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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Do amor, que é cego e louco...


Tenho um amigo que está a sofrer por amor. Bem, pelo menos um! É possível que tenha vários amigos acometidos pelo mesmo mal, mas apenas este o demonstrou de forma inequívoca e falou comigo sobre o assunto. Ouvi-o, tentei dar-lhe bons conselhos. Não que seja guru nestas coisas, mas com o saber feito de quem ajudou outras pessoas com problemas semelhantes, e de quem, há anos-luz, tantos que parecem já ter pertencido a outra existência, também sofreu dos males do coração. Acontece aos melhores...

O meu amigo só quer ser feliz. Diz que encontrou a pessoa que há-de fazê-lo feliz, e que ele quer fazer feliz. Eu não acredito em pessoas felizes. Ninguém é feliz. Há momentos felizes, e todos os queremos em grande número, mas não é possível ser-se feliz a toda a hora, e por isso ninguém “é” feliz. As pessoas “estão” felizes em dado momento, “ficam” felizes quando estão com outras pessoas, quando partilham com elas os melhores momentos das suas vidas, mas ninguém “é” feliz, e sobretudo ninguém faz outra pessoa ser feliz. Nem por amor, nem por falta de amor (há pessoas que mais nos vale que não nos amem, acreditem!).

O amor é simples. Verdadeiramente simples, na verdade. Como quase tudo na vida. O amor tem uma lógica: duas pessoas encontram-se, apaixonam-se, querem estar juntas. Amam-se. O chato é quando o processo é unilateral, e um ouve campainhas e sente borboletas no estômago de cada vez que o outro se aproxima, mas o outro revela a sensibilidade de uma pedra... E isso é complicado. O amor é simples, o não-amor é uma complicada tormenta...

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Parece tão fácil de entender, não parece? E no entanto...


Talvez tenha sido ingénua, ou talvez tenha vivido sempre no meio de gente esclarecida que sabe que não é o tom de pele que define o valor das pessoas. Sei que a sociedade contemporânea é má. Que ostraciza os que são diferentes: os negros, os gordos, os deficientes, os que trazem no corpo ou na mente uma qualquer diferença que se revela estupidamente impactante nos outros. 

Não sei se as pessoas não gostam de gordos por terem medo de um dia se transformarem num. Poderá ser isso. Não sei se muitas pessoas se afastam dos portadores de deficiência por acharem que não sabem lidar com eles. Também poderá ser. Não sei se escarnecem dos homossexuais por acharem que podem ser contagiados. Não sei. Não sei se ostracizam os cidadãos de outras etnias por considerarem que eles são menores, inferiores em alguma coisa. Desconheço. 
Há uma coisa que sei: a aversão que tanta gente tem pelos negros, pelos homossexuais, pelos gordos, pelos deficientes e por tantos e tantos outros actores da diferenciação social do mundo actual têm origem nessas próprias pessoas. Nasce nos seus medos, nas suas patéticas convicções, na sua falta de inteligência para se darem conta de que na diversidade é que está a riqueza do mundo, e que as pessoas diferentes, por serem diferentes, não constituem qualquer perigo ou ameaça.
O problema dos negros, dos gordos, dos deficientes, dos homossexuais... não está neles. Está somente na cabeça dos que têm medo deles, dos que os rejeitam como aberrações. A aberração, meus caros, são vocês. É a vossa cabeça! É a incapacidade de se sentirem bem sem fazerem outros sentir-se mal. É o medo que vive dentro de vós. Que vos importa se o vizinho do lado é gay?! Em que é que vos afecta o facto de se sentarem ao lado de um negro no autocarro?! Em que é que vos diminui a circunstância de terem um amigo gordo ou deficiente, afinal?!
A resposta para todas estas perguntas é uma e só uma: nada! Nada nestas pessoas vos afecta directamente. Nada no contacto com elas vos diminui, antes pelo contrário! Nada nelas é contagioso ou ameaçador para vós, pelo contrário também. A diferença é riqueza, é cultura, é ensinamento ampliado sobre o mundo. E se há coisa de que o mundo de hoje precisa é de aprender a ser diverso, a ser rico, a ser respeitador. Não falo em tolerância, porque é errado dizer-se que devemos ser tolerantes para com a diferença. Estupidez. Não é de tolerância que se trata. Devemos ser respeitadores do que é diferente e do que é igual a nós. Da mesma maneira, na mesma medida. Porque com todas as diferenças que temos, somos na verdade todos iguais em direitos e em deveres. Parece fácil de entender, não parece? E no entanto...

