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terça-feira, 3 de junho de 2014

Dos ateliers patéticos que o GaiaShopping organiza para as crianças...


Dizem que são “ateliers de ideias”, “actividades lúdico-pedagógicas gratuitas que irão proporcionar aos mais pequenos conteúdos didácticos interessantes, num ambiente descontraído e pautado por muita diversão”. Decorrem aos fins-de-semana no centro comercial GaiaShopping, em Vila Nova de Gaia. «Vem aprender a ser milionário» é o nome do atelier deste mês, que, de acordo com a organização, assume o “desafio” de “ensinar aos pequenos génios como poderão ser verdadeiros milionários”. Ficamos então a saber que todos os putos são génios e que também haverá milionários falsos. Claro que os adultos não têm de ser génios (bastará que tenham dois dedos de testa) para perceber que isto é uma patetice pegada, saída da cabeça de alguém que vive a admirar o próprio umbigo e têm da infância uma visão distorcida e idiota. À sua imagem e semelhança…

A primeira sessão desta bela estopada ocorre nos dias 7 e 8 e aborda o conceito de «Criação de valor». É a ocasião perfeita para fechar numa sala meia dúzia de criancinhas, privando-as de brincar, apanhar sol e conviver com outras crianças de forma natural e autónoma, para lhes meter na cabeça ideias mal amanhadas de quais devem ser os principais objectivos de uma pessoa. Afinal que interessa o mérito, a justiça, a solidariedade, o companheirismo ou a simples brincadeira despreocupada?! O que importa é ter o dinheiro, apenas o dinheiro, como objectivo de vida. O poder como meta. A paixão cega pelo que é comprável, em detrimento do tudo o que são valores, sentimentos, emoções…

Depois deste fabulástico arranque, a iniciativa prossegue nos dois fins-de-semana seguintes, com acções cujos títulos dispensam comentários: «Valor do produto» (14 e 15 de Junho) e «Como vender» (21 e 22 de Junho). Nos dias 28 e 29 encerra o programa, com a realização de uma «Feira de talentos» em que os pequenos aprendizes terão uma banca para expor os produtos que criaram e vendê-los, por iupis (uma moeda inventada para este efeito), aos seus convidados. Resta informar que todas as actividades que integram estes “ateliers de ideias” são gratuitas e decorrem no piso 0 do GaiaShopping, entre as 11 e as 20 horas, ou seja, pais e filhos ficam presos num centro comercial todos os dias de todos os fins-de-semana de Junho! Qual praia, qual quê?! Qual piscina?! Visitar familiares?! Conhecer museus?! O que é isso tudo, diante da possibilidade de aprender a ser milionário?!

Quem me alertou para isto foi o meu primo Nuno, pai consciente e psicólogo de formação, mas nada diz mais ou melhor sobre este assunto do que a mensagem que ele enviou ao GaiaShopping e que transcrevo aqui e agora: “Perplexidade é a palavra que melhor resume a vossa acção para o público infantil, este mês. Os vossos ateliers "Valor do Produto", "Criação de Valor", "Como Vender" e "Feira de Talentos" são algo abominável para qualquer pai consciente do que é o melhor para o seu filho. Mas como não sabem, passo a explicar. Ser feliz, brincar, crescer em harmonia e sem a responsabilidade de um futuro que não seja imediato. Não sei de quem possa ter vindo a ideia de tal brilhante acção, mas está certo que foi validada, o que demonstra claramente aquilo que está na cara de todos... Estes e outros ateliers não são para as crianças. São para os vossos egos e para alimentar a vossa deturpada noção de infância, onde o preparar de um futuro repleto de sucesso (financeiro) é melhor e mais importante do que o saudável e feliz crescimento sustentável, onde os valores da família, amizade, entre outros, são relevados para 5º plano”.

E prossegue o Nuno, numa tomada de posição que apoio por completo: “Este projecto que anunciam é de uma brutal falta de bom senso e será alvo de queixa nas instituições competentes. Não é possível que possam apresentar actividades direccionadas para crianças tão travestidas daquilo que menos importa: o dinheiro, o sucesso, a fama, o vazio, ao invés de estimular as competências próprias da idade, que é dar carácter, moral, integridade, bom senso. Bem, mas não preciso de vos explicar nada. Já percebi que tipo de pais são, independentemente do tipo de profissionais que serão. E um evento destes devia ser norteado mais pelos pais que deveriam ser e muito menos pelo profissional, dado que, afinal, é para crianças. Um pai atento, preocupado e investindo naquilo que é realmente importante não deixaria passar isto. Por aí não há nenhum, infelizmente. Pena das vossas crianças”.

