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quinta-feira, 17 de abril de 2014

Romaria a Nossa Senhora dos Remédios em Vila Nova de Anços


A Freguesia de Vila Nova de Anços, no Concelho de Soure, Distrito de Coimbra, estará em festa no próximo fim-de-semana, com a realização da sua tradicional Romaria a Nossa Senhora dos Remédios, que ocorre anualmente por alturas da Páscoa. O cartaz comemorativo arranca no próprio domingo pascal, mas conhece o seu ponto mais alto durante a tarde de segunda-feira, com a celebração religiosa e muita animação musical. A organização do evento coube desta vez à Sociedade Filarmónica Vilanovense, que assim pretende angariar apoios para dar continuidade à obra de construção da sua nova sede.
Do cartaz deste evento constam, no dia 20, pelas 11 horas, uma Arruada pelos Gaiteiros, e às 14h40, na Casa do Povo de Vila Nova de Anços, a habitual cerimónia do Enterro do Judas. No dia seguinte, pelas 10 horas, será também a Arruada pelos Gaiteiros a abrir as celebrações, mas as iniciativas mais marcantes estão reservadas para a tarde: a recepção à Filarmónica Vilanovense, pelas 15 horas; a celebração religiosa, que tem início 15 minutos depois; a actuação em palco da colectividade responsável pela organização da festa, às 16 horas; e, a fechar, a subida ao palco do Grupo Infantil dos Pauliteiros de Vila Nova de Anços, prevista para as 16h30. No recinto da festa estará disponível um serviço de bar e petiscos.
A Sociedade Filarmónica Recreativa e Beneficente Vilanovense foi fundada no dia 10 de Março de 1878, quando tocou a sua primeira marcha na praça onde se encontra o pelourinho, símbolo heráldico de Vila Nova de Anços. Desde essa data, a colectividade mantém a sua actividade de forma ininterrupta, visando sempre o objectivo primeiro de divulgar a música e a cultura local. A sua fundação surgiu no âmbito da actividade teatral, uma vez que tentou dar resposta àquela que era uma necessidade da altura: fazer o acompanhamento musical das operetas que eram levadas à cena naquela zona do país.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Dúvidas quase existenciais…


Por que é que os Hospitais da Universidade de Coimbra convocam os seus pacientes para a realização de exames às oito horas da manhã de uma segunda-feira se o serviço onde esses exames terão de ser realizados só dá início ao atendimento ao público depois das 8h30?

Por que é que os utentes que vão fazendo fila à porta do secretariado do referido serviço – quase todos com idade superior a 60 anos – têm de aguardar no corredor do serviço, de pé? Será esta a “prova de esforço” a que se refere a placa que pende sobre as nossas cabeças?

Por que é que, fruto dessa desinteressante antecipação de horários, uma paciente (e eu estava muito paciente hoje…) que consegue o quarto lugar na lista de espera, depois de uma hora de pé num corredor frio e povoado de doentes com muita vontade de socializar, tem de aguardar a manhã toda para realizar um mero ecocardiograma, depois de os três primeiros doentes terem sido chamados em menos de 15 minutos?

Por que é que só depois de uma hora à espera, e de ter ido a paciente a perguntar o que se passava, é que se dignaram a dar uma explicação (bastante curiosa, a propósito) para a demora em chamar os restantes doentes?

Por que é que num hospital desta envergadura, e onde tudo – mesmo tudo, da qualidade técnica dos médicos à simpatia e boa vontade dos funcionários e à funcionalidade dos serviços – me agradava tanto até ao momento, de repente se dá conta, na manhã do dia 6 de Abril, que perdeu os exames que uma doente realizou no dia 19 de Março, no momento em que a senhora já se encontra na mesa do bloco operatório, obrigando a inviabilizar a utilização do equipamento até que sejam encontrados, na memória do mesmo, os dados daquela paciente? Será que ninguém confirmou se o DVD tinha sido bem gravado antes da intervenção cirúrgica a que a senhora teve de ser submetida?!

Fotos: Carla Teixeira

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Voltar ao que já foi...

Lembro-me, como se fosse hoje, do dia 27 de Janeiro deste ano. Ao início da tarde, e na sequência de queixas de taquicardia, dificuldade em respirar, cansado extremo ao mínimo movimento e pressão arterial anormalmente elevada, que já tinham motivado um episódio de urgência no Hospital de São João, no Porto – onde, como então relatei no Mente Despenteada II, me foi diagnosticada uma taquicardia sinusal resultante de um vulgar caso de ansiedade, e me mandaram embora com uma receita de Valium –, dei entrada de urgência nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Entrei pelo meu próprio pé, é um facto, mas mergulhada num pranto que parecia o Douro, e amparada no abraço do homem que, como a pescada que antes de o ser já o era, carregava com ele a minha vida. Cada passo da longuíssima caminhada – uns 100 metros, talvez – era pensado como o último, antes do suspiro desmaiado que haveria de tomar-me conta do peito. Nesse dia, senti que ia morrer. Duas vezes. E ia. De acordo com os médicos, o estado em que me encontrava, e de que eles se aperceberam depois de sete horas de exames e de um desmaio, era de tal forma grave que aquele seria provavelmente, se ali não me tivesse deslocado, o meu último dia de vida.
Subitamente, vi-me deitada numa maca que não senti aproximar-se, e sem saber como tinha ido ali parar, vislumbrei umas cinco ou seis batas brancas, que inclinavam sobre mim outros tantos rostos interrogativos. Foi nessa altura que, como se viesse do tubo de oxigénio que tinha enfiado no nariz, ou dos cabos eléctricos que pendiam de várias máquinas à minha volta e se colavam a mim com adesivos e agulhas, que o medo veio de novo para junto de mim. As perguntas eram tantas, e as respostas escassas! Sei que a noite se dividiu em suores, lágrimas, sangue e fome, vómitos e solidão, atormentada pelo filme da minha vida que insistia em ocupar a tela dos meus olhos, todas as janelas da mente. Mas não foi desta que a morte me venceu, e hoje, meio ano depois de todo o sofrimento, voltei aos HUC, para a primeira consulta de acompanhamento. Primeira de muitas, pois há que conhecer as sequelas da tromboembolia pulmonar que fez de mim a doente mais jovem de sempre da UCIC daquela unidade hospitalar, e saber de que modo hei-de lidar com elas, para que apenas minimamente afectem a minha vida.
É assim que, a partir de hoje, além da Consulta de Hipocoagulação e das análises de controlo da dosagem da medicação, num laboratório privado do Porto, passo também a contar com páginas da minha agenda para as consultas de Hipertensão Pulmonar e para as baterias de análises e exames, mais ou menos invasivos, que me prometeram, nos Hospitais da Universidade de Coimbra. Foi por isso que hoje voltei ao hospital. Ver de novo os corredores por onde saí, ainda de pantufas calçadas – pois à entrada nos HUC, deitada, sedada e a soro, nada vi senão as tonturas de quem percorreu metros e metros numa cama arrastada por gente de batas brancas que falava de mim como se eu lá não estivesse (e estaria?) –, foi uma experiência nova, simultaneamente aterradora e gratificante. Afinal, a morte passou por mim e perdeu o combate. Vai ela, fico eu, para mais umas décadas. E isso é o que sobre da tarde de hoje. O sentimento de que venci a mais dura das minhas batalhas. A todos os que me apoiaram, devo um sincero agradecimento. Aos que continuam desse lado, mesmo quando este espaço se despenteia ainda mais e começa a cair para o egocentrismo, obrigada também! Até já…