terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Credores da Sedico rejeitam recuperação

Os bens da empresa Sedico, responsável pelo pagamento dos trabalhadores demitidos de «O Primeiro de Janeiro», vão ser liquidados, depois de os credores terem hoje rejeitado o plano de recuperação apresentado. Do grupo de credores que hoje votaram contra o plano de recuperação, no Tribunal do Comércio de Gaia, fazem parte não só os trabalhadores despedidos ilegalmente em Julho de 2008 (a quem a Sedico deve mais de 840 mil euros), mas também a própria Segurança Social, cuja dívida ascende a quatro milhões de euros. As dívidas da empresa ao Estado (Segurança Social e Finanças) ultrapassam neste momento os 5,7 milhões de euros, uma quantia apenas superada pela dívida a fornecedores, estimada em quase oito milhões de euros.

Agência Lusa

segunda-feira, 26 de Outubro de 2009

Quo vadis, PSD?

Não conheço, nem pretendo conhecer, todos os partidos políticos do mundo, mas creio que não será fácil encontrar algum que maltrate mais os seus militantes mais empenhados. O PSD é, neste contexto, caso paradigmático, e nem o difícil momento que atravessa fez alguma luz sobre o seu núcleo duro, que gravita em torno de Manuela Ferreira Leite e daqueles a quem ela recusou sempre chamar “barões”. Efectivamente, há na cúpula do partido uns quantos nomes e rostos que, apesar do contributo sempre discutível que deram para a afirmação do partido, parecem encarar-se, a eles mesmos e entre si, como insubstituíveis. Tudo o que nasce no seio desse grupo é olhado com respeito, e tudo o que chega de fora, de novo, de desalinhado, é olhado de soslaio, sem respeito e até com algum desprezo.

O fim das eleições do líder em congresso e o advento das eleições directas no seio do partido, cumprindo a máxima de “um militante, um voto” por que um grupo de pessoas lideradas por Miguel Braga clamava há vários anos, permitiram que um homem rasgasse a espessa teia dos barões e, embora apenas à segunda tentativa, alcançasse o trono da social-democracia. Esse homem, Luís Filipe Menezes, que do Norte se ergueu contra os “sulistas e elitistas”, derrotou Marques Mendes e venceu as directas, mas esbarrou, logo no momento seguinte, com a implacável oposição do núcleo duro laranja, tomado pelos tais barões. Fizeram-lhe a vida negra. O também autarca de Vila Nova de Gaia, surpreendendo todos aqueles que, como eu, pensavam ver nele um sequioso de poder, elevou-se bem alto para dizer “basta”, e saiu pelo seu próprio pé, intacto na sua dignidade, de um lugar onde não era desejado.

Sucedeu-lhe Manuela Ferreira Leite. Eleita com pouco mais de um terço dos votos, deixou para trás, no segundo lugar, o “eterno JSD” Pedro Passos Coelho (o homem já tem 45 anos, mas ainda é tratado pelo grupo afecto à actual líder como um mero debutante), e no terceiro Pedro Santana Lopes, em quem deu a entender não ter votado nas legislativas de 2005, mas que depressa se apressou a “encostar na prateleira” da Câmara de Lisboa, quiçá para não ter de o ver muitas vezes, nem de temer que este lhe fizesse frente. Manuela Ferreira Leite é, do meu ponto de vista, totalmente inábil para a política. É uma opinião, naturalmente, mas creio que comigo concordarão todos os que não são do PSD, e mesmo alguns (muitos?) que, sendo militantes do partido, esperavam mais de um líder do que a pobreza de argumentos com que a senhora presenteia o seu eleitorado e os seus adversários.

