galp junto à saída da VCI para as Antas, no Porto, era este o cenário: fumo, muito fumo que saía de uma das tampas existentes do chão do referido posto, grande alarido à volta, moradores nas habitações vizinhas à janela, na rua, ao telefone com os bombeiros…
Não sei a que se deveu o incidente, mas o que é certo é que havia vários automóveis e outros tantos automobilistas que assistiam ao desenrolar dos acontecimentos, impávidos e serenos, como se o cenário não oferecesse qualquer perigo. Eu, pelo contrário, zarpei dali assim que pude, não sem antes constatar o que já todos sabemos: os tugas são mirones por natureza, e por isso, mesmo à minha frente, atraídos pelo que acontecia ao lado, quatro condutores acabaram por protagonizar um choque em cadeia, de onde, pelo menos aparentemente, mais não resultaria do que chapa (muita chapa) amolgada.
Do fumo em si, visto que não me apercebi de que houvesse ecos na Comunicação Social, não terá resultado mais do que um pequeno susto. Ao menos isso…
Eleições europeias e memórias políticas
Fotografia de Ângela Velhote, fotojornalistaO PSD venceu as eleições europeias 2009.
Parabéns, e cumprimentos pela vitória.
sábado, 6 de Junho de 2009
Contra a abstenção, votar, votar!
Portugueses,Estamos já a menos de 24 horas da abertura das urnas para as eleições europeias deste ano. Hoje, vive-se em toda a Europa o chamado “dia de reflexão”, na ressaca de uma campanha eleitoral que em Portugal fica essencialmente marcada pelos ataques pessoais entre candidatos e pelo debate de questões internas, mais do que pela discussão de temas concernentes ao âmbito de actividade do Parlamento Europeu. É o costume.
Segundo dados da Direcção-Geral da Administração Interna, para as europeias de amanhã estão recenseados 9,6 milhões de portugueses, mais 17 mil do que no último acto eleitoral realizado em Portugal, as eleições presidenciais de 2006, quando estavam inscritos 8,9 milhões de eleitores no nosso país. De acordo com a Comissão Nacional de Eleições, nessa altura a abstenção atingiu os 38,47 por cento. Uma percentagem elevada, mas que ainda assim fica bem aquém da tradicional abstenção nas europeias (27,58 por cento em 1987, 48,90 por cento em 1989, 64,46 por cento em 1994, 60,07 por cento em 1999 e 61,40 por cento em 2004).
Mais inscritos não significa, infelizmente, mais votantes, e a chuva que se adivinha para este fim-de-semana também não constitui bom prenúncio. Não acredito que algum partido consiga bater os números da abstinência no voto. Os portugueses tendem a demitir-se dos seus deveres, e a atirar à rua as oportunidades de exercer a sua cidadania, como se isso não lhes dissesse respeito. É um erro. Porque não são os políticos que constroem a qualidade da democracia. São os cidadãos, que livremente se expressam, nos momentos e nos lugares certos, quanto ao futuro do país e, neste caso, quanto ao futuro da Europa. Cabe aos portugueses decidir quem são os seus representantes no Parlamento Europeu, mas a tendência é para se pensar que a Europa é demasiado longe para ter algo a ver connosco. Erro, outra vez.
Por isso, amanhã vamos todos às urnas. Vamos ajudar a construir o Portugal que é de todos. Sem esquecer que a Europa é, cada vez mais, um elemento fundamental da afirmação de Portugal e dos portugueses no mundo. Contra a abstenção, votar, votar!
quarta-feira, 3 de Junho de 2009
Trabalhadores Consulares em greve
Falando aos sócios, a direcção do sindicato afirma que, “apesar de a greve ter sido devidamente anunciada, e de o aviso prévio legalmente previsto ter sido enviado ao senhor ministro e a outros governantes competentes, o Ministério dos Negócios Estrangeiros manteve-se surdo e mudo, as Finanças não quiseram viabilizar a devida actualização para 2009, e o Poder mostra preferir desprezar os direitos dos cidadãos, seus trabalhadores ou emigrantes, do que resolver problemas pela via democrática, inteligente e negociada”. Por esse motivo, o sindicato reforça o seu apelo à adesão à greve nesta quinta-feira, e alerta para a recusa de quaisquer tentativas de intimidação ou acção à margem da lei por parte das chefias, divulgando as normas legais pertinentes em matéria de greve.
Toda a verdade sobre os genéricos
Foi no programa matinal da SIC apresentado por Merche Romero – com que me deparei num zapping e cujo nome ignoro – que assisti a uma cena digna de figurar numa qualquer listagem de “tesourinhos deprimentes da nossa televisão”. Num pretenso debate sobre medicamentos genéricos, eram convidados João Braga, Simone de Oliveira e Joana Amaral Dias. Médico, havia algum? Não. Farmacêutico, havia algum? Não. Havia uma psicóloga que ficou mais conhecida por ser uma espécie de "boazona da política", um fadista e uma actriz e cantora. Tudo isto polvilhado pela “sabedoria” de uma apresentadora de substituição. Foi neste debate, em que precisamente demorei o meu zapping, que ouvi algumas “pérolas” de pessoas que percebem tanto de medicamentos como o meu vizinho que trabalha num banco, ou como o homem que entrega os jornais na papelaria cá da rua. Ou se calhar menos. Por isso, para quem se importa com a verdade e se exaspera quase até ao colapso com tamanhas demonstrações de estupidez, e com a ousadia de meia dúzia de ignorantes em debater um tema tão importante como a saúde de todos nós, deixo-vos algumas informações sobre os genéricos, disponibilizadas por quem merece, pelo papel que desempenha, alguma credibilidade nesta matéria: a Autoridade Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed).O QUE É UM MEDICAMENTO GENÉRICO? Um medicamento genérico é um medicamento com a mesma substância activa, forma farmacêutica e dosagem e com a mesma indicação terapêutica que o medicamento original, de marca, que serviu de referência.
COMO RECONHECER UM MEDICAMENTO GENÉRICO? Os medicamentos genéricos são identificados pela sigla (MG), inserida na embalagem exterior do medicamento.
COMO SÃO PRESCRITOS OS MEDICAMENTOS GENÉRICOS? São prescritos pela DCI das substâncias activas, seguida da dosagem e forma farmacêutica, podendo o médico acrescentar o nome do respectivo titular da AIM ou marca.
GARANTIA DE QUALIDADE, SEGURANÇA E EFICÁCIA De acordo com o Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto, a AIM de medicamentos genéricos está sujeita às mesmas disposições legais dos outros medicamentos, estando dispensada a apresentação de ensaios pré-clínicos e clínicos desde que demonstrada a bioequivalência com base em estudos de biodisponibilidade ou quando estes não forem adequados, equivalência terapêutica por meio de estudos de farmacologia clínica apropriados (estes testes seguem estritamente o disposto nas normas comunitárias) ou outros a solicitar pelo Infarmed.
Quais são as vantagens dos medicamentos genéricos?
- São medicamentos cujas substâncias activas se encontram no mercado há vários anos e que, por essa razão, apresentam maior garantia de efectividade e permitem um melhor conhecimento do respectivo perfil de segurança.
- Apresentam a mesma qualidade do medicamento de referência, traduzida na demonstração de bioequivalência, através de estudos de biodisponibilidade (Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto).
- São 20 ou 35% mais baratos do que o medicamento de referência, com a mesma forma farmacêutica e igual dosagem caso não exista grupo homogéneo, o que se torna uma vantagem económica, para os utentes porque estes medicamentos são substancialmente mais baratos do que o medicamento de referência, e para o SNS porque permite uma melhor gestão dos recursos disponíveis. No caso de existir grupo homogéneo, o preço de venda ao público é igual ou inferior ao preço de referência desse grupo.
- A prescrição por DCI ou por nome genérico representa uma prescrição de base mais científica e mais racional.
- Maior rapidez na obtenção de AIM, associada a uma simplificação de todo o processo (está dispensada a apresentação dos relatórios dos peritos sobre os ensaios farmacológicos, toxicológicos e clínicos e pré-clínicos (Decreto-Lei n.º 176/2006, de 30 de Agosto).
EM SUMA…
Os medicamentos genéricos têm a mesma qualidade, eficácia e segurança a um preço inferior ao do medicamento original.
terça-feira, 2 de Junho de 2009
Perguntas para que não tenho respostas
Por que é que as pessoas que acham que têm sempre razão são sempre os menos razoáveis?
Por que é que as pessoas que acham que sabem alguma coisa sobre outras pessoas tendem a fazer comentários dúbios e algo ameaçadores?
Por que é que passa amiúde na televisão portuguesa um anúncio absurdo que diz que, se ligarmos para um determinado número de telefone, podemos ganhar 20 mil euros, e que termina com um inolvidável “fique rico”? Alguém terá explicado àqueles senhores que 20 mil euros não chegam sequer para comprar um automóvel de gama média?
Num outro anúncio, há um fulano que nos diz “Na Agros temos o compromisso de lhe oferecer um leite de qualidade. Poderá dizer o mesmo do seu leite sem marca?”. Saberá ele que existem outras marcas de leite, ou achará realmente que, sem a Agros, só existem leites sem marca?
Por que é que os candidatos às eleições europeias falam de tudo menos de temas europeus?
segunda-feira, 1 de Junho de 2009
Entrevista ao investigador Hélder Maiato
Numa pequena sala do andar inferior do edifício do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Universidade do Porto há numerosos livros a forrar as paredes. Livros e volumes de enciclopédias, de lombada grossa, onde avultam expressões científicas escritas em diversas línguas. O número 13 escrito na porta desmente o adágio dos azarados: Hélder Maiato define-se como um homem de sorte. Aos 31 anos tem um currículo de mérito assombroso, reconhecido aquém e além-fronteiras, assente na determinação que o liderou na construção de um percurso académico e profissional notável: licenciou-se em Bioquímica pela Universidade do Porto, depois integrou o 6º Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina, que o conduziu à Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, onde iniciou os seus estudos sobre a divisão celular, para depois concluir um doutoramento em Ciências Biométicas no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar, a sua grande referência, quer em termos científicos, quer em termos artísticos.Depois de uma permanência relativamente curta em Portugal – o suficiente para ter concluído aquela formação e ter casado – rumou numa aventura transatlântica. Foi nos Estados Unidos que fez o seu trabalho de pós-doutoramento em Microcicurgia Celular no Wadsworth Center, entidade afecta ao Departamento de Saúde de Nova Iorque. Desse breve percurso registou para a posteridade diversas publicações em revistas e jornais científicos de excelência a nível internacional, de que o «Embo Journal», o «Journal of Cell Biology», a «Cell» e a «Nature Cell Biology» são alguns exemplos. Em 2005 Hélder Maiato regressou a Portugal, e desde então assume as funções de investigador no IMBC e de professor auxiliar convidado na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. No instituto lidera uma equipa de cientistas que se debruçou sobre a questão da divisão celular e da aneuploidia, e que esteve ligada ao desenvolvimento do primeiro sistema de microcirurgia laser em células vivas da Europa.
Sentado em frente ao microscópio, diz que é ali que se revela, apesar de ser entre os livros e em seminários que passa grande parte do seu tempo. Traz nos olhos a inquietude do buscador. Um brilho de quem tem tantas perguntas e se precipita na tentativa de encontrar respostas. No rosto, esculpido com a graça da juventude que ostenta também na forma descontraída de vestir – não se dá mal com as gravatas, mas prefere as T-shirts e os calções –, baila sempre um sorriso, franco mas tímido, tão discreto quanto generoso. Nascido em Matosinhos mas a viver actualmente em Gaia, brinca com a génese do nome: diz “não ter ideia” de onde vem o «Maiato», e garante que ao concelho da Maia nunca teve qualquer ligação. Ainda sem filhos, o jovem cientista afirma ser “uma pessoa de 31 anos igual às outras pessoas de 31 anos”, apontando gostos comuns aos das pessoas comuns com que se cruza nas ruas todos os dias.
Tem, como a generalidade dos jovens, gosto e aptidão para a prática desportiva. Não se deixa cativar por nada demasiado radical, porque gosta de “ter sempre os pés no chão”, mas já praticou diversas modalidades, inclusivamente na vertente de alta competição. Praticou voleibol durante vários anos, fez uma curta incursão pela escalada desportiva, e actualmente está mais familiarizado com o squach. “Adepto moderado” de futebol, é frequentador assíduo do Estádio do Dragão, e acredita que “o Futebol Clube do Porto é um emblema da cidade e do país” e “um exemplo de profissionalismo e de determinação face a um conjunto de objectivos traçados”.
Na música pauta o seu gosto por uma enorme abrangência de estilos, que vão do jazz e das “sonoridades mais calmas” ao heavy metal, apesar de reconhecer que a faceta mais dura era mais evidente na adolescência e que “parou nos Metallica”, não tendo desde então acompanhando a evolução daquelas modas do som. Em Portugal a grande referência é Carlos Paredes, que “sem dizer uma palavra soube transmitir como ninguém o que é ser português”. A Casa da Música, um “cristal de arrojo artístico” que o atrai e onde se sente bem, é um dos espaços onde gosta de usufruir da música.
A inovação...Determinação e persistência são, para Hélder, os maiores traços do seu carácter, e no campo pessoal e profissional é à força com que se agarrou a diversos objectivos que foi traçando que atribui o sucesso alcançado. “Brincar aos cientistas será algo um pouco camuflado”, mas quando era menino “era bastante criativo. Brincava com legos, a construir e a criar”. O avô, que define como “um inventor no sentido literal da palavra”, exerceu grande influência sobre ele. “Ele tinha uma oficina onde fazia uma série de coisas, e eu ia para lá, às vezes participava, ajudava... E quando ele não estava, fazia as minhas próprias coisas. Talvez tenha nascido aí o «bichinho» do criar, e o gosto pelo desconhecido e pela investigação”, justifica. O caminho até à bioquímica não foi, no entanto, linear.
Quando frequentava o 12º ano de escolaridade estava ainda “um pouco indeciso”, porque desde criança revelara “muito gosto pelo desenho”, característica que levou sempre os professores a orientá-lo nesse sentido. No 9º ano seguiu uma “aventura” na área da Arte e do Design, mas cedo percebeu que não gostaria daquele domínio para uma carreira profissional, embora hoje se dedique a desenhar algumas peças de mobiliário, mas “apenas para uso pessoal”. A arquitectura, essa sim, uma paixão, poderia ter sido a alternativa profissional, se a ciência não tivesse falado mais alto. A bioquímica seduziu-o por ser “a licenciatura que melhor preparação oferece para a investigação”, mas estava longe de imaginar que essa escolha faria dele, volvidos poucos anos, um dos jovens investigadores de maior relevância na comunidade científica nacional.
Em 2005 Hélder Maiato fundou a sua equipa de investigação, que tem trabalhado no sentido de perceber o mecanismo de divisão das células e as implicações desse processo no desenvolvimento de doenças como o cancro ou a Trissomia 21. Saber “como é a informação genética de uma célula é transmitida às células da geração seguinte” é o grande objectivo da equipa do IMBC liderada pelo cientista. A grande inovação do trabalho desenvolvido pelos sete investigadores que lidera prende-se com o facto de, trabalhando com células vivas, terem conseguido “combinar uma série de tecnologias – não só moleculares, mas também ópticas, relacionadas com lasers – que nos permitem estudar dentro da célula, ainda viva, a importância de determinadas estruturas, genes e moléculas".
O trabalho de Hélder Maiato foi diversas vezes reconhecido internacionalmente, e a conquista de galardões, entre os quais avultam o Prémio da Sociedade Portuguesa de Genética Humana 2004, o Estímulo à Investigação da Fundação Calouste Gulbenkian ou o Prémio Crioestaminal em Investigação Boiomédica, confluem para a inequívoca confirmação do mérito das investigações que liderou. “Revelam algum reconhecimento e o reforço de que a estratégia que estabelecemos é uma estratégia válida e que poderá trazer grande informação sobre a divisão celular”. O investigador acredita que “foi também premiada a continuidade de um trabalho que chegou sempre a resultados importantes”, mas ainda assim considera “prematuro” traçar um balanço da investigação.
O caminho...A finalização do próprio sistema-piloto de microcirurgia laser, o primeiro na Europa, é em si mesmo uma vitória, que só foi possível com os vários apoios recebidos pela sua equipa, entre os quais o recente Prémio Crioestaminal, que segundo o cientista permitiu “manter na minha equipa elementos-chave envolvidos no processo”, além da “aquisição de alguns componentes que permitem melhorar significativamente a performance do sistema”. Findo o processo mais ou menos moroso de angariação de fundos e apoios, Hélder Maiato considera ter agora todas as condições para dar início à fase de experimentação propriamente dita. Afirmando-se um optimista, diz que “com as pessoas certas tudo de consegue”, escamoteando assim o peso das dificuldades sentidas, mas já ultrapassadas.
