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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Faro acolhe exposição fotográfica internacional sobre bullying


A Biblioteca Municipal de Faro vai acolher, entre os dias 7 e 30 deste mês, uma exposição fotográfica de grande dimensão subordinada à temática do bullying. O «Alena’s Project» resulta de uma iniciativa da Peace and Art Society (associação internacional de arte com sede na capital algarvia), inédita no nosso país, e reúne 123 trabalhos, de autores representativos de 110 países, do Bornéu à Nova Zelândia e da Argentina a Cuba.

A inauguração desta mostra terá lugar pelas 21h30 do próximo sábado, numa cerimónia em que subirá ao palco o Coral Óssonoba e haverá depois a projecção de um filme alusivo ao problema do bullying, que tem estado na ordem do dia um pouco por todo o mundo, seguidos de um debate que contará com a presença de Lusine Breitscheidel, mentora da exposição, que no seu site explica um pouco do conceito da mostra. O «Alena’s Project» já correu o mundo, tendo sido exibido em cidades como S. Petersburgo, na Rússia, ou Ubá, no Brasil, e a sua passagem por Faro coincidirá com a I Exposição Internacional de Arte, outra iniciativa da Peace and Art Society, a ter lugar na sua sede, a Casa do Sabino, à Alameda João de Deus.

O «Alena’s Project» começou em 2011, na cidade alemã de Munique, quando Lusine Breitscheidel, mãe de Alena, então com nove anos de idade, percebeu que a menina era recorrentemente vítima de abusos físicos e emocionais na reputada escola que frequentava. Após várias tentativas frustradas para pôr fim ao sofrimento da filha, Lusine, que é artista plástica, teve uma ideia que rapidamente pôs em prática, e que em apenas alguns meses começou a fazer sucesso: apelou a dezenas de artistas de todo o mundo – pintores, fotógrafos e escultores, entre outros –, a quem pediu que posassem para a posteridade com uma fotografia de Alena. As várias fotografias assim obtidas foram “coladas” num selo que tem corrido o planeta, num extraordinário movimento solidário a que a cidade de Faro agora se associa.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Das modas mais inofensivas aos jogos perigosos na internet…


Primeiro surgiram as selfies. Milhões de pessoas em todo o mundo aderiram à ideia publicaram nas redes sociais auto-retratos nas mais diversas situações, das simplesmente divertidas às mais absurdas. Mas a coisa não ficou por aqui! Como qualquer conceito que “vira” moda, também este foi sendo sucessivamente adaptado: surgiram então as felfies (auto-retratos com animais de estimação), as belfies (fotos ousadas, normalmente em frente ao espelho, que evidenciam determinados atributos físicos dos fotografados), e mais recentemente as after-sex selfies (fotos de casais depois das relações sexuais que são partilhadas no Facebook ou no Instagram). 

Mas há mais: há vídeos virais com as músicas do momento (quem não se lembra dos fenómenos «Harlem Shake» e «Gangnam Style»?) e há coisas como memes, planking, horsemannig, owling, teapotting, condom chalenge e neknominate, por exemplo. Se estas são palavras que não lhe dizem muito, este artigo é para si! Leia e descubra as manias mais ou menos imbecis, e algumas até perigosas, que vêm conquistando adeptos em todo o mundo.

Selfies
Uma selfie é um auto-retrato simples. De câmara ou smartphone na mão, qualquer um de nós pode colocar-se em pose e fotografar-se as vezes que entender até encontrar o “clique perfeito” que quer partilhar com os outros. É uma moda que surgiu há já alguns anos, antes mesmo de ter sido baptizada dessa forma, e que em princípio não encerra grandes riscos para o fotografado;

Felfies
Depois das selfies, também as felfies fizeram enorme sucesso nas redes sociais. São fotografias em que uma pessoa se fotografa na companhia do seu animal de estimação, em pose simples ou de brincadeira, e que suscitam normalmente a ternura de quem as observa;

Belfies
Numa nova adaptação do conceito de selfie, esta é uma tendência que agrada especialmente às jovens e adolescentes do sexo feminino, que se fotografam em poses supostamente sensuais, normalmente em frente a um espelho, e que visam evidenciar atributos físicos das retratadas, em especial o rabo ou a zona do peito;

After-sex selfies
E depois de ousar na evidência dos atributos físicos tidos como mais relevantes, houve quem quisesse avançar no grau de intimidade partilhada na internet, fotografando-se em casal, ainda na cama, depois das relações sexuais. Esta é uma das modas mais recentes nas redes sociais e está a fazer particular furor no Instagram;