Nas últimas eleições para a presidência social-democrata, Passos Coelho obteve quase tantos votos como a líder eleita, mas foi ostracizado, como se não existisse ou não fizesse parte do partido. Nesse tempo como agora, há no PSD uma franja de pessoas que parece cultivar a ideia de que há militantes que valem mais, e outros que valem menos, ainda que nas urnas todos tenham igual importância. E é por isso que, num momento em que o partido parece ter batido no fundo, com resultados execráveis em todas as eleições a que se vem apresentando nos últimos anos (apesar de alguns insistirem em catalogá-lo como vitorioso, o resultado das últimas autárquicas é claro, a favor do PS), os “barões” repetem o erro de outrora, e voltam a fechar-se sobre si, na busca de um substituto. Ignoram Pedro Passos Coelho, como aliás têm feito sempre, e ignoram Castanheira Barros, que volta a dar conta da sua disponibilidade para avançar.

Fazem mal.
E fazem mal porque qualquer um deles tem condições para ser melhor presidente do PSD do que Manuela Ferreira Leite alguma vez foi. Fala-se, à boca pequena, da disponibilidade de Paulo Rangel, que em Junho foi eleito como cabeça-de-lista para o Parlamento Europeu, mas a sua eventual eleição, além de trair quem votou nele para Bruxelas, seria “mais do mesmo”, numa espécie de reedição de Ferreira Leite. Com Rangel ou com outro, entre os elementos mais próximos da actual líder, nenhum será melhor do que Passos Coelho ou Castanheira Barros. A proximidade à actual líder será mais um defeito do que uma virtude nesta corrida, e nesse campo tenho o grato prazer de anunciar que Castanheira Barros é, quando comparado com Passos Coelho, muito mais coerente. Desde o primeiro momento, e eu sou disso testemunha porque estava lá quando aconteceu a eleição de Ferreira Leite, o advogado de Coimbra foi claro naquela que era a sua, e também a minha posição: a eleita não era, como não foi, a pessoa indicada para o cargo.

Nas recentes campanhas eleitorais, para as europeias, legislativas e autárquicas, Castanheira Barros manteve a sua natural discrição, enquanto Pedro Passos Coelho pareceu vender – ou pelo menos emprestar – a alma ao diabo, surgindo ao lado da mulher contra quem tinha concorrido, e cujos defeitos tão acertadamente tinha apontado. Soou a hipocrisia. Pareceu um apoio de circunstância, por interesse. Não caiu bem. Bem sabemos o que pensa o povo da gente da política: que são falsos, que são vendidos, que querem é “tacho”. Eu não costumo engrossar esse coro, mas essa atitude de Passos Coelho, honestamente, não me agradou. Até porque, semanas depois de ter aparecido em alguns eventos de campanha – e na maioria foi olimpicamente ignorado pela líder a quem fazia o favor de aparecer – Passos Coelho voltou a tomar a estrada da crítica, e está novamente candidato. Não parece sério mudar tantas vezes de campo.

Castanheira Barros, por seu turno, está onde sempre esteve. Na posição de quem é e sempre foi contra, sem artifícios, sem favores, sem vícios nem mudanças de opinião extemporâneas e ao sabor do momento. Já aqui disse, e reafirmo, que tenho Castanheira Barros na conta de um amigo, mas acima de tudo vejo-o como um homem sério, íntegro, dedicado e disponível, interessado e atento ao seu partido. Na alma que emprestou ao combate à co-incineração, vi a força de carácter de um homem que luta por aquilo em que acredita, e que não teme fazer-se à estrada, mesmo que inóspita, para chegar onde quer ir. Este homem seria, com toda a certeza, um excelente presidente do PSD. Com ele, talvez o partido recuperasse o seu lugar como partido de alternância no poder. Porque eu vejo a política é como vejo o futebol: gosto que o Futebol Clube do Porto seja campeão todos os anos, mas também gosto de ver a minha equipa lutar pelos resultados e fazer por merecer esse campeonato…

Foto: Carla Teixeira
Tirada no XXXI Congresso Nacional do PSD - Guimarães, Junho de 2008

domingo, 25 de Outubro de 2009

Assembleia de credores decide futuro do jornal «O Primeiro de Janeiro»

Os jornalistas despedidos do jornal «O Primeiro de Janeiro», em Julho de 2008, apelam à participação dos credores da empresa na assembleia que vai ter lugar na terça-feira, 27 de Outubro, pelas 10h30, no Tribunal de Comércio de Gaia.