Apesar dos seus curtos 31 anos, Hélder Maiato sabe que já colheu a admiração da comunidade científica portuguesa e internacional, mas assevera que está à procura do seu próprio caminho. “Não sei se isto é o que quero fazer para o resto da vida”, confidencia, embora considere ter neste momento “uma série de questões para as quais gostaria de ter resposta”, e que de alguma forma lhe dão energia para montar a estratégia correcta no sentido de encontrar as respostas que procura. “No fundo o que estamos a tentar fazer é encontrar respostas. Parece efémero, mas é isso que fazemos”, explica, em nome da equipa que dirige. Tendo em conta que este é “um trabalho de uma vida, e com um grau de certeza insuficiente”, o jovem cientista dá conta de uma forte convicção: a ciência é “uma área fascinante”.
Sabe que de cada resposta alcançada surgirão necessariamente novas perguntas, e esse processo contínuo de inquirir e descobrir, para voltar a inquirir, “faz parte do caminho científico”, sendo importante “ter uma liberdade e flexibilidade suficientes para nos deixarmos levar para onde os resultados nos encaminharem”. Sublinha que, no domínio científico, é massa crítica – as pessoas – que conta, mais do que os meios de que se dispõe, apesar de estes obviamente poderem castrar anseios de ir mais longe em termos de investigação. No entanto, para Hélder Maiato, “são as pessoas que fazem a diferença entre a boa e a má ciência”. “O facto de termos o melhor orçamento não serve de muito se não tivermos as pessoas certas. Sem elas jamais faremos boa ciência”, assegura.
Considerando que em Portugal a questão orçamental constitui um handicap, e que sempre que um cientista pensa em fazer um pós-doutoramento surge sempre no horizonte a necessidade de rumar aos Estados Unidos – “é lá que estão todos os recursos que permitem explorar melhor a capacidade criativa dos cientistas” –, diz que, “até por isso, é importante dotar os laboratórios nacionais das pessoas mais adequadas e com mais mérito”. Mas porque “obviamente ninguém faz omoletes sem ovos, é importante termos as pessoas, mas é preciso dar-lhes condições para que possam trabalhar”. Esse tem sido um dos factores que têm levado os cientistas portugueses para o estrangeiro, nomeadamente para os Estados Unidos. Contudo, Hélder Maiato acredita que “em Portugal têm sido tomadas as medidas certas para começar a atrair as pessoas de volta”.
O futuro...Recusando falar de um fenómeno de «fuga de cérebros», preconiza a necessidade de pôr em prática “medidas sustentadas e de longo prazo para levar os cientistas a regressar a Portugal”, explicando que o processo poderá ser demorado, “talvez de gerações”, mas salientando sempre que “as pessoas que regressam, e a quem são dadas as condições necessárias, conseguem fazer coisas, e isso deve servir como incentivo para que outras pessoas queiram regressar, e para atrair outras pessoas”. Os portugueses têm uma razão muito própria para voltarem ao seu país, mas há a necessidade de usar argumentos diferentes para atrair, além dos nativos, também os estrangeiros. São incentivos que “passam muito pela questão do dinheiro”, reconhece, mas que não se esgotam nesse aspecto.
Quando olha em volta, no panorama científico português, em busca de cientistas da sua faixa etária, Hélder Maiato é forçado a constatar que “são muito poucos os que trabalham em Portugal”. Os que partem são, muitas vezes, investigadores de grande valia, “pessoas fantásticas que, em qualquer sítio onde lhes sejam dadas as condições de que precisam, vão de certeza ter sucesso e trazer prosperidade aos que a eles se associarem”. Admitindo que no nosso país é latente a inexistência de oportunidades – “Olho para o lado e os meus amigos estão quase todos lá fora, porque não têm oportunidades de se afirmarem por cá” –, o investigador admite alguma “preocupação” com esse aspecto, mas frisa que “também há a necessidade de um maior empreendedorismo e iniciativa por parte das pessoas para criarem o seu próprio emprego”.
A determinação volta assim ao discurso de um homem que aprendeu a depender de si, mas que admite ter tido sempre “a sorte de estar no lugar certo à hora certa”, aproveitando todas as oportunidades que se desenharam no seu destino. Aponta, porém, a necessidade de políticas concretas para alavancar a Ciência portuguesa, exortando o Estado a assumir a criação de condições para fixar os investigadores portugueses, se não houver forma de os privados absorverem o tecido científico made in Portugal. “Se tivermos determinação podemos chegar onde quisermos”, enfatiza, acrescentando que “o importante é termos ambição e não nos sentirmos limitados na nossa capacidade de realização. Podemos chegar onde quisermos. O que conseguiremos vai depender de quanto isso é importante para nós e da nossa determinação”.
Na opinião de Hélder Maiato é indiscutível que “o futuro, como o passado, pertence aos cientistas”. O investigador considera que enquanto houver ciência haverá uma esperança, designadamente no que diz respeito à área das Ciências da Saúde, diz com evidente satisfação e orgulho que, “enquanto forem investidos recursos para explorar o desconhecido, haverá sempre esperança na resolução dos problemas, nomeadamente no que diz respeito à investigação sobre doenças”. Sentado ao seu microscópio, tem também a esperança de em breve chegar a respostas para tantas perguntas que se atropelam no pensamento inquieto da ciência. Aos investigadores que trabalham em Portugal deixa uma mensagem curta, mas plena de convicção e de certeza: “Fazer ciência em Portugal “é possível”.
Carla Teixeira
As imagens foram retiradas de diversos sites
domingo, 31 de Maio de 2009
São manifestações ou são comícios?
Jornal de NotíciasOs professores portugueses voltaram a manifestar-se nas ruas da capital. As notícias apontavam números entre os 50 e os 80 mil docentes, mas o «Diário de Notícias» descobriu, por exemplo, que um dos “manifestantes” era, na realidade, um técnico de holografia que estava na concentração “por causa do convívio”. “Já é a quarta manifestação a que venho”, dizia ele. Ficou assim comprovado o que há já muito tempo se sabia: os 50, 60, 80, 100 ou 120 mil professores (números claramente inflacionados por interesses políticos) que saíram à rua nas mais recentes manifestações não eram, se calhar nem em 50%, professores. Eram amigos, familiares, simples curiosos. Mas a verdade é que as “manifestações de professores” também não eram manifestações de professores. Eram comícios políticos conduzidos pelo indizível Mário Nogueira, que em vez de reflectir sobre os problemas da sua classe – classe de que já nem é legítimo representante, visto que há quase 20 anos não põe os pés numa sala de aula – preferiu lançar atoardas ao Governo, preconizando a necessidade de retirar a maioria absoluta ao PS. “Não podemos admitir que a próxima legislatura volte a funcionar num quadro de maioria absoluta”, disse o dirigente da FENPROF, considerando que “há gente como o Eng. Sócrates e a ministra Lurdes Rodrigues, que não sabem governar com maioria absoluta”.
Como disse o primeiro-ministro, “os sindicalistas têm mostrado mais interesse pelos interesses dos partidos do que pelos dos seus associados", e no caso concreto de Mário Nogueira essa constatação é flagrante. É comum vê-lo, em gritos ensandecidos, a dizer mal do Governo, e a fazer-se de forma descarada ao lugar de Carvalho da Silva, que diz que não quer. Afinal, como pode um homem que foi professor há mais de 18 anos, e que desde então vive do ordenado de sindicalista a tempo inteiro, saber o que é dar aulas hoje em dia? Sabemos que ele quer dar a ideia de que nada mudou durante esse tempo, e que a Educação é o parente pobre da actuação dos sucessivos governos nacionais. Não é. Não tem sido nos últimos anos. A meu ver, o actual governo cometeu alguns erros no que ao sector da Educação diz respeito. É verdade, e de nada serve dizer que não. Mas não é verdade que o Governo não esteja a investir empenhadamente na melhoria das condições de aprendizagem dos estudantes portugueses. E a pôr, claro está, um travão na empáfia dos professores, que tendem a considerar-se seres superiores e acima da regulação do Estado.
Os professores têm razão em algumas das suas queixas, designadamente no que à avaliação do seu desempenho diz respeito. Isso não está sequer em causa para mim. O que me parece claro é que, se continuarem a ser representados por sindicalistas profissionais (que só têm razão de existir enquanto houver problemas e mobilização), que já pouco sabem do que é dar aulas, e que procuram apenas assegurar um tacho para o futuro mais próximo, estarão sempre mal representados. Mário Nogueira é um exemplo claro do aproveitamento que muitos sindicatos fazem da crença dos seus associados em que estes estão a lutar pelos seus direitos. Na maior parte dos casos, os sindicatos estão apenas a lutar para se manterem, eles próprios, acima da linha de água. Insistem em pormenores sem grande importância e dissecam-nos até à exaustão, e até se dão ao luxo de violar acordos assinados na véspera. Mário Nogueira é um flop como sindicalista, e será um flop político, se alguém tiver a ideia de o deixar chegar a um lugar de destaque no seu partido. O que é profundamente lamentável é que um sindicato se aproveite assim, descaradamente, da ingenuidade dos professores. Eu julgava-os mais inteligentes do que isso…
sexta-feira, 29 de Maio de 2009
Moura Guedes faz “jornalismo reprovável”
O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considera reprovável o desempenho da jornalista Manuela Moura Guedes na condução do "Jornal Nacional - 6ª", na sequência da discussão que a apresentadora teve em directo com o bastonário da Ordem dos Advogados. "Consideramos esta forma de estar no jornalismo e de fazer jornalismo reprovável", afirmou o presidente do Conselho Deontológico (CD), Orlando César, em declarações à Lusa."O Conselho Deontológico não pode deixar de reprovar o desempenho de Manuela Moura Guedes na condução do 'Jornal Nacional - 6.ª feira' e concitar a própria e a direcção da TVI ao cumprimento dos valores éticos da profissão", refere o órgão em comunicado hoje divulgado. Numa reunião realizada hoje, os membros do CD analisaram a emissão de 22 de Maio do "Jornal Nacional", em que a jornalista Manuela Moura Guedes e o bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, tiveram uma discussão em directo. "Analisámos apenas este caso, que constitui um avolumar de situações e nos levou a tomar uma posição. Além disso, recebemos pedidos de pareceres e queixas de jornalistas e telespectadores", explicou Orlando César.
Os membros do CD analisaram, de acordo com o presidente, "questões de profissionalismo e aspectos éticos da profissão, o que deve ser a função de quem é pivot de um telejornal". "Considera-se inaceitável que, para além de outros aspectos, na apresentação das notícias, o jornalista confunda factos e opiniões e se exima da responsabilidade de comentar as notícias com honestidade", refere o comunicado, acrescentando ainda que "os pivôs devem estar claramente conscientes de qual o seu papel, se o de 'entertainer' ou o de jornalista, não devendo confundir o conflito e o espectacular com a importância das notícias". Para os membros do CD, os jornalistas que conduzem telejornais, "devem abster-se de introduzir apartes, comentários, expressões e recorrer à linguagem não oral, susceptíveis de conotarem e contaminarem o conteúdo informativo, comprometendo a própria isenção dos profissionais que, conjuntamente, trabalham naquele espaço de informação".
Na nota, o CD sublinha ainda que os jornalistas "não podem substituir a acutilância pela agressividade", e devem "permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas". A Lusa tentou obter uma reacção da jornalista que apresenta o Jornal Nacional de 6ª, mas até ao momento tal não foi possível.
Notícia publicada pela Agência Lusa
segunda-feira, 25 de Maio de 2009
O inferno brota de dentro de mim...
Desculpem qualquer coisinha.
Love you all.
sábado, 23 de Maio de 2009
Viva quem diz o que precisa de ser dito!
Vila Nova de Cerveira, lá no Alto Minho!
Vila Nova de Cerveira é uma cidade que nos conquista. Pela simplicidade, pelo arrojo estético, pela liberdade de caminhar e descobrir, pela importância atribuída à arte (são muitas as esculturas que se oferecem à fruição de quem passa) e pelo incentivo à prática do desporto, gratuito e acessível a qualquer cidadão, num qualquer jardim. Há anos que não passava por lá, mas nos últimos dias pude perceber que o que nos seduz realmente nas antigas “Terras de Cervaria” é que, se por um lado tudo parece estar sempre na mesma, por outro lado há sempre algo novo que nos faz desejar lá voltar. Era capaz de me habituar a viver por lá…terça-feira, 19 de Maio de 2009
Podem anotar: Nokia nunca mais!
Pensava ser uma cliente de luxo da Nokia, até porque só há cerca de três anos “ousei” adquirir um telemóvel de outra marca (um Sony Ericsson que nunca me qualquer problema). Sempre usei telefones da marca finlandesa, e não foram poucos. Uso-os há quase 15 anos. Todos os Nokia que tive sofreram uma ou duas intervenções, idas à fábrica, actualizações de software e afins, mas nada que não fosse possível resolver sem grandes delongas e sem demais consequências. Até há cerca de um ano. Nessa altura comprei um N73, por 189,90 euros. Não se trata de uma compra milionária, tendo em conta os aparelhos de elevada qualidade – com preços directamente proporcionais – a que estou habituada, mas nem era para mim. Era um presente para uma das minhas irmãs, e acabou por se revelar a pior ideia do milénio!Com apenas alguns meses, o telemóvel começou a emitir mensagens de erro que davam conta de um problema que, haveríamos de descobrir depois, é recorrente naquele modelo (disse-nos uma fulana de um dos centros NoKia Care Point, no Porto, que “todos os N73 têm esse problema”). E o problema era o surgimento de uma mensagem de erro que dizia “memória cheia”, “memória quase cheia” ou “memória insuficiente para concluir a operação”. Um detalhe: a memória do telefone não tinha nada que não tivesse vindo lá instalado, e o cartão de memória adicional esteve sempre bem longe de estar cheio. Graças a esta moda, em certos momentos era impossível realizar ou atender chamadas, enviar ou receber mensagens, até desbloquear o telefone parecia uma missão tão complexa como a redacção da Bíblia. Com pouco mais de três meses, o telefone não servia para nada.
Foi enviado para a fábrica. Uma vez, duas vezes, três vezes, quatro… cinco! Cinco vezes em 10 meses! À terceira vez, no passado mês de Novembro, valendo-me da legislação vigente na área da defesa do consumidor, apresentei-me no Nokia Care Point com o telefone e uma única exigência: não queria o telefone de volta. Queria reclamar o direito de substituição que a lei me confere. Foi-me negado. O telefone foi para Lisboa e voltou, um mês depois, e em Fevereiro estava novamente com problemas. Dessa vez, enviei o telefone novamente para a fábrica, com uma extensa carta dirigida à Nokia Portugal, reclamando, já não a simples substituição do aparelho, mas a resolução do contrato, que a lei também prevê. Uma reclamação que reforcei por telefone, numa longuíssima chamada em que ainda tiveram a lata de me fazer um inquérito sobre satisfação do cliente. Conseguem adivinhar o que aconteceu? Pois… A reclamação caiu em saco roto e o telefone voltou. O mesmo! E no momento da entrega nem uma referência à carta e ao telefonema que fiz. Perguntei o que se passava, mas ainda tive de ouvir a adolescente que me atendia, com ar superior, a rir-se do “bug” que “todos os N73 têm”, e a asseverar-me que o meu “não é caso único”. Caso único deve ser a minha paciência…

(Muitos) dias depois, recebi um telefonema insólito. Do outro lado, uma senhora perguntava-me se eu estava satisfeita com o “telemóvel novo” que a Nokia me tinha dado, no seguimento da reclamação feita e do pedido de substituição do aparelho avariado. Com o queixo a tocar no chão de tanto espanto, disse à senhora que não me tinham contactado ainda e que não tinha, nem queria, qualquer telefone de substituição, porque tinha esgotado a minha paciência e queria era o dinheiro de volta. Disse-me que esta era a solução definida pela Nokia, e que fosse à loja buscar o telefone novo. Fui. Estava a almoçar na zona e fui logo nessa tarde ao Nokia Care Point. O “telefone novo” vinha numa caixa pequenina, riscada e rasurada, e era o mesmo telefone de sempre. Pasmei de novo. Garantiu-me o adolescente da praxe (a Nokia só emprega adolescentes nestas lojas, mas este era um rapaz bem mais educado que a miúda que se ri dos clientes) que “a capa é a mesma, mas a máquina é nova”, porque “é assim que a Nokia faz”. Consultei o IMEI e, de facto, não era o mesmo…
Fiquei como o tolo no meio da ponte… Que fazer? Gritar com o miúdo? Dizer que não queria o telefone nem o dinheiro? Parti-lo ali mesmo e virar costas? Mandá-los à merda? Tudo me passou pela cabeça naquele momento, mas pensei noutra coisa: trazer o telefone para casa e, dias depois, ir lá entregá-lo e queixar-me do mesmo problema. Mesmo que não o tivesse, só para ver o que diziam. Não o fiz. Efectivamente trouxe o telefone, mas não voltei lá. É certo que aquela gentalha merecia o meu mau humor durante mais umas semanas, mas não me dispus a perder mais tempo. Há uns anos, o presidente da Associação Portuguesa de Direito do Consumo, o meu bom amigo Mário Frota, disse-me que esse é exactamente o problema dos consumidores portugueses: pelo trabalho que têm para fazer valer os seus direitos, acabam por desistir deles. Lamentavelmente, foi o que me aconteceu. Só que com uma nuance: face à decisão que tomei, de nunca mais utilizar telemóveis da marca Nokia, ontem vendi o N73. NOKIA NUNCA MAIS!Agora quero um Blackberry 9000 Bold… :)
segunda-feira, 18 de Maio de 2009
Feliz aniversário, Lili!