Bico-de-pato ou esparguete
Modas transitórias nas redes sociais foram a das “fotos bico-de-pato”, em que os retratados, geralmente do sexo feminino, adoptam uma postura bocal que faz lembrar o bico do animal, ou a das fotos em que a pessoa está simplesmente a comer esparguete…

Memes
Esta moda consiste na junção de imagens e frases que reflectem a expressão facial que fazem as pessoas quando dizem essas frases, ou que evidenciam a ironia de algumas situações;

JOGOS MAIS OU MENOS PERIGOSOS

Condom Chalenge
Esta é uma moda que consiste em introduzir um preservativo pelo nariz e conseguir puxá-lo pela boca. Não será uma ideia muito usada em Portugal, mas um pouco por todo o mundo há muitos jovens a fotografar-se enquanto cumprem este desafio;

Owling
Este será um dos mais inofensivos, e porventura divertidos, jogos em voga nas redes sociais: é o simples registo fotográfico do momento em que alguém imita a pose de um mocho, e se há quem o faça sem grandes requintes, há quem leve mesmo a sério a imitação…

Teapotting
Numa variante igualmente inofensiva (mas também um bocadinho imbecil) do owling, surgiu o teapotting, que consiste, nada mais nada menos, em alguém fotografar-se no momento em que assume, com os braços, a posição de um bule de chá;

Horsemannig
Já um pouco mais trabalhosa é esta tendência, em que duas pessoas se juntam para fazer uma fotografia em que parecem ser apenas um, e decapitado…

Planking
E se no Horsemannig há quem se faça de morto, com o Planking houve mesmo mortes reais a lamentar. É que o jogo consiste em registar imagens de pessoas que se deitam, na posição mais rigidamente horizontal que conseguirem, com o rosto inexpressivo e os braços estendidos ao longo do corpo. O problema é que, querendo inovar e ousar mais, alguns dos fotografados terão ido demasiado longe, colocando-se em lugares perigosos, como varandas, de onde caíram…

Neknominate 
Este é mais um dos jogos mais absurdos e perigosos das redes sociais, mas que tem cativado milhões de jovens em todo o mundo: consiste em alguém beber grandes quantidades de álcool e realizar, ao mesmo tempo, uma qualquer proeza física, terminando a prova com um desafio a um amigo para que faça algo do género nas próximas 24 horas.

Haverá mais tendências deste género, e todos os dias nascem novas manias, mas estas têm sido as preferidas dos utilizadores das redes sociais, que muitas vezes ignoram o risco de algumas, ou que assumem correr esse risco, às vezes com consequências muito negativas. Fenómenos virais que alguns especialistas na área da Psicologia têm criticado, mas que prometem continuar a cativar muita gente por esse mundo fora…

sexta-feira, 1 de abril de 2011

«Óbidos Pinholando» - Fotografia estenopeica


O meu amigo António Campos Leal inaugura, no próximo dia 15 de Abril, no Centro de Design de Interiores de Óbidos, a exposição fotográfica «Óbidos Pinholando», que estará patente naquele espaço desde o dia seguinte até 15 de Maio. Trata-se de uma iniciativa que congrega a instalação, a exposição de fotografia estenopeica e a mostra de câmaras e oficina, e que promete momentos deliciosos a todos os apaixonados pela imagem em geral e pela fotografia estenopeica em particular. Dono de uma personalidade forte e vincada, de uma assinalável cultura geral e de uma voz sonante e crítica, António Campos Leal é um verdadeiro apaixonado pela luz que irradia da fotografia. Dinamizador do blog Buraco de Agulha, participa também de uma extensa lista de outros espaços virtuais dedicados a esta área, onde partilha interesses, paixões e conhecimentos.

De acordo com a Wikipédia, “uma câmara pinhole é uma máquina fotográfica sem lente”, sendo a sua designação proveniente da expressão britânica “pin hole”, que significa precisamente “buraco de agulha”. A fotografia estenopeica parte, portanto, da utilização de uma caixa em que a luz não penetra senão por um pequenino orifício, através do qual se obtém uma imagem real invertida, que é projectada para a parede oposta ao pin hole. “Para produzir uma imagem razoavelmente nítida, a abertura tem de ser um furo pequeno, na ordem dos 0,5 mm, ou menos. O obturador da câmera pinhole consiste geralmente numa mão espalmada ou num qualquer material à prova de luz que cobre e descobre o furo. Estas câmaras requerem maior tempo de exposição do que as câmaras convencionais (entre cinco segundos e mais de uma hora).

domingo, 30 de janeiro de 2011

«Narrativas Brasileiras» no CPF

Eis outra exposição patente no Centro Português de Fotografia a cuja inauguração assisti ontem e que, como no caso do trabalho do Mário Mesquita, recomendo vivamente! Para ver até 27 de Fevereiro!