Moldura penal adia “barriga de aluguer"

O grupo de trabalho que estuda uma proposta de lei que regule a maternidade de substituição – “barriga de aluguer” – não aprovou o documento que será submetido à Comissão Parlamentar de Saúde e, mais tarde, à Assembleia da República.

Em causa estão dúvidas quanto à moldura penal a aplicar em situações de não cumprimento da nova lei. Segundo o deputado social-democrata Nuno Reis, que faz parte do grupo de trabalho, as dúvidas foram levantadas pelo Partido Socialista: "O documento não foi aprovado porque este é um projecto conjunto e estamos em consonância". 
As dúvidas referem-se às sansões a aplicar em caso de violação dos contratos entre o casal que não consegue ter filhos e a mulher gestante, além das situações ilícitas. O grupo de trabalho aprovou o pedido de um estudo de direito comparado com a realidade inglesa. Antes, já o grupo de trabalho tinha solicitado um parecer ao Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida, para apurar as circunstâncias da maternidade de substituição. O juiz desembargador Eurico Reis, que preside ao Conselho, afirmou ao CM que o parecer "permite ao casal escolher a mulher gestante, que pode ser fora da família".

Cristina Serra
«Correio da Manhã»

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Quando o sonho de sempre de ser mãe se desmorona…

O Parlamento poderá debater em breve a legalização das “barrigas de aluguer” em Portugal. Em condições específicas, ainda a acertar, poderá ser possível a mulheres sem útero viável a opção pela chamada “maternidade de substituição”. O Conselho de Procriação Medicamente Assistida aprova a medida, desde que não haja lugar a qualquer tipo de remuneração da gestante e que não se utilize material genético de outra mulher que não a futura mãe. Sobre este assunto, o Mente Despenteada partilha aqui o testemunho de uma mulher que poderá beneficiar da nova lei. Um testemunho que poderá lançar alguma luz para o debate que se adivinha aceso…


Durante anos sonhei ser mãe. Acho que desde sempre. Se não desde que nasci, pelo menos desde que tomei consciência de mim. De que era menina, de que seria mulher, e provavelmente mãe. Sonhei ter muitos filhos. Dizia a toda a gente que haveria de ter uma equipa de futebol. Mais tarde reduzi para oito esse sonho, e mais tarde ainda percebi que talvez me ficasse por um ou dois, com sorte três, como teve a minha mãe. Dei-lhes nomes, cores dos olhos, caracóis aos cabelos que adivinhava serem loirinhos. Imaginei-me de mil maneiras a dar ao futuro pai a notícia de que iria sê-lo. Mas nem o futuro pai foi sempre o mesmo. Houve dois, tantos quantos os companheiros que tive na minha vida afectiva adulta. Pelo meio, aos meus 22 anos, houve até um susto: um teste de farmácia que deu positivo. Era um falso positivo, e saber disso trouxe-me naquela altura um alívio que hoje talvez lamente.
Hoje sei que nunca serei mãe. Biológica, pelo menos. Há pouco mais de um ano perdi o útero no bloco operatório. Teve de ser. Aos 36 anos vi sepultado, sem apelo nem agravo, o meu sonho de ser mãe. De ter a tal equipa de futebol a correr pela casa, o repensado anseio de ter oito filhos, ou mesmo o mais modesto anseio de ter dois ou três. Um filho que fosse. Hoje sei que não terei nenhum, pelo menos que seja gerado dentro de mim e nascido de mim. Tal como eu, o futuro “pai dos meus filhos” foi também privado desse sonho que era dele como era meu. Pelo menos comigo… Somos dois, e seremos para sempre dois. Sempre acalentei o desejo de ser mãe, e tive sempre uma espécie de magia que atrai para junto de mim os mais pequenos. Eles abeiram-se de mim, fazem-me perguntas, sentam-se ao meu colo, perguntam por mim quando não estou ali ao pé. Eles gostam de mim. E eu gosto deles. Deles e delas. De todos. Mas sei que eles serão sempre eles, os filhos dos amigos e conhecidos. Deles, nunca meus.
Ao longo dos meses em que fui tomando maior noção desta realidade que é minha, e que via e sentia como sendo apenas minha, de que fatalmente perderia a capacidade de ser mãe, já de si muito diminuída por um corpo pouco colaborante, que se deixava adoecer e que me fazia sofrer física e psicologicamente, conheci outros casos de mulheres com o mesmo problema. Mulheres que lutavam pela concretização do seu sonho de serem mães, casais que se submetiam a vários tratamentos de infertilidade, alguns com sucesso, outros, talvez a maioria, com dificuldade, com problemas, com abortos sucessivos que lhes roubavam a alegria do primeiro diagnóstico. Havia também mulheres grávidas. Geralmente mais novas, muito mais novas do que eu e do que essas mulheres em dificuldades. Mulheres quase adolescentes ainda, que às vezes por mero descuido ou distracção engravidavam.
Convenci-me, e continuo convencida, de que normalmente a gravidez é tanto mais fácil quanto mais jovem é a mulher. Sem vícios anticoncepcionais de anos e anos, sem adiamentos em favor dos estudos, da profissão, do surgimento das condições ideais para ter um filho, cada vez mais impossíveis de alcançar, elas simplesmente engravidavam. Sem pressão, sem stress, sem sequer terem pensado muito nisso. Engravidavam e pronto. Tudo corria bem, porque eram mulheres jovens e saudáveis, e nove meses depois eram mães e mulheres felizes ao lado dos seus bebés e dos companheiros com quem os tinham gerado. Outras eram mães solteiras, e são, mas felizes por terem tomado nos braços aquele que será para sempre o amor maior das suas vidas. Valeu a pena “estragarem” as suas vidas com uma gravidez precoce? Valeu. De certeza.