domingo, 17 de Maio de 2009
Porque vale sempre a pena passear...
quarta-feira, 13 de Maio de 2009
segunda-feira, 11 de Maio de 2009
"A cidade das aldeias", by Mário Mesquita
Já aqui vos falei do Mário. O “Super Mário”, que num dos momentos mais conturbados da vida de um grupo de pessoas que começaram por ser colegas e depois se tornaram amigas, se destacou pela generosidade de um gesto. O Mário tem patente uma nova exposição, e é em honra dele que aqui vos deixo o texto de apresentação da mesma, com a certeza – e a promessa – de que, assim que puder, também lá darei um salto. A exposição está patente no Centro Português de Fotografia (Sala Aurélio da Paz dos Reis), na cidade do Porto, até ao próximo dia 28 de Junho de 2009. Apareçam, que o autor merece! Ao grande Mário, o abraço do costume! Até breve! “A Cidade das Aldeias
O presente trabalho, realizado sob a forma de reportagem fotográfica e vídeo, visa possibilitar a leitura do que subsiste dos antigos Lugares da cidade do Porto e dos caminhos entre eles, registando e divulgando o que ainda hoje se pode observar, revelador de uma forma de assentamento e formação de território, de construção e de vivência de uma outra cidade, a cidade das aldeias, que corre o sério risco de ser literalmente engolida pela velocidade desenfreada própria dos dias em que vivemos, resultado das dinâmicas de desestruturação urbana e social que, infelizmente, vão esquecendo estes espaços, as suas gentes e os conjuntos edificados.
Comparando a planta da cidade do Porto desenhada sob a direcção de Augusto Teles Ferreira e impressa no ano de 1892 com a cidade actual verificamos que, ainda hoje, subsiste uma substrutura rural que, à época, constituía uma rede de caminhos e lugares exteriores ao centro urbano em processo de consolidação. Esses lugares, aquando da delimitação administrativa da cidade ocorrida no final do século XIX, seriam integrados no perímetro urbano, ficando a Estrada de Circunvalação como linha de fronteira da nova cidade que acolhia no seu interior um conjunto de lugares e de freguesias novas, incorporava áreas de freguesias vizinhas e deixava de fora algumas parcelas de terreno, que, embora pertencentes ao concelho, sempre foram consideradas exteriores à cidade que se havia circunvalado.
Pela imagem, pretende-se tornar pública essa outra cidade que abrange, na área geográfica do concelho do Porto, núcleos como Pinheiro de Campanha, S. Pedro, Azevedo, Areias, Contumil, Pego Negro, Granja, Vila Cova, Campo, Aldeia Nova do Monte, Fojo, Águas Férreas, Outeiro do Tine, Aval de Baixo, Ramalde do Meio, Vilanova de Cima, Furamontes, Ribeirinho, Campinas, Arrábida, Olivais, entre muitos outros lugares que nos vão falando de percursos, de espaços, de construções e de gentes.
O sentimento de viver periférico, presente nos lugares visitados, poderá, um dia, vir final e felizmente a desaparecer e dar lugar a uma realidade policêntrica, assente em contínuos de território, o qual, ligado por redes e canais, será capaz de unir e esbater as sensações de dentro e fora, contribuindo para minimizar a sensação de centro e periferia, quer no plano físico quer no plano das mentalidades e sentimentos, consolidando e dando espessura ao tecido urbano. Assim, as redes vão-nos ligar os pontos e os canais vão-nos traçar as rectas e articular a sobreposição das redes, cosendo-as ao concelho ao qual pertencem e aos concelhos limítrofes, promovendo um tecido forte e coeso, permitindo que não sejam áreas conflituantes, mas sim conjugadas e convergentes num só objectivo: a ampliação da cidadania e a gestão participada do território municipal pelas populações, comprometendo todos num esforço unitário, em busca de uma estrutura onde todos tenham lugar.
Este é um trabalho de recolha e fixação de imagens e ambientes que se formalizam num documento visual unitário, contributo para que a memória do território, das construções e das pessoas que o foram fazendo, não se perca no tempo. É um registo fotográfico que permite pensar que, numa cidade equilibrada, esta diversidade de ocupação do solo ajuda a qualificar o ambiente urbano, oferecendo a leitura de várias épocas históricas, de vários tempos, de vidas que podem, trinta e cinco anos passados sobre o 25 de Abril, se todos quisermos, coexistir em harmonia, derrubando a última muralha desta cidade e pensar, quando falamos de Área Metropolitana do Porto, mais do que na metropolitanidade, na rur-urbanidade.
E é um sentimento que defino assim:
I
Sobretudo o tempo,
somente as horas,
decerto os dias não serão mais
iguais sem ti.
Na rota das imagens,
procurando no espaço,
decerto te não verei mais
para além da curva da estrada.
No entanto, à sombra dos dias que,
docemente, visitamos por aí,
por certo fica o terno e doce sentimento de amor eterno.
II
Para hoje não há poemas
possíveis. Só as letras das palavras.
Para hoje, não há poemas.
Possíveis, só as letras das palavras.
Para hoje não há. Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.
Para hoje não. Há poemas?
Possíveis só. As letras das palavras.
Para hoje? Não! Há Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.
E as imagens.
III
E então, da estrangulada perspectiva
do horizonte nos resta a imensidão
dessas palavras de que falávamos atrás,
dos gestos e olhares que combinavam
somente para ser dia, decerto para ser nosso.
E então, por entre as cordas da amizade,
perpassa essa luz aberta que nos faz viver
regulando contrastes
e nos conduz
e nos desvia,
e nos seduz,
sempre que pensamos cidade,
liberdade.
Mário João Mesquita
Porto, 25 de Abril de 2009
Oh yeah yeah yeah yeah yeah yeah...
O vídeo é antigo, mas a sensação renova-se a cada ano que passa, e já lá vão quatro...
sábado, 9 de Maio de 2009
Obesidade infantil em debate em Anadia
O Centro de Saúde de Anadia, em colaboração com a Rede Social local e com a Câmara Municipal de Anadia, organiza na próxima quinta-feira, dia 14 de Maio, no Cine-Teatro, o Fórum Obesidade Infantil. Porque a alimentação tem uma influência determinante no desenvolvimento emocional, intelectual e social dos cidadãos, é urgente debater a forma como se alimentam os mais novos, ainda mais numa altura em que o número de obesos em todo o mundo é crescente e que a procura de consultas para este problema disparou, sem que os hospitais consigam dar resposta a tantas solicitações. No âmbito desta iniciativa, que merece o aplauso de todos os anadienses pela importância do tema em análise, passarão pelo Cine-Teatro de Anadia alguns dos especialistas que lidam mais de perto com o problema da obesidade nas crianças, em particular no concelho de Anadia, sendo também de destacar a presença do médico João Breda, em representação da Direcção-Geral de Saúde.Numa altura em que cerca de metade da população mundial sofre já de problemas relacionados com excesso de peso e obesidade, entre as crianças portuguesas esta começa a ser também uma questão prioritária: a procura de consultas de obesidade infantil aumentou exponencialmente ao longo dos últimos anos, de tal forma que os hospitais nacionais não têm conseguido encontrar resposta para as inúmeras solicitações de tratamento que recebem. Em virtude dessa situação, muitas unidades de saúde limitam-se a aceitar os casos mais graves ou em que existem outras doenças associadas ao excesso de peso (hipertensão ou diabetes, por exemplo), declinando o atendimento aos restantes. O «Diário de Notícias» referia há dias que, no Hospital de São João, no Porto, um dos poucos que tem uma consulta organizada para crianças e adolescentes, “mais de metade dos casos referenciados não são aceites”.
Nos casos menos graves, a tendência dos hospitais parece ser a de encaminhar os doentes para os centros de saúde, onde os médicos nem sempre têm o tempo e o apoio adequados, designadamente no que diz respeito a consultas de nutrição ou psicologia. É exactamente por isso que esta iniciativa do Centro de Saúde de Anadia se reveste de enorme importância: porque mais vale prevenir do que remediar, e porque só conhecendo as normas para uma alimentação mais equilibrada e saudável, bem como os mecanismos para potenciar a luta contra a obesidade, teremos condições de ajudar as nossas crianças a evitar cair nessa situação. Segue, por isso, o programa completo do Fórum sobre Obesidade Infantil, cujo lema é «Dizem que sou gordinho. Serei?».
Quinta-feira
14 de Maio de 2009
8h45: Abertura do Secretariado
9h00: Sessão Solene de Abertura
9h30: Pandemia do Séc. XXI – Factos Mundiais, Nacionais e Locais: Abordagem sócio-económica
Prelector: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Professor Doutor Jorge Simões, Universidade de Aveiro
10h15: Monitorização IMC numa Escola do Concelho
Prelector: Enfª Carmen Santos, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Profª Alexandra Gonçalves, Agrupamento de Escolas de Vilarinho do Bairro
10h45: Intervalo para Café
11h15: Alimentação e Obesidade — Perspectiva Sociocultural
Prelector: Dr. João Breda, Direcção-Geral da Saúde
Moderador: Drª Marisa Santos, Psicóloga no Centro de Saúde de Anadia
12h15: Intervalo para Almoço
14h00: Alimentação da Criança e Comportamentos Saudáveis
Prelector: Paulo Abrantes, Dietista no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Rui, Centro de Saúde de Anadia
14h45: Obesidade: Consequências para a Saúde
Prelector: Dra Maria João, Pediatra no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Sousa, Centro de Saúde de Anadia
15h30: Intervalo para Café
15h45: Estratégia de Intervenção na Comunidade
Prelector: Dra Fernanda Pinto, Delegada de Saúde do Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia
15h45: Conclusões
17h15: Sessão de Encerramento
E se de repente o carro se sente cansado?
Se é verdade que não há um bom lugar ou um bom momento para que o carro avarie e nos deixe a meio de qualquer coisa, quando isso acontece num parque de estacionamento subterrâneo e de pé direito tão baixinho que não cabe lá um reboque, minutos depois de termos tirado sangue para análises e numa altura em que não podemos fazer qualquer esforço, é mesmo muito mau. Mas foi precisamente isso que me aconteceu ontem, à hora do almoço, quando saía de um laboratório no centro do Porto. Depois de o porteiro do parque ter tentado empurrar o Nunzio (sim, o meu carro tem nome), embora ambos soubéssemos já que esse esforço seria inglório, uma vez que, ao rodar da chave, nada acontecia, restou-me chamar o reboque e aguardar. E desta vez não tive sequer tempo de me aborrecer com o meu amigo de quatro rodas, porque de imediato me esclareceram da razão da súbita indisponibilidade do Nunzio para seguir viagem: a bateria, com apenas nove meses, estava irremediavelmente perdida. “Morta”, disse o mecânico. Por isso, apesar de o carro ter pegado à primeira quando recebeu alguma carga, e de esta manhã ter arrancado como se nada fosse, fomos à Renault e resolvemos o problema. Como a bateria ainda estava na garantia (é de dois anos, e esta nem tinha um), substituíram-na em menos de nada e o Nunzio voltou à estrada. Está como novo. Lavadinho e tudo! :)sexta-feira, 1 de Maio de 2009
Liberdade ou brutalidade?
Mar calmo, mar revolto, mar manhã...
quarta-feira, 22 de Abril de 2009
O dia de ontem também foi muito bom!
Diz o dicionário que “tia” é a irmã do pai ou da mãe, mas no meu caso, e porque um amigo é um irmão escolhido por nós, acabo de ser tia duas vezes, porque sou “irmã” da mãe e do pai! A Raquel e o Rodrigo acabam de ser contemplados com o maior tesouro do mundo: são pais desde ontem. E eu sou, desde ontem, tia! Uma tia babada. O Henrique nasceu com 48 centímetros de altura e 2,8 quilogramas de peso. É o pequenino príncipe da família. Parabéns, Raks e Rodri. E obrigada. Sejam muito, muito felizes.O meu dia de ontem foi muito mau…
Muitas e muitas horas nos corredores dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Consultas, exames, perícias, longos tempos de espera, dúvidas, medos, anseios, dores, cansaço e lágrimas. Depois vieram os diagnósticos, as recomendações, os novos medicamentos e… a conta na farmácia. Elevada, para não variar! Foi um dia bastante antipático.sábado, 18 de Abril de 2009
CDU apresenta candidatos a Matosinhos
sexta-feira, 17 de Abril de 2009
Estas merdas revoltam-me!
Não há nos seres humanos, mesmo nos mais bondosos, um nível de lealdade e de dedicação sequer comparável com o dos animais, e em particular com o dos cães, que idolatram cada um dos elementos das famílias que os acolhem (tenho alguma dificuldade em chamar-lhes “donos”), mesmo se estes os votam ao desprezo, ou se não lhes dão a devida importância. Se os homens são capazes de “vender a própria mãe” em troca de uma qualquer vantagem que momentaneamente lhes pareça mais atractiva, traindo velhos princípios e ideais, os cães não trocam sequer o seu osso velho, e a amizade que nutrem pelas pessoas que os acolhem é sempre genuína e desinteressada.Há quem diga que os animais não pensam.
Eu acho que, mais do que pensar, os animais amam.
É por isso que a notícia que acabo de ler na edição desta semana do «Jornal da Bairrada» me deu o que só posso definir como um ataque de raiva por uma mulher que nem sequer conheço (e que nem pretendo conhecer, porque se a conhecesse espancava-a). De acordo com o JB, uma sujeita de 24 anos residente em Oliveira do Bairro, no distrito de Aveiro, mudou há dias de casa, mas deixou o cão a morrer à fome na varanda do apartamento onde vivia. Alguns dias depois da saída da inquilina, o proprietário do imóvel foi aferir o estado em que este se encontrava, e deu de caras com o cadáver do animal, já em estado de decomposição. Segundo elementos da Equipa de Protecção da Natureza da GNR de Anadia, a “infractora”, que foi prontamente identificada pelo ex-senhorio, poderá incorrer no pagamento de uma contra-ordenação entre 500 e 3500 euros (gostava de ver isso), a instituir pela Direcção-Geral de Veterinária.