Mário Mesquita expõe «Terras de Sol e de Dor»

Tive ontem o grato prazer de reencontrar o meu querido amigo Mário Mesquita (de quem já vos falei aqui e aqui) no Centro Português de Fotografia, onde ontem à tarde ele inaugurou a sua mais recente exposição, «Por Terras de Sol e de Dor». Acedendo ao seu convite, que muito me honrou, encontrei-o com o mesmo ar despenteado e o mesmo sorriso quase envergonhado que lhe conhecia de outros tempos, e deixei-me perder, uma vez mais, pelo maravilhoso conjunto de fotos que, segundo me disse, reuniu ao longo de cerca de ano e meio, em viagens sucessivas ao longo das margens do Douro, do Porto até Freixo-de-Espada-à-Cinta.

Esta exposição, que estará patente no Centro Português de Fotografia até 22 de Maio, é o resultado de uma longa reportagem fotográfica que levou o Mário a deliciosos recantos do Vale do Douro, percorrendo as mais pequeninas localidades de concelhos como Porto, Vila Nova de Gaia, Gondomar, Valongo, Paredes, Penafiel, Marco de Canaveses, Baião, Vila da Feira, Castelo de Paiva, Cinfães, Resende, Mesão Frio, Santa Marta de Penaguião, Peso de Régua, Sabrosa, Alijó, Carrazeda de Ansiães, Torre de Moncorvo, Freixo-de-Espada-à-Cinta, Lamego, Armamar, São João da Pesqueira, Meda, Vila Nova de Foz Côa, Figueira de Castelo Rodrigo. Insere-se, como refere o catálogo, “no âmbito de um projecto de recolha visual de uma área de Portugal muito martirizada nos últimos anos pela fúria galopante da litorização, que lhe foi tirando gente e desestruturando as suas comunidades”, e constitui “um registo documental sobre o Vale do Douro, região construída por quem lá habitou e pelos poucos que lá ficaram”.

No seu discurso de inauguração da exposição, Mário Mesquita informou-nos de que não há neste trabalho qualquer preocupação de embelezamento do objecto retratado. Esta é a realidade que ali se vive, filtrada apenas pela interpretação de um homem, munido da sua câmara fotográfica e de um olhar atento a todas as pequenas coisas – a mostra vive muito de pormenores que passariam ao lado de muitos dos visitantes destes lugares, mas que nas fotografias do Mário ganham vida própria e nos captam os sentidos. Este é, por isso, “um trabalho de matriz realista, através do qual se dá nota do que ainda hoje pode ler-se da expressão tectónica, territorial e social do sistema de lugares ao longo deste território, unido por traços de identidade comuns muito fortes, mas diverso pelas suas múltiplas texturas. Realizado a partir do estudo da invenção da imagem das aldeias que o compõem, traça-nos o retrato de um processo declarado de abandono e perda cultural gritante que urge inverter”.

Pela parte que me toca, resta-me dizer apenas que adorei a exposição, que me identifiquei com muitas das imagens, apesar de nunca ter estado na esmagadora maioria dos lugares retratados. Em diversas fotografias, alinhadas em mais de 200 painéis que povoam quatro salas do piso térreo do histórico e lindíssimo edifício do CPF, senti uma afinidade tal com o olhar do Mário que comentei com a Lídia e o Carlos, dois amigos que me acompanharam no evento, que se lá tivesse estado, com a minha máquina fotográfica na mão, teria, muito provavelmente, guardado para a posteridade aqueles mesmos lugares, aqueles mesmos enquadramentos. Certamente não com a mesma qualidade, com o mesmo respeito pela técnica que para mim é ainda desconhecida, mas com a mesma paixão pela descoberta de lugares tão preciosos em recantos tão escondidos.
Ao Mário, resta-me agradecer o convite, a partilha e o sorriso e das memórias partilhadas na curta conversa que tivemos. E o desejo de que continue a surpreender-nos com o seu magnífico trabalho. Porque quero estar também nas próximas exposições! Até lá!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Liberté, de Paul Eluard

