domingo, 7 de setembro de 2008

Porque arranca agora o ano lectivo...

As pessoas gostam de ter problemas, e quando não os têm inventam-nos. Já tenho há muito tempo, e bem arreigada, esta convicção, e a confirmá-la acabo de ler os títulos (sim, apenas os títulos) de várias notícias da Agência Lusa relativas ao sector educativo, agora que arranca o ano lectivo 2008/2009. Bem sei que muitas vezes nos apelidam de saudosistas, nós que nascemos na década de 1970 e começámos a estudar na década seguinte, mas a verdade é que nesse tempo, pelo menos do que conheci, eram menos e bem menores os “problemas” dos estudantes, e os pais, professores, psicólogos e outros que tais tinham mais em que pensar. Ora vejamos:

No ano lectivo que agora começa haverá menos professores por cada turma, com vista a facilitar a adaptação das crianças ao segundo ciclo. Quando entrei para o então chamado ciclo preparatório, com pouco mais de 10 anos, não houve um só dia em que me custasse a adaptação a mais de 10 professores (já agora, os professoresd remanescentes, como se já houvesse poucos no desemprego, farão o quê?), quando na primária tinha tido uma só docente. Achei o máximo a variedade, achei porreiro mudar de sala segundo o tipo de disciplina que tínhamos, achei espectacular ter aulas de Educação Visual, Educação Musical, Educação Física, e achei sobretudo que essa nova fase marcava um momento de crescimento e de maturidade para mim e para os restantes colegas. Saliente-se que na passagem do 4º para o 5º ano perdi contacto com todos os colegas da primária, já que nenhum deles ficou na mesma turma que eu, e tive de começar de novo, sozinha, o processo de sociabilização e adaptação às novas regras. Não tive qualquer problema.

No novo ano lectivo, as escolas alentejanas vão passar a ter “aulas” de Hip-Hop e canto alentejano na sua oferta extracurricular (isto nem me merece comentários! Se fosse de facto mais aulas, vinham logo a público os pais e os psicólogos dizer que era excesso de carga horária, mas para cantar a dançar já está tudo bem. Deve ser para alimentar a tal febre muito comum entre os miúdos de hoje, que querem todos ser cantores e actores ou modelos).

Deve ser dos mesmos psicólogos – que noutros contextos argumentam que as crianças vêem demasiada televisão e passam demasiado tempo em frente ao computador – a ideia de que “os alunos do primeiro ciclo deviam ter jogos de playstation nas escolas, e a convicção de que “as aulas de substituição não deixam espaço para a socialização”. É a opinião dos “especialistas”, pelo menos. Contudo, há “especialistas” que defendem a inclusão do Inglês no plano curricular do 1º ano (sim, quando as crianças, que têm 5 ou 6 anos, gostam mesmo é de brincar, e nem Português correcto sabem falar), de modo a evitar as desigualdades (?!). Ou seja, as crianças portuguesas deveriam ter, na rede de escolas portuguesas, tantos anos de Inglês como de Português. Já agora, e por que não propor também o Francês, o Alemão e o Espanhol? Assim, os putos teriam ainda menos tempo para brincar e ver televisão, jogavam playstation na escola e quando chegassem a casa, às tantas, vinham já tão cansados que só tinham de jantar e dormir. Já agora, podiam ainda inventar uma disciplina onde ensinassem aos miúdos os nomes dos pais e dos irmãos, aquelas pessoas que eles só veriam uns minutinhos à mesa e antes de deitar. Não sou “especialista”, mas deixo a sugestão.

4 comentários:

  1. E com a falta de actividade dos estudantes de hoje dia, não há-de tardar muito para que "Recreio" passe a disciplina. Mais uma para teorizar e acrescentar uns quilos ao pneu. Beijinhos.

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  2. Gostei da frase de arranque... e do resto do post, claro está. Quanto aos putos, bem que podiam dar-lhes mais umas horas de lições de civismo: semear hoje para colher amanhã.

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  3. Obrigados, meus caros, por mais uma agradável visita vossa a este meu humilde estaminé. Voltainde sempre, que soindes bem-vindos! :)

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  4. Agora também querem por a playstation como curricullum na primária....
    Olha que bem !!!!
    Já quase não falta nada

    cumprimentos
    JM

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