Um ser “humano” capaz de abandonar assim um animal não merece sequer viver. E a revolta, até porque este estará longe de ser um caso único (lembram-se daquele “artista” que há uns tempos quis convencer o mundo de que era arte submeter um cão escanzelado a vários dias de fome, e que agora se prepara para repetir o feito numa outra exposição?), só pode incendiar todas as pessoas decentes e realmente humanas que tomam conhecimento de episódios como estes, ainda mais depois de ver que estas “pessoas” terão como castigo, se tiverem, apenas pagamento de uma coima…
Calendário eleitoral
Os níveis de participação dos portugueses – aliás, dos europeus em geral – na generalidade dos actos eleitorais realizados ao longo dos últimos anos, sejam de que natureza forem, são vergonhosos. Um povo que assim se abstém de votar, que prefere fazer qualquer outra coisa a exercer o seu direito e dever de cidadania, não pode depois encher o peito de ar e sair às ruas em protesto contra medidas de governos que (não) elegeu. É igualmente vergonhoso, e é até indecente e imoral. Já aqui vos dei conta daquela que, pelo menos no Brasil, se revela uma medida eficaz no combate à abstenção: o voto obrigatório. O eleitor que não comparecer nas urnas em dia de eleição terá de explicar de forma cabal a sua ausência, sujeitando-se ao pagamento de uma coima. Da maneira que os portugueses são agarrados ao dinheiro, estou em crer que depressa se encheriam de vontade de votar quando a isso fossem chamados. No entanto, tenho outra sugestão, quiçá menos radical, para aumentar os níveis de participação eleitoral dos tugas. Alguém sabe por que razão as eleições se realizam sempre aos domingos, quando é tempo de descanso, de visita à família e aos amigos, de passeios de namorados e de simples preguicite? E se as eleições passassem a realizar-se em dias úteis, em pleno horário de expediente e sem qualquer desconto do tempo de ausência no emprego? Já imaginaram o que era podermos virar-nos para o patrão e dizer: "Vou num instante exercer o meu direito de voto, e se calhar na volta ainda passo pela pastelaria, a comer uma nata"? Aposto que, em menos de nada, a abstenção caía para níveis residuais! É isso ou a insónia já não me deixa pensar claramente…Se pensarmos que me deitei às 2h11...
“A insónia é a dificuldade em conciliar o sono ou permanecer adormecido, ou uma alteração no padrão do sono que, ao despertar, leva à percepção de que o sono foi insuficiente (…). Não é uma doença, mas um sintoma. Pode ser consequência de diversas perturbações emocionais e físicas e do uso de medicamentos. A dificuldade em conciliar o sono é frequente entre jovens e idosos e muitas vezes manifesta-se no decurso de alterações emocionais, como a ansiedade, o nervosismo, a depressão ou o temor. Há mesmo pessoas que têm dificuldade em conciliar o sono simplesmente porque não experimentam cansaço, nem físico nem mental”. Manual MerckSão cinco da manhã...
quinta-feira, 16 de Abril de 2009
Cúmulo da pouca-vergonha II
Fotografia de Ricardo Castelo Mudei de ideias. Afinal, o cúmulo da pouca-vergonha é que os familiares das vítimas do colapso da Ponte Hintze Ribeiro, que até Março de 2001 ligava a localidade de Entre-os-Rios, no concelho de Penafiel, ao vizinho município de Castelo de Paiva, os únicos "condenados" no âmbito do processo instaurado na sequência da morte de cerca de meia centena de pessoas. Se estas famílias forem obrigadas a pagar as custas de um processo que moveram na tentativa de encontrar os culpados pela maior tragédia das suas vidas, não é só a culpa que morre solteira. É a "Justiça" portuguesa que se afunda na lama. A decisão está nas mãos do Governo.
quarta-feira, 15 de Abril de 2009
terça-feira, 14 de Abril de 2009
Na sombra de uma expectativa...
Viver é um acto estranho. Surge do nada, sem uma manifestação de vontade de quem vive, e demora-se nesse mundo de dificuldades que é ser, além de apenas existir. A expectativa é um lugar também impregnado dessa estranheza do acto de viver. Surge de um sinal pequenino, de uma esperança imaterial e quiçá abusiva, cola-se a nós como uma sequiosa sanguessuga, e no fim, quando a esperança se vai e nada acontece, deixa-nos secos, caídos no solo armadilhado de uma existência inexplicável. Um beijo adiado, um convite que não chega a sê-lo, um sonho que se esvai com o cair da noite, e tudo volta a ser cinzento, depois da ameaça das cores que não chegaram a pintar-nos o coração. Talvez amanhã…segunda-feira, 13 de Abril de 2009
Entre Braga e Bolonha...
Há alguns anos, tive o grato prazer de entrevistar Novais Barbosa, então reitor da Universidade do Porto, a propósito do Processo de Bolonha. Nessa altura, o “processo” era um mistério, em torno do qual pululavam mais perguntas do que respostas, e muitas, muitas opiniões. No entanto, talvez apenas hoje, em Braga, tenha realmente percebido o quanto o dito “processo” afectou a realidade do Ensino Superior em Portugal e nos restantes 44 países que entretanto aderiram àquela medida de reorganização dos cursos. No curso que frequentei, por exemplo, as mudanças foram evidentes: além do nome – que passou de “Licenciatura em Comunicação Social” para “Licenciatura em Ciências da Comunicação” –, a introdução das regras de Bolonha fez com que a estrutura curricular sofresse uma redução ainda mais notória da carga horária do que é comum noutros cursos: é que a maioria dos cursos existentes até à reformulação tinha a duração de quatro anos, enquanto o curso de Comunicação Social da Universidade do Minho tinha cinco.No meu tempo, cada um dos primeiros quatro anos da licenciatura era composto por seis cadeiras anuais, e no quinto ano havia seis disciplinas semestrais e um estágio com a duração de um semestre. Actualmente, existem 12 cadeiras semestrais, ao longo de três anos, mas no final não há qualquer estágio. Ou seja, enquanto eu teria de obter aprovação em 24 cadeiras anuais, seis semestrais e um estágio prático em ambiente laboral, e só assim daria por completa a minha formação de nível superior (que não dei ainda, porque deixei “penduradas” duas semestrais e uma anual, os estudantes do “mesmo” curso têm agora de fazer apenas 36 cadeiras semestrais. Perdoem-me os mais entusiastas do Processo de Bolonha, mas eu acho que a coisa os favoreceu um pedaço! Têm disciplinas com menor carga horária, perdem menos tempo na Universidade (é menos tempo a pagar propinas), e no fim saem do curso sem terem sequer feito um estágio numa qualquer empresa real.
Para cúmulo, se eu quisesse terminar o meu curso neste momento, apesar de lá ter andado mais tempo do que qualquer um dos actuais estudantes, e de ter obtido aprovação a tantas ou mais disciplinas do que alguns deles, provavelmente ainda teria de lá perder uns tempos, visto que as cadeiras que me faltam simplesmente deixaram de estar contempladas no plano de estudos da nova licenciatura. Por outro lado, sei de fonte segura que as empresas preferem contratar licenciados da “velha” guarda, antes de Bolonha, apesar de – há que reconhecê-lo – o novo plano de estudos ter uma maior componente prática e uma orientação mais feliz para as áreas multimédia, cada vez mais importantes no exercício do Jornalismo, da Assessoria de Imprensa, das Relações Públicas e das áreas afins.
E é por isso que ainda não descortinei que valeu a pena saltar da cama, às 8h30 da madrugada de hoje, para rumar à magnífica cidade de Braga e perscrutar as hipóteses de, agora que estou no desemprego, dar continuidade à minha formação universitária e, numa altura em que nem sei se alguma vez voltarei a ser jornalista, concluir a minha licenciatura em Comunicação Social (ou Ciências da Comunicação, whatever...). O tempo dirá.
terça-feira, 7 de Abril de 2009
Onde fica o interesse dos doentes?!
Há algumas semanas fiz uma bateria de análises e exames, no âmbito das já consultas de rotina na sequência da tromboembolia pulmonar que sofri há pouco mais de um ano. Foi-me receitado, entre outras coisas, um medicamento para controlar a taxa de colesterol, que estava bastante elevada. Era um medicamento de marca, e da receita constava a indicação de que o médico não autorizava a troca do fármaco prescrito por um genérico com as mesmas indicações terapêuticas, mas, certamente por esquecimento, a receita não vinha assinada pelo clínico. Talvez por isso, e porque não tinha em stock o medicamento receitado, a farmacêutica que me atendeu optou por me entregar um genérico que, garantiu, tinha precisamente o mesmo princípio activo e as mesmíssimas indicações terapêuticas. Eu, que não estava habituada a ver os farmacêuticos usarem aquela prerrogativa, questionei a senhora sobre os efeitos da troca, ao que ela me respondeu que assim pouparia bastante dinheiro, dado que o genérico custava “menos de metade” do medicamento de marca, apesar de garantir o mesmo efeito e a mesma qualidade.Nessa altura ainda não estava desempregada e sem qualquer fonte de rendimento, como estou hoje, mas não era, como nunca fui e como não é a maior parte dos portugueses que conheço, uma pessoa que estivesse exageradamente à vontade com o orçamento mensal que me cabia em sorte. E por isso mesmo agradeci a atenção da farmacêutica em questão. Nos últimos dias, na sequência da polémica instalada entre médicos, farmacêuticos e Ministério da Saúde, fiquei a saber que o acto de aparente generosidade daquela técnica poderá afinal implicar a recusa da comparticipação por parte da tutela. De acordo com as notícias mais recentes, a ministra da Saúde anunciou hoje que o Serviço Nacional de Saúde não pagará às farmácias a comparticipação dos fármacos que forem substituídos pelo genérico mais barato sem autorização do médico, recomendação feita pela Associação Nacional de Farmácias aos seus membros. Ana Jorge diz que essa substituição, à revelia do médico prescritor, “é ilegal” e nada tem a ver com a prática que existe nas farmácias hospitalares, que obedece a formulários específicos elaborados por uma equipa multidisciplinar.
As leis mudam-se!
Também neste argumento da ministra entronca a minha indignação. É que há muitas e muitas coisas que são ilegais e que de um momento para o outro deixam de ser, simplesmente porque as leis são alteradas (é esse mesmo o trabalho dos responsáveis políticos, eleitos por nós). Afinal, não deverá o interesse dos doentes ser superior aos interesses dos médicos, que alegadamente nada ganham com a prescrição deste ou daquele medicamento? Não deve o Estado zelar pelos interesses dos cidadãos, acautelando precisamente o seu acesso a bens essenciais, de entre os quais a Saúde será, com toda a certeza, o mais importante? Custará assim tanto mudar uma lei, se essa mudança permitir a todos os doentes deste país, poupar largas dezenas de euros ao fim de um mês? A quem interessa, afinal, que a lei se mantenha, onerando um produto do qual pode, no limite, depender uma vida? Até que ponto pode um médico resolver o montante que pode gastar o seu doente? Será isso ético? Será ético que a ministra da Saúde tome o partido dos que penalizam milhares de doentes, auscultando-se numa ilegalidade que tão facilmente pode ser eliminada? Será, porventura, mais importante que os nossos deputados, eleitos por nós, se concentrem na produção de leis sobre a despenalização do aborto ou o casamento dos homossexuais, em vez de limar as arestas mais cortantes de uma lei que diz respeito a todos, e que impede uns quantos de terem a saúde que merecem? Fica a pergunta, e este meu desabafo…
"Já limpei casas para sobreviver"...
segunda-feira, 6 de Abril de 2009
A política em todo o seu esplendor!
Foto: Carla Teixeira (Arquivo)
Onde é que eles moravam, onde era?
Ok, eu sei que não tem nada a ver!
Mas não resisti...
Dúvidas quase existenciais…

Por que é que os Hospitais da Universidade de Coimbra convocam os seus pacientes para a realização de exames às oito horas da manhã de uma segunda-feira se o serviço onde esses exames terão de ser realizados só dá início ao atendimento ao público depois das 8h30?Por que é que os utentes que vão fazendo fila à porta do secretariado do referido serviço – quase todos com idade superior a 60 anos – têm de aguardar no corredor do serviço, de pé? Será esta a “prova de esforço” a que se refere a placa que pende sobre as nossas cabeças?
Por que é que, fruto dessa desinteressante antecipação de horários, uma paciente (e eu estava muito paciente hoje…) que consegue o quarto lugar na lista de espera, depois de uma hora de pé num corredor frio e povoado de doentes com muita vontade de socializar, tem de aguardar a manhã toda para realizar um mero ecocardiograma, depois de os três primeiros doentes terem sido chamados em menos de 15 minutos?
Por que é que só depois de uma hora à espera, e de ter ido a paciente a perguntar o que se passava, é que se dignaram a dar uma explicação (bastante curiosa, a propósito) para a demora em chamar os restantes doentes?
Por que é que num hospital desta envergadura, e onde tudo – mesmo tudo, da qualidade técnica dos médicos à simpatia e boa vontade dos funcionários e à funcionalidade dos serviços – me agradava tanto até ao momento, de repente se dá conta, na manhã do dia 6 de Abril, que perdeu os exames que uma doente realizou no dia 19 de Março, no momento em que a senhora já se encontra na mesa do bloco operatório, obrigando a inviabilizar a utilização do equipamento até que sejam encontrados, na memória do mesmo, os dados daquela paciente? Será que ninguém confirmou se o DVD tinha sido bem gravado antes da intervenção cirúrgica a que a senhora teve de ser submetida?!
Fotos: Carla Teixeira
domingo, 5 de Abril de 2009
Já só faltam cinco semanas!
Falta pouco mais de um mês para que os meus manos do coração – Raquel e Rodrigo – façam de mim a tia mais babada do Universo. O Henrique vai nascer no início de Maio, e tem desde já garantido o mesmo amor incondicional que me liga aos pais dele. Parabéns, mana pequenina e cunhado! Vocês vão ser pais dos melhores que há no mundo! O maior desafio das vossas (nossas) vidas está agora a começar. E juntos seremos capazes de fazer do Henrique um cidadão de topo! Beijos para os três!quinta-feira, 2 de Abril de 2009
terça-feira, 31 de Março de 2009
segunda-feira, 30 de Março de 2009
Eleições Autárquicas em Anadia*
José Manuel Ribeiro não pondera candidatura
Num comunicado lido aos jornalistas pelo próprio José Manuel Ribeiro, a CPS/PSD de Anadia voltou a dar conta da sua “indignação” perante a actuação “ilegítima” da Distrital, e lavrou um “veemente protesto” contra o “acidente” ocorrido na reunião alargada do PSD de Aveiro, esclarecendo que “não há qualquer fundamento” válido para a recusa do nome proposto por aquela comissão política. “Não se pode recusar uma pessoa porque não se gosta dela, porque não se gosta do percurso político-partidário distrital, porque apoiou ou não certos projectos distritais e/ou nacionais, ou porque se está a cumprir ordens de alguém”, lembrou o presidente da secção, sem querer especificar a que ordens, ou de quem, estaria a referir-se. José Manuel Ribeiro deixou bem claro que “a CPS/PSD de Anadia não se demite do exercício das suas competências, antes faz delas ponto de honra da sua actuação, pois representam, não um qualquer capricho ou birra, mas o exercício livre do direito de participação partidária de um conjunto de pessoas que assumem em pleno o mandato que lhes foi conferido directamente pelos militantes”.
Na óptica dos social-democratas anadienses, quem terá extravasado o âmbito da Lei nº 169/99, que estabelece o Regime Jurídico do Funcionamento dos Órgãos das Autarquias Locais, terá sido a própria Comissão Política Distrital, que sem avançar uma qualquer razão válida para isso, resolveu indeferir a candidatura preconizada pela CPS/PSD de Anadia. Questionado sobre a “desobediência” perpetrada pela própria secção, tendo em conta a indicação deixada pela direcção nacional do partido no sentido de reconduzir como candidatos os autarcas actualmente em funções, se estes assim o desejassem, o deputado explicou que, também nesse aspecto, a realidade é clara: “A direcção nacional do partido entendeu dar o seu apoio aos actuais autarcas sempre que possível, e se estes o desejassem. Ora, no nosso entender, há motivações de várias ordens para que Litério Marques não seja candidato pelo PSD, pelo que não consideramos ter violado a indicação da direcção nacional do partido”, sublinhou José Manuel Ribeiro.
O ANADIA SEM GENTE sabe que a Comissão Política de Secção entregou à Distrital e aos órgãos de cúpula do partido um dossier que explana os factos que, para os apoiantes da candidatura autárquica do presidente da Assembleia Municipal são “suficientes” para dar como inviável a recondução no cargo do actual presidente de câmara. Por uma questão de “transparência, imagem e credibilidade”, o nome de Litério Marques deveria ter merecido a recusa do partido, tanto mais que o nome de José Manuel Ribeiro granjeia expressivo acolhimento junto dos órgãos locais do partido e, mais importante ainda, junto da população anadiense. Num paralelismo com os casos de Isaltino Morais (presidente da Câmara Municipal de Oeiras) e Valentim Loureiro (presidente da Câmara Municipal de Gondomar), a quem o partido retirou apoio por estarem envolvidos em processos judiciais, embora na altura não fossem ainda arguidos, José Manuel Ribeiro considerou que “os órgãos competentes têm noção” dos impedimentos associados ao nome de Litério Marques, mas não quis confirmar se o dossier entregue pela CPS/PSD de Anadia contém documentos que possam apontar o actual autarca como possível arguido em qualquer processo judicial.
