terça-feira, 30 de setembro de 2008

Choque e pavor!

Não sei se me choca mais a pobreza dos argumentos utilizados por Manuela Ferreira Leite para criticar José Sócrates e o Governo, se o facto de ainda haver alguns iluminados que consideram que a senhora tem talento para a oratória!

À Rute e ao Mário!

Na era da imagem e do som, ouvi hoje, pela primeira vez, a voz (ainda que afónica) de alguém com que nunca me cruzei fisicamente, mas que desde há longos meses – não demasiado longos, que estas coisas não têm tempo nem duração – incluo na minha galeria de amizades, ou pelo menos das pessoas que admiro. Desde logo pelo seu inegável bom humor. Aquele humor inteligente e camaleónico, que vai do quase óbvio ao verdadeiramente genial em menos de três segundos. E deve ser contagioso, porque o marido desta minha amiga é também uma das boas memórias que me hão-de ficar das andanças pelo Jornalismo, pela internet, pelos blogs e afins. A Rute e o seu Sniper figuram já, com todo o mérito, na colecçãozinha de pessoas que admiro (que é restrita, o que torna ainda mais especiais estes dois). Gosto mais deles do que de muitas pessoas com quem tive já o (des)prazer de conviver. Por isso, sejam sempre bem-vindos a este meu humilde estabelecimento. Até já tenho saudades vossas! :)

Há um (novo) prenúncio de morte...

Primeiro veio o anúncio, o alarme, a crispação generalizada. Depois o silêncio, o quase esquecimento, e a tentativa vã de camuflar o que não mais se conseguirá esconder. A morte travestida em renascimento, o desejo de continuar, o ridículo que veio depois. Há dias, instalou-se o burburinho naquele espaço que já foi nosso. Já não é, nem há-de voltar a ser aquele o nosso lugar. Agora é o lugar do burburinho, do medo, da ânsia, do desconforto. Um lugar que deixa um travo amargo na boca, que também conhecemos, e afinal a certeza de que não houve, por ninguém, o respeito merecido e desejado. Renasce a certeza do inevitável desfecho. Estamos, de novo, perto do fim. Sento-me confortavelmente e espero. Não posso negar que trago no peito um estranho sorriso, misturado com a tristeza de saber que mais uns poucos foram enganados. Deixaram-se enganar, creio. Estou, como eles, à espera do fim. Mas desta vez como espectadora de quem há-de trilhar caminhos inóspitos que já percorri.

Há um prenúncio de morte lá do fundo, de onde eu venho…

domingo, 28 de setembro de 2008

Persistir na persistência

A três dias de completar dois meses sobre o despedimento ilegal de mais de 30 jornalistas e demais funcionários de «O Primeiro de Janeiro», e quando o assunto já parece ter caído no esquecimento dos meios de informação e da sociedade em geral, são ainda muito poucos os camaradas que conseguiram recomeçar. Alguns deles, que lançaram âncora a um velho e cobarde subterfúgio chamado silêncio, adiantaram-se no marcador dos recebimentos, e graças à recusa de lutarem pelos seus direitos (agora começam a pensar nisso, segundo apurou o Mente Despenteada junto de fontes bem informadas) contam já no bolso com os dois salários que estavam em atraso naquele dia em que o «Janeiro» ia fechar, mas acabaria por reabrir escassas horas depois, com um grupo de jornalistas do suplemento desportivo a tomar conta do barco. Dois meses depois, o balanço é francamente negativo, se pensarmos que engrossam as fileiras do desemprego cerca de 30 pessoas que, na maioria dos casos, carregam nos ombros a proeza de ter mantido vivo o «Janeiro», antes da reviravolta que o transformou no lixo que é hoje. A atitude da administração foi inclassificável, para dizer o mínimo, e ainda mais hedionda para com o grupo que tinha sido “dispensado” cerca de um mês antes de nós, já que os três jornalistas continuam sem receber nem um cêntimo referente aos ordenados de Junho e Julho (a nós pagaram uma parte de Junho). Para esses meus amigos, que tanto deram àquela casa e que continuam sem nada, deixo aqui os votos sinceros de que, como eu consegui, como outros conseguiram, em breve se levantem de novo e recomecem a sua vida profissional, em espaços novos, amplos, limpos de ar e de vícios, com boa gente, com camaradagem e com boas práticas. Até lá, persistam! Vão ao fundo de vós encontrar a força, a garra e a coragem necessárias. Persistam na persistência. Estarei sempre a torcer por vós. Um abraço a todos.

Sobre os jornais do Porto...

O «Público» de hoje dá à estampa um texto assinado por Alice Barcellos que diz o seguinte: Dos três jornais nascidos no Porto, apenas um está numa situação sustentável: o Jornal de Notícias. Esta é uma das conclusões da tese de doutoramento da professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto (FLUP) Helena Lima, intitulada Os Diários Portuenses e os Desafios da Actualidade na Imprensa: Tradição e rupturas. O estudo, que estabelece uma ligação entre os acontecimentos históricos do país com os jornais portuenses, tenta explicar o fim de O Comércio do Porto e a crise n'O Primeiro de Janeiro, que quase levou ao seu encerramento em Agosto. O final da ditadura, o 25 de Abril e o período revolucionário, a imprensa estatizada, a reprivatização das empresas jornalísticas e a formação de grupos de media são os factos que guiam a investigação.
Helena Lima defende que O Primeiro de Janeiro "só continua com o mesmo nome", uma vez que a linha editorial inicial do jornal já se perdeu. "O jornal passou de generalista para um projecto de jornalismo regional", explica a professora, completando que este diário "tenta sobreviver há mais de uma década". As "fórmulas administrativas" e "as orientações editoriais" adoptadas pelos jornais são os principais motivos de crise ou sucesso, refere o estudo. Durante os anos 80 e 90 do século XX a imprensa nacional passa por uma fase de privatizações e reestruturações. Depois do 25 de Abril grande parte dos diários nacionais ficam nas mãos do Estado - durante a ditadura pertenciam a bancos.

"Símbolos das cidades"
O aparecimento de projectos inovadores, como o PÚBLICO, a formação de grandes grupos de media e a modernização das redacções acarretaram novos desafios. O Comércio do Porto acaba por não resistir à concorrência. Depois de pertencer ao Grupo Lusomundo, é, em 2001, vendido ao espanhol Prensa Ibérica. Em 2005, acaba por ser encerrado por questões financeiras. Helena Lima frisa que nesta altura o "Comércio já se tinha transformado num jornal de âmbito local, embora tenha tentado investir em melhores projectos editoriais ". No Janeiro, a crise começa em 1979, com a morte de Pinto de Azevedo, proprietário do jornal. "Ao longo de uma década, o jornal foi perdendo muitas características. Não havia uma linha editorial e aconteciam mudanças constantes de directores", justifica a professora. A sede do jornal, na Rua de Santa Catarina, acaba por ser vendida, o que mostrou a "fragilidade" do diário portuense fundado em 1868.
Enquanto O Comércio do Porto e O Primeiro de Janeiro reflectem aquilo a que Helena Lima chama "deriva editorial", o Jornal de Notícias conseguiu afirmar-se junto do público. Seguindo uma linha "mais popular" do que os jornais de referência, o JN soube tirar partido da inserção num grupo de media. "Apostou na informação generalista, mas continuou a dar as notícias locais", analisa a investigadora. Segundo a professora da FLUP, o encerramento de um jornal centenário "é penoso para quem estuda os jornais". "Mais do que jornais, podem ser vistos como símbolos da cultura de uma cidade", garante Helena Lima. O Comércio do Porto, fundado em 1854, "era um símbolo do Porto". Com o seu encerramento, "um pouco da cidade também desapareceu", lamenta a investigadora. Helena Lima indica que a imprensa nacional é dominada por jornais de cariz generalista. Mas, a nível mundial, "as empresas de media estão a perceber que precisam de investir no local", afirma. "O jornalismo regional está a ressurgir", diz a investigadora, realçando que o jornalismo de âmbito local está cada vez mais presente "no meio on-line".