Obrigada, Nuno! Mesmo não tendo filhos sei avaliar o pai que és. Mesmo não sendo especialista na área, sei que és uma pessoa atenta aos fenómenos da psicologia e da cognição. Sei que sabes do que falas e, pelo menos neste caso, sei que estás coberto de razão. E que recusaste ficar calado. Obrigada por isso.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Ensino Profissional: roadshow apresenta saídas profissionais em Faro


Uma mostra diversificada de cursos profissionais, abrangendo mais de 20 áreas de educação e formação e de 40 saídas profissionais, assinala, nos dias 3, 4 e 5 de junho, a chegada a Faro do Roadshow do Ensino Profissional. Envolvendo cerca de 40 entidades expositoras, esta mostra realiza-se no Jardim da Alameda João de Deus, estendendo-se ainda às instalações da Delegação Regional do Algarve do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), da Escola Secundária Tomás Cabreira e da Biblioteca Municipal Ramos Rosa. 

Organizada pela Agência Nacional para a Qualificação e o Ensino Profissional (ANQEP), em parceria com a Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares/Direção de Serviços da Região Algarve (DGEstE-DSRAL), o IPDJ, o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Câmara Municipal de Faro, esta iniciativa conta ainda com o apoio dos restantes 15 municípios do Algarve, da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Algarve, da Direção-Regional de Agricultura e Pescas do Algarve, da Região de Turismo do Algarve, da Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, da Polícia de Segurança Pública (PSP), do Exército Português, da Junta de Freguesia de Montenegro, da União de Freguesias de Faro, Junta de Freguesia de Albufeira/Olhos de Água, entre outras entidades.

Esta mostra levará até aos jovens do distrito de Faro, que se encontram a finalizar o 9.º ano de escolaridade, uma oportunidade de conhecerem a realidade dos diferentes percursos profissionalizantes pelos quais podem optar. A mostra será assegurada e dinamizada por alunos que já se encontram a frequentar o nível secundário de educação. Através de demonstrações e atividades ao vivo, estes jovens irão demonstram as competências profissionais que já detêm, interagindo com os visitantes. Participam nesta mostra, cinco escolas profissionais privadas da região, as três Escolas de Hotelaria e Turismo do Algarve, a Academia de Música de Lagos, o Conservatório Regional Maria Campina e a Academia de Música de Tavira. 

A par da mostra, a iniciativa integra ainda, no dia 5, pelas 14h30, a realização, no auditório da Escola Secundária Tomás Cabreira, de um seminário – “Amar o Mar” -, dedicado à promoção das ofertas de educação e formação relacionadas com o mar, nomeadamente com as atividades que se encontram ligadas às áreas do turismo e de recreio náutico. De forma a assegurar a divulgação de informação sobre os diferentes percursos de qualificação disponíveis, bem como o encaminhamento (quer de jovens, quer de adultos) para os mesmos, irão marcar presença no evento os Centros para a Qualificação e o Ensino Profissional (CQEP) da região promovidos pelos Agrupamentos de Escolas de Silves, Júlio Dantas (Lagos), Tomás Cabreira (Faro), Dr. Francisco Fernandes Lopes (Olhão), de Vila Real de Santo António e da Associação de Saúde Mental do Algarve (ASMAL). 

Sob o lema “Projeta o teu futuro”, esta iniciativa pretende auxiliar os jovens a compreender a forma como o ensino profissional (entendido como qualquer modalidade de nível secundário conferente do nível 4 do Quadro Nacional de Qualificações) constitui uma janela de oportunidades para um futuro promissor. De referir que os cursos de ensino profissional apostam numa grande proximidade ao tecido empresarial, dotando os jovens de conhecimentos e de competências requeridas pelo mercado de trabalho, sem descurar a possibilidade de ingresso no ensino superior. O horário de funcionamento desta mostra gratuita e aberta a toda a população, será entre as 10h00 e as 18h00. No dia 3, pelas 11h30, terá lugar a sessão de abertura, no auditório da Biblioteca Municipal Ramos Rosa. 

