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quinta-feira, 17 de julho de 2014

Infarmed avisa: venda de sabonetes que parecem alimentos é proibida


A Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) lançou ontem um alerta para o que diz ser um aumento do comércio de sabonetes ilegais, sobretudo de fabrico artesanal, que, pela forma, pela cor, pelo odor ou mesmo pela embalagem, podem ser confundidos com alimentos.

Em comunicado, aquela entidade recorda que a comercialização desse tipo de produtos é proibida por legislação nacional e europeia, já que estes produtos poderão pôr em causa a segurança dos utilizadores e, no caso de crianças, provocar acidentes, asfixias ou intoxicações. No mesmo documento, o Infarmed avisa que “as entidades que fabriquem ou distribuam este tipo de produtos têm de tomar as medidas necessárias para suprimir a perigosidade de tais produtos e colocarem no mercado apenas aqueles que cumpram a legislação aplicável”, vincando que os produtos que não estejam de acordo com este princípio não poderão ser vendidos. 

A mesma fonte explica que “os consumidores não devem comprar produtos cosméticos semelhantes a alimentos”, acrescentando que, no caso de já os terem adquirido, deverão optar pela sua não utilização, podendo ou não destruí-los, mas mantendo-os sempre fora do alcance dos mais pequenos. “A violação das disposições legalmente previstas será punida em conformidade”, assegura a mesma autoridade na conclusão do comunicado.

domingo, 6 de julho de 2014

Câmara de Alcoutim vai oferecer cinco mil euros a cada recém-nascido

A Câmara Municipal de Alcoutim decidiu apoiar os agregados familiares do concelho com uma verba de 5.000 euros por cada recém-nascido, a atribuir ao longo dos primeiros três anos de vida da criança. A medida insere-se no Programa de Incentivo à Natalidade e Apoio à Família e pretede combater a baixa taxa de natalidade e promover a fixação de jovens.

Esta medida destina-se às famílias residentes e recenseadas no concelho e visa essencialmente combater problemas prementes e preocupantes como a diminuição da natalidade, envelhecimento populacional e consequente despovoamento, mas também melhorar as condições de vida dos estratos sociais mais desfavorecidos e impulsionar a economia local do concelho.

O programa de Incentivo à Natalidade e Apoio à Família “traduz-se num subsídio pecuniário sob a forma de reembolso de despesas elegíveis, a atribuir aos nascimentos ocorridos, com a aquisição de bens e serviços considerados indispensáveis ao desenvolvimento saudável e harmonioso da criança, designadamente despesas com saúde, higiene, aquisição de artigos de puericultura e produtos alimentares, bem como despesas com infantário”, explica a autarquia. As despesas comparticipadas têm que ser realizadas nos estabelecimentos comerciais do concelho, revestindo-se assim o programa com uma dupla função que visa a dinamização económica do comércio local.

A candidatura ao incentivo deverá ser formalizada no Gabinete de Ação Social da Câmara Municipal, nos três primeiros meses de vida da criança, através de formulário próprio acompanhado dos respetivos documentos individuais. A autarquia garante que a atribuição do incentivo à natalidade “será operacionalizada, no prazo máximo de um mês, após o requerente apresentar os documentos comprovativos da realização da despesa”. O projeto de regulamento do programa já foi aprovado em reunião da Assembleia Municipal, na passada sexta-feira, 27 de junho, seguindo agora para apreciação pública, para recolha de sugestões, durante 30 dias a contar da data de publicação em Diário da República.

Fonte: Jornal do Algarve

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Faro acolhe exposição fotográfica internacional sobre bullying


A Biblioteca Municipal de Faro vai acolher, entre os dias 7 e 30 deste mês, uma exposição fotográfica de grande dimensão subordinada à temática do bullying. O «Alena’s Project» resulta de uma iniciativa da Peace and Art Society (associação internacional de arte com sede na capital algarvia), inédita no nosso país, e reúne 123 trabalhos, de autores representativos de 110 países, do Bornéu à Nova Zelândia e da Argentina a Cuba.

A inauguração desta mostra terá lugar pelas 21h30 do próximo sábado, numa cerimónia em que subirá ao palco o Coral Óssonoba e haverá depois a projecção de um filme alusivo ao problema do bullying, que tem estado na ordem do dia um pouco por todo o mundo, seguidos de um debate que contará com a presença de Lusine Breitscheidel, mentora da exposição, que no seu site explica um pouco do conceito da mostra. O «Alena’s Project» já correu o mundo, tendo sido exibido em cidades como S. Petersburgo, na Rússia, ou Ubá, no Brasil, e a sua passagem por Faro coincidirá com a I Exposição Internacional de Arte, outra iniciativa da Peace and Art Society, a ter lugar na sua sede, a Casa do Sabino, à Alameda João de Deus.

O «Alena’s Project» começou em 2011, na cidade alemã de Munique, quando Lusine Breitscheidel, mãe de Alena, então com nove anos de idade, percebeu que a menina era recorrentemente vítima de abusos físicos e emocionais na reputada escola que frequentava. Após várias tentativas frustradas para pôr fim ao sofrimento da filha, Lusine, que é artista plástica, teve uma ideia que rapidamente pôs em prática, e que em apenas alguns meses começou a fazer sucesso: apelou a dezenas de artistas de todo o mundo – pintores, fotógrafos e escultores, entre outros –, a quem pediu que posassem para a posteridade com uma fotografia de Alena. As várias fotografias assim obtidas foram “coladas” num selo que tem corrido o planeta, num extraordinário movimento solidário a que a cidade de Faro agora se associa.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Dos ateliers patéticos que o GaiaShopping organiza para as crianças...


