A notícia não é exactamente nova (se calhar já nem é notícia), mas eu só hoje tomei conhecimento deste conteúdo, graças a um comentário deixado anonimamente neste blog, que muito agradeço. Fica o retrato, para quem quiser lê-lo, do homem que foi capaz de despedir mais de 30 pessoas a quem deve grande parte do que conseguiu amealhar durante anos, com salários em atraso, muita desfaçatez e pouca vergonha. Foi ilegal, é certo, mas já passou um ano e até agora, como sempre, quem se lixa é o mexilhão…
Ex-admin
istrador da Sedico “desmascara” Eduardo Costa José Reis diz que foi “manipulado” e usado como “bode expiatório de Eduardo Costa. Agora vem a público denunciar o empresário oliveirense. O advogado reformado garante que as dívidas que tem a seu cargo advêm da empresa Sedico, criada para gerir “O Primeiro de Janeiro”
José Reis, ex-administrador da empresa Sedico, vem a público denunciar Eduardo Costa, empresário oliveirense responsável pelo jornal Correio de Azeméis, pela Rádio Azeméis FM e pelo jornal “O Primeiro de Janeiro”. Amigo de Eduardo Costa desde cedo, José Reis tornou-se seu funcionário assim que chegou a Portugal vindo da Venezuela. Desde 1992 que a história de José Reis se confunde com a actividade profissional de Eduardo Costa. Com o objectivo de limpar a sua imagem e de desmistificar o empresário oliveirense, José Reis conta ao Mais Alerta o seu percurso desde 1992 e caracteriza Eduardo Costa, que sempre tomou por grande empresário e pessoa honesta. Neste momento, as palavras que José Reis usa para descrever o empresário oliveirense são “delinquente” e “trapaceiro”.
José Reis tem, actualmente uma dívida superior a um milhão de euros que diz resultar da actividade da empresa Sedico (empresa ligada à actividade do jornal “O Primeiro de Janeiro), da qual foi administrador. As suas contas bancárias foram congeladas e o uso do cartão de crédito interdito. José Reis diz que a finalização do processo penal pendente em que é arguido ainda pode resultar em pena de prisão. No entanto, garante que durante todo o tempo em que esteve ligado à empresa pouco soube da sua actividade, apenas assinava cheques e documentos por indicação de Eduardo Costa. “Eu fazia de tudo de olhos fechados. Ele era um homem honesto, sério e eu punha a mão no fogo por ele (Eduardo Costa)”, esclarece José Reis. “O Eduardo ia sempre para o Porto. Ele tinha lá um escritório para trabalhar e geria o Janeiro, mas as secretárias dele sabiam que ele nunca assinava e que vinha tudo para cá num envelope. Eu ia e assinava. Era assim que se fazia: eu só ia à Folha Cultural ou à Coraze assinar”, afirma José Reis.
Foi assim que José Reis assinou o despedimento de cerca de 30 jornalistas de “O Primeiro de Janeiro”. Conta que a decisão foi tomada por Eduardo Costa, mas como o empresário tinha renunciado ao cargo de presidente de “O Primeiro de Janeiro” em 1993 teria que ser José Reis a assinar como administrador da Sedico. “Ele tinha renunciado em 1993 e como não podia assinar, mandou-me assinar a mim. Fui eu que assinei. Ele estava a negociar e chamou-me para assinar, nem vi as cartas”. O advogado reformado adiantou que “ele sempre administrou o Janeiro, nada passava ao largo dele. Ele administrava e geria mas não assinava nada”.
“Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era”
Mas o início da história remonta a 1992. José Reis, advogado reformado, chega a Portugal vindo da Venezuela e monta um escritório em Oliveira de Azeméis. Pelo que conta Eduardo Costa tinha instalações perto das suas e, como tinha sido seu professor, o empresário oliveirense chamou-o para trabalhar consigo. José Reis explica que foi em 1992 que se ligou profissionalmente a Eduardo Costa e começaram por trabalhar na empresa “O Primeiro de Janeiro, S.A.”. “Ele disse que ia precisar de mim para trabalhar para o Janeiro”, avança José Reis. O agora advogado reformado afirma: “O Eduardo (Costa) tinha medo do Janeiro porque era uma estrutura grandíssima, estava tudo a desmoronar-se, havia contas por pagar, dependências por limpar, coisas a guardar. Era uma grande aventura aquele negócio”. Mesmo apesar de saber que era tarefa difícil, José Reis decidiu acompanhar Eduardo Costa.
Enquanto trabalhava para Eduardo Costa, José Reis conta que fazia um pouco de tudo, “era um tarefeiro”. Mas os problemas de saúde limitaram os seus movimentos e José Reis deixou de ir para o Porto, onde estava sedeado “O Primeiro de Janeiro” e ficou em Oliveira de Azeméis. O advogado reformado conta que se manteve na cidade oliveirense, recebia um ordenado e apenas ia ao Porto de vez em quando. “Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era. O Eduardo, quando dá um ordenado a uma pessoa, não investe cegamente”, explica José Reis.