O plano de recuperação da empresa Sedico (ex-O Primeiro de Janeiro, SA) apresenta diversas incongruências, dados misteriosos e insiste em situações lesivas para os trabalhadores e para a lógica empresarial.

A Sedico já passou por dois planos de recuperação, o primeiro em 1993, quando o empresário Eduardo Costa tomou conta da empresa e que levou ao despedimento de dezenas de trabalhadores a quem nunca foram pagas as indemnizações devidas. Apela-se a estes credores e todos os demais que participem na assembleia de terça-feira e rejeitem o actual plano de recuperação. Só faz sentido recuperar-se a empresa se as indemnizações dos trabalhadores forem as primeiras a liquidar, de uma só vez e na totalidade. Caso contrário, a recuperação irá assentar mais uma vez no esforço não reconhecido daqueles que durante anos trabalharam para tornar «O Primeiro de Janeiro» um título credível. Note-se que os quatro jornalistas que actualmente produzem o jornal trabalham a partir de casa, deslocando-se à redacção ao fim do dia para fazer o fecho, já que a empresa não garante o pagamento dos salários, nem os meios técnicos necessários. Apesar disso, o plano de recuperação apresentado ao tribunal afirma que a empresa dispõe dos meios humanos e técnicos necessários para produzir o jornal.

O plano é omisso quanto à actividade da empresa, insistindo em pressupostos errados. Não se compreende a sua recuperação baseada no título «O Primeiro de Janeiro», quando se sabe que este é pertença de uma empresa com sede em Ovar, a Caderno Digital, que não tem ligação à Sedico. Além do mais, o principal credor interessado na recuperação é a antiga cooperativa Folha Cultural (que mudou o nome para Editorial Cult, CRL), e cujo presidente é Eduardo Costa. O antigo administrador da Sedico já reconheceu publicamente, várias vezes, que agia como testa de ferro do empresário de Oliveira de Azeméis. Também não se compreende a actuação da Segurança Social, ao pretender viabilizar a recuperação da empresa, quando tem estado a discriminar os jornalistas despedidos em 2008, procedendo apenas a alguns a pagamentos no âmbito do Fundo de Garantia Salarial, recusando-se a justificar sequer porque paga a alguns e não a outros.

Os jornalistas despedidos em Julho de 2008

quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Castanheira Barros quer liderar o PSD

Se é verdade que é sempre bom reencontrar amigos e pessoas cuja lembrança nos inspira um sorriso, é ainda melhor perceber que essas pessoas continuam activas na sua coerência e na sua militância, lutando pelo futuro daquilo em que acreditam. O advogado Jorge Castanheira Barros, de Coimbra, é uma dessas pessoas, que felizmente tenho como amigo. No momento em que acaba de anunciar a sua disponibilidade para avançar na corrida à liderança do PSD, se conseguir reunir os “apoios humanos e financeiros” suficientes para sustentar “uma forte probabilidade de vitória”, não me resta alternativa a apoiá-lo nessa pretensão, com a certeza de que a sua eleição representaria uma lufada de ar fresco num partido cuja história recente tem registado uma embaraçosa curva descendente.
Conheci o cidadão e o advogado, antes de conhecer o político. Empenhado na sua luta contra o avanço do processo de co-incineração, vi sempre nele um homem de causas, sério, certeiro, atento e dedicado. Castanheira Barros não vira a cara a um desafio, e se já em 2007 anunciou a sua disponibilidade para assumir a presidência do partido, numa candidatura minada ainda numa fase embrionária, precisamente por falta de apoios materiais para a sua concretização, é com bons olhos que o vejo agora reincidir nessa intenção. Nessa altura, enfrentaria Luís Marques Mendes e Luís Filipe Menezes, duas figuras de peso no partido. Hoje, consumando-se esta candidatura, enfrentará Manuela Ferreira Leite, uma decrépita sombra do que já foi, desgastada pelas recentes derrotas eleitorais, e Pedro Passos Coelho, o “eterno jovem” a que muitos social-democratas hesitam ainda dar o seu voto de confiança.
Para já, são estes os dois putativos candidatos à liderança do PSD. Adivinha-se um combate de titãs, disputado e interessante. Castanheira Barros afirma que, se a actual líder do partido continuar “agarrada ao poder”, será necessário “mostrar-lhe, quanto antes, a porta da saída, através da convocação de um congresso extraordinário e da consequente apresentação de uma moção de censura à actual Comissão Política Nacional”. Creio que Pedro Passos Coelho não discorda desta análise. Numa conferência de imprensa realizada há poucos dias, Castanheira Barros recordou que é “opositor de Manuela Ferreira Leite desde a primeira hora” (e eu sou testemunha disso!), garantindo que não ficará a assistir à corrida para a presidência. “As condições actuais são bem diferentes das do Verão de 2007, em que surgi como um candidato outsider posicionado entre Marques Mendes e Filipe Menezes”, explicou. Sobre aquele que é actualmente o seu único opositor, considerou que, “ao contrário daquilo que defende Pedro Passos Coelho, o PSD deve hoje procurar afirmar-se como um partido eminentemente social-democrata, e não como um partido liberal”.