“O Carnaval foi há pouco”…
Instado a dizer até onde estará disposto a ir para garantir a aprovação da sua candidatura à Câmara Municipal de Anadia, José Manuel Ribeiro enfatizou que “a comissão política de secção é um órgão colegial, que age em colectivo, por maioria, e não apenas com base na vontade do seu presidente”. Por isso, se a Distrital voltar a recusar a sua candidatura – a CPS/PSD de Anadia voltou a propor o seu nome, na última sexta-feira, pelo que a breve trecho haverá lugar a uma nova votação –, “a comissão política de secção terá de reunir novamente, avaliar a situação e agir em conformidade”. No entanto, o deputado garante que não lhe passa pela cabeça avançar como independente ou dissolver a actual comissão de secção: “Esta situação não pode pôr em causa a continuidade de uma equipa eleita”. No que diz respeito aos resultados da reunião alargada da Distrital que culminou no chumbo do seu nome, José Manuel Ribeiro apontou a preferência bem vincada dos órgãos intervenientes no processo (100% dos votos na CPS/PSD e 94% na Assembleia de Secção, e questionou-se sobre se “terá o nome do candidato de ser aprovado com 120% dos votos”.
O presidente dos social-democratas anadienses está convicto de que na reunião alargada do PSD de Aveiro houve “manobras” para recusar o seu nome, e diz mesmo que sabe quem são as pessoas por detrás desse esquema. “Pode a Distrital mascarar a situação com o voto secreto, mas nós sabemos, e temos plena noção do que foi feito, e a seu tempo divulgaremos essa informação. Estamos à espera de ter mais elementos para concluir e anunciar o que se passou. O Carnaval foi há pouco tempo. Eles podem até mascarar-se de índios”, ironizou José Manuel Ribeiro.
Texto de Carla Teixeira
Fotografia de Ana Jesus Ribeiro
in Anadia sem Gente
sábado, 28 de Março de 2009
sexta-feira, 27 de Março de 2009
Yoga do riso?!
Dá para rir, dá. Mas é de pena…
terça-feira, 24 de Março de 2009
Um herói dos tempos modernos...
in Portugal Diário
Quem está a ser teimoso, afinal?
Não percebo muito bem por que razão tem o PS de contar com o entendimento (leia-se aval) do PSD para a nomeação do substituto de Nascimento Rodrigues no cargo de provedor de Justiça. Bem sei da obrigatoriedade dos dois terços, mas acho que não faz sentido que um governo de maioria absoluta tenha de depender de um partido minoritário para nomear quem quer que seja para um cargo. Mas o que ainda me custa mais a perceber é o motivo de tanto alarido social-democrata quanto ao facto de o PS insistir no nome de Jorge Miranda, quando os últimos cinco provedores de Justiça, escolhidos desde 1990, foram indicados pelo PSD…Para que conste:
1975 – Manuel Brás, encarregou-se da instalação da Provedoria;
1976 – José Maria Magalhães Godinho, indicado pelo PS;
1981 – Eudoro Pamplona Côrte-Real, indicado pela AD;
1985 – Ângelo Vidal Ribeiro, indicado pelo PS;
1990 – Mário Ferreira Raposo, indicado pelo PSD;
1992 – Menéres Sampaio Pimentel, indicado pelo PSD;
1997 – Menéres Sampaio Pimentel, indicado pelo PSD;
2000 – Henrique Nascimento Rodrigues, indicado pelo PSD;
2004 – Henrique Nascimento Rodrigues, indicado pelo PSD.
Saliente-se que o socialista António Guterres foi o único primeiro-ministro a nomear um provedor de Justiça que não subscrevia a sua orientação política. Na verdade, dois. Curiosamente, o provedor que ainda se mantém em funções, bem como o seu antecessor, no seu segundo mandato. Está fácil de ver, portanto, quem tem a razão neste diferendo entre o PS de José Sócrates e o PSD de Manuela Ferreira Leite, embora, na minha opinião, pouco importe o partido de que é militante o senhor que venha a ser escolhido.
domingo, 22 de Março de 2009
Manuela Ferreira Leite na Curia
Na opinião de Manuela Ferreira Leite, foi “por incompetência” que o executivo socialista “não aproveitou os recursos e a solidariedade europeia”. Essa incompetência, acrescentou, terá sido perceptível em todos os sectores de actividade nacionais, mas atingiu com particular violência a Agricultura, que conta “milhares de agricultores, de norte a sul do país, privados de recursos a que tinham direito”. A tão propalada crise económica foi outro dos temas abordados pela líder laranja no encerramento do encontro na Curia, quando mostrou não acreditar que é agora, depois de ao longo de três anos de governação, ter demonstrado uma completa “ausência de visão clara sobre o que é estratégico para Portugal”, que o Governo vai ter essa capacidade. Parece assente, na ideia da líder do PSD, que com José Sócrates ao leme, Portugal está condenado ao naufrágio económico. Ainda em tom crítico, Manuela Ferreira Leite falou do problemático processo de escolha do nome que há-de suceder a Nascimento Rodrigues no cargo de provedor de Justiça, para dizer que os socialistas “nunca responderam” à sugestão do PSD: “Uma falta de respeito”, vincou.
“Sensata” e “construtiva” foi como a presidente social-democrata considerou a proposta de Paulo Portas, no sentido de que o processo seja retomado do seu ponto zero, defendendo a intervenção do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama. “O que há, neste processo, é uma actuação verdadeiramente inconcebível por parte do PS. Ter tornado públicos os nomes das pessoas, o não aceitar a proposta feita pelo PSD há muitos meses, em relação à qual nem se dignou responder, e colocar as pessoas indigitadas numa posição desagradável é uma falta de respeito pela instituição da Provedoria de Justiça verdadeiramente inaceitável”, disparou, considerando ainda que Jorge Miranda (proposto pelo PS) é “um nome muito respeitável”, mas contrapondo que também merece o mesmo respeito o sugerido pelos social-democratas.
Nos dias que antecederam a realização desta terceira edição da Universidade da Europa, circulou por todo o concelho de Anadia o boato de que os militantes locais pretendiam surpreender a presidente do partido. A “espera” teria como objectivo, segundo o Mente Despenteada conseguiu apurar, fazer pressão sobre Ferreira Leite, no sentido de a convencer de que o candidato desejável à câmara local será José Manuel Ribeiro, líder da concelhia, e não Litério Marques, o actual autarca, que já mostrou vontade de se recandidatar. Dizia-se que os militantes afectos ao líder da concelhia receberiam a sua líder junto ao Grande Hotel, empunhando cartazes e faixas, capitalizando a esperada presença de jornalistas no local. É verdade que não estava junto ao hotel no nomento em que Manuela Ferreira Leite chegou, mas não dei por qualquer manifestação, e também não houve quem me falasse disso…
sábado, 21 de Março de 2009
Um mini-santuário no meio da rua...
Numa das ruas da pacata localidade de Mogofores – freguesia do concelho de Anadia onde, por estes dias, passo grande parte do meu tempo –, há um monumento religioso em plena faixa de rodagem. O dito monumento, paredes meias com o Colégio Salesiano de S. João Bosco, onde D. Ximenes Belo, bispo de Timor, passa grandes temporadas, ocupa toda a faixa descendente da Rua Visconde de Seabra, obrigando os automóveis a manobras pouco católicas…
sexta-feira, 20 de Março de 2009
O princípio do fim... aos 27!
Se algum dos meus despenteados amigos é daqueles que acreditam que começaram a ficar velhos no dia em que completaram uma determinada idade, ou quando detectaram o primeiro cabelo branco, as entradas mais largas e as articulações mais presas e dolorosas, quando precisaram de usar óculos ou quando começaram a gostar de telenovelas e de sacos de água quente à noite, desenganem-se! A velhice chega bem antes disso! Segundo uma equipa de investigadores da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, a esmagadora maioria das pessoas que conheço faz já parte do fantástico grupo a que a sociedade convencionou chamar idosos. É que, de acordo com os resultados de um estudo agora divulgado, a velhice começa aos 27 anos (?!), porque é nessa idade que as nossas capacidades mentais começam a definhar, exactamente cinco anos depois de terem estado no seu ponto mais elevado de habilidade cognitiva. Timothy Salthouse, responsável por esta investigação, afirmou que os resultados agora divulgados permitem constatar que os tratamentos desenvolvidos para controlar o envelhecimento mental devem ser iniciados muito antes de os sinais de esgotamento começarem a ser visíveis. “O declínio da capacidade cognitiva começa entre os 20 e os 30 anos, mesmo em pessoas saudáveis”, declarou o investigador. Recordo que foi nessa idade que Kurt Cobain, Janis Joplin, Jim Morrison e Jimmy Hendrix morreram. Afinal, já morreram velhos…quinta-feira, 19 de Março de 2009
Do Portugal real: a porca Joana!
Acolhida (devido à morte da progenitora) com apenas um dia de vida, foi criada a biberão, com todos os cuidados de que um recém-nascido necessita. “Cabia no bolso de um casaco, pois era muito pequenina e branquinha. Pusemo-la a dormir num escabelo da lenha, na sala e fomos tratando dela com todo o cuidado”, recorda Ortélia Seco, reconhecendo que é um animal muito inteligente e caprichoso. “Dá pelo nome e conhece todas as pessoas da casa”, revela, admitindo que graças à sua personalidade (meiga, calma e sossegada) rapidamente ganha o afecto de todos, sobretudo dos mais pequenos. Comer, dormir e brincar com três dos cachorros da casa preenchem o seu dia-a-dia e nem os gatos escapam à diversão. Gulosa desde pequena, também não lhe foi difícil aprender a procurar lambarices em armários e no frigorífico, hoje fechados a sete chaves, por causa da atrevida “Joana”. Para o casal que negoceia em gado (suínos, caprinos e bovinos) a venda ou abate da “Joana” está fora de questão. “Faz parte da família e, por isso, aqui vai ficar até morrer de morte natural”, remata Ortélia Seco.
Catarina Cerca, in «Jornal da Bairrada»
27 de Fevereiro de 2009
quarta-feira, 18 de Março de 2009
segunda-feira, 16 de Março de 2009
Pronúncia social-democrata...
domingo, 15 de Março de 2009
Há coisas que me irritam...
- Pessoas que não sabem falar a sua própria língua, e que não são capazes de escrever uma frase sem um erro ou, como costuma dizer um amigo meu, contar até 12 sem descalçar os sapatos;
- Pessoas que criticam tudo e todos, esquecendo os seus próprios telhados de vidro, como se fossem os únicos seres perfeitos deste mundo, e todos os outros um monte de bosta que não merece viver;
- Pessoas que saem à rua sem nada para fazer e que vagueiam em busca de quem lhes dê dois dedos de conversa (acreditem que há pessoas assim, e que por muito que entenda que tentam combater a solidão, chateia-me ver o modo desesperado como tentam captar a atenção de quem passa);
- Pessoas que tocam à campainha do primeiro andar quando efectivamente querem falar com quem mora no rés-do-chão, que não abre a porta porque não está para as aturar;
- Pessoas que chegam sistematicamente atrasadas aos seus encontros;
- Pessoas que, ao encontrar alguém conhecido, têm como primeira frase, após o cumprimento, um implacável “estás mais gordo”, “estás mais magro” ou “essa roupa não te favorece”, que valem tanto como o “come antes uma peça de fruta, que te faz melhor”…
- Pessoas com a mania de impor aos outros o seu estilo de vida, vangloriando-se a todo o momento do que já conseguiram por serem como são e não outra coisa qualquer;
- Pessoas cujos temas de conversa favoritos são as doenças de que padecem, as idas ao médico, os gatos e as viagens de autocarro;
- Pessoas que abusam notoriamente da bebida, e que depois incomodam os outros nos cafés, nas salas de espera dos consultórios, nas ruas e em qualquer espaço público;
- Arrumadores a quem não damos a “moedinha” (no meu caso são todos os arrumadores), e que se afastam a resmungar ou respondem “obrigado na mesma”;
- Vendedores de castanhas que tentam enganar-nos no troco de uma nota de 20 euros;
and so on, and so on…
Desculpem, mas tinha mesmo de desabafar!
sábado, 14 de Março de 2009
sexta-feira, 13 de Março de 2009
sábado, 28 de Fevereiro de 2009
Vender religião de porta em porta...
Passava pouco das 11 horas desta bela e muito cinzenta manhã de sábado. Tocaram à campainha e, por ter o intercomunicador avariado, sem hipótese de antecipadamente saber quem era, a minha mãe abriu a porta e foi ver quem lá vinha. Era uma senhora, “testemunha de Jeová”, disposta a questionar quem quisesse dar-lhe tempo de antena (e a minha mãe não quis) acerca das causas de todos os males do mundo, apontando às almas perdidas o caminho para o “encontro com Deus”. Se nestas coisas eu sou pouco paciente, mas diplomática, a minha mãe é bem mais decidida, e menos de meio minuto depois, já a mulher descia as escadas, convencida de que daqui não levava novos fiéis. A inoportuna visita lembrou-me um diálogo deveras participado que, numa bela tarde de Verão do ano passado, opôs alguns camaradas de redacção, em virtude de um desses camaradas andar, também ele no âmbito do seu credo, a “espalhar a mensagem divina” por portas alheias. Sempre disse, ao meu amigo e a todas essas pessoas que já cá vieram bater-nos à porta, que estou convencida de que a religião não é vendável. Não é por virem cá com revistas e palavras doces que me convencem da existência ou da supremacia do deus deles sobre os outros deuses, de tantas outras pessoas. Acho até que pouca coisa é passível de ser vendida a quem não está interessado em comprá-la, mesmo que venha “embrulhada” nas palavras do mais fantástico especialista de marketing.Lembro-me, por exemplo, que uma das tarefas que tive de desempenhar recentemente, a título profissional, foi a de “vender” conferências de interesse duvidoso a jornalistas pouco empenhados na sua divulgação, ou em qualquer outra coisa (que o empenho é bem escasso na economia real dos dias que passam). E se acreditar num determinado produto é meio caminho andado para estabelecer alguma empatia com o interlocutor, a verdade é que, muitas das vezes, nem eu acreditava no interesse dos assuntos que tentava vender, o que, só por si, justificava o meu entendimento de que aquelas pessoas também tinham legitimidade para não querer algo que até eu achava pouco interessante. Já na área religiosa a coisa é um pouco diferente. O meu amigo que vai de porta em porta tentando vender a sua crença argumentava que muitas pessoas só têm acesso à “mensagem de Deus” se alguém for lá a casa levá-la. “São acamados, pessoas sozinhas”, dizia. E eu prontamente argumentava: “Mas isso não constitui um aproveitamento malicioso da sua solidão, e da consequente maior disponibilidade e abertura para o diálogo com estranhos?”. Ele garantia que não, e dava até o exemplo do avô, assim convertido (por ter estado acamado durante anos e a visita das “testemunhas” ser a única forma de contacto com o mundo exterior durante alguns anos). Discordo dessa técnica de vendas. Acho até que as religiões que assim procedem configuram uma espécie de agentes da Clix e do Citibank (embora esses só façam visitas telefónicas e em centros comerciais, pelo menos para já). São as ditas vendas agressivas! Oferecem um prémio – no caso das “testemunhas” são aquelas revistas manhosas que falam dos “graves problemas da masturbação” (sim, isto foi-me dito, ipsis verbis, por uma dessas visitantes há uns anos) –, mas em troca impõe-nos que os ouçamos durante largos minutos, tentando convencer-nos a comprar, não um colchão livre de ácaros, com as almofadas anatómicas de oferta, não uma semana por ano em timesharing no Algarve, mas uma religião que não pedimos, e que até aí nunca nos fez falta, e que ainda por cima exige que, no futuro, sejamos como eles: ratos de reuniões e incómodos praticantes do fastidioso porta-a-porta. Não há pachorra para estes vendedores da moderna banha da cobra. Não há quem crie uma lei que proíba isto? Ou pelo menos um autocolante como aqueles da “publicidade não endereçada aqui não”…
Apesar de surgir na imprensa com as duas grafias, optei pelo "Jeová", em vez de "Geová", em atenção ao comentário do leitor Dylan, que prontamente agradeço.