Acordo tripartido: eu e estes dois!

Creio que é a primeira vez que tal me acontece, mas estou de acordo com Marques Mendes quando ele diz que os partidos políticos portugueses se dedicam a discutir assuntos que pouco interessam. Se é certo que a questão dos casamentos entre homossexuais é importante para eles, e isso devemos respeitar, também é certo que, como diz o ex-presidente do PSD, há coisas bem mais urgentes a discutir nos dias que correm. O casamento entre pessoas do mesmo sexo parece ser uma prioridade para os partidos de esquerda, mas não está na agenda do Governo, como já fez saber há dias o primeiro-ministro, e Marques Mendes alinha pela mesma bitola. Eu concordo. Primeiro há que resolver os problemas que são de todos, e só depois devemos concentrar forças na resolução dos problemas que são apenas de alguns. Isto é política!

Não dá para fintar a revolta!

Quando lemos relatos como este, e sabemos que a pessoa que passa por esta situação - um amigo que, como tantos outros, e como eu mesma, foi vítima de um despedimento ilegal, com salários em atraso (que continuam em atraso, apesar de outros funcionários da mesma empresa, também despedidos, já os terem recebido, enquanto os que continuam a trabalhar continuam sem receber a tempo e horas), há uma estranha revolta que toma conta de nós. De mim, pelo menos. E saber que a criatura que causou tudo isto, que faz passar por necessidades amigos meus, continua por aí a pavonear-se no papel de presidente de um clube desportivo e ao volante de um Porche, ou de outro dos seus vários automóveis, dá-me ganas de partir para a ignorância. Acreditem...

sábado, 27 de setembro de 2008

Um protesto sem sentido!

A DECO está a promover, durante todo o dia de hoje, um boicote ao abastecimento de combustíveis, numa acção que tem como lema «Não esqueça, não abasteça». Eu não me esqueci, e provavelmente não abastecerei, mas não por indicação da associação de consumidores. É que este protesto, a meu ver, não faz qualquer sentido. Se é verdade que Portugal atravessa um momento de crise e de grande instabilidade no que toca à fixação dos preços da gasolina e do gasóleo, também é verdade que hoje, no dia que a DECO escolheu para a efectivação do boicote às gasolineiras, os preços em vigor são os mais baixos de que há memória na história recente do país (tenho encontrado gasolina de 95 octanas a 1,24 euros num posto Esso perto de casa, que mesmo durante a fase mais negra desta escalada de preços nunca ultrapassou os 1,46 euros).
Por outro lado, qualquer protesto se esvazia de sentido quando não há poder de quem protesta para de facto penalizar quem, a seu ver, é alvo de crítica. Porque neste caso, como noutros, o que acontece (no máximo!) é uma “deslocação” do dia de abastecer, que é antecipado ou adiado consoante der jeito. Ontem de manhã, quando abastecia o meu carro, abeirou-se de mim um homem que abastecia na bomba ao lado, indagando de eu pretendia “aderir ao protesto”. Respondi-lhe que a minha vontade era aderir ao protesto todos os dias, mas sem protesto. Ou seja, o ideal era não ter de abastecer tantas vezes. Uma vez por ano, ou coisa que o valha, era o ideal, mesmo que fosse uns 50 euros! Sem pensar muito na minha resposta, o homem prontificou-se a dizer que ia aderir ao boicote de hoje, que isto assim não pode ser, e patati patatá! A cereja no topo do bolo foi quando ele me disse, em tom algo gabarola: “Temos de dar uma lição a estes gajos das gasolineiras! Eu vou aderir. Hoje meto 50 euros, que é para amanhã não precisar de meter mais gasóleo”. Rico boicote…

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Uma irritação profunda!

Há várias coisas que me irritam profundamente. Uma é a idiotice. Mas há mais! Muito mais! Quase no topo da lista surgem aqueles anúncios parvos que, recorrentemente, passam nas estações de rádio e nos canais de televisão do nosso cantinho à beira-mar plantado. E irritam-me de tal modo que, além de desligar o aparelho em que tais coisas estejam a ser emitidas, ainda fico a barafustar (quase sempre sozinha), de boca aberta e queixo a tocar o chão, de espanto! Um desses anúncios, que tenho apanhado todas as manhãs a caminho do emprego, é patrocinado pelo Automóvel Club de Portugal, e entronca num dos meus outros ódios de estimação: a subalternização da inteligência e da capacidade de improviso das mulheres. Muitas das pessoas mais desembaraçadas que conheço, que raramente esbarram em pequenos obstáculos e que não se deixam tomar pelo desespero diante das dificuldades, são do sexo feminino. E eu, que até sou a mulher mais “machista” que conheço (detesto as palermices típicas do feminismo e das feministas, e exaspera-me a atitude daquelas “loiras por dentro”, que não dizem nada que se aproveite), fico pior do que estragada diante de mulheres que acham que ser feminina é ser imprestável.

Certa vez, uma amiga contava-me que, apesar de saber cozinhar e limpar e arrumar a casa, e de o fazer regularmente, nunca admitia esse saber na presença de pessoas do sexo masculino, porque dizia que não queria ser vista como uma “matrona”, mas antes como uma “mulher de carreira”, seja lá isso o que for, e que só as “saloias” tinham em tão boa conta a capacidade de administrar uma casa e uma família. Ora bolas!, pensei, diante de tão estapafúdio argumento. Mas a verdade é que tenho encontrado muitas mulheres assim: há aquelas que genuinamente não sabem fazer nada nem servem para nada, e depois há as que se gabam – ainda que não por palavras – de serem uma nulidade nas lides domésticas ou em coisas com menos glamour do quotidiano. Mudar um pneu é, para essas mulheres, a acção menos feminina que lhes podem pedir, e não hão-de nunca aprender a fazer tal coisa. Se forem na estrada, o mais certo é que nem dêem conta do furo, mas se derem fazem de conta e seguem o seu caminho, ou então pedem a um “senhor simpático” que as ajude. Ora, eu tenho uma visão diferente das coisas.

