O Ricardo bateu com a porta nesse dia, e eu, se não me tivessem empurrado porta fora, com mais de 30 colegas, naquela fatídica quinta-feira, também já teria saído, orgulhosamente, pelo meu próprio pé, sem qualquer dúvida. E explico por que razão já o teria feito. Em primeiro lugar, basta olhar para as primeiras páginas do «Janeiro» desde o primeiro dia destes “novos tempos”. Quem, no seu perfeito juízo, levaria aquilo para casa ao fim do dia, para ser lido por pais e irmãos? Mas há mais! O nosso «Janeiro» tinha 40 páginas. Invariavelmente. Às quais se somavam os cadernos dos Concelhos – Porto, Gaia, Matosinhos, Maia, Vila do Conde e Entre o Douro e Vouga – e os cadernos temáticos – «Se7e», «Justiça & Cidadania» e «Das Artes das Letras» – e alguns cadernos especiais (publicidade). Ultimamente, o novo pasquim não vai além das 24 páginas, e hoje tem apenas 20. Ora, para quem já achava o antigo «Janeiro» “fininho”, para este não há palavras. Depois, há que dizer o seguinte: das 20 páginas de hoje, oito fazem parte do «Norte Desportivo» e quatro são “especiais” (um caderno sobre Nutracêutica). Pormenor de relevância: não há um único anúncio no corpo do jornal, à excepção destas quatro páginas e dos editoriais no final, que são obrigatórios para as câmaras e empresas. 

A abrir as restantes oito (oito!) dedicadas ao noticiário do país e do mundo, há duas de “grande plano”, assinadas por um jornalista que não é do «Janeiro», mas do «Notícias da Manhã», e um texto assinado pelo editor do Local, Joaquim Sousa, com Lusa. By the way, as declarações constantes no texto são, na íntegra, repescadas da notícia da Lusa, e não há nada no artigo que indicie trabalho próprio do jornalista do «Janeiro» (que até é editor, e por isso devia saber que não é correcto assinar textos apenas porque se deu uma volta às frases do take da agência). O texto fala de um investigador do Instituto Superior de Engenharia do Porto que foi premiado, e é um facto que o ISEP não era muito longe, mas mesmo assim foi lá alguém colher o testemunho do cientista? No nosso tempo teria ido. De certeza. Mas no novo «PJ» ninguém levanta o rabo da cadeira. Muito menos um editor que assina textos da Lusa. Era o que faltava! No «Norte Desportivo» há textos assinados. Vários. De três colegas que conhecemos. E o Desporto é, de facto, a área de actuação deles, pelo que sabem mexer-se no meio e produzir notícias, em vez de se limitarem ao bem mais cómodo “copy e paste” dos takes da Lusa. O blog Os Limites da Vergonha atesta que “todas as palavras foram ditas”, mas eu deixo aqui mais um monte delas. Porque quem tem alma não tem calma, e este pasquim começa mesmo a dar-me nos nervos!
Então é melhor leres os outros... Se bem me lembro, nervos é coisa que não podes ter! Behave. Beijinhos.
ResponderEliminarNós os PAPOILOS somos assim...
ResponderEliminarPois... eu também bati com a porta depois de ter feito uma participação interna sobre más condutas a atropelos morais à minha dignidade e aos direitos de todos que por ali eram soldados rasos como eu... mas isso parece que não interessa nada, que foi esquecido ou incomoda lembrar.
A minha queixa não teve eco e só agora se levantam vozes de revolta... em uníssono, claro. Saí de cabeça erguida, saí a gritar, saí cansada de estar amordaçada, saí farta de compactuar com um sistema deveras errado e com líderanças falsas e dotadas de imbecilidade. Saí magoada também pelas mãos que não se estenderam... mas saí, sobretudo, bem comigo, saí por que quis e por que não aceitei ficar nem mais um minuto que fosse ali, naquilo. Saí pela porta da frente e de cabeça erguida!! Sai por que aquele já não era o nobre jornal onde o meu pai trabalhou ao longo de mais de 30 anos!!!
SAI.
Raquel Pacheco
Começo por pedir desculpa pelo esquecimento (e foi esquecimento de facto, porque nunca me incomoda falar dos problemas, e sabes bem quem era a voz activa nas nossas reuniões de secção e quem punha o dedo na ferida, acabando quase sempre mal entendida e penalizada), mas obviamente não me incluo - nem tu me incluis - nesse rol das tais "mãos que não se estenderam" aquando da tua saída, porque fui a única que questionou as chefias sobre o que se passava, enquanto outros (tu sabes quem) te sorriam pela frente e te maldiziam nas tuas costas. Infelizmente, só conheci o teor de muitas das tuas queixas mais legítimas depois de teres saído, e ao contrário do que a dada altura afirmaste não tenho provas do teu caso. Não contaste nunca o que se passava e no final, quando me disseste, fizeste-o de forma incompleta. Ninguém sofreu mais do que eu com a tua saída, e isso sei que tu sabes. Mas a tão prometida "boca no trombone" transformou-se em viola no saco, e por isso nunca a tua saída teve eco. De qualquer modo, e isso é o que verdadeiramente nos importa, saíste, e estás hoje muito melhor, e continuas - como sempre, no meu coração. E isso é que deve sempre contar mais.