Para traçar um pouco do perfil de Castanheira Barros, enquadrando no tempo algumas das suas declarações, deixo-vos duas reportagens que publiquei em Junho de 2008. A primeira, de antecipação ao congresso, foi publicada no jornal «O Primeiro de Janeiro» no dia 18, e a segunda, realizada em pleno conclave social-democrata, no dia 23. A posição do advogado é bem reveladora da sua visão política.


Castanheira Barros quer apresentar “lista de oposição” a Manuela Ferreira Leite - “FOI UMA VITÓRIA FRÁGIL”

Diz que “o Conselho Nacional é que decide quem é candidato a primeiro-ministro”, mas não esconde a convicção de que Ferreira Leite é a militante mais mal colocada para esse combate. Castanheira Barros está a recrutar elementos para uma lista de oposição à líder do partido...

Carla Teixeira
Foi adversário de Marques Mendes e de Luís Filipe Menezes na corrida à liderança do PSD no âmbito das segundas eleições directas do partido, que tiveram lugar em Outubro do ano passado, com o lema «Unir o partido, devolver o poder às bases e restaurar o espírito ganhador». A apenas três dias do XXXI Congresso Nacional do PSD, agendado para o próximo fim-de-semana no Pavilhão Multiusos, na cidade de Guimarães, Castanheira Barros recorre ao mesmo argumento – a unidade no seio da social-democracia –, para justificar o desejo de apresentar uma lista de “frontal oposição” à nova presidente do partido, a quem não reconhece “potencial eleitoral para garantir a vitória nas legislativas de 2009”. Em declarações a O PRIMEIRO DE JANEIRO, o advogado de Coimbra explicou que, para vencer as eleições em 2009 e resgatar ao PS de José Sócrates a governação do País, “é preciso capitalizar os votos da Função Pública”, e “Manuela Ferreira Leite é a militante social-democrata mais mal posicionada para conquistar esses votos, porque foi ela, enquanto estava no Governo, que pôs em causa expectativas legítimas e direitos consagrados dos funcionários públicos”.
Na opinião de Castanheira Barros, o passado político e de governação de Manuela Ferreira Leite – que foi ministra da Educação e das Finanças, tendo protagonizado, na última daquelas missões, algumas políticas de rigor que não caíram bem no seio da Função Pública e da sociedade em geral – funciona como “handicap”, tornando muito difícil a sua eleição para o cargo de primeira-ministra, ainda que o advogado concretize que “o Conselho Nacional é que decide quem é o candidato a primeiro-ministro”, e não o presidente do partido”, apesar de ser tradição ser o responsável máximo pela estrutura a assumir os combates eleitorais com os outros partidos. No entanto, Castanheira Barros recorda que Manuela Ferreira Leite não tem a “ampla representatividade partidária” necessária a quem se assume como candidato a um cargo de tal responsabilidade para o País. E diz mais: “A vitória que alcançou nas últimas eleições directas é uma vitória democrática, mas muito frágil”, posto que se a nova líder obteve cerca de 37 por cento dos votos, é também certo que quase o dobro daqueles militantes votaram num dos outros candidatos.