No meu mundo, que não é o mundo das feministas que clamam por igualdade face aos homens, cada um, independentemente do sexo que lhe foi destinado, deverá, dentro do possível e do razoável, safar-se sozinho dos problemas que lhe surgem. E mudar um pneu é um dos menores da minha lista. Não é agradável, não. Muito menos se chover. E agora que, ao fim de 31 anos a prevaricar, consegui deixar de roer as unhas, não é com entusiasmo que encaro a possibilidade de as partir ao pegar em tão pesado donut de borracha. Mas eu sei mudar pneus. Já mudei vários, sempre sozinha (até porque, de todas as vezes em que tive furos, viajava sozinha), já comprei pneus, sozinha também, e já ajudei pelo menos duas pessoas – uma mulher e um homem – a fazer o mesmo. A mudança de um pneu, bem como os mais elementares procedimentos de Mecânica, deviam, a meu ver, fazer parte das lições de condução. Se assim fosse, acabavam de vez os anúncios ridículos como o do Automóvel Club de Portugal em que uma senhora se congratula por o ACP lhe ter levado o filho à escola, depois de ela ter tido um furo. Ou seja, porque teve um furo viu-se obrigada a chamar assistência e a parar o automóvel que conduzia. Para avolumar ainda mais a minha úlcera péptica, o anúncio termina com a criatura a garantir que “uma mulher que tem o ACP tem tudo”. E eu, que me estico para desligar o rádio assim que a senhora começa a falar, penso que é por estas e por outras que as mulheres viveram séculos debaixo do jugo dos homens, num mundo comandado por eles. É que, por mais que barafustem, que se declarem independentes e emancipadas, demitem-se dessa emancipação sempre que precisam de mudar um pneu, atarrachar uma lâmpada ou consertar uma avaria num candeeiro…

O último dos masoquistas

Há gente que gosta mesmo de levar a chamada “porrada no lombo”. Só pode! E se há pessoas assim, Pedro Santana Lopes é, decididamente, uma dessas pessoas. O antigo primeiro-ministro, ex-presidente do PSD, antigo líder da bancada parlamentar social-democrata, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa e da congénere da Figueira da Foz e ex-presidente do Sporting está, novamente, “disponível” para se candidatar à liderança da autarquia da capital em 2009, para tentar roubar o trono ao socialista António Costa. Santana Lopes diz que “é difícil dizer não a Lisboa”, mas cá para mim o que será mesmo, mesmo difícil é que Lisboa volte a dizer-lhe sim…

Prédio ameaça ruir em Matosinhos

Não conheço ainda o suficiente da cidade de Matosinhos para me atrever a dar nomes às muitas ruas por onde passo nas minhas caminhadas matinais e da hora de almoço, mas há uma circunstância que, reiteradamente, me tem chamado a atenção, e que uma pequena pesquisa me ajudou a esclarecer, ainda que me tenha lançado num novo mar de dúvidas. Junto à chamada rotunda da fonte luminosa (que liga as avenidas D. Afonso Henriques, Menéres e Vila Garcia de Arosa), há um prédio de cinco andares em risco de ruir. Foi no passado mês de Julho que o medo tomou conta de 13 pessoas que viviam no referido imóvel, que fica na convergência da Avenida Vila Garcia de Arosa com a dita rotunda, quando um pilar de sustentação do edifício, que terá cerca de 40 anos, ruiu, pondo em causa a permanência das famílias nas habitações. Por questões de segurança, e de acordo com o que pude ler na imprensa da altura, os moradores (na sua maior parte idosos) foram prontamente evacuados e estarão, desde então, a viver em casas de familiares e amigos, com garantias de segurança. O que me causa estranheza, no entanto, é que, apesar de o trânsito no local ter sido condicionado, com a rua em frente ao prédio a ser encerrada pela câmara com recurso a barreiras metálicas, todos os dias há dezenas de automóveis estacionados junto ao edifício, indiferentes ao possível desmoronamento do imóvel. Eu, que atravesso sempre a rua (não que isso me adiantasse de muito no caso de aquilo vir tudo abaixo), não posso deixar de gabar a coragem de quem assim expõe a sua bela viatura a tal perigo…

Fotos: Mente Despenteada

sábado, 20 de setembro de 2008

Onda rosa em Guimarães

Se dúvidas houvesse – e eu não as tenho – de que José Sócrates é o melhor primeiro-ministro da história da democracia portuguesa, e de que a sua popularidade continua em alta, mesmo diante do cenário de profunda crise que assola o país, o comício desta tarde em Guimarães depressa as faria dissipar. O homem que nas eleições legislativas de 2005 conquistou a primeira maioria absoluta socialista, e que caminha a bom passo para repetir o feito em 2009, subiu a um imenso palco montado no Pavilhão Multiusos de Guimarães, o local em que foi entronizado no cargo de secretário-geral do PS, e que hoje dividiu com cerca de 400 pessoas, entre as quais pontificavam alguns destacados militantes do partido, e explicou por que é chefe do Governo. Prestou contas sobre a obra feita – reclamou a paternidade da reforma do Parlamento, da Lei da Paridade, da imposição de limites ao número de mandatos nas autarquias, do fim das subvenções vitalícias para os políticos e da obrigatoriedade da abertura de concursos para chefias na Administração Pública – e criticou a oposição, da política do silêncio e de queixa da democracia (numa clara alusão ao PSD de Manuela Ferreira Leite) ao alarido de uma esquerda que, segundo afirmou Sócrates, há muito deixou de se opor à direita para se concentrar nos ataques ao PS e ao Governo. O pavilhão estava cheio. Lotado! E não foi preciso usar subterfúgios para dissimular clareiras e enganar as câmaras das estações de televisão. Não havia clareiras. E havia gente lá fora, à espreita, a tentar ver o ouvir o que se passava dentro de portas. José Sócrates foi aclamado. De pé. Diversas vezes. Foi a verdadeira apoteose! E contra factos não há argumentos. Fico à espera de poder assistir a um comício do PSD e de Manuela Ferreira Leite…

Fotos: Mente Despenteada

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Uma imagem de solidão

Era um homem já velho, pequenino e curvado sobre si pelo peso dos anos, talvez das preocupações. Trazia no rosto uma espécie de cansaço desenhado naquele fim de tarde e num estranho esgar dos olhos, de cor indefinida. Esquecido na vertigem dos carros que voavam pertinho dos pés, não ousava sequer um passo para atravessar a movimentada estrada. Notei, ao passar por ele, que ninguém mais parecia notar a sua presença. Ele ali, parado num tempo em que tudo corria à sua volta, bem pertinho de quem passava, captou um momento da minha atenção, voando eu também num ansiado regresso a casa. Pensei, naquele momento, que não mais recordaria o rosto daquele desconhecido. Enganei-me. Sem saber por que razão, recordo-o ainda, agora e aqui, tão longe já daquele momento e daquele lugar. Percorre-me o cérebro uma luz difusa, e entre os seus raios a imagem de solidão daquele homem velho, pequenino e curvado sobre si, à espera de poder atravessar a movimentada estrada ao fim da tarde. Paciente, sozinho, só. Solidão sem palavras, num olhar cansado e sem arrogância. A simpatia por aquele velhinho nasceu assim, repentina e inexplicada, projectada talvez na velhinha que hei-de ser também. Talvez por isso tenha gostado dele…

sábado, 13 de setembro de 2008

Assim vai o Jornalismo no Porto...