“Nessa altura comecei a perceber que estava tramado”
Depois de ter alguns cuidados de saúde e de ter estado, inclusivamente, internado, José Reis é nomeado administrador da Sedico, em 2003. A Sedico é a empresa que surge para administrar “O Primeiro de Janeiro”. José Reis conta que a empresa ficou sedeada em Gondomar e explica que “isso foi uma encenação”. “No porto qualquer arrumador de carros conhece o Eduardo Costa como dono do Janeiro, qualquer pessoa o conhece, porque é sempre ele que aparece. Era uma vergonha haver dívidas ou ilícitos fiscais no Porto. Ele queria cometer ilícitos e para não os fazer no Porto (onde toda a gente o conhecia), transferiu a sede para Gondomar”, esclarece José Reis. O advogado reformado avança que apenas foi a Gondomar uma única vez. “Fui lá (Gondomar) uma vez depois de 2007”, esclarece José Reis que diz ter encontrado “um curral de cabras, chão em terra batida, cadeiras rotas”.
“Aquilo (Sedico) não era empresa nenhuma, era um depósito de cadeiras”, afirma dizendo que começou a abrir os olhos quando chegou o primeiro aviso de dívida. “Eu era administrador de direito e não de facto, ou seja, nunca administrei nada. Eu tinha a conta no meu nome, mas nem sabia informações nenhumas”, garante José Reis. Apesar de desconfiado, José Reis continuou como administrador da Sedico. O advogado reformado diz que continuava a assinar todos os cheques e documentos que vinham do Porto. É em finais de 2008 que descobre mais uma dívida da empresa sedeada em Gondomar. “Escrevi também uma carta para ele a dizer que aquilo era da responsabilidade dele. Esperei que ele pagasse, mas ele não pagou”, explica José Reis que diz: “Nessa altura comecei a perceber que estava tramado”. E foi então que resolveu começar a juntar provas para se defender e para denunciar a actividade de Eduardo Costa.
“Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”
Durante toda a conversa com o Mais Alerta, José Reis sempre fez questão de reforçar que nunca questionava as decisões de Eduardo Costa. “Uma decisão de Eduardo Costa não é para contestar. O Sr. Eduardo decidia e decidia bem e ele é que sabe da sua empresa. Eu assinava sempre pensando que era para bem da empresa. Tudo o que eu assinava era para a gestão eficiente da empresa”, garante José Reis, que conclui: “Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”.
Empresário oliveirense incontactável
Desde que os cerca de 30 jornalistas foram despedidos de “O Primeiro de Janeiro” que Eduardo Costa tem sido motivo para reportagens. A revista “Visão” já lhe dedicou várias páginas e outros órgãos de comunicação falam dele frequentemente. Em Agosto de 2008, o Diário de Notícias dizia que “sediado em Oliveira de Azeméis, detém cerca de 30 empresas ligadas a dez áreas de negócio distintas. Da comunicação social nacional e regional ao imobiliário e construção civil, do turismo à distribuição de livros”. Eduardo Oliveira Costa detém a Carteira Profissional de Jornalista e detém 16 títulos. Já foi julgado e condenado a uma pena de prisão de dois anos e meio, suspensa por um ano, por fraude na obtenção indevida de subsídios por parte do Estado, através do jornal Recortes da Província. Na repetição do julgamento, foi absolvido dos crimes de burla e de falsificação de documentos. O Mais Alerta tentou entrar em contacto com Eduardo Costa, mas até ao fecho de edição não foi possível ouvir qualquer comentário do empresário.
Frases
“Eu fazia de tudo de olhos fechados. Ele era um homem honesto, sério e eu punha a mão no fogo por ele (Eduardo Costa)”
“O Eduardo ia sempre para o Porto. Ele tinha lá um escritório para trabalhar e geria o Janeiro, mas as secretárias dele sabiam que ele nunca assinava e que vinha tudo para cá num envelope. Eu ia e assinava. Era assim que se fazia: eu só ia à Folha Cultural ou à Coraze assinar”
“Ele sempre administrou o Janeiro, nada passava ao largo dele. Ele administrava e geria mas não assinava nada”
“Ele queria-me para alguma coisa, mas eu não sabia para que era. O Eduardo, quando dá um ordenado a uma pessoa, não investe cegamente”
“Ele queria cometer ilícitos e para não os fazer no Porto (onde toda a gente o conhecia), transferiu a sede (da Sedico) para Gondomar”
“Aquilo (Sedico) não era empresa nenhuma, era um depósito de cadeiras”
“Eu era administrador de direito e não de facto, ou seja, nunca administrei nada. Eu tinha a conta no meu nome, mas nem sabia informações nenhumas”
“Eu assinava sempre pensando que era para bem da empresa”
“Nessa altura (finais de 2008) comecei a perceber que estava tramado”
“Eu fui manipulado, fui usado como bode expiatório”
Laura Sequeira, Mais Comunicação
4 de Junho de 2009