Por isso, o antigo candidato à presidência avisa que Manuela Ferreira Leite “tem de ter noção de que a sua vitória é muito frágil”, sendo útil a apresentação de ideias e projectos de uma ala que se assuma como oposição dentro do partido, sempre com frontalidade e no âmbito da “tradição vincadamente pluralista que é um património do PSD”. Nessa linha de pensamento, adiantou ao JANEIRO, está a desdobrar-se em contactos com “figuras proeminentes que apoiaram as outras candidaturas à presidência do partido”, tendo ontem estado reunido com delegados ao congresso da zona da Figueira da Foz, e tendo para hoje agendados “encontros importantes” para a formalização da lista que pretende apresentar em Guimarães. Reconhece que “são pessoas muito ocupadas e os contactos não são fáceis”, e acrescenta que “o tempo também é escasso”, mas avisa que “até sábado às 20 horas” é possível que apresente a relação das pessoas que o acompanham neste desafio.
Instado a comentar se, tendo os candidatos derrotados nas directas feito um apelo no sentido da unidade do partido e da união em torno da nova presidente, não será a apresentação de uma lista de oposição vista como uma afronta a Ferreira Leite, o advogado considerou que “ainda estão por eleger três órgãos nacionais do partido”, que vai muito além do seu presidente, e que a sua concepção política é “inversa” à da actual líder, que “quer recuperar o PSD a partir das cúpulas e barões”, enquanto Castanheira Barros defende a necessidade de “devolver o partido às bases. É uma pirâmide invertida”, ilustrou.
Entretanto, alguns apoiantes da candidatura de Pedro Santana Lopes reuniram-se ontem na Figueira da Foz para “um jantar seguido de uma pequena reunião”, como explicou à Agência Lusa o ex-deputado social-democrata Luís Cirilo, concretizando que “foram convidados todos os mandatários distritais, quem trabalhou na direcção de campanha e os delegados eleitos pela candidatura” do ex-autarca da localidade. Por decidir continua, pelo menos oficialmente, a possível apresentação de uma lista daquela equipa ao Conselho Nacional do PSD, que Luís Cirilo diz ser “largamente provável”.

«O Primeiro de Janeiro»
18 de Junho de 2008



Líder do Governo Regional da Madeira foi “a grande ausência em Guimarães” - JARDIM CHAMADO À LIDERANÇA

Manuela Ferreira Leite acaba de ser eleita, mas a união em torno da presidente do PSD parece ter falhado em toda a linha. Castanheira Barros instou os militantes a formar uma lista de “frontal oposição” à líder, e ontem apontou Alberto João Jardim como o líder desejado.