Foi num almoço realizado no Pavilhão Académico, no Porto, que o presidente da maior federação socialista do país apresentou, há poucas horas, a sua recandidatura ao lugar. Renato Sampaio mobilizou mais de 800 pessoas, entre as quais, como referiu o próprio aos jornalistas presentes, vários elementos da comissão política nacional do partido da rosa, presidentes de câmara, junta de freguesia e assembleia municipal. No arranque formal da sua campanha, um momento importante para a vida política da cidade e do distrito, o presidente do PS/Porto respondeu às perguntas da Agência Lusa, da RTP, da TVI, do jornal «Público», da revista «Visão» e do site GrandePortoTV. Uma presença de órgãos de informação muito fraca, e que visou sobretudo aferir a posição de Renato Sampaio em relação à putativa candidatura de Elisa Ferreira à Câmara Municipal do Porto e, ao mesmo tempo, a posição desta diante da aproximação das eleições para a distrital. Elisa não esteve presente, por dificuldades de agenda (está ausente do país), mas o líder socialista deixou claro o seu apoio à eurodeputada na Invicta. Estranha foi a pouca adesão dos jornalistas ao lançamento da candidatura. A SIC achou que não fazia lá falta. das rádios, nem falar. Noutros tempos – há bem pouco tempo! –, «O Primeiro de Janeiro» teria, de certeza absoluta, comparecido à chamada. O pasquim não esteve. O «Jornal de Notícias», por seu turno, deu razão àqueles que dizem que está a trocar o Porto por Lisboa: não apareceu, e logo depois decidiu publicar no seu site o texto da Agência Lusa. Quanto ao Jornalismo no Porto, estamos conversados...

"O maior partido da oposição"

É assim que eles se intitulam, usando estas exactas palavras. E parece que nos últimos anos se afeiçoaram a essa ideia de tal forma que já não querem fazer outra coisa. Eles querem ser e fazer oposição. E a vontade de se oporem é tanta, que até já a usam uns contra os outros, mesmo dentro do partido, e perdem mais tempo com questõezinhas internas do que com os assuntos do país e da sua governação. O PSD anda à deriva e, por este andar, corre sérios riscos de deixar de ser “o maior partido da oposição”, mas não por deixar de ser oposição, entenda-se!
Não sou exactamente fã de Luís Filipe Menezes, mas considero que aquilo que fizeram ao homem enquanto era presidente do PSD foi indigno de um partido que anseia ser, e que se afirma como tal, alternativa de governo, mesmo em Portugal. Bocas foleiras nos bastidores da social-democracia, uns bitaites maldosos, espalhados com a ajuda de um grupinho de diligentes assessores e de uns lambe-botas à espera de um tacho, a par de umas entrevistas com vista a lançar para o ar umas candidaturas à liderança que nunca haveriam de se concretizar, foi uma estratégia quase infantil, imprópria portanto do tal partido que se diz grande, mas cujas últimas lideranças têm sido demasiado pequenas para o resgatar do marasmo que lhe custou uns quantos milhares de votos nas últimas votações a que se apresentou.
Luís Filipe Menezes surpreendeu o mundo – ou então foi só a mim, mas confesso que a surpresa foi grande – quando se demitiu do cargo que há tanto tempo ambicionava ter e desligou o interruptor que alimentava a má-língua no seio do partido laranja. Foi um “basta!” literal, que marcou uma viragem na forma como passei a ver Menezes. É que, por muito que um gajo queira uma coisa, ser achincalhado por aqueles deveriam ser os primeiros a respeitá-lo (porque ele era seu presidente, e estava num lugar para o qual nenhum dos seus delatores tinha ousado candidatar-se, tentando genuinamente fazer algo que salvasse o PSD do estado comatoso em que se encontra há largos anos), deixa qualquer um com vontade de mandar tudo à fava. E Menezes mandou.
O erro dele veio depois. Primeiro, porque nunca se deve dizer nunca. Segundo, porque nunca é demasiado tempo. Portanto, quando disse que não ia falar, errou. E portanto, a promessa – que não tinha pernas para andar – foi quebrada, e o autarca de Gaia fez o que há muito se sabia que ele faria: falar. E falou para criticar a actual líder, a tal que parece gozar de imunidade no seio do partido, defendida por um trabalhador grupo de acossados pseudo-barões, que se atiram como cães aos críticos da senhora. Menezes é o ex, o passado, o último cromo da colecção, e como tal – pensam os senhores a quem se convencionou chamar “aparelho” – já não interessa. Na edição de hoje de um jornal gratuito da nossa praça, Menezes foi literalmente convidado a calar-se. Primeiro com uma pseudo-notícia que dava conta de que o PSD começaria a estar farto do autarca, e depois com um artigo de opinião assinado pelo director (que afinal escreve um cadito melhor do que fala, já que da última vez que o vi falar em público não foi sequer capaz de articular uma única frase com sentido), e que chega mesmo ao ponto de aconselhar o social-democrata a trocar a cadeira da política pelo divã do psiquiatra (a liberdade de imprensa NÃO é isto!).
Diz a referida nota que qualquer dia é o PSD que diz “basta” a Menezes. Estou ansiosa. Talvez seja mais um a bandear-se para o partido dos cidadãos independentes. E depois vai ser bonito: já temos a abstenção a sair vencedora de qualquer acto eleitoral que se realize neste país, agora só faltava termos o “partido dos independentes” a conquistar mais câmaras e deputados do que “o maior partido da oposição”…

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Só o cheiro é que é diferente…

Um sindicato têxtil pediu hoje a intervenção da Autoridade para as Condições de Trabalho na fábrica de confecções Grantex, de Lousada, que acusa de proceder a um despedimento colectivo "encapotado e ilegal" de 20 trabalhadoras. De acordo com fonte do Sindicato Nacional dos Profissionais da Indústria e Comércio de Vestuários e Artigos Têxteis, as trabalhadoras foram impedidas de entrar ao serviço segunda-feira, após férias forçadas, com a alegação de que não havia serviço para elas. Cumprem agora o seu horário de trabalho à porta da empresa. Considerando que "esta situação configura um despedimento colectivo e ilegal", a estrutura sindical anunciou que já solicitou a "intervenção urgente" dos serviços em Penafiel da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT). O sindicato anunciou ainda que agendou uma reunião com responsáveis no Porto da Direcção-Geral das Relações Colectivas do Trabalho, a fim de analisar o assunto. A empresa emprega três centenas de trabalhadores. Contactada pela Lusa, fonte da gerência da Grantex, que não quis ser identificado, disse apenas que "quer ver se segura" os postos de trabalho que ainda mantém e afirmou que o sindicato pode, "se quiser, recorrer às vias legais" (Agência Lusa).

A m… é a mesma! Só o cheiro é que é diferente!

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mogofores on fire 2!