"Nem com 40 de febre"...
sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009
Quando o jornalista também é notícia…
Quem me conhece sabe que repudio o exercício do Jornalismo daquela forma que tende a misturar o repórter com o acontecimento, como se ele próprio fosse também notícia, ou parte dela. No entanto, quando o assunto em cima da mesa é o próprio Jornalismo, com as suas vicissitudes e idiossincrasias, não haverá ninguém melhor do que os jornalistas para explicar a alma do mister, o que nos empurra, dia após dia, para uma das profissões mais maltratadas e mal entendidas do mundo, sempre com um sorriso nos lábios, e o que faz com que, como diz o camarada Orlando Castro, não sejamos jornalistas seis ou sete horas por dia a uns tantos euros por mês, mas sim 24 horas por dia, mesmo estando (des)empregados. Foi por esta razão que acedi, por sentir que era esse o meu dever, aos pedidos de duas estudantes da Licenciatura e do Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro que, no espaço de poucos dias, me contactaram a solicitar o meu contributo para trabalhos académicos que estavam a desenvolver.A Cristina Barbosa, que não tenho o prazer de conhecer pessoalmente mas que me contactou por intermédio da Elsa Santos, uma amiga comum, lançou-me apenas – e já não foi pouco – o desafio de definir o que é ser jornalista. Enviei-lhe um texto que serviu de base à minha intervenção numa conferência promovida pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto em Maio de 2007, que já aqui publiquei, que versava justamente essa temática e que, creio, lhe terá sido útil. Um pouco mais longe foi a Joana Vieira, que conheci no jornal «O Primeiro de Janeiro», onde ela fez o estágio da sua licenciatura há alguns meses. Justamente sobre o que é ser jornalista, mas também sobre os constrangimentos, as dificuldades e as alegrias da profissão, bem como sobre o presente e o futuro do Jornalismo em Portugal, a Joaninha pediu-me uma entrevista. Um pedido que muito me orgulhou, e ao qual dei imediatamente resposta positiva. Hoje tomei conhecimento do resultado do trabalho de edição da Joana, que aqui partilho convosco. À minha estagiária preferida (não tive muitas, mas a Joana deixou de facto muito boas recordações, pela sinceridade, pelo sorriso, pelo idealismo, pelo companheirismo e pela sede de aprender), o meu vaidoso agradecimento e os votos de que o futuro lhe traga o sucesso e o reconhecimento que merece.
Deixo-vos o link para o Pular a Cerca, o blog da Joana onde consta a versão integral da entrevista.
Que seria de Manuel Alegre sem o tabu?
A poucas horas do arranque do XVI Congresso Nacional do PS, marcado para as 19h30 na Nave Polivalente de Espinho, o recorrente e pouco interessante tabu de Manuel Alegre (se vai ou não estar presente no conclave) é o assunto que domina os noticiários. Não sou militante do PS ou de qualquer outro partido, mas acompanho com interesse a vida política do país, e tenho a convicção de que isso é coisa que pouco importa a quem, por algum motivo, vive ou aprecia a política. Aliás, desde que foi vencido por José Sócrates na corrida ao cargo de secretário-geral e que depois apresentou uma candidatura independente à Presidência da República, de que saiu igualmente derrotado, e dos consequentes laivos de autonomia e diferença que vem assumindo, sem no entanto se desvincular do partido que toda a vida o promoveu e o fez chegar onde está hoje, Manuel Alegre perdeu toda a credibilidade para se dizer socialista. Apesar de deixar bem claro (demasiadas vezes) que não se revê na actual liderança e na actual linha programática do PS, não descola do partido, e teima em manter, de cada vez que o PS vive um momento especial, um novo tabu (sem isso, quem falaria dele?). Neste congresso não poderia, obviamente, ser diferente. O que me chateia é que a Comunicação Social não tenha rasgo para ir mais longe do que isso, e continue a alimentar os devaneios de um dissidente que não tem coragem de desertar de uma vez por todas, e que vai desertando aos poucos, apostado em minar a imagem do actual líder e castrando a visão de unidade que existe em torno de José Sócrates. Manuel Alegre já não é socialista. Colado às esquerdas caviar para somar pontos e se manter visível aos olhos de um eleitorado que nem sabe quem ele é, reiteradamente cospe no prato em que comeu e demonstra claramente o seu mau perder. Até agora, e como se isso interessasse a alguém, Manuel Alegre tem alimentado o tabu da sua presença ou não no congresso de Espinho, recusando-se a fazer declarações sobre o assunto. Estou convencida de que isso só é tabu para ele, porque eu acho que ele não vai (o congresso é-lhe maioritariamente hostil, e se lá fosse teria de continuar a desancar no secretário-geral que há dias foi reeleito com mais de 96 por cento dos votos, o que, em ano de três actos eleitorais, não seria sequer inteligente), e também acho que isso pouco interessa aos que lá estarão ou, menos ainda, a qualquer um de nós. Manuel Alegre não existe sem o tabu, e é por isso que tenta manter acesa uma chama que já não queima, e que apenas os jornalistas com pouco para escrever ainda alimentam…segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009
Atentado(s) na Mata Nacional do Choupal
domingo, 22 de Fevereiro de 2009
Excêntricos todos os dias
A excentricidade está na moda, e há quem faça de tudo – qualquer coisa mesmo – para ser anormal. Os anúncios publicitários garantem que o Euromilhões está “a criar excêntricos todos os dias", mas eu acho que já não é preciso acertar numa chave para atingir o clímax da excentricidade, que não raras vezes surge aliado ao cúmulo da alarvidade. Há quem venda a mãe, o pai e um dedo da mão direita só para ser diferente, e com isso mais extravagante. Dou-vos um exemplo! Já algum dos meus despenteados amigos ouviu falar num tal de Dávid, ou num Cárdoso, que jogam no Benfica? Conheço uns senhores com nomes algo parecidos com esses: David e Cardoso, mas depois de o José Rodrigues dos Santos querer ser mais inglês que os ingleses, emprestando aquele sotaque quase australiano às palavras, o fulano da Rádio Renascença que ontem comentou o jogo de futebol que opôs Benfica e Sporting queria, à força toda, atirar para dentro do relvado um Dávid e um Cárdoso. Já por diversas vezes me vi forçada a tirar o som à televisão enquanto via determinados jogos de futebol, mas na rádio, convenhamos, tirar o som não dá jeito nenhum…sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
Fica uma espécie de vazio...
Passar a um colega – ou a vários colegas – dossiers que nasceram connosco, que saíram da nossa veia e do nosso coração, nos quais depositamos o melhor da nossa escassa sabedoria, é como deixar fugir um filho. Fica uma espécie de vazio, e a vontade de gritar “ei, isso é meu, fui eu que fiz isso”. E fui. Porque muitas vezes fui além do que me pediam, criei mais do que era suposto inicialmente, e agora, na hora da despedida, vejo partir esses meus filhos, sem meios ou legitimidade para os segurar. Hoje ligo o computador e vejo circular por aí, anonimamente, muitos e muitos textos que produzi, e alguns projectos que considero muito interessantes. Serão consultados por muita gente. Lidos, assimilados ou criticados por muita gente. E essa é a beleza da coisa! Mas porque ponho sempre muito de mim em tudo o que faço, fica a expectativa: que virá a seguir? Quem dará continuidade ao que iniciei? E será exequível continuar algo que, em alguns casos, ficou tão marcado por um estilo que é só meu? Como uma mãe que vê sair de casa um filho, continuarei atenta ao percurso de tudo o que fiz nascer, desejando sempre, obviamente, o maior sucesso possível a todos os projectos, e mantendo aquela pontinha de saudade característica de todas as mães que estão longe das suas crias. Mas como diz o outro, vou andar por aí, cruzando-me insistentemente com os filhos que deixei fugir da minha mão. É deixá-los aprender a estar sem mim. Embora fique uma espécie de vazio cá dentro…Back in business (ou então não)...
Estou de volta ao mercado de trabalho. Ou melhor, estou de volta ao mercado dos que procuram um novo emprego. Em tempos particularmente atribulados no que a novas colocações profissionais diz respeito, e ainda por cima de forma “voluntária” – por razões pessoais pedi há poucos dias demissão da empresa onde trabalhava desde Agosto, na sequência do impressionante despedimento colectivo e ilegal de que fui vítima no jornal «O Primeiro de Janeiro» – estou desempregada. Saí sem ter nada em vista, e talvez demore um pouco a concretizar qualquer nova ligação, optando por uma decisão que em tempos critiquei a outros amigos, que deixaram as empresas em que trabalhavam sem terem garantias de que estariam empregados e a receber salários no futuro próximo, e sem direito a qualquer subsídio por estarem desempregados. Eis-me agora, também eu, nessa situação. Muitos diriam que o futuro a Deus pertence. Talvez tenham a sua razão. Porém, eu acho que tenho de dar uma ajuda, e por isso estou a começar a fazer pela vida. No Jornalismo (onde insistentemente me dizem que está o meu futuro), ou fora dele, a fazer qualquer outra coisa que me dê satisfação e me torne útil à sociedade, estou novamente no mercado. Só espero que não demore muito…terça-feira, 17 de Fevereiro de 2009
Nota de culpa e constrangimento...
Não tenho tido tempo de estar com dois dos meus melhores amigos, grávidos e felizes. Como queria dividir com eles a emoção da barriga que cresce, as dúvidas, os anseios e os medos que os assaltam, os saberes que se colecciona nestas alturas, as gargalhadas partilhadas tantas e tantas vezes naquele tempo em que ela e ele ainda não eram eles, e ela e ele eram dois e ainda não eram três! E como queria conjugar os meus tempos para ter tempo de viver a inveja que tenho deles, por trazerem ao mundo, a breve trecho, o meu sobrinho Henrique!
Não tive tempo de estar com dois outros grandes amigos quando a Maria vinha a caminho, e depois dela já nasceu a Sara, e depois também o Miguel, que ainda nem conheço, nem com outros dois, que sofreram tanto para ver chegar a Mafaldinha, que só conheci, por acaso, num corredor de um centro comercial quando ela já tinha dois anos. Portei-me mal. A ausência de um amigo é crime sem perdão, mas ainda assim sinto que eles me perdoam, porque sabem que a verdadeira amizade suporta as ausências e supera as distâncias.
Não tenho tido tempo para trocar duas palavras que seja com alguns amigos que vou encontrando, e essa solidão que me imponho – perdoem-me! – não sei explicar. O acaso fez com que por estes dias encontrasse uma amiga de uma amiga que não vejo há muito tempo. E como tenho saudades dela! E há tantas e tantas pessoas de quem sinto falta, e a quem, mesmo assim, não tenho tido tempo, nem coragem ou iniciativa de telefonar, de saber por onde andam. Guardo as saudades dentro de mim, e se me ligam tudo se ilumina no meu coração. Mas não sou capaz de lhes ligar, de ir ao seu encontro ou de perguntar onde estão.
Tornei-me mais só. Premeditada e conscientemente. Não me dou como antes às emoções, e com isso perco o tempo de ter tempo para os meus amigos. Penso neles. Tanto. Não há dia em que não pense na Raquel e no Rodrigo, na Marlene e no Pintas, na Graça e no Jorge, na Lídia e no Carlos, na Judite, na Liliana, na Sofia, na Luísa, no David, na Isabel, no Orlando e no Pedro, que há dias perderam o emprego de forma quase tão inglória como o despedimento de que fui também alvo, juntamente com mais de 30 camaradas… e tenho saudades de todos (bem, de quase todos) aqueles com quem partilhei momentos importantes da minha vida. Mas tornei-me mais solitária. Não mais infeliz, não mais preocupada, não mais sozinha no fundo. Tenho o amor da minha vida e tenho a minha família. Tenho os meus amigos, assim mesmo, na distância, mas também no quentinho do meu coração. Só que não tenho tido tempo para sair de mim e ir mais longe. Desculpem-me por isso. É o egoísmo a que tenho direito e que nunca tinha usado. Qualquer dia voltamos a falar. Combinado?
Love you all.
sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2009
Hoje é o meu dia!
Aos azarados de todo o mundo o meu caloroso abraço! Com a certeza de que piores dias virão!
quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009
sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
domingo, 25 de Janeiro de 2009
Ser jornalista...
Iniciei a minha carreira no Jornalismo no dia 1 de Março de 1999 no «Jornal de Notícias». Por lá me mantive até 2001, e exactamente na data em que tinha entrado para o JN dei entrada nos quadros de «O Primeiro de Janeiro». Pelo meio, sempre em acumulação de empregos, colaborei com um site, uma revista e vários jornais locais, tendo sido chefe de redacção de dois quinzenários. Foi uma curta, mas muito enriquecedora carreira (ainda que não no sentido financeiro do termo), e por qualquer dos lugares por onde passei tive o prazer de fazer amigos e inimigos (sim, que só os desinteressantes conseguem a proeza de serem consensuais, e essa não era a minha prioridade), e de aprender muito, muito, muito. Mas também pude ensinar algumas coisas aos mais novos, e a alguns mais velhos que comigo se cruzaram nestes cerca de 10 anos. Por duas vezes fui convidada a falar publicamente sobre o Jornalismo e sobre o que é ser jornalista.A primeira vez aconteceu no concelho de Ovar, numa escolinha de meninos muito pequeninos, e foi uma experiência deliciosa. Comigo estavam outros colegas, de vários órgãos de informação nacionais e locais, e as crianças fizeram imensas perguntas. Quiseram saber se íamos para cenários de guerras, se no exercício da nossa profissão já tínhamos sentido medo, se ganhávamos muito dinheiro… Outro desafio interessante teve lugar em Maio de 2007. A convite da Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, integrei um painel de oradores que procurou responder às questões de adolescentes que, chamados a escolher o seu futuro académico e/ou profissional, ainda tinham dúvidas sobre aquela que seria a escolha mais acertada. Havia quem quisesse ser professor, jornalista, médico, arquitecto, monitor de equitação, designer, etc., etc., etc..
Meses depois de ter sido vítima de um despedimento colectivo ilegal, com salários em atraso e muita coisa errada ainda por explicar, e tendo tido conhecimento, há poucos dias, de que camaradas de várias redacções da cidade do Porto, alguns meus conhecidos, outros nem por isso, seguiram também pelo caminho da rua (tirando os salários em atraso, que felizmente acho que estes não tinham), dei comigo a pensar nestas duas experiências que tive e no que disse às crianças e aos jovens que me interpelaram sobre o que é ser jornalista. Não me pesa a consciência. Fui clara e muito sincera com eles, como faço sempre questão de ser, com todos os que cruzam o meu caminho, e até comigo. Mas não lhes disse – não assim, claramente – que a profissão de jornalista está a atingir o seu ocaso, a desaparecer. Que os bons, os que sabem quanto vale o seu trabalho, e que conhecem o peso e o impacto do que escrevem, estão a ser atirados borda fora, trocados por outros que, levando menos dinheiro, produzem menos páginas, que casam com anúncios, de modo a que o produto final, apesar de mais pobre, gerar mais receitas com menos despesas. O Jornalismo está a morrer. E isso é profundamente lamentável.
Deixo-vos, por isso, a mensagem que transmiti aos meninos que no dia 18 de Maio de 2007 tiveram a paciência de me ouvir, e inquirir, e a todos os camaradas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» e de cada uma das várias redacções do Grupo Controlinveste um enorme abraço, de muita força. A todas as pessoas que, pelas mais diversas formas, nos expressaram (a mim e a eles) a sua solidariedade, os votos sinceros de muito sucesso pessoal e profissional neste novo ano. Cá vai disto!
O que é ser jornalista
Um jornalista meu amigo costuma dizer que “não se jornalista sete ou oito horas por dia, a uns tantos contos por mês. É-se jornalista 24 horas por dia, mesmo quando se está desempregado”. Na verdade, um jornalista tem de estar atento ao que acontece à sua volta, e sabe que a qualquer momento pode perder uma folga, se acontecer alguma coisa importante. Na opinião de muitas pessoas, ser jornalista é ser uma pessoa muito culta, que lê muito, que conhece várias línguas, que viaja muito, que sabe falar sobre tudo e com toda a gente, que aparece muitas vezes na televisão, que conhece pessoas famosas e que se torna também uma pessoa famosa… Não é bem assim, e ser jornalista não é uma profissão tão “chique” como muitas pessoas pensam. É uma profissão que exige seriedade, muito rigor, humanismo, tolerância e ética, e sem isso não faz sentido. O jornalista deve dizer sempre a verdade. Nem sempre é o que escreve melhor, em Português correcto (embora na minha opinião isso seja muito importante), mas é o que está sempre atento aos acontecimentos e sabe tirar deles o que é importante para as pessoas a quem transmite a informação que recolhe.