Carla Teixeira
Ainda Manuela Ferreira Leite não esquentou o lugar de presidente do PSD e já nos bastidores do partido se equaciona a sua sucessão, defraudando a tentada imagem de unidade que foi mais convincente nos dois primeiros dias de trabalhos do XXXI Congresso Nacional do PSD reunido em Guimarães. À baila vem, segundo afirmou a O PRIMEIRO DE JANEIRO fonte interna social-democrata, a possibilidade de, ao cabo de poucos meses, a ex-ministra decida abdicar da liderança do partido a favor de Rui Rio, seu vice-presidente, que assim será chamado ao confronto directo com José Sócrates nas legislativas de 2009, mas Castanheira de Barros, o advogado de Coimbra que tentou constituir uma lista de “frontal oposição” à nova presidente, crê que as mudanças não se ficarão por aí, e lança o nome do presidente do Governo Regional da Madeira para a sucessão de Ferreira Leite.
À margem do congresso, e em declarações ao JANEIRO, Castanheira Barros disse que vê Alberto João Jardim como “o mais vitorioso dos social-democratas”, aferindo que “só quem não conhece a Madeira não é fã de Jardim”, que tem, frisou aquele militante, “a capacidade de falar com o povo, mas também um discurso de grande erudição, que estranhamente não passa para a Comunicação Social”. Castanheira Barros acredita que o líder madeirense seria bem aceite pelas hostes nacionais do PSD, justamente por esse discurso, que não é de oposição ao Continente. “Ele é o maior concretizador de objectivos que conheço, e a Madeira tem o maior índice de desenvolvimento da Europa nas últimas décadas, e estes são sinais evidentes de progresso, quer na chamada política do cimento, quer na vertente social”.
Pela mais-valia política que Alberto João Jardim representa para o partido laranja, o militante Castanheira Barros afirmou que “houve condições para que ele avançasse para a liderança do partido – só ele saberá por que não o fez –, mas voltará a haver condições para isso no futuro”. Quanto à hipotética passagem de testemunho entre Manuela Ferreira Leite e Rui Rio, o apoiante de Santana Lopes acredita que “é um cenário possível, mas insiste que “essa ideia resulta se pensarmos na possibilidade de colocar Jardim na presidência do partido”, porque, “ao contrário do que passa na Comunicação Social, a aceitação de Jardim no seio do partido é muito ampla, como ficou demonstrado com os apoios que reuniria, se tivesse avançado nas directas de 31 de Maio para a presidência do partido”.
Castanheira Barros falhou na pretensão de constituir uma lista própria, de oposição a Manuela Ferreira Leite, de que chegou a dar conta a O PRIMEIRO DE JANEIRO dias antes do conclave de Guimarães, mas ontem, à margem dos trabalhos, fez um ponto da situação e explicou por que aceitou integrar a lista de Santana Lopes para a Mesa do Congresso. Explicou que, no dia em que aquelas declarações chegaram às bancas, recebeu, numa reunião de apoiantes de Santana Lopes, um convite do próprio ex-candidato à liderança: “Pretendia congregar numa lista única os esforços de apoiantes de Passos Coelho e Santana Lopes, num consenso alargado entre os dois grupos de militantes, mas não foi possível”. Questionado sobre o resultado dos apelos à união no partido respondeu, laconicamente, que “nem por sombras” se vê essa unidade no seio da social-democracia.

«O Primeiro de Janeiro»
23 de Junho de 2008

sábado, 17 de Outubro de 2009

Pauliteiros de V. N. de Anços no Cadaval

Já falta mesmo muito pouco (é hoje, às 16 horas) para o arranque da oitava edição da Festa das Adiafas e do VIII Festival Nacional do Vinho Leve, que se prolonga até ao próximo dia 25, no recinto junto ao Campo da Feira do Cadaval, no Distrito de Lisboa, e que contará, na sua sessão inaugural, com a presença do Director Regional da Agricultura e das Pescas de Lisboa e do Vale do Tejo, José António Canha. Nestes eventos, que têm como objectivo a promoção das actividades económicas e dos produtos da região, são protagonistas a gastronomia típica e o bom vinho, mas também há exposições, a eleição da Rainha das Adiafas e, num momento ainda mais especial do programa (amanhã, pelas 17h30), a actuação do meu querido Grupo de Pauliteiros de Vila Nova de Anços, que do alto dos seus 73 anos de existência e actividade ininterrupta, promete animar a tarde dos Cadavalenses e de todos os que ali se deslocarem.
De acordo com informações avançadas pela Câmara Municipal do Cadaval, promotora desta iniciativa, a Festa das Adiafas “tem como ponto de partida a celebração anual do final das colheitas, sejam de carácter vitícola ou frutícola. Ao longo das edições, o certame expandiu o seu âmbito, e hoje constitui um autêntico espaço agregador das actividades económicas e dos produtos da região”. Contudo, e “visto que os pilares fundamentais da Festa das Adiafas continuam a ser a produção frutícola e vitivinícola, de onde sobressaem, respectivamente, a reconhecida pêra rocha (o Cadaval é um dos principais produtores e exportadores do País) e o tão apreciado Vinho Leve, de que o concelho é também um exímio representante”.

quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

Um vídeo e muitas reacções...