Lembram-se, os meus despenteados amigos, de aqui vos ter dado conta, há escassos dias, de um pequeno foco de incêndio ocorrido num comboio de mercadorias que se encontrava estacionado na estação de caminhos-de-ferro de Mogofores, no concelho de Anadia? Pois bem, eu que passo lá - felizmente - alguns dos meus dias, naquele exacto local, lamentei que quando isso acontece não haja naquele lugar nada digno de registo, e fui prontamente criticada pela minha querida amiga Rute. Mas hoje tenho uma novidade para vocês: não estava lá eu, mas estava lá ele! O meu repórter intrépido preferido, que registou o momento em que, da ponte que se lá ao fundo, sobre a linha, os bombeiros observavam o veículo, já depois de o fogo ter sido extinto. Fica a obra do artista.


Foto: Luís Silva

“O jornal que fazíamos antigamente”

Ditou a sorte, ou talvez tenha sido apenas o acaso, que hoje, por tarefas inerentes ao meu novo emprego, tivesse de contactar a redacção da versão segunda de «O Primeiro de Janeiro». Obviamente não me identifiquei como uma daquelas 32 pessoas descartáveis do lamentável episódio do fatídico dia 31 de Julho, como também não maltratei qualquer das pessoas com quem falei, e foram várias, até chegar à fala com o jornalista que tinha de contactar. Foi simpático, e disponibilizou-se de imediato para uma futura conversa, a fim de agilizarmos a prossecução de um objectivo comum: a divulgação de um evento. Foi apenas no momento da troca de endereços electrónicos – sabendo eu exactamente com quem falava, e não tendo ele a mínima ideia de que do outro lado da linha tinha uma ex-colega (as redacções do «PJ» e de «O Norte Desportivo» não eram exactamente contíguas, e por isso não tínhamos, no rés-do-chão, um nível de familiaridade com os colegas do primeiro andar que nos permitisse identificar as suas vozes ao telefone) –, que ele me explicou que o final do e-mail que me fornecia (...@onortedesportivo.com) fazia alusão ao que definiu como “um jornal que fazíamos antigamente”. Nessa altura não contive um sorriso, amarelo, algo tristonho até, mas em jeito de uma gargalhada para dentro de mim. Foi há pouco mais de um mês que correram connosco, mas aquele “antigamente” fez cair, com um baque na minha cabeça, a crueza da coisa: eles tomaram o nosso lugar, e nós passámos à história! Já somos do "antigamente"...

Só pode ser piada!

A primeira é da edição de ontem, a segunda da edição de hoje do pasquim. São duas páginas que demonstram, com requintes de malvadez, a falta de vergonha da administração de uma empresa que há pouco mais de um mês despediu, sumária e ilicitamente, mais de 35 funcionários com dois meses de salários em atraso, sem subsídios de férias nem indemnizações, mas que, ainda assim, não se coíbe de publicar, pela mão de uma dezena de trabalhadores amordaçados pelo medo, eles próprios com salários em atraso, notícias relativas à situação difícil de outras empresas, onde, no entanto, ninguém foi tratado como lixo e atirado borda-fora...

Só pode ser piada!

Passa a tarde a pensar, depois dá nisto!

Despenteados amigos,

Antecipo aqui e agora, neste meu/vosso espaço que é um must da blogosfera nacional, mais uma provável cena de vómito daqueles dois ou três leitores que restam ao fraco pasquim que há coisa de mês e meio tomou de assalto o nome, outrora respeitável, do centenário portuense «O Primeiro de Janeiro». A primeira página da edição do PJ desta quarta-feira é mais uma obra-prima (para não dizer mesmo um escarro) do mestre do gráfico-parolismo lusitano, que, segundo relatos de fontes próximas do dito cujo, passa as tardes inteiras a pensar (há coisas fantásticas, não há?) naquilo que fará a “capa” do dia (ainda ninguém lhe explicou que se chama “primeira página”), para depois produzir – frequentemente entre ataques de histeria, asseguram as mesmas fontes – aquilo que tem sido a “montra” do pasquim nos postos de venda (e de leitura, que também os há, como sabemos). Preparados? Txarã…
Estão a ver bem isto? Como dizia alguém há uns tempos (perdoem-me o esquecimento de nomes e contextos, que a idade e a decrepitude caminham de braço dado, e eu até tenho tido muito em que pensar), o pasquim parece estar a concorrer para o Livro dos Recordes na categoria “o jornal que chama à primeira página todas as notícias que tem no interior”. Recorde-se que o “novo” PJ não tem tido muito mais do que uma vintena de páginas, das quais pelo menos oito são sempre consagradas ao «Norte Desportivo» (afinal, são eles, os do Desporto, que estão no comando da nau…). Quantos textos será possível meter nas páginas que sobram, além dos que já figuram na “capa”?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Tarde ou ainda mais tarde?

Os finalistas do curso de Medicina da Universidade de Coimbra apresentaram-se hoje vestidos de preto no exame final do 6º ano, alegando o luto pela obrigatoriedade da realização de uma prova que consideraram desnecessária e prejudicial para os alunos. Falaram em “luto pelo futuro hipotecado”, e defenderam a teoria de que, num ano de carácter eminentemente prático, não tinha cabimento (vá-se lá saber por que razão!) uma prova teórica. Depois puxaram de palavras caras – seria giro que lhes pedissem os seus significados – para afirmar que o exame é “desnecessário”, “redundante” e, claro, “prejudicial e extemporâneo”. Na ideia destes estudantes, nesta altura “deviam estar concentrados no exame geral, a realizar a 20 de Novembro, que dá acesso ao internato médico de especialidade e que vai decidir as suas vidas”. E é aqui que eu pergunto: se daqui a aproximadamente dois meses vão ter de se sujeitar a um exame geral, haverá maneira melhor de se prepararem para esse exame do que uma prova que permita fazer um ponto da situação actual, em termos da sua aferição de conhecimentos? De que forma é que estudar agora poderá ser penalizador para quem tem de se submeter a um exame tão rigoroso em Novembro? Fica a pergunta…

Mogofores on fire!

A circulação na Linha do Norte foi interrompida em Mogofores, Anadia, às 18h05, "por razões de segurança", devido ao início de combustão de estilha de madeira, num comboio estacionado naquela estação. De acordo com fonte da CP, foi detectado o início de combustão num vagão de um comboio que se encontrava parado sob a catenária naquela estação, e por razões de segurança houve necessidade de desligar a energia para encher o vagão de água. A interrupção da circulação deverá demorar cerca de 20 minutos. Segundo uma fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro de Aveiro, a situação foi detectada às 17h06, tendo comparecido na estação de Mogofores os bombeiros de Anadia, com seis viaturas e 18 homens” (Agência Lusa).

Por que é que quando eu lá estou nunca acontece nada?!







Fotos: Mente Despenteada

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Dois sorrisos de esperança...