Intuição negativa…
Às vezes penso que também eu poderia ter tido filhos. Aos 20, aos 25, aos 30. Talvez tenha tido oportunidade para isso se, ao contrário do que penso, já não fosse estéril nesse tempo. Muita gente sorria e dizia “não penses nisso” sempre que eu dizia sentir que nunca seria mãe. Parece que estava certa. Parece que a minha intuição é realmente tão forte como eu sempre pensei que fosse. Nunca serei mãe. São estas palavras que, como martelos, esburacam todos os meus fios de pensamento… Mas hoje as famílias são muito diferentes do que eram nos meus tempos de infância, em que pensava vir a ter resmas de crianças a correr à minha volta! Em Portugal as pessoas casam-se cada vez menos, divorciam-se mais e têm cada vez menos filhos. O país está a envelhecer impiedosamente. E se antes era relativamente comum ver-se grávidas com 35 ou 40 anos, hoje são cada vez menos as que engravidam nessa altura da vida. Na verdade, ainda antes dessas idades, são cada vez mais as mulheres que sentem dificuldade em engravidar e que por essa razão procuram apoio médico.
Eu fui uma dessas mulheres, e logo por volta dos meus 30 anos. Não porque quisesse engravidar (as circunstâncias da vida nunca o permitiram, apesar da imensa vontade de ser mãe desde que me lembro de ser gente), mas por sucessivos problemas de saúde que me impeliram a desconfiar, com razão, de que algo não estava bem comigo e de que dificilmente conseguiria concretizar o sonho de ser mamã. Há quem acredite que não sendo mãe uma mulher é apenas meia mulher. Incompleta. Imperfeita. Esse foi o meu maior receio quando soube que seria alvo de uma histerectomia total. A remoção do útero, um pedaço de mim que deveria ter acolhido o meu amor maior mas que, em vez disso, se deixou avariar e apodrecer, doeu-me como se fosse um dente arrancado a frio, com requintes de malvadez. Teve de ser, e reconheço que foi melhor assim. Melhor para mim, para a minha saúde. Mas… e para os meus filhos que nunca chegarei a conhecer? E para o homem que comigo sonhou ajudar a povoar a terra?
A esterilidade traz insegurança. Traz dúvidas. Traz medo. Traz desalento e tristeza. Nos dias que se seguiram à cirurgia senti-me incrivelmente frágil, incomensuravelmente sozinha, apesar dos muitos olhares atentos, sorrisos carinhosos, palavras doces e gestos de ajuda que recebi. Soube que tinha imensa gente ao meu lado, mas talvez nenhuma imaginasse aquilo que me percorria o pensamento: “nunca” é uma palavra medonha. É como uma espada que nos corta a vida a meio, que nos ceifa o pensamento e a capacidade de agir normalmente. Sempre que vejo uma criança pequena dou comigo a pensar que nunca terei uma minha. Sempre que um bebé sorri na minha direcção sinto um raio de sol a brilhar sobre mim, como se aquele sorriso me dissesse “não sou teu filho mas poderia ser, e seria certamente muito feliz por isso”. 
Penso em adoptar. No futuro, quem sabe? Será que consigo? Será que o Estado me reconhece o direito de traduzir em realidade o meu maior sonho de sempre? Sei que amarei os meus filhos adoptivos como se os tivéssemos gerado, eu e a pessoa que amo, no meu ventre. Mas, e eles? Serão capazes de me amar incondicionalmente, sem reservas e sem receios? É por esta razão que vejo com bons olhos a abertura do Parlamento para debater a legalização das barrigas de aluguer em Portugal. Porque não tenho útero, mas ainda tenho ovários. Porque tenho em mim um sonho. Porque antes mesmo de pensar que isso poderia ser legal em Portugal dei por mim a pensar em fazê-lo. Porque seria a solução para muitas mulheres como eu e muitos casais como nós. Porque eu mereço. Porque a pessoa que está comigo merece, muito, ser pai. Seria um pai maravilhoso, tenho a certeza. Tenho enorme expectativa para ver no que dá este debate. Será sempre um acto de coragem acrescida ver um filho ser gerado num corpo que não o nosso. Será em certa medida estranho não poder sentir o primeiro pontapé, todas as coisas que nos dizem que uma grávida sente. Mas valerá a pena, certamente. Oxalá a decisão pondere a necessidade de tantas mulheres como eu, e oxalá venha a tempo de lhes permitir a imensa felicidade de um dia ouvirem alguém chamar-lhes mãe… 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Paraíso, Purgatório e Inferno nos relacionamentos amorosos