Fonte: Algarve Primeiro

terça-feira, 6 de maio de 2014

Ciclo de debates «Made in Algarve» encerra no dia 9 em Faro

Termina na próxima sexta-feira, dia 9 de Maio – Dia da Europa –, o ciclo de conferências «Made in Algarve» que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve e o Programa Operacional Algarve 21 têm vindo a promover ao longo das últimas semanas com vista a discutir o próximo quadro comunitário de apoio. Depois dos debates realizados em Albufeira, Tavira, Vila Real de Santo António, Loulé e Monchique, é a capital algarvia que acolhe a sessão de encerramento deste ciclo, que decorrerá entre as 14h e as 17h30, no Teatro das Figuras. A conferência é aberta a todos os interessados e a participação é gratuita, mas está sujeita a inscrição prévia.

No momento de limar as últimas arestas para uma justa afectação das verbas do próximo Quadro Comunitário de Apoio, que vigorará entre 2014 e 2020, e depois dos debates subordinados aos temas do Turismo, da Terra, do Mar, dos Serviços e da Indústria, em que intervieram diversos especialistas em cada uma daquelas áreas, a sessão de encerramento contará com a presença de Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro, que usará da palavra na abertura da conferência. Seguir-se-á uma exposição sobre «Empreendedorismo jovem» com Alberto Almeida, director-geral dos Estabelecimentos Escolares da Região do Algarve, e um espaço dedicado ao Ignite Algarve.
Numa segunda fase do evento, terá lugar a cerimónia de entrega de prémios do concurso «Ideias em Caixa 2014», e depois as intervenções de quatro personalidades que vão debater o tema «Empresas com futuro»: Vítor Neto, vice-presidente da CIP e presidente do NERA, António Parreira Afonso, da Rolear, Humberto Teixeira, da Hubel, e Élio Vicente, do Zoomarine. O encerramento estará a cargo de David Santos, presidente da CCDR/Algarve e gestor do PO Algarve 21, e de Adolfo Mesquita Nunes, secretário de Estado do Turismo. Os interessados em participar nesta sessão deverão efectuar previamente a sua inscrição aqui.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

É bom visitar Portugal. Mau mesmo é viver cá…


Portugal é “o melhor país para visitar”, Lisboa “a melhor cidade para estar com amigos”, o Porto “o melhor destino turístico de 2014” e o Algarve “o segredo mais famoso” do cartaz turístico da Europa. Temos ainda o luxuriante e verde Minho e a apreciada pacatez do Alentejo. Quem nos visita acredita ter descoberto o paraíso na Terra, mas para quem (sobre)vive diariamente neste jardim à beira-mar, a realidade pode ser bem diferente…

Portugal é um lugar verdadeiramente fabuloso. Nariz da Europa a cheirar o mar, a que se lançou na Era dos Descobrimentos para dar novos mundos ao mundo, é hoje um país reconhecido fora das suas fronteiras físicas pelo interessante casamento entre história e modernidade, tradição e vanguardismo, praia e campo. Cenário de uma diversidade avassaladora e incomum, também as paisagens de impressionante beleza, a gastronomia, a hospitalidade dos portugueses e o futebol agigantam a admiração dos estrangeiros pelo nosso país.

Destino turístico de excelência há muitos anos, Portugal foi há poucos dias galardoado – pelo segundo ano consecutivo – com o título de “melhor país para visitar” atribuído pela conceituada revista «Condé Nast Traveller», depois de em Janeiro o jornal americano «Huffington Post» ter escolhido Lisboa como “a melhor cidade para visitar com amigos”, e de em Fevereiro também o Porto ter sido eleito pela European Consumers Choice como “melhor destino europeu de 2014”. A sul, o Algarve é há muito definido pelos circuitos turísticos internacionais como “o segredo mais famoso da Europa”.