Hoje tive a oportunidade de rever dois amigos, e de ajudar a desenhar nos seus rostos dois fabulosos sorrisos de esperança no futuro. Um futuro que há bem pouco tempo se deixou tolher por uma imensa nuvem negra, e que hoje, naquele reencontro, voltou a iluminar-se diante de uma luz diferente, tão diferente dessa escuridão a que estavam votados. E a esperança é, felizmente, contagiosa. Quando se apodera de um amigo, ela cresce também dentro de nós, e os sorrisos que vemos desenham-se, quase por magia, num semblante até aí carregado de sombras. A esperança renasceu neles, e brotou em mim nesta tarde cálida que se deitou à espera do Outono. Que seja breve a esperança, e logo se transforme em certeza. E que a amizade possa crescer, naquele espaço onde a escuridão não entra, porque a força da luz se desenha na mão estendida e no sorriso de quem a alcança. Boa sorte para os dois.

domingo, 7 de setembro de 2008

Porque arranca agora o ano lectivo...

As pessoas gostam de ter problemas, e quando não os têm inventam-nos. Já tenho há muito tempo, e bem arreigada, esta convicção, e a confirmá-la acabo de ler os títulos (sim, apenas os títulos) de várias notícias da Agência Lusa relativas ao sector educativo, agora que arranca o ano lectivo 2008/2009. Bem sei que muitas vezes nos apelidam de saudosistas, nós que nascemos na década de 1970 e começámos a estudar na década seguinte, mas a verdade é que nesse tempo, pelo menos do que conheci, eram menos e bem menores os “problemas” dos estudantes, e os pais, professores, psicólogos e outros que tais tinham mais em que pensar. Ora vejamos:

No ano lectivo que agora começa haverá menos professores por cada turma, com vista a facilitar a adaptação das crianças ao segundo ciclo. Quando entrei para o então chamado ciclo preparatório, com pouco mais de 10 anos, não houve um só dia em que me custasse a adaptação a mais de 10 professores (já agora, os professoresd remanescentes, como se já houvesse poucos no desemprego, farão o quê?), quando na primária tinha tido uma só docente. Achei o máximo a variedade, achei porreiro mudar de sala segundo o tipo de disciplina que tínhamos, achei espectacular ter aulas de Educação Visual, Educação Musical, Educação Física, e achei sobretudo que essa nova fase marcava um momento de crescimento e de maturidade para mim e para os restantes colegas. Saliente-se que na passagem do 4º para o 5º ano perdi contacto com todos os colegas da primária, já que nenhum deles ficou na mesma turma que eu, e tive de começar de novo, sozinha, o processo de sociabilização e adaptação às novas regras. Não tive qualquer problema.

No novo ano lectivo, as escolas alentejanas vão passar a ter “aulas” de Hip-Hop e canto alentejano na sua oferta extracurricular (isto nem me merece comentários! Se fosse de facto mais aulas, vinham logo a público os pais e os psicólogos dizer que era excesso de carga horária, mas para cantar a dançar já está tudo bem. Deve ser para alimentar a tal febre muito comum entre os miúdos de hoje, que querem todos ser cantores e actores ou modelos).

Deve ser dos mesmos psicólogos – que noutros contextos argumentam que as crianças vêem demasiada televisão e passam demasiado tempo em frente ao computador – a ideia de que “os alunos do primeiro ciclo deviam ter jogos de playstation nas escolas, e a convicção de que “as aulas de substituição não deixam espaço para a socialização”. É a opinião dos “especialistas”, pelo menos. Contudo, há “especialistas” que defendem a inclusão do Inglês no plano curricular do 1º ano (sim, quando as crianças, que têm 5 ou 6 anos, gostam mesmo é de brincar, e nem Português correcto sabem falar), de modo a evitar as desigualdades (?!). Ou seja, as crianças portuguesas deveriam ter, na rede de escolas portuguesas, tantos anos de Inglês como de Português. Já agora, e por que não propor também o Francês, o Alemão e o Espanhol? Assim, os putos teriam ainda menos tempo para brincar e ver televisão, jogavam playstation na escola e quando chegassem a casa, às tantas, vinham já tão cansados que só tinham de jantar e dormir. Já agora, podiam ainda inventar uma disciplina onde ensinassem aos miúdos os nomes dos pais e dos irmãos, aquelas pessoas que eles só veriam uns minutinhos à mesa e antes de deitar. Não sou “especialista”, mas deixo a sugestão.

Momento de fragilidade

Quando a morte se cruza connosco e invade o quotidiano de pessoas que conhecemos, mesmo que não tenhamos com elas muito em comum – porque são de outro tempo e defendem outras ideologias –, há sempre uma onda de tristeza que se apodera de nós. Há um momento de fragilidade que toma conta das nossas lágrimas, que as espalha ao vento, quando vemos chorar compulsivamente alguém que fica só, irremediavelmente só, numa altura da vida em que a idade já tornava mais caseira a existência, e que o companheiro de mais de meio século era a figura mais presente e mais querida. Nesse momento, sentimos forçosamente que não somos imortais, e quando parte alguém de quem gostamos, o mundo se transforma, subitamente, num lugar mais cinzento. Deixo à D. Belarmina, que nos últimos dias viu partir o seu marido, os meus sentimentos.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O cúmulo da pinderiquice!

Está decidido! No Natal vou oferecer ao José Cid um espelho! O popular (?) cantor português, que até é meu vizinho aos fins-de-semana (já nos cruzámos algumas vezes na média superfície lá da zona), é doido varrido ou está mesmo completamente maluco (as opções são muitas, já viram?). Numa – como direi? Indescritível? – entrevista-relâmpago concedida ao também inigualável Cristiano Pereira (mas este por razões bem diferentes: a par de Manuel António Pina, é uma das pessoas que me fazem ter algumas saudades dos tempos em que trabalhei no «Jornal de Notícias»), José Cid confessou que gostava de partilhar um palheiro (?!) com a rainha da pop, e não se coibiu de soltar pérolas como “(Madonna) não tem capacidade vocal para cantar ao meu lado” ou “eu gosto dos meus pelos. Sou peludo. Seria incapaz de me depilar a não ser à volta do meu pénis. Isso de muitos pelos à volta do pénis torna-se incómodo”, ou ainda “gosto dos pelos do meu corpo, e há quem adore”…

É só impressão minha ou um cantor devia ser falado nos jornais por saber cantar?

Um homem, uma palavra, um exemplo!