Um estudo concluído em 2013 pela brasileira Nívia Lanznaster Kuhn estabelece a existência de três fases nos relacionamentos amorosos, tendo em conta a percepção da individualidade dos envolvidos e a sua visão de conjunto em cada um desses momentos. Recorrendo ao trinómio de Dante (Paraíso/Purgatório/Inferno), o estudo defende que no namoro o “nós” prevalece sobre o “eu”, mas à medida que a relação evolui cada um dos elementos tenta resgatar o seu espaço individual, empurrando a união para a sua fase decisiva. O que não é necessariamente mau…

“Desde este encontro, não pertence mais a si mesmo. Está inteiramente possuído, assombrado por Béatrice. Aliás, ele odeia qualquer acto de pertencer que possa afastá-lo por um tempo da dominação diabólica da sua louca paixão. Ele só quer existir para Béatrice, nela, por ela, ser absorvido a todo o instante pelo seu olhar, pela sua voz, pelo seu corpo. Ele exige dela, em troca, que sacrifique tudo por ele. Tudo, e isso não é suficiente”. Roland Gori, «A lógica das paixões»

A citação acima demonstra, talvez com algum exagero, a percepção da individualidade comum na fase inicial de qualquer relacionamento amoroso: no namoro, que este estudo define como a fase de Paraíso, os amantes entregam-se totalmente um ao outro, confundindo a fronteira do subjectivo com a da pessoa amada. O “eu” é claramente substituído pelo “nós”, e por algum tempo essa é a visão que os dois envolvidos têm de uma união feliz e perfeita. Há como que uma altruística auto-diluição, em favor da construção do edifício do amor em que duas pessoas vivem como sendo uma só.