A missão do jornalista consiste em fazer um retrato compreensível da realidade, para o transmitir aos que estão fora dessa realidade de modo a que eles possam saber o que se passou e as implicações disso no futuro. Fazem-no através da redacção de notícias, preparam reportagens e entrevistas, captam imagens fixas ou em movimento, e divulgam essa informação através dos jornais, das rádios, das televisões ou das agências noticiosas (em Portugal só temos Agência Lusa e a Agência Ecclesia, que só trata de assuntos relacionados com temas religiosos). A redacção é o sítio onde normalmente os jornalistas produzem as notícias e reportagens que depois publicam nos seus órgãos de informação. Lá estão os repórteres, os editores e os chefes de redacção, que definem o espaço a dar a cada assunto. Fora da redacção, a maioria dos meios de informação tem uma rede de correspondentes, que são jornalistas que estão nas suas terras, ou no estrangeiro, de onde mandam notícias. Quando há um acontecimento importante num qualquer local – uma guerra ou um congresso político, por exemplo, os meios de informação destacam para lá um ou vários jornalistas, que produzem a reportagem. Em algumas empresas também há jornalistas especializados, que tratam de temas específicos como Saúde, Economia, Política, Educação ou outros.
Emprego
Há uns anos houve um grande desenvolvimento do sector da Comunicação Social: apareceram novos jornais e revistas, canais privados de televisão e estações de rádio, e começaram também a aparecer os jornais na Internet, o que fez com que o mercado de emprego nesta área melhorasse muito. Foi muito positivo para os estudantes que nessa altura resolveram tirar os cursos de Jornalismo, Comunicação Social ou Ciências da Comunicação (os nomes mudam consoante as universidades), porque mais facilmente encontraram o emprego que desejavam. No entanto, o aumento dos interessados nesta profissão levou a um aumento do número de cursos existentes, que depois começaram a formar jornalistas em excesso. Ou seja, hoje não há mercado de trabalho capaz de absorver os jornalistas todos, e há um grande número de profissionais no desemprego ou a trabalhar em condições muito más.
Formação
O Jornalismo é uma profissão aberta. Isto significa que para se ser jornalista não é obrigatória uma habilitação académica específica, como para se ser médico, advogado ou economista, por exemplo. No entanto, os candidatos a jornalista têm de passar por um período de estágio, que varia de acordo com as habilitações que possui, e que pode ser de 12, 18 ou 24 meses. Também é útil, contudo, a existência de jornalistas que não têm o curso de Jornalismo ou de Comunicação Social, mas que optaram por áreas como o Direito, a economia, a Sociologia, História ou Relações Internacionais, por exemplo. Independentemente da formação que tenha o candidato, para ser jornalista profissional tem de obter a Carteira Profissional.
Condições de trabalho
Quem optar por esta profissão tem de contar com um mercado de trabalho diversificado, mas muito competitivo. Quem quiser desenvolver uma carreira aliciante terá de apostar fortemente na valorização profissional permanente das suas competências. Formação académica e profissional adequadas, poder de observação, curiosidade, criatividade, persistência e actualização constante de conhecimentos são trunfos para quem deseje ser jornalista.
Carla Teixeira
Faculdade de Psicologia e Ciências da Comunicação da Universidade do Porto, 18 de Maio de 2007
sábado, 17 de Janeiro de 2009
Comboio colheu pessoa na Mealhada
Hoje acordei com a notícia de que mais uma pessoa foi colhida por um comboio perto da Mealhada. À porta da Estação de Mogofores, onde me encontro, estão, há já largos minutos, três composições paradas: dois comboios rápidos (que já deixaram de o ser) e um comboio regional. Nunca mais estes três, e outros que porventura estejam parados nas estações próximas, recuperarão do atraso que já levam. A pessoa colhida, no entanto, nunca mais voltará a ser quem era. E isso é verdadeiramente lamentável, mas todos sabemos que este não é o primeiro caso, nem será, infelizmente, o último. Os comboios matam…
Foto: Luís Silva
quinta-feira, 15 de Janeiro de 2009
Ano novo, coisas velhas...
O ano pode ser novo, mas a vida é feita de ciclos que se repetem inexoravelmente, sem que nada os impeça de trucidar tudo à volta, na vertigem demolidora da contemporaneidade. Pode mudar a folha do calendário, o dia da semana, a posição dos ponteiros do relógio, mas todos os acontecimentos se conjugam para, reiteradamente, voltarem a ser actuais. Ciclicamente, o mundo repete-se, e as coisas, os momentos, as pessoas, voltam a ser, talvez com outros nomes, noutros cenários, aquilo que já tinham sido. Lavoisier é que tinha razão: “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. O início deste ano demonstra-o claramente: não se perdeu a crise, não se criou qualquer resposta, e apenas mudaram os nomes dos intervenientes.Mudam os nomes das empresas, mas continua a haver trabalhadores despedidos. E aos montes. Em grupo. Mudam os rostos dos que protestam, as vozes dos que defendem direitos próprios e alheios, mudam as cores das bandeiras, mas a indefinição persiste. Os gritos surdos, a revolta encapotada, o desvario de quem sabe que já não pode piorar muito. A notícia de que o Grupo Controlinveste está a proceder ao despedimento colectivo de mais de uma centena de pessoas deixou-me com os nervos em franja. Será que ninguém está a salvo? Haverá alguma empresa portuguesa que consiga manter-se de pé, firme e hirta, contra a crise? Bem sei que a Comunicação Social não é a única área afectada pela crise. Antes fosse! Bem estava o mundo se houvesse apenas jornais a fechar portas e a despedir pessoas! Mas há mais. Muito mais. E quando vemos um grupo como a Controlinveste enveredar por esse caminho, então percebemos que a situação é grave.
Nos tempos em que trabalhei no «Jornal de Notícias» era impensável que a crise tocasse, mesmo que ao de leve, aquela casa. Não havia falta de dinheiro. Havia, provavelmente, excesso de gente. Uma redacção que metia num bolso todas as que conheci depois, onde não faltavam rostos, vozes, sons, equipamentos e vontade de trabalhar. Éramos muitos, mas nunca sentíamos que alguém estivesse a mais. E quando saíamos em reportagem, não nos faltava o carro – com motorista – e o necessário fundo de maneio para o serviço. Dava gosto trabalhar assim, sem restrições de meios. As empresas que conheci depois, e foram várias as empresas em que trabalhei, em simultâneo e depois do JN, não viviam com tanta prosperidade. O dinheiro era contado, as reportagens eram feitas a pé, em viatura própria ou no carro do patrão, e às vezes faltava até dinheiro para pilhas. Era uma aventura.
No entanto, em nenhuma dessas empresas fui despedida (e naquela em que fui, aquela de que jurei não mais falar, sabeis bem as razões por que fui e sabeis bem de que lado está a razão). Hoje soube que «Jornal de Notícias», «Diário de Notícias», «24 Horas» (redacção onde ainda recentemente tive o prazer de reencontrar amigos, enquanto colaborei com o também já extinto «Tal & Qual», que era ali ao lado), «O Jogo» e TSF estão a dizer adeus a alguns dos seus funcionários. Mais de uma centena de trabalhadores, metade dos quais jornalistas. Mais cento e tal almas atiradas para o desespero de ter contas para pagar com dinheiro que não estica! Um dia depois de saber que foi declarada em tribunal a solvência da empresa que me despediu ilegalmente, em conjunto com mais de 30 camaradas, que me deve dinheiro, que finge não ter bens e que até tem morada falsa, e de saber que nada poderei exigir a quem alegadamente nada tem, recebo a notícia de que mais uns quantos vêm para a rua. Só espero que estes não experimentem o sabor amargo de quem anos a fio se deu a um ideal, e depois acabou descalço, podendo contar apenas com a sua dignidade.
Aos camaradas que hoje receberam a triste notícia de que serão despedidos quero deixar um abraço solidário, e a certeza de que mudam os anos, mas não muda mais nada. A m… é sempre a mesma, as moscas é que são diferentes.
Coragem!
Boa noite, e boa sorte!
domingo, 11 de Janeiro de 2009
Despenteadamente...
quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008
Feliz Ano Novo!!!
O ano que agora termina foi, para mim, um ano pleno de mudanças, de descobertas e de novidades. Nem todas foram boas. Algumas foram mesmo bastante más. A saúde abalada, o constante corrupio por hospitais, clínicas e laboratórios, o nunca mais acabar de análises, de tratamentos, de interacções e de riscos, e depois o desemprego, ainda que por apenas 10 dias, e os sucessivos embustes que, com os meus camaradas, fui descobrindo na (pouco ilustre) actividade da empresa que alimentámos dos nossos textos e da nossa alma durante anos e anos.
As surpresas continuam, e delas vos tenho dado conta neste espaço. No entanto, perder mais um minuto que seja da minha vida com a revolta e com a sombra dos erros dos outros – que não são meus, porque dei muito de mim e recebi sempre muito pouco de «O Primeiro de Janeiro» – não faz sentido para alguém que quer e que acredita que merece um futuro melhor. Por isso, o dossier «Janeiro» fecha aqui, e vai, como grande parte do ano que hoje termina, para o lixo.
Para 2009 seguem comigo apenas as boas memórias: os amigos que trouxe dos sete anos que lá passei, mas que agora são “apenas” amigos, e já não colegas, ou ex-colegas, ou o que quer que seja que tenha ligação àquele lugar. Não sei programar o cérebro para esquecer uma casa onde aprendi muito sobre o que sou e sobre o que sei fazer. Não o esquecerei nunca, sei disso. Mas não mais viverei da raiva e do ódio que, apesar de justificados, fazem mais mal a quem os sente do que a quem é alvo deles. Dentro de mim habitarão somente pensamentos positivos, os sorrisos de quem tenho por amigo, a ausência de quem nunca fez falta.
Ano Novo, vida nova.
O amor continua. É o melhor do mundo. E há novos motivos para sorrir. Novos amigos, um novo projecto profissional, um caminho muito interessante a partilhar, novas coisas para aprender e novas pessoas para ensinar. Novas mãos que se estendem ao encontro das minhas, e nomes e rostos novos com quem tive de reaprender o prazer de trabalhar e de ver reconhecido o mérito do que faço. À minha nova equipa, obrigada pelo recomeço, pela esperança renovada, pelo longo alcance da palavra e da honestidade.
A vocês, que aqui me aturaram durante meses a fio (e também nas anteriores versões do Mente Despenteada), agradeço todas as manifestações de afecto, algumas palavras mais azedas, e faço votos de que tudo de bom vos aconteça em 2009. Que todos os sonhos se materializem, que os vossos objectivos se concretizem, que tenham tudo aquilo que sempre sonharam e até o que nem tiveram tempo ou oportunidade de sonhar.
Se possível, que vos saia a Lotaria, o Totoloto ou o Euromilhões. Ou os três. Mas se não puder ser, que ao menos sorriam muito, que vivam felizes, e que continuem a passar por cá sempre que puderem. Votos sinceros de que o novo ano vos traga muitos e muitos momentos fantásticos, porque vocês merecem. Até ao futuro. E obrigada por estarem desse lado.
Feliz Ano Novo!
segunda-feira, 29 de Dezembro de 2008
Mais uma à moda do «Janeiro»
sábado, 27 de Dezembro de 2008
Será que consigo escapar?
Fujo dela como o Diabo foge da cruz, embora me digam que ela está por todo o lado. Veloz, prudente e antecipadamente, entupi-me de Vitamina C, afugentei os amigos mais “espirrentos” e, pela primeira vez na vida, consegui escapar incólume a um surto de gripe familiar. Todos cá em casa foram atacados e derrotados pelo vírus, e houve até quem precisasse de um ou dois dias de cama. Eu não. Eu, que costumo ser a primeira, a mais febril e a mais atormentada pelas gripes e constipações, escapei. Pensei que tinha escapado. Porque dois dias a braços com a gripe do mais-que-tudo, corridas à farmácia, chás e caldinhos, e pronto! Hoje acordei com uma sensação estranha na garganta e um projecto de dor de ouvidos, devidamente acompanhados pelo belo do pingo no nariz. Pensava eu que tinha escapado…quarta-feira, 24 de Dezembro de 2008
Feliz Natal
quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008
O bom humor de «O Primeiro de Janeiro»
Título da notícia: “Indemnizações também por receber. Sete mil trabalhadores com salários em atraso".
Texto: O distrito do Porto é o campeão do desemprego e das dívidas das empresas aos trabalhadores. Por receber estão 95 milhões de euros. O coordenador da União de Sindicatos do Porto (USP/CGTP), João Torres, revelou ontem que sete mil trabalhadores do Norte de Portugal têm mais de 95 milhões de euros de indemnizações e salários em atraso. João Torres falava numa concentração de dezenas de trabalhadores, no Largo Tito Fontes, Porto, convocada pela CGTP para reclamar 'justiça', e 'denunciar a falta de vontade política do Governo', na regularização de processos de dívidas a trabalhadores que se arrastam em tribunal. 'Há milhões para os patrões, não há para os trabalhadores', criticaram os manifestantes, em cartazes empunhados na concentração. João Torres acusou o Governo de estar a proteger os poderosos e os banqueiros, ignorando a situação dos desempregados e dos trabalhadores com salários em atraso. O estudo feito pela USP nos seis distritos do Norte, Aveiro, Porto, Viana do Castelo, Braga, Vila Real e Bragança, indica que, em média, cada um dos sete mil trabalhadores tem créditos de 13 mil euros. 'As principais vítimas são os trabalhadores com os salários mais baixos', afirmou João Torres, salientando que o distrito do Porto é o 'campeão do desemprego, com mais de cem mil desempregados', e das dívidas das empresas aos trabalhadores.
sábado, 13 de Dezembro de 2008
Crónica de umas férias despenteadas
Fica a reportagem fotográfica do Mente Despenteada. Enjoy!
quarta-feira, 10 de Dezembro de 2008
Hoje acordei a pensar nisto...
Hoje acordei a pensar nisto.
Desculpem qualquer coisinha!
segunda-feira, 8 de Dezembro de 2008
quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008
Sou uma espécie de deus...
Se é verdade, como diz o povo, que não devemos evocar o nome de Deus em vão, tenho para mim, como verdade absoluta, que também o meu nome deverá ser preservado daquelas conversazinhas em tom de intriga que algumas pessoas gostam de manter sobre aqueles com quem se cruzam no seu quotidiano. Por isso, é sempre com renovado desprazer, e normalmente de forma involuntária, que constato que as pessoas vivem a falar dos outros e a congeminar maneiras de controlar quem as rodeia. Quando há umas semanas um amigo me contava que na empresa onde trabalhava circulavam e-mails a gozar com ele por naquele dia ter ido trabalhar de fato – presumindo-se que tinha ido de assim vestido por causa do emprego, quando na verdade a escolha se devia a uma programada ida à missa depois do expediente – não quis acreditar. Disse-lhe que não se tratava de gozo, que era uma forma bem-humorada de as pessoas comentarem o quanto estava elegante naquele dia. Mas talvez não fosse. Hoje, inadvertidamente, assisti a um pedaço de uma conversa em que o meu nome não foi directamente referido – não era eu o tema da conversa –, mas veio à baila quando se falava de uma pessoa minha conhecida. Do meu ponto de vista, a crítica a essa pessoa era injusta, mas a colagem ao meu nome, como se de um projecto de intriga se tratasse, deixou-me… como direi? Piurças!E pronto. Era só isto!
terça-feira, 2 de Dezembro de 2008
Uma reflexão que se impõe!
Este é um tema fundamental da actualidade nacional e esta é uma reflexão que se impõe. Gostaria de estar presente, mas nessa data estarei de férias na Ilha da Madeira, com um animado grupo de amigos, a celebrar mais um feliz aniversário do meu consorte. Ainda assim, deixo-vos o convite e o cartaz, que me foi enviado por Joaquim Sande Silva, activista da LPN. Apareçam! Valerá certamente a pena!
Ainda os 140 anos do «Janeiro»...