Dizem que são “ateliers de ideias”, “actividades lúdico-pedagógicas gratuitas que irão proporcionar aos mais pequenos conteúdos didácticos interessantes, num ambiente descontraído e pautado por muita diversão”. Decorrem aos fins-de-semana no centro comercial GaiaShopping, em Vila Nova de Gaia. «Vem aprender a ser milionário» é o nome do atelier deste mês, que, de acordo com a organização, assume o “desafio” de “ensinar aos pequenos génios como poderão ser verdadeiros milionários”. Ficamos então a saber que todos os putos são génios e que também haverá milionários falsos. Claro que os adultos não têm de ser génios (bastará que tenham dois dedos de testa) para perceber que isto é uma patetice pegada, saída da cabeça de alguém que vive a admirar o próprio umbigo e têm da infância uma visão distorcida e idiota. À sua imagem e semelhança…

A primeira sessão desta bela estopada ocorre nos dias 7 e 8 e aborda o conceito de «Criação de valor». É a ocasião perfeita para fechar numa sala meia dúzia de criancinhas, privando-as de brincar, apanhar sol e conviver com outras crianças de forma natural e autónoma, para lhes meter na cabeça ideias mal amanhadas de quais devem ser os principais objectivos de uma pessoa. Afinal que interessa o mérito, a justiça, a solidariedade, o companheirismo ou a simples brincadeira despreocupada?! O que importa é ter o dinheiro, apenas o dinheiro, como objectivo de vida. O poder como meta. A paixão cega pelo que é comprável, em detrimento do tudo o que são valores, sentimentos, emoções…

Depois deste fabulástico arranque, a iniciativa prossegue nos dois fins-de-semana seguintes, com acções cujos títulos dispensam comentários: «Valor do produto» (14 e 15 de Junho) e «Como vender» (21 e 22 de Junho). Nos dias 28 e 29 encerra o programa, com a realização de uma «Feira de talentos» em que os pequenos aprendizes terão uma banca para expor os produtos que criaram e vendê-los, por iupis (uma moeda inventada para este efeito), aos seus convidados. Resta informar que todas as actividades que integram estes “ateliers de ideias” são gratuitas e decorrem no piso 0 do GaiaShopping, entre as 11 e as 20 horas, ou seja, pais e filhos ficam presos num centro comercial todos os dias de todos os fins-de-semana de Junho! Qual praia, qual quê?! Qual piscina?! Visitar familiares?! Conhecer museus?! O que é isso tudo, diante da possibilidade de aprender a ser milionário?!

Quem me alertou para isto foi o meu primo Nuno, pai consciente e psicólogo de formação, mas nada diz mais ou melhor sobre este assunto do que a mensagem que ele enviou ao GaiaShopping e que transcrevo aqui e agora: “Perplexidade é a palavra que melhor resume a vossa acção para o público infantil, este mês. Os vossos ateliers "Valor do Produto", "Criação de Valor", "Como Vender" e "Feira de Talentos" são algo abominável para qualquer pai consciente do que é o melhor para o seu filho. Mas como não sabem, passo a explicar. Ser feliz, brincar, crescer em harmonia e sem a responsabilidade de um futuro que não seja imediato. Não sei de quem possa ter vindo a ideia de tal brilhante acção, mas está certo que foi validada, o que demonstra claramente aquilo que está na cara de todos... Estes e outros ateliers não são para as crianças. São para os vossos egos e para alimentar a vossa deturpada noção de infância, onde o preparar de um futuro repleto de sucesso (financeiro) é melhor e mais importante do que o saudável e feliz crescimento sustentável, onde os valores da família, amizade, entre outros, são relevados para 5º plano”.

E prossegue o Nuno, numa tomada de posição que apoio por completo: “Este projecto que anunciam é de uma brutal falta de bom senso e será alvo de queixa nas instituições competentes. Não é possível que possam apresentar actividades direccionadas para crianças tão travestidas daquilo que menos importa: o dinheiro, o sucesso, a fama, o vazio, ao invés de estimular as competências próprias da idade, que é dar carácter, moral, integridade, bom senso. Bem, mas não preciso de vos explicar nada. Já percebi que tipo de pais são, independentemente do tipo de profissionais que serão. E um evento destes devia ser norteado mais pelos pais que deveriam ser e muito menos pelo profissional, dado que, afinal, é para crianças. Um pai atento, preocupado e investindo naquilo que é realmente importante não deixaria passar isto. Por aí não há nenhum, infelizmente. Pena das vossas crianças”.

Obrigada, Nuno! Mesmo não tendo filhos sei avaliar o pai que és. Mesmo não sendo especialista na área, sei que és uma pessoa atenta aos fenómenos da psicologia e da cognição. Sei que sabes do que falas e, pelo menos neste caso, sei que estás coberto de razão. E que recusaste ficar calado. Obrigada por isso.