Ao fim de algum tempo, variável de caso para caso, o “eu” que tinha ficado esquecido começa a sentir-se ameaçado, ressentido. Quer reganhar o seu espaço, ser novamente dono de si, dotado de voz activa e da individualidade sacrificada em prol do conjunto. Tem então início a fase de Purgatório, cuja marca essencial é essa busca da diferenciação entre o “eu” e o objecto amado. Surge o desejo de privacidade, de um espaço individual em que cada um dos elementos do casal possa ser ele mesmo, e não apenas uma parte de um binómio. “Há a vontade de ver os amigos sem que o parceiro esteja sempre presente, de ir a eventos, jogos, enfim… tudo o que se faz de forma individual, sem que o parceiro esteja constantemente envolvido”. Nesta fase, embora os amantes ainda se amem, cada um deles “aflora o desejo de estar por vezes sozinho, para assim poder aproveitar a sua individualidade”.

A transposição da fase de Paraíso para a de Purgatório poderá não ser dialógica, ou seja, um dos parceiros poderá estar ainda na primeira, enquanto o outro se encontra já na segunda, e é por isso que este é o momento em que mais facilmente deflagra o conflito no seio do casal e até no íntimo de casa um dos elementos, pois há uma luta permanente entre o “eu” e o “nós”, entre a afirmação da individualidade e o triunfo da relação a dois. Segundo este estudo, o equilíbrio dessas batalhas será estabelecido de acordo com a dinâmica de cada relação, tendo em conta a maturidade dos envolvidos e outras variáveis externas.

A busca da liberdade, ao mesmo tempo que se tenta preservar a relação, pode levar a diversos conflitos e ao sofrimento das partes, e é então que surgem os “altos e baixos” que fazem parte de qualquer relacionamento. Os “altos” são os momentos em que os amantes tentam reviver o Paraíso, enquanto os “baixos” surgem nas alturas em que o “eu” quer emergir novamente. À luz deste estudo, esta é a fase em que será necessário maior esforço para conjugar as demandas da individualidade com as do relacionamento, e serão as ferramentas utilizadas para esse efeito a determinar o resultado desse esforço.

Citando Aldo Caratenuto, que no seu «Amar Trair», uma quase apologia da traição, afirma que existe uma necessidade de liberdade, de independência e de plenitude subjectiva que poderá mesmo levar o indivíduo a desejar trair o seu parceiro, Nívia Lanznaster Kuhn considera que será a fase de Purgatório a mais propícia a que essa traição ocorra. E é efectivamente esta fase a que determina o rumo que a relação tomará, já que o ressurgimento da consciência individual terá sempre um efeito salutar, que poderá ser benéfico (ou não) para a vida a dois. Se o casal resiste à turbulência do Purgatório mas não tomou o esperado caminho do equilíbrio, a relação “tende a ir cada vez mais para baixo, literalmente para o Inferno”.

Nesta última fase tenta-se de tudo: das promessas de mudança de comportamentos às sessões de terapia de casal, passando pelo desabafo e aconselhamento com os amigos, pelas idas ao psiquiatra ou pelo apelo à religião e à espiritualidade”. É então que se define a continuidade ou a interrupção do relacionamento, desfecho ditado por incontáveis factores, entre os quais estão obviamente as condições individuais, relacionais, sociais e culturais dos envolvidos. É nesta fase que a noção de amor se torna divergente e que muitos casais consideram ter lugar a verdadeira prova de fogo do relacionamento: alguns casais não resistem ao Inferno e separam-se; outros “dão um tempo”; outros tentam reviver a fase de Paraíso, muitas vezes enganando-se quanto à possibilidade de sucesso dessa opção. É neste momento que uns casais se arranjam e outros se desarranjam definitivamente…

domingo, 13 de abril de 2014

Porque hoje é Dia Internacional do Beijo...


Beijem! Beijem com vontade. Beijem com saudade. Beijem com amor, com elegância, com vigor, com alegria. Beijem o pai, a mãe, os filhos, o marido, o sogro e a sogra, os cunhados, os primos, os tios, os amigos. Beijem com a boca, mas beijem também com os olhos, com o sorriso, com a memória. Beijem. Porque beijar faz bem.

sábado, 12 de abril de 2014

Sexo ecológico! Porque o saber não ocupa lugar...


Dos preservativos sustentáveis aos lubrificantes vegan: 
os prós e contras do sexo ecológico

A indústria pornográfica e do sexo movimentam milhões de euros por ano. Uma boa notícia é que existem várias oportunidades para tornar a vida sexual mais ecológica. Desde vibradores alimentados a energia solar a lubrificantes vegan, as opções são muitas. Fique a conhecer algumas delas.