Poderá soar a hipocrisia isto que agora me preparo para vos dizer, mas não é. É antes a constatação, feliz, de que ainda há pessoas de bem, empenhadas em agir com rectidão e com seriedade, que não se limitam a fazer figura de corpo presente apenas quando a ocasião favorece uma posterior recolha de dividendos. Honório Novo é deputado, pelo círculo do Porto, à Assembleia da República. Manteve, durante anos, estreita relação com «O Primeiro de Janeiro», chegou a visitar as instalações da redacção e a reunir-se ali com alguns camaradas meus, e cruzou-se milhares de vezes com alguns de nós, em serviço de reportagem, quando o acompanhávamos nas visitas que fazia aos bairros e a outros cenários sociais, quer no Porto, quer em Matosinhos, cidade em que detém o cargo de vereador.
Ideologias à parte, que a dele é a dele e as nossas são as nossas, Honório Novo é uma pessoa que inspira confiança. Nunca se furtou a comentar temas polémicos, quando a isso o desafiávamos (mesmo por telefone), e defendeu sempre a sua perspectiva das coisas com uma seriedade inabalável. Nos primeiros dias após o despedimento ilegal de mais de 30 pessoas no «Janeiro», Honório Novo interrompeu as férias e foi saber o que se passava, de viva voz, no local. Reuniu-se connosco, e prometeu acompanhar a situação e diligenciar, dentro das suas competências enquanto representante da nação e da cidade, no sentido de defender os direitos e os interesses dos despedidos. No dia seguinte, retomou as suas férias, e ninguém ousaria censurá-lo por isso. Já tinha feito mais do que muitos, com mais obrigações, em ter dado a cara por nós, ao nosso lado à porta de uma redacção trancada a sete chaves.
No entanto, Honório Novo não se ficou por aí, nessa promessa de empenho e de acção que, à falta de continuidade, poderia parecer um mero pro forma. Não! Assim que veio de férias, o deputado contactou-me para saber em que pé andavam as coisas, dizendo que pretendia inteirar-se de tudo para melhor poder preparar os requerimentos e as perguntas que pretendia endereçar ao Governo, mal reabrisse o Parlamento. E assim fez. A edição de hoje do «Público» – com uma “primeira” um nadinha mais vestida do que a de ontem –, relata que os requerimentos do deputado do PCP deram entrada na Assembleia da República, e desvenda um pouco do seu conteúdo. Hoje, novamente, o parlamentar comunista contactou-me, alertando para a notícia do «Público» e dando conta da sua disponibilidade para enviar ao grupo de jornalistas alvo de despedimento ilegal os dois requerimentos que apresentou. Aí está um homem que cumpre a palavra dada. Um homem que não se esquece, como nós também não esqueceremos. Receba, caro Honório, um cordial abraço! Obrigada.

Salários continuam por pagar

O deputado do PCP Honório Novo quer saber o que vão a Autoridade para as Condições de Trabalho e a Inspecção-Geral do Trabalho fazer para repor a legalidade no diário O Primeiro de Janeiro, cujos trabalhadores foram despedidos no final de Julho. Considerando que este "despedimento colectivo" não tem suporte na lei, o deputado apresentou esta semana no Parlamento uma pergunta ao Ministério do Trabalho questionando "que tipo de decisões, contra-ordenacionais e/ou criminais", foram adoptadas contra o grupo empresarial detentor do título e se foi feita alguma coisa para garantir o pagamento dos salários em atraso devidos aos trabalhadores despedidos.
Os funcionários do jornal continuam sem receber os ordenados de Junho e Julho, bem como os subsídios de Natal e de férias, e ontem, em comunicado, recordam não terem ainda obtido nenhum compromisso quanto a este pagamento, uma vez que, tendo tentado falar com administração da empresa, apenas conseguiram contactar uma secretária, segundo a qual a regularização das dívidas deverá começar esta semana ou na próxima. Honório Novo questionou ainda o Ministério do Ambiente sobre os fundos comunitários que a empresa detentora d'O Primeiro de Janeiro terá recebido ao longo dos últimos anos, perguntando se os respectivos contratos têm sido honrados, "nomeadamente quanto ao cumprimento das obrigações fiscais e à Segurança Social", por parte das diferentes empresas que integram o grupo Folha Cultural/Sedico.

Jorge Marmelo
Jornal «Público»

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Ninguém faz 23 anos!

Devia ser proibido, eu sei, mas de facto é nessa provecta idade que acaba de aterrar a minha irmã do meio! Por isso, e também porque agora está na capicua dos meus 32 anos (espero que isso não te sirva de desculpa para andares sempre ao contrário de mim, sua mau feitio!), PARABÉNS! Votos de um dia muito feliz – um Super Dia –, na companhia dos que te querem bem. Love you, siss!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Não acredito em bruxas, mas que as há…

Naqueles dias em que me lembro de saltar da cama e ligar a bola de cristal à corrente, até consigo ser uma pessoa dada a adivinhações. Vai daí, há uns dias deixei aos meus despenteados amigos um post intitulado «Anda mesmo tudo doido», que ilustrei com uma capa meio manhosa do «Público». Já todos sabem que não gosto desse jornal que muita gente teima em classificar como “de referência”. De facto, se pensarmos que há nesse conceito também a hipótese de ser uma referência do que deve ser evitado, até me sinto tentada a concordar. A capa da edição de hoje cobre-me de razão. Querem saber por que razão?
Deve ser por coisas deste género que frequentemente – muito frequentemente até – me engano a escrever «Público», e cito-o muitas vezes como «Púbico»…

Depois do silêncio...

O empresário Eduardo Costa, proprietário do jornal O Primeiro de Janeiro, afirmou hoje, em comunicado enviado à Lusa, que a continuidade daquele matutino portuense, publicado há 140 anos, "não está em causa". "A minha intervenção em 1992 salvou O Primeiro de Janeiro da falência", afirma aquele empresário, que sublinha ter pessoalmente investido muito naquele diário, o que tenciona continuar a fazer, "para manter e elevar este centenário matutino". Estas são as primeiras declarações que Eduardo Costa faz desde que o Primeiro de Janeiro suspendeu a sua publicação em 01 de Agosto, após o despedimento colectivo de toda a redacção (34 jornalistas e três administrativos), regressando às bancas três dias depois pela mão de Rui Alas, ex-director do suplemento desportivo do jornal, e quatro jornalistas do mesmo suplemento.
A anterior directora do jornal, Nassalete Miranda, tinha anunciado em 31 de Julho que O Primeiro de Janeiro cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo". Um mês depois de terem sido despedidos, cerca de 20 trabalhadores de O Primeiro de Janeiro juntaram-se hoje de novo frente à administração para exigir respostas quanto aos salários em atraso. "O assunto está a ser tratado e irá ser dado seguimento aos pagamentos logo que possível", afirmou a secretária da administração do jornal, que recebeu, esta tarde, os trabalhadores. No comunicado enviado à Lusa, após sucessivos pedidos de entrevista a que nunca acedeu, Eduardo Costa argumenta que as dificuldades que atravessa actualmente toda a imprensa escrita e o passivo que o Primeiro de Janeiro acumula desde meados dos anos 80 estão na origem da actual situação. "Tendo conhecimento de que a velha empresa não tinha dinheiro para pagar os salários nomeadamente da sua redacção e que não tinha outra solução e rescindir com os trabalhadores, a proprietária do título viu-se obrigada a rescindir os acordos que vinha mantendo com a centenária empresa e retirar-lhe a exploração do título", afirma Eduardo Costa.
Acrescenta que agora, "noutro modelo, imposto pelas circunstâncias", tem "um projecto de desenvolvimento" para o qual procura parceiros e uma nova solução empresarial que faça crescer o jornal, "beneficiando do valioso património que representa". "Lembramos que demos ao Porto, ao Norte e ao País durante 15 anos um valioso diário, que foi cumprindo sempre a sua missão e pagando aos seus trabalhadores, porque é do conhecimento que a estes está por regularizar pouco mais de um mês de salário", afirma, sem dizer quando será saldada esta dívida. Paulo Almeida, jornalista despedido e porta-voz da redacção, disse à Lusa desconhecer "totalmente o novo projecto", aguardando que desta vez a administração cumpra com o prazo de duas semanas para os pagamentos devidos.