Foto: Mente Despenteada


Sur mes cahiers d'écolier
Sur mon pupitre et les arbres
Sur le sable sur la neige
J'écris ton nom

Sur toutes les pages lues
Sur toutes les pages blanches
Pierre sang papier ou cendre
J'écris ton nom

Sur les images dorées
Sur les armes des guerriers
Sur la couronne des rois
J'écris ton nom

Sur la jungle et le désert
Sur les nids sur les genêts
Sur l'écho de mon enfance
J'écris ton nom

Sur les merveilles des nuits
Sur le pain blanc des journées
Sur les saisons fiancées
J'écris ton nom

Sur tous mes chiffons d'azur
Sur l'étang soleil moisi
Sur le lac lune vivante
J'écris ton nom

Sur les champs sur l'horizon
Sur les ailes des oiseaux
Et sur le moulin des ombres
J'écris ton nom

Sur chaque bouffée d'aurore
Sur la mer sur les bateaux
Sur la montagne démente
J'écris ton nom

Sur la mousse des nuages
Sur les sueurs de l'orage
Sur la pluie épaisse et fade
J'écris ton nom

Sur les formes scintillantes
Sur les cloches des couleurs
Sur la vérité physique
J'écris ton nom

Sur les sentiers éveillés
Sur les routes déployées
Sur les places qui débordent
J'écris ton nom

Sur la lampe qui s'allume
Sur la lampe qui s'éteint
Sur mes maisons réunis
J'écris ton nom

Sur le fruit coupé en deux
Dur miroir et de ma chambre
Sur mon lit coquille vide
J'écris ton nom

Sur mon chien gourmand et tendre
Sur ses oreilles dressées
Sur sa patte maladroite
J'écris ton nom

Sur le tremplin de ma porte
Sur les objets familiers
Sur le flot du feu béni
J'écris ton nom

Sur toute chair accordée
Sur le front de mes amis
Sur chaque main qui se tend
J'écris ton nom

Sur la vitre des surprises
Sur les lèvres attentives
Bien au-dessus du silence
J'écris ton nom

Sur mes refuges détruits
Sur mes phares écroulés
Sur les murs de mon ennui
J'écris ton nom

Sur l'absence sans désir
Sur la solitude nue
Sur les marches de la mort
J'écris ton nom

Sur la santé revenue
Sur le risque disparu
Sur l'espoir sans souvenir
J'écris ton nom

Et par le pouvoir d'un mot
Je recommence ma vie
Je suis né pour te connaître
Pour te nommer
Liberté.
Paul Eluard
in «Poésies et Vérités», 1942

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ao cair da noite, o Porto encontra o céu...



Fotos: Mente Despenteada

Um mágico cair da noite na minha cidade.
Há dias que terminam assim, entre cores e descobertas.
Entre olhares e silêncios e decisões anunciadas.
Há dias em que o princípio e o fim
Se confundem
Na bruma que somos nós,
Gigantes imensos, enclausurados
Na pequenez de um corpo.
Humano…

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"A cidade das aldeias", by Mário Mesquita

aqui vos falei do Mário. O “Super Mário”, que num dos momentos mais conturbados da vida de um grupo de pessoas que começaram por ser colegas e depois se tornaram amigas, se destacou pela generosidade de um gesto. O Mário tem patente uma nova exposição, e é em honra dele que aqui vos deixo o texto de apresentação da mesma, com a certeza – e a promessa – de que, assim que puder, também lá darei um salto. A exposição está patente no Centro Português de Fotografia (Sala Aurélio da Paz dos Reis), na cidade do Porto, até ao próximo dia 28 de Junho de 2009. Apareçam, que o autor merece! Ao grande Mário, o abraço do costume! Até breve!


“A Cidade das Aldeias
– Traços de ruralidade no Porto contemporâneo”

O presente trabalho, realizado sob a forma de reportagem fotográfica e vídeo, visa possibilitar a leitura do que subsiste dos antigos Lugares da cidade do Porto e dos caminhos entre eles, registando e divulgando o que ainda hoje se pode observar, revelador de uma forma de assentamento e formação de território, de construção e de vivência de uma outra cidade, a cidade das aldeias, que corre o sério risco de ser literalmente engolida pela velocidade desenfreada própria dos dias em que vivemos, resultado das dinâmicas de desestruturação urbana e social que, infelizmente, vão esquecendo estes espaços, as suas gentes e os conjuntos edificados.