ResponderEliminarPS. Lembrei-me muito de ti nestes últimos dias, e do teu pai - que nunca conheci - cheguei também a falar lá em casa. A memória dele, tal como o nosso empenho e entrega ao «Janeiro» nos últimos anos, foi desrespeitada. Ele, como nós, é credor do Eduardo Costa, se não em bens materiais, pelo menos, e inequivocamente, em bens morais.
Cara Mente Despenteada,
ResponderEliminarAcho que não te conheço, mas aqui ficam os meus parabéns pelo blog, coragem e dignidade. É coisa que falta a muita gente nos tempos que correm.
Quanto ao PJ e às suas primeiras páginas, um reparo: então ainda ninguém reparou que a intenção é ser o primeiro jornal no mundo a chamar à primeira TODAS as notícias que vêm lá dentro?...
Cara Mente Despenteada:
ResponderEliminarPeço desculpa pela invasáo mas depois de ler vários posts não resisti a fazer um comentário. O que se passou com os jornalistas do PJ foi no mínimo lamentável e a maneira como foram tratados foi vergonhosa. No entano, custa-me ler a maneira desdenhosa como fala dos seus colegas que faziam o Norte Desportivo e que agora fazem o PJ. Parece-me que quando diz, por exemplo que não tem saudades de trabalhar no jornal, na verdade quer dizer exactamente o contrário. Compreendo que esteja magoada, mas não sei o que ganha em tratar assim os seus colegas. Lembre-se que por ter tido um azar profissional nãodeve condenar os seus colegas ao eterno insucesso, muito menos quando eles não trabalham nas melhores condições (segundo diz) e apenas tentam ganhar vida.
Não tenho nenhum interesse no PJ e muito menos em defender quem lá trabalha ouquem foi despedido, só acho que devia tratar os seus colegas que ficaram no PJ (fizessem eles o ND ou não) com o respeito que merecem.
Maria Teixeira
Caríssima Maria Teixeira,
ResponderEliminarAgradeço muito a sua "invasão", e está desde já convidada a repetir a visita sempre que bem entender. Mas tenho de lhe dizer que está enganada em parte daquilo que diz no seu comentário. De facto, para quem é jornalista, sempre foi jornalista e nunca foi qualquer outra coisa, a profissão deixa necessariamente saudades. Mas não da forma como o Jornalismo está a ser feito, no «Janeiro», no Porto, em Portugal e no mundo. Antes era uma missão, um acto de amor, uma paixão. Hoje é um alinhavar de letras e palavras, de favores, de cunhas, de conluios, de salários em atraso, de exigências sem contrapartida. E não, desse tipo de Jornalismo não tenho qualquer saudade. Digo-lhe também que estou a descobrir o outro lado e estou a adorar o que faço actualmente: a política foi sempre outra das minhas paixões, e está a tornar-se amor verdadeiro. É por aqui que tenciono permanecer. Ainda assim, cabe aqui um esclarecimento: não trato nem nunca tratei mal quem quer que fosse (mesmo quando era merecido). Os colegas do pasquim «O Primeiro de Janeiro» estão apenas a fazer o trabalho deles, e é lamentável que, também eles, estejam a passar pela ignomínia de dar sem receber. Mas temos de ser honestos. O pasquim, e apenas a ele dirijo a minha ira (não é mágoa, nem amargura, nem azedume, é mesmo ira e sentido de revolta por ver que há quem ainda continue e dar o litro por aquela casa), piorou brutalmente desde que nos empurraram porta fora, e só um cego não vê isso. Claro que eles não têm meios. Claro que eles têm famílias, bocas para alimentar. Claro que eles querem trabalhar. Mas não sabem! Não se pode pedir a meia dúzia de escravos que faça o trabalho de 30 ou 40 pessoas formadas numa data área. Não é exequível. E sim, assinar textos como se fossem nossos quando são da Lusa, é errado. É plágio e é crime. Assinar um texto sobre um evento onde não se esteve é errado. E isso faz-se no novo «Janeiro». É isso, e não a minha ira, ou a ira dos meus colegas, que vai matar o jornal mais antigo da cidade. No meu modesto ponto de vista, já o matou. No dia 31 de Julho de 2008, por volta das 19 horas. Os meus sentimentos são, obviamente de pesar. Cresci naquela casa. São de pena também, pela situação dos que ficaram na rua, sem ordenados de mais de dois meses, e pelos que lá ficaram, também sem eles, a tentar segurar o barco. São de desdém, se isso puder existir, pelo maestro desta execrável sinfonia. Pelo «Janeiro» nunca! É um nome que terá sempre o meu respeito. Lá aprendi a ser muito do que hoje sou, e de que me orgulho. Porque na adversidade é que se vê a garra e o valor de cada um de nós. Fazer um pasquim é fácil. Fazer um jornal requer muita mestria...
Até breve!
Caríssimo Pedro Bessa, que apenas conheço de nome (e de uma ou outra ida ao Comércio, nos bons velhos tempos...), só agora notei neste teu comentário e na falta de uma resposta ou agradecimento... Não se faz. Obrigada pela visita e volta sempre! Vou passando pelo teu estaminé também :)
ResponderEliminarnecessario verificar:)
ResponderEliminarNão entendo o último comentário, e creio que ninguém o entenda. Quer explicar?
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