Para milhares de estrangeiros que anualmente nos visitam, Portugal tem tudo para ser mágico: a enorme riqueza cultural e patrimonial, a diversidade de tradições e manifestações culturais, o clima ameno e agradável, a excelente gastronomia, a duradoura estabilidade política, o custo de vida perfeitamente aceitável para quem habitualmente aufere salários bem mais elevados do que os que são praticados por cá, tudo desenha uma conjuntura favorável a uma visita mais ou menos demorada. Pior mesmo é viver cá todos os dias do ano! 

Com o desemprego galopante, o diminuto (e decrescente) poder de compra e um governo que nos rouba sistematicamente, com a imposição de uma carga tributária desajustada à realidade da maior parte da população, com os cortes sucessivos nos rendimentos e nos serviços de Saúde e de Educação, com a pobreza e a miséria a alcançarem cada vez mais pessoas, é cada vez mais difícil ser português.

Muitos têm sido, designadamente nos últimos três anos, aqueles que, sem oportunidade para singrarem profissionalmente na terra que os viu nascer, optam por deixar Portugal. Aliás, essa foi mesmo a indicação dada, há uns meses, pelo primeiro-ministro aos jovens sem colocação no nosso país. Diante do confrangedor comprometimento de todas as hipóteses de sucesso por cá, de que este elenco governativo é responsável inequívoco, todos os dias saem do país milhares de portugueses, dispostos a tudo para encontrarem a vida que merecem, mesmo que longe dos seus entes queridos e de tudo o que tinham construído até agora, e que muitos perderam.

Ao longo dos últimos anos os cortes nos salários avolumaram-se de tal maneira que muita gente recebe hoje um salário proporcionalmente mais curto do que o que recebia antes da Revolução dos Cravos, em 1974. Tenho amigos que perderam os seus empregos. Soube de gente que ficou sem a casa de família, cujas prestações ao banco tinha, até há pouco tempo, conseguido pagar sempre, religiosamente. Vi mães terem de deixar partir os filhos, e vi mesmo mães e pais quase na idade da reforma a terem também de virar as costas ao mundo que conheciam para partirem para longe, em busca de melhores condições de vida.

Viver em Portugal não está a ser fácil. E se ainda temos sol e boa comida para dar aos turistas que nos procuram, é tempo de o governo perceber que qualquer dia o sorriso que caracteriza os portugueses, esta hospitalidade tão nossa, vai também eclipsar-se. Um país onde não há o que comer, em que cada vez temos menos filhos, porque temos também cada vez menos o que lhes oferecer, é um país condenado. Um país que maltrata os seus velhos, que priva de horizontes as suas crianças, é um país condenado. Um país onde há tanta gente sem emprego, tanta gente a viver nas ruas, tanta gente com fome, é um país condenado. E não está, como também disse em tempos o chefe da quadrilha que se acha governo, “condenado ao sucesso”. Não. Portugal não é um país condenado ao sucesso. Portugal é, e cada vez mais, um país condenado a desaparecer…

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Inspecção encontra portugueses explorados na Bélgica

Os serviços da inspecção do trabalho belgas encontraram 15 trabalhadores da construção civil portugueses a trabalhar num estaleiro de obras perto da estação norte de Bruxelas por cerca de 3,40 euros à hora. O valor mínimo legal por uma hora de trabalho na Bélgica é 14,23 euros, e o grupo de trabalhadores já teria dado conta daquele incumprimento às autoridades portuguesas.

No âmbito de um encontro de trabalho que na semana passada reuniu em Bruxelas inspectores do trabalho de vários países europeus (Letónia, Lituânia, Holanda, Polónia e Portugal) e que teve como objectivos a troca de experiências sobre os métodos de trabalho aplicados em cada um daqueles estados, os especialistas estrangeiros foram convidados a acompanhar os colegas belgas numa operação em que acabaram por detectar diversos casos de incumprimento da legislação laboral local.

As autoridades belgas vão agora calcular o montante das sobretaxas que a empresa responsável por aqueles trabalhadores terá de pagar até que seja atingido o valor mínimo por uma hora de trabalho naquele país, que é actualmente de 14,23 euros. Monica de Coninck, ministra do trabalho da Bélgica, informou que as autoridades portuguesas vão acompanhar a queixa agora formalizada, e verificarão se os pagamentos a que a entidade empregadora vier a ser condenada serão efectivamente realizados.

Fonte: Expatica