Agência Lusa
Foto: Mente Despenteada

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Um paralelismo simples...

Está situada no concelho de Santo Tirso e é a única fábrica de pneus a operar em solo português. Setenta por cento da produção da CAMAC destina-se ao mercado britânico, mas por causa da desvalorização da libra esterlina está a passar por dificuldades que afectam sobretudo os 290 trabalhadores da empresa, que desde Junho não recebem os seus salários. Hoje, tomaram uma posição e interromperam a produção. Para breve planeiam uma manifestação à porta da câmara municipal, para exigir a intervenção do autarca local, Castro Fernandes.

«O Primeiro de Janeiro» nasceu em 1868, e foi, durante largos anos, um dos baluartes da imprensa nacional, graças à sua isenção e à aposta feita no noticiário internacional. Há uns meses deixou de pagar os salários a tempo e horas, começou a fraccioná-los, e depois acabou mesmo por deixar de os pagar. A redacção foi demitida, ilegalmente e em bloco, e prontamente substituída por um grupo de jornalistas de Desporto, que no dia 1 de Setembro, ontem portanto, receberam a segunda metade do salário de Julho. Continuam, obviamente, a trabalhar. Não ponderaram fazer greve, como os da versão primeira do «Janeiro» não pensaram, até ao momento em que já era demasiado tarde para isso.

Em ambos os casos há salários em atraso desde Junho. Em ambos os casos há muitos trabalhadores cujos direitos foram violados, que sobrevivem com muitas dificuldades. No primeiro caso há uma explicação (ao menos isso!) para o que aconteceu, e ninguém foi chutado pela porta fora, sem dó nem piedade. No segundo, há um empresário que acaba de ser condenado por fraude contra o Estado, mas que também, mesmo assim, foi agraciado com verbas do QREN, e há um grupo de jornalistas que, sem saber que o presente de uns há-de ser o futuro deles mesmos, continua, serenamente, a produzir trabalho sem a justa contrapartida. Dá que pensar, não dá?

Toma lá, que é artístico!

Quando pensava que já tinha visto tudo – nomeadamente no que ao conceito de “arte” diz respeito – com a deposição daquela colcha horrorosa no tabuleiro superior da Ponte D. Luís, no Porto, eis que se me atira para os olhos esta notícia:

Gene Hathorn, que está no corredor da morte desde 1985, deu o seu consentimento ao artista Marco Evaristti, o «bad boy» da arte dinamarquesa, para usar o seu corpo como uma peça de arte, de acordo com o jornal The Guardian. «O meu objectivo é primeiro congelar o corpo de Gene e depois fazer comida para os peixes. Os visitantes da minha exposição poderão alimentar peixinhos amarelos com o corpo de Gene», explicou Evaristti ao jornal Art Newspaper”.

Alguém me explica, como se eu tivesse quatro anos, como é que congelar um corpo pode ser arte? Mas a notícia prossegue:

Não é a primeira vez que o artista que ganhou notoriedade em 2000, depois de ter colocado peixinhos amarelos em liquidificadoras, e convidou as pessoas para assistiram enquanto este ligava as máquinas”.

What?! Triturar peixinhos também é arte?! Será por serem amarelos? Mas há mais! O “artista” também já foi à Gronelândia em 2004 e pintou de vermelho um iceberg, tendo em 2007 sido preso enquanto se preparava para fazer o mesmo ao Mont Blanc! No jornal onde trabalhei durante os últimos sete anos costumava dizer-se que o que não era mais nada era Sociedade, a “minha” secção. Fico tentada a dizer, depois destes exemplos, que o que não for nada, passa a ser “arte”…

Sem papas na língua!

Quem recusa o convívio com as bases nunca será líder no PSD, ainda que seja temporariamente seu presidente” (Castanheira Barros, no «Jornal de Notícias» de hoje).

Valeu a pena!

Se não tivesse valido para mais nada, e a verdade é que aprendi muito, a vários níveis, durante os mais de sete anos em que fiz parte da redacção de «O Primeiro de Janeiro», a experiência teria, ainda assim, valido a pena, pelas pessoas que conheci. No dia 31 de Julho deste ano, quando nos empurraram porta fora e mudaram a fechadura daquele espaço que durante anos também foi nosso – apesar das incompetências, das palavras azedas de quem vive na inveja, das inundações, dos curto-circuitos, da falta de meios, do cheiro a fossa de alguns dias, da lata de algumas pessoas, dos comentários trocados em surdina na “sala de chuto” no meio da rua, da maldadezinha soletrada aos ouvidos, que fingiam acreditar na sinceridade dos argumentos –, saímos de mãos a abanar, com meses de ordenados em atraso, palavras vazias de sentido e de sentimento, mentiras, promessas fora de prazo e silêncio, muito silêncio. Houve pessoas que nunca mais vi, e sobre essas também aprendi algumas coisas (de algumas já esperava essa atitude, mas houve outras cuja colagem confrangedora ao lado errado da barricada me deixou um sabor amargo na boca). Mas a verdade é que não saí de lá de mãos a abanar. Trouxe amigos. Trouxe memórias, cheiros (nem todos bons, é certo), trouxe olhares, alguns momentos dourados. Trouxe as lágrimas e os sorrisos partilhados com grandes amigas que ficarão para sempre. Trouxe a calma de uns, a exaltação de outros, a coragem e o medo, os ensinamentos, as atrapalhações, a elevação de carácter, a falta dele. Tudo. E tudo valeu a pena. Porque não há dinheiro no mundo que pague os amigos que fiz, os sonhos que partilhei, as vitórias que dividi e as derrotas que ajudei a carregar. Não há dinheiro que pague a amizade, o carácter e a força de quem hoje, fora daquelas quatro paredes amarelas, continua dentro do meu coração. Apenas por isso, que é tanto, teria sempre valido a pena.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O medo mora comigo!

Uma pulsação acima dos 70 batimentos por minuto (bpm) aumenta em 39 por cento o risco de enfartes nos doentes coronários, indica um estudo apresentado hoje no Congresso Europeu de Cardiologia, a decorrer em Munique. A investigação envolveu cerca de 11 mil doentes coronários de 33 países, entre os quais 60 portugueses, e segundo o coordenador do estudo em Portugal, Ricardo Seabra Gomes, "nunca se tinha mostrado, de modo prospectivo, que a frequência cardíaca influencia as complicações da doença coronária". Com a pulsação acima dos 70 bpm, estes pacientes têm um risco acrescido em 34 por cento de morte cardiovascular, 46 por cento de enfarte do miocárdio, 56 por cento de insuficiência cardíaca e 38 por cento de ter de fazer uma revascularização. A revascularização passa pela dilatação das artérias através de angioplastia ou cirurgia e acontece quando persistem queixas mesmo depois do doente estar medicado. "O esforço faz o coração trabalhar mais e se as artérias estão doentes haverá consequências", resumiu o médico especialista (Agência Lusa).

Imaginem como bate na mente de alguém que foi internado de urgência com 170 pulsações por minuto (quase em repouso), e que, meio ano depois, nas medições diárias dos batimentos cardíacos ainda regista, quase sempre, mais de 90…