Nunca fui excessivamente patriótica, mas também nunca gostei de ouvir falar mal do meu país ou, a bem da verdade, de qualquer coisa que seja minha. No entanto, numa semana em que a minha caixa de e-mail foi literalmente invadida por links e mensagens de protesto e quase ódio contra um vídeo em que a actriz brasileira Maitê Proença satiriza Portugal e os Portugueses, há duas ou três coisas que me sinto impelida a dizer:

1) Quando a noção de humor de uma pessoa inclui disparar uma série de afirmações historicamente erradas e cuspir na fonte de um monumento nacional de outro país, acho que fica bem patente o valor moral e até a inteligência de quem assim procede. Afinal, por mais que diga qualquer um de nós, ninguém dirá senão o que é, e Maitê Proença demonstrou bem o seu nível ou, neste caso, a falta dele;

2) Por outro lado, todos os que ao longo de várias décadas endeusaram e idolatraram uma actriz de segunda categoria (baseando-se, não raras vezes, na sua alegada e sempre discutível beleza), sem conhecer o mínimo do seu carácter, merecem isto e muito mais. É para aprenderem a não valorizar excessivamente o que vem de fora, apenas porque sim;

3) O mesmo digo de um povo que se tornou conhecido pelos seus “brandos costumes”, e que aceitou, entre outros sinais de falta de amor-próprio, a conspurcação da sua língua materna com vocábulos horrendos e muito frequentemente imbecis inventados pelos brasileiros, trocando a Língua Portuguesa por uma treta de (des)acordo ortográfico que consagra os erros deles, em vez das nossas regras. Os Portugueses habituaram-se há muito tempo a ser ridicularizados pelo mundo, e é nessa medida que me causa alguma estranheza esta empolada resposta patriótica, ainda que concorde com os seus preceitos. Ainda assim, declarar Maitê Proença como persona non grata em Portugal parece-me francamente exagerado. É dar-lhe muito mais importância do que aquela que a senhora efectivamente tem. E isso é coisa que não faço.

quinta-feira, 8 de Outubro de 2009

Jornalista multimédia...

De bloco de notas numa mão e de telemóvel na outra, não perdi pitada da acção de campanha da candidata socialista à Câmara Municipal de Gondomar na Freguesia de Baguim do Monte!

domingo, 4 de Outubro de 2009

Quem tem dois pares de sapatos iguais?!

Quem, neste mundo, tem dois pares de sapatos iguais? Pois é… Eu. Eu tenho dois pares de sapatos exactamente iguais. E numa época atribulada, em que o volume de trabalho chega quase ao tecto cá de cada e em que mal tenho tempo para respirar, sentindo que vos tenho deixado um pouco ao abandono, eis que regresso do nada para vos dizer isto. Sim, é verdade. Tenho dois pares de sapatos exactamente iguais, no modelo e na cor, mas bem diferentes no preço. Esta é a história: comprei um par de sapatos que estavam com uma promoção fantástica, a metade do preço – um óptimo negócio, by the way, porque são confortáveis e engraçados –, mas cerca de uma semana depois arranhei um no pedal da embraiagem do carro e fiquei desolada! Felizmente, ainda que por mero acaso, logo no dia seguinte encontrei, na loja onde tinha comprado o primeiro par, uma nova promoção. Os sapatos que tinha comprado com 50 por cento de desconto custavam agora 20 por cento do preço inicial. Claro que aproveitei a oportunidade. Nesta espécie de saldos dos saldos, acabo por ter dois pares de sapatos por um preço inferior ao que custava cada um dos pares no início desta bela história. E pronto. Bem sei que isto não vos interessa nada, mas aceitem este post como sinal da minha vontade de regressar, na certeza de que, a breve trecho, estarei mais liberta para vos dar aquele “hello” diário a que vos tinha habituado nos últimos anos. I’ll be back!

NOTA: Os sapatos desta imagem não são meus...