"O Primeiro de Janeiro tem uma história relevante, que se confunde em parte com a história do país e é uma pena que o próprio jornal não festeje esta data", justifica Paulo Almeida. Ninguém quer falar da nova versão do jornal, que o novo director, Rui Alas Pereira, diz estar "novamente rejuvenescido, com mais fantasia e imaginação", num editorial escrito ontem a propósito dos 140 anos. Mas não escondem a tristeza de ter deixado o jornalismo. "Infelizmente ninguém conseguiu integrar outra redacção", lamenta Paulo Almeida. Mesmo assim, o tom não é de resignação. A maioria está a trabalhar, uma grande parte em assessoria de imprensa. As cerca de duas dezenas de profissionais da comunicação social presentes anteontem no jantar evitam os comentários, enquanto permanecer o litígio contra a empresa proprietária do diário (Fólio) e a empresa que lhes pagava os salários (Sédico). Querem a reintegração. O julgamento da acção proposta por um grupo de jornalistas sindicalizados está marcado para 14 de Maio do próximo ano no Tribunal de Trabalho do Porto. A reivindicação de outro grupo, não sindicalizado, está mais atrasada. A audiência de partes está marcada para o próximo dia 12, mas com poucas expectativas. É que o advogado da Sédico nem sequer compareceu à audiência com o primeiro grupo.
Em Julho, os jornalistas começaram a duvidar da viabilidade do jornal, perante os atrasos sucessivos dos salários. Mas a então directora Nassalete Miranda garantiu que o diário não fecharia. Contudo, a 31 de Julho, em reunião geral, a directora anunciou que a empresa falira e que o jornal iria ser suspenso durante um mês. A redacção seria demitida em bloco, mas quem quisesse seria contratado para fazer o novo jornal. No dia seguinte, uma secretária da admininistração avisava que afinal a empresa não falira. Os postos de trabalho seriam extintos. Três dias mais tarde, O Primeiro de Janeiro volta às bancas, com o director e a equipa de jornalistas de O Norte Desportivo. Ontem, o presidente da Câmara do Porto avaliava as últimas três décadas do diário como um "somatório de atribulações e angústias" num texto na primeira página sobre o aniversário do jornal. Sob o título de 140 anos de ideais, Rui Rio disse esperar que o Janeiro "de novo regresse aos trilhos da afirmação dos ideais em que foi moldada a sua matriz, em nome da justiça que é devida às grandes figuras que lhe deram o ser nos seus 140 anos de vida".
Mariana Oliveira, in «Público»
A Mariana foi a única jornalista no activo que marcou presença no nosso jantar, respondendo ao repto que lançámos a toda a Comunicação Social da cidade do Porto. Foi agradável a presença e foi, sem dúvida, muito importante esta nota que escreveu. Eu, que nem gosto do «Público» e que não conhecia a Mariana, gostei de privar com ela. Obrigada!
segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
E agora, a notícia...
No dia 31 de Julho de 2008, a directora, cumprindo ordens da administração da empresa, demitiu em bloco mais de 30 jornalistas e outros funcionários administrativos - cujos processos estão ainda por resolver pela via judicial - sem uma explicação plausível, sem qualquer indemnização e com salários em atraso. Aproveitando a data, os jornalistas despedidos anunciam que a iniciativa manifesta o respeito pelos leitores, fontes e antigos trabalhadores e por todos aqueles que demonstraram solidariedade com os seus despedimentos ilegais.
Nascido numa revolta contra a política fiscal do Governo de Fontes Pereira de Melo, “O Primeiro de Janeiro” atravessou outros períodos conturbados, como a transição para a democracia, ainda que a crise mais difícil se tenha registado na década de 80, quando o seu vasto património foi desbaratado. Mais tarde, em 1990, um empresário da indústria gráfica, de Oliveira de Azeméis, comprou a empresa detentora do jornal e o título foi-se associando a um marca de prestígio. No início de 2000, o mesmo empresário alterou a constituição da empresa fundadora, registada em 1919, para Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, SA, e transferiu a sede para Gondomar.
in «Jornal de Notícias» online
Um encontro de amigos
Estiveram presentes no jantar de ontem, no Restaurante Mar do Norte, e nos copos que vieram depois, no Ferrugem: Paulo Maia, Miguel Ângelo, Carla Teixeira, Luís Silva, Natacha Lima Reis, Ana Caridade, Ricardo Castelo, Carlos Machado, Lídia Cavadas, Luísa Mateus, Dora Barros, Paulo Sérgio Soares, Eduardo Coelho, Goreti Teixeira, Mário Miguel, Sílvia Soares, Paulo Almeida, Filinto Melo, Pedro Emanuel Santos e Pedro Tavares. Não fisicamente, mas através da mensagem que nos enviaram, estiveram também presentes Jorge Alves, Graça Vasconcelos e Raquel Pacheco.
Sentimos falta da Ana Sofia Rosado, do Mário Mesquita, da Filipa Leal, da Isabel Monteiro, do David Pinto, da Liliana Leandro, da Cátia Silva, da Alexandra Costa, da Cláudia Diz, do Pedro Vasco Oliveira, do Nuno Santos, da Andreia Marques Pereira, do António Larguesa, do Augusto Brito, da Cristina P. Pinto, da Eduarda Vasconcelos, da Joana Brandão, da Judite França, da Lúcia Pereira, da Marlene Maia, da Paula Almeida, do Pedro Fidalgo, do Ricardo Martins e do Victor Melo, da Rute Marinho, do Jacinto, do Sr. Veiga... Alguns não puderam estar presentes, outros não foram atempadamente contactados, mas todos estes fizeram falta. Era um encontro de amigos, e nestas coisas nunca se está a mais. A repetir!
O jornal «Público» registou a ocorrência! :)
Foto: Luís Silva, o meu consorte! :)
sábado, 29 de Novembro de 2008
«O Primeiro de Janeiro» faz 140 anos
Foi nesta altura, no início dos anos 1990, que um empresário da indústria gráfica, de Oliveira de Azeméis, comprou a empresa detentora do jornal. Associando-se a um título que era sinónimo de prestígio, o empresário foi diversificando os seus negócios para as áreas da construção civil, águas engarrafadas, passando pela organização de espectáculos e agências de viagens. Nunca realizou, no entanto, qualquer investimento na redacção de «O Primeiro de Janeiro», que se manteve, desde 1990, na Rua Coelho Neto, no Porto, num espaço sem condições. No início da presente década, o mesmo empresário alterou a constituição da empresa fundadora do jornal, registada em 1919, mudou-lhe o nome para Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, SA, e transferiu a sede para Gondomar, para uma morada fictícia.
Já sob a direcção de Nassalete Miranda, e apesar do desinvestimento votado pelo empresário, o jornal foi conquistando espaço no panorama da imprensa regional do Norte, não tendo praticamente concorrentes. Todavia, no dia 31 de Julho de 2008, a directora, cumprindo ordens da administração da empresa, demitiu em bloco mais de 30 jornalistas e outros funcionários administrativos, sem uma justificação plausível, sem qualquer indemnização e com salários em atraso. Os jornalistas despedidos, que se viram obrigados de um momento para o outro, em pleno Verão, a lutar pela sua sobrevivência, não querem agora deixar de assinalar os 140 de existência de um dos mais importantes jornais que se publica em Portugal e para o qual contribuíram, por longos períodos, com muito esforço e dedicação.
Os jornalistas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» reúnem-se amanhã, domingo, pelas 21 horas, num jantar comemorativo dos 140 anos do diário portuense, no Restaurante Mar Norte, na Rua Mouzinho da Silveira, na cidade do Porto. Assinalam o aniversário do jornal, manifestando respeito pelos seus leitores, pelas suas fontes, pelos antigos trabalhadores e por todos aqueles que demonstraram solidariedade com os seus despedimentos ilegais.
Estado de graça
Uma amiga é uma irmã escolhida por nós. É alguém que amamos como se fosse parte de nós, um pozinho da nossa existência, que nos diz muito num olhar, que nos toca no coração com a simplicidade de um laço de sangue, com quem partilhamos tanto da nossa vida e do nosso pensamento que de repente parece estar dentro de nós, mesmo que o ritmo a que nos movemos diariamente nos mantenha fisicamente mais longe do que desejaríamos estar. Uma amiga casada e feliz transforma-se em dois irmãos a quem queremos tanto como se fossem realmente da família. Por isso, a minha família está em estado de graça, e este é o tamanhão do meu sobrinho! :)Esta imagem, que recebi acompanhada de um “Olá, tia. Já estou muito grande”, deixou-me de lágrimas nos olhos. É com base em sensações como esta que se constrói a felicidade. Obrigada, Raquel e Rodrigo! Estamos (todos) em estado de graça.
sábado, 22 de Novembro de 2008
sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
Se não fosse aquele "e"...
Como eu gostava que o Oliveira (e) Costa detido fosse outro (ainda que pudessem deter também este, claro)! Mas, se fosse esse o caso, e o detido fosse aquele que vocês sabem, seria muito pouco provável que este jornal falasse no assunto...segunda-feira, 17 de Novembro de 2008
Os meus dois mundos
PORTO (Foto: Luís Silva)domingo, 16 de Novembro de 2008
quinta-feira, 13 de Novembro de 2008
Esta é particularmente bonita...
Não sei se gosto mais da manchete (são sempre do melhor humor que se faz em Portugal), ou se é daquela chamadinha quase discreta à notícia daquelas 2300 PME que recorrem aos apoios do QREN, lado a lado com a dos desvios de dinheiro para o Brasil (ele há coisas...). Também não é mau aquele "adeus e... até já" do reitor da U. (?) Lisboa... Lá que isto tem piada, tem…terça-feira, 11 de Novembro de 2008
Memorando de (des)entendimento
sábado, 8 de Novembro de 2008
Um preto na Casa Branca
quinta-feira, 6 de Novembro de 2008
quarta-feira, 5 de Novembro de 2008
Presidenciais 2008
terça-feira, 4 de Novembro de 2008
Caso «Janeiro» na barra do tribunal
Volvidos exactamente três meses e cinco dias sobre o despedimento colectivo ilegal de 32 jornalistas e três funcionários de «O Primeiro de Janeiro», o Tribunal do Trabalho do Porto dá hoje início ao julgamento. Para a primeira sessão, marcada para as 10h30, foram notificados os jornalistas sindicalizados e os representantes da administração da Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, a empresa detentora do título até poucos dias antes do encerramento, que é igualmente alvo de um pedido de insolvência apresentado no Tribunal do Comércio de Gaia por um antigo trabalhador da empresa (há processos com mais de 20 anos). A sessão do julgamento destinada a ouvir os jornalistas não sindicalizados e os demais funcionários do centenário portuense terá lugar uma semana depois.Entretanto, o Mente Despenteada recebeu a informação de que andará a circular pelas empresas de Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos, um comunicado da Junta de Freguesia em que se pede a “colaboração” dos empresários locais para com aquele jornal. Fontes bem informadas disseram tratar-se de uma circular em papel timbrado da autarquia, que dá conta da alegada edição de um caderno especial sobre o tecido empresarial local, mas um elemento do Executivo explicou que “a junta apenas acedeu a um pedido de um comercial de «O Primeiro de Janeiro», que nos solicitou aquele documento. Fizemos o comunicado, mas não andamos a distribuí-lo. Quem faz isso é o jornal”. Uma resposta meio tosca que, apesar de tudo, não me extingue a dúvida: será isto legal? Até que ponto pode uma junta de freguesia dar o seu beneplácito aos interesses de uma empresa privada? Será legítimo que a autarquia emita um comunicado, em papel timbrado, a pedir publicidade para um jornal? Não creio…
segunda-feira, 3 de Novembro de 2008
Remodelações e despedimentos
Do anedotário tirsense

Não fosse o facto de esta história ter como cenário um cemitério, e atrever-me-ia a dizer que o que se tem passado na freguesia de São Martinho do Campo, no concelho de Santo Tirso, é de morrer a rir. E o que é que se passa? A Câmara Municipal investiu largos milhares de euros nas obras de ampliação do cemitério da freguesia, e agora anda o presidente da junta de freguesia a vender as sepulturas, acto para o qual não tem legitimidade ou competência legal (ainda mais depois de ter recusado a assinatura de um protocolo que previa a transferência dessa tarefa). Não contente com o facto de estar a incorrer numa desobediência à lei, o presidente da junta ainda garante vender mais campas e capelas, para ajudar a custear empreitadas como a que a junta assumiu no mesmo espaço, e que se traduziram na colocação de uma placa à porta do cemitério e na instalação de uma cobertura na pedra onde se reza a última oração! No passado dia 31 de Outubro, deslocou-se ao cemitério com os jornalistas da cidade, e foi lá que se referiu a estas alteraçõezinhas como “a obra do século”. Depois emendou, e disse que será, afinal, a “a referência deste mandato”. Uma lápide e um coberto! Estamos conversados sobre a obra feita no mandato da junta…Soube desta magnífica empreitada no site do Santo Tirso Digital, que começa um texto ESCRITO COM OS PÉS a dizer que esta obra foi feita “a pensar nas senhoras e até nos homens”…
quinta-feira, 30 de Outubro de 2008
quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Salário mínimo, estupidez máxima!
Agora que o primeiro-ministro anunciou a intenção de aumentar o salário mínimo para os 450 euros em 2009 – medida que decorre do calendário há muito definido com os parceiros sociais –, vem o presidente da Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas tentar pressionar o Governo a desistir desse intento. E notem bem o tom em que este senhor falou: “Se o primeiro-ministro insistir no aumento”… Diz ele que, se a medida anunciada efectivamente se concretizar, a associação determinará junto dos seus associados a não renovação dos contratos a termo. A ameaça vale o que vale, e o homem não deve estar a ver bem com quem lida! Se há coisa que José Sócrates já deu provas de ser é determinado. E ainda bem. A Associação Nacional das Pequenas e Médias Empresas, acrescentou o seu responsável (não sei o nome do homem, mas isso agora também pouco interessa ao caso), “não se vai manifestar, mas vai determinar junto dos associados que não renovem os contratos, o que significa que o primeiro-ministro vai ter um aumento do desemprego”.
Eu corrijo. O desemprego não é do primeiro-ministro. Não é ele que vai ter mais ou menos desemprego. É o país! Somos nós. Todos nós. Diz o mesmo responsável que há em Portugal mais de 43 mil contratos a termo. Será verdade. Mas também há muitos contratos a termo que não recebem o salário mínimo. E depois há também os falsos salários mínimos: aqueles que são mínimos no recibo e que depois, em “despesas de representação”, “deslocações” e coisas que tal absorvem maquias pouco mínimas. Sei de uma empresa em que essa prática encravou a vida a muita gente (e que por isso mesmo, ou também por isso, teve de “dispensar” uns quantos funcionários. Lamento, mas não tenho pena de quem lá ficou). O que pergunto é o que farão os empresários que declaram, para si mesmos, o salário mínimo. Será que também vão despedir-se?
E agora uma provocaçãozinha: já que a ANPMES tem a lata de ameaçar o Governo com a não renovação dos contratos a termo, no caso de o primeiro-ministro “insistir” no aumento do salário mínimo, eu sugiro ao primeiro-ministro que, a partir de agora, não só insista no aumento do salário mínimo como, e bem a propósito, passe a insistir no fim dos contratos a termo, só para ver a cara deste senhor. E que ele não possa, por lei, ganhar mais do que 426 euros por mês. Isso é que era!
terça-feira, 28 de Outubro de 2008
domingo, 26 de Outubro de 2008
À espera de Godot...
Agora, em entrevista ao «Diário de Notícias» e à TSF, o secretário-geral do PS veio dizer que a independente “seria uma grande candidata para o PS” à presidência da câmara do Porto nas eleições autárquicas de 2009. José Sócrates “gostaria muito que ela se candidatasse”, porque “ela honraria o PS”, e porque “uma candidatura da Elisa Ferreira seria uma candidatura à altura daquilo que é uma disputa no Porto”.
Só falta estender a passadeira vermelha…
Para quando o anúncio por que todos esperamos?
Em silêncio...
Até já.
sábado, 25 de Outubro de 2008
Eu era tão paciente...
sexta-feira, 24 de Outubro de 2008
quinta-feira, 23 de Outubro de 2008
Era strip, bowling ou lotaria?!
“Durante um espectáculo de striptease no clube Booby Trap, em Pompano Beach, na Florida, Charles Privette, de 35 anos de idade, foi atingido com um sapato de uma das bailarinas. O calçado além de atingir o cliente, partiu um espelho, que se quebrou sobre a mesma vítima. Segundo escreve o site de informação brasileiro Globo, o cliente processou o clube e quer 15 mil dólares de indemnização” (in PortugalDiário).Se este senhor conseguir levar a dele avante, prometam que me levam a uma casa de strip e me atiram com qualquer coisa! Desde que não seja nada muito pesado, ok? Eu prometo que divido os lucros!
