Comparando a planta da cidade do Porto desenhada sob a direcção de Augusto Teles Ferreira e impressa no ano de 1892 com a cidade actual verificamos que, ainda hoje, subsiste uma substrutura rural que, à época, constituía uma rede de caminhos e lugares exteriores ao centro urbano em processo de consolidação. Esses lugares, aquando da delimitação administrativa da cidade ocorrida no final do século XIX, seriam integrados no perímetro urbano, ficando a Estrada de Circunvalação como linha de fronteira da nova cidade que acolhia no seu interior um conjunto de lugares e de freguesias novas, incorporava áreas de freguesias vizinhas e deixava de fora algumas parcelas de terreno, que, embora pertencentes ao concelho, sempre foram consideradas exteriores à cidade que se havia circunvalado.

Pela imagem, pretende-se tornar pública essa outra cidade que abrange, na área geográfica do concelho do Porto, núcleos como Pinheiro de Campanha, S. Pedro, Azevedo, Areias, Contumil, Pego Negro, Granja, Vila Cova, Campo, Aldeia Nova do Monte, Fojo, Águas Férreas, Outeiro do Tine, Aval de Baixo, Ramalde do Meio, Vilanova de Cima, Furamontes, Ribeirinho, Campinas, Arrábida, Olivais, entre muitos outros lugares que nos vão falando de percursos, de espaços, de construções e de gentes.

O sentimento de viver periférico, presente nos lugares visitados, poderá, um dia, vir final e felizmente a desaparecer e dar lugar a uma realidade policêntrica, assente em contínuos de território, o qual, ligado por redes e canais, será capaz de unir e esbater as sensações de dentro e fora, contribuindo para minimizar a sensação de centro e periferia, quer no plano físico quer no plano das mentalidades e sentimentos, consolidando e dando espessura ao tecido urbano. Assim, as redes vão-nos ligar os pontos e os canais vão-nos traçar as rectas e articular a sobreposição das redes, cosendo-as ao concelho ao qual pertencem e aos concelhos limítrofes, promovendo um tecido forte e coeso, permitindo que não sejam áreas conflituantes, mas sim conjugadas e convergentes num só objectivo: a ampliação da cidadania e a gestão participada do território municipal pelas populações, comprometendo todos num esforço unitário, em busca de uma estrutura onde todos tenham lugar.

Este é um trabalho de recolha e fixação de imagens e ambientes que se formalizam num documento visual unitário, contributo para que a memória do território, das construções e das pessoas que o foram fazendo, não se perca no tempo. É um registo fotográfico que permite pensar que, numa cidade equilibrada, esta diversidade de ocupação do solo ajuda a qualificar o ambiente urbano, oferecendo a leitura de várias épocas históricas, de vários tempos, de vidas que podem, trinta e cinco anos passados sobre o 25 de Abril, se todos quisermos, coexistir em harmonia, derrubando a última muralha desta cidade e pensar, quando falamos de Área Metropolitana do Porto, mais do que na metropolitanidade, na rur-urbanidade.

E é um sentimento que defino assim:


I
Sobretudo o tempo,
somente as horas,
decerto os dias não serão mais
iguais sem ti.

Na rota das imagens,
procurando no espaço,
decerto te não verei mais
para além da curva da estrada.

No entanto, à sombra dos dias que,
docemente, visitamos por aí,
por certo fica o terno e doce sentimento de amor eterno.

II
Para hoje não há poemas
possíveis. Só as letras das palavras.

Para hoje, não há poemas.
Possíveis, só as letras das palavras.

Para hoje não há. Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

Para hoje não. Há poemas?
Possíveis só. As letras das palavras.

Para hoje? Não! Há Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

E as imagens.

III
E então, da estrangulada perspectiva
do horizonte nos resta a imensidão
dessas palavras de que falávamos atrás,
dos gestos e olhares que combinavam
somente para ser dia, decerto para ser nosso.

E então, por entre as cordas da amizade,
perpassa essa luz aberta que nos faz viver
regulando contrastes
e nos conduz
e nos desvia,
e nos seduz,
sempre que pensamos cidade,
liberdade.


Mário João Mesquita
Porto, 25 de Abril de 2009

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Porque a fotografia é o momento...

O croata Zoran Primorac, captado pela objectiva de um dos muitos milhares de fotógrafos que asseguram a cobertura jornalística dos Jogos Olímpicos de Pequim, na China, num momento dos quartos-de-final de ping-pong.
Foto: Dennis M. Sabangan (EPA/Lusa)