Orgasmos orgânicos

Quando em 2009 Nelly Furtado cantava “turn off the light” rodeada de homens seminus estava, sem o saber, a epitomar a abordagem ecológica perfeita à vida: roupas fora e luzes apagadas. Além das luzes apagadas, que ajudam a poupar os recursos do planeta, o uso de lingeries orgânicas é também uma opção. A Who Made Your Pants é uma marca de lingerie que compra restos de colecções de grandes marcas e transforma-as em outras peças de roupa interior, reduzindo assim o desperdício e dando emprego a mulheres refugiadas.

Não condene o preservativo

A maior parte dos preservativos são feitos a partir do látex que é extraído das árvores das florestas tropicais. Posteriormente, é processado e transformado num produto que não é biodegradável na água. Apesar desta vertente pouco ecológica, o preservativo desempenha um papel vital na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e de gravidezes indesejáveis. Não utilizar preservativo porque são produzidos de formas pouco sustentáveis é um erro. Contudo, para os mais acérrimos defensores do planeta, os especialistas aconselham a juntar os preservativos utilizados ao lixo doméstico e a não os deitar pela sanita, já que não se degradam na presença de água e irão poluir os rios e outros cursos de água. Existem também já marcas, como a French Letter, que fabricam preservativos a partir de látex extraído de acordo com princípios de sustentabilidade.

Cinquenta sombras de verde

Actualmente existe uma gama muito diversificada de objectos e brinquedos sexuais que podem acabar com a monotonia entre um casal. Para os que também querem ser ecológicos na cama, já há marcas que fabricam estes objectos e brinquedos segundo princípios sustentáveis e amigos do ambiente. Acessórios feitos de materiais naturais, como a borracha e a pele são preferíveis ao PVC – cuja produção liberta dioxinas carcinogénicas, que se acumulam nos tecidos gordos dos organismos vivos, refere o Guardian. Existem também vibradores que funcionam a energia solar ou que possuem baterias recarregáveis e até aqueles que podem ser reciclados.

Relações antes das paixões

O marisco e as ostras são algumas iguarias que fazem parte dos menus afrodisíacos. Porém, esta escolha não é do mais sustentável. Se é adepto dos pratos afrodisíacos opte por alimentos mais sustentáveis, como as bananas e os espargos. A escolha é variada.

Foto: je@n / Creative Commons
Fonte: Green Savers

domingo, 21 de julho de 2013

"Todas as relações são feitas de pedra"...

“Uma relação entre duas pessoas que se amam tem de se basear na capacidade de erigir um edifício. Pedra a pedra. Tijolo a tijolo. Poucas obras de engenharia são mais complexas do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Nenhuma obra de engenharia é mais complexa do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Nada é mais exigente fisicamente do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Tem de haver uma entrega absoluta. Até à última gota. Para que cada pedra esteja no local certo. E por vezes há que caminhar quilómetros com essa pedra às costas para a colocar no local certo. Nem mais um centímetro à frente nem mais um centímetro atrás. Cada pedra que constróis também pode ser cada pedra que destrói, que faz derrubar todo o edifício. Todas as relações são feitas de pedra. Mas está na nossa mão. Está na mão dos dois constituintes de uma relação entre duas pessoas que se amam definir se a pedra serve para separar se a pedra serve para unir. Todas as relações são feitas de pedra. E é assim que construo. É assim que pela primeira vez construo. Estou a construir. Digo-te cada verdade e sei que estou a colocar as pedras que nos separavam nos locais certos. Para que o edifício cresça quando já estava quase a cair. Para que possas depois perceber se queres construir comigo ou se queres que tudo isto que somos caia de vez. Olho-te nos olhos e sei que choras. Sei que choras a cada verdade que te entrego, a cada pedra que te coloco nas mãos. Não sei se terás força para as suster, se terás força para as aguentar, para as suportar dentro de ti. Não sei se algum de nós conseguirá levar mais longe este edifício. Mas sei que me sinto enfim a ser eu em ti como tu sempre foste em mim. Todas as relações são feitas de pedra. Há que construir. Há sempre que construir”.

Pedro Chagas Freitas, no livro «In Sexus Veritas»