sábado, 29 de novembro de 2008

«O Primeiro de Janeiro» faz 140 anos

No dia 1 de Dezembro de 1868, no culminar da revolta portuense da «Janeirinha», nasceu o jornal «O Primeiro de Janeiro». Ao longo de 140 anos, o periódico foi ganhando importância, tornando-se no principal jornal de referência em Portugal, no período da ditadura salazarista. Nascido numa revolta contra a política fiscal do Governo de Fontes Pereira de Melo, «O Primeiro de Janeiro» atravessou outros períodos conturbados, como a transição para o regime democrático, acabando por se debater com a mais grave crise da sua história, na década de 1980, quando o seu vasto património foi desbaratado. O jornal foi persistindo, na década seguinte, mas já sem o seu emblemático edifício na Rua de Santa Catarina, e sem muitos dos grandes profissionais que ajudaram a consolidar o título a nível nacional.

Foi nesta altura, no início dos anos 1990, que um empresário da indústria gráfica, de Oliveira de Azeméis, comprou a empresa detentora do jornal. Associando-se a um título que era sinónimo de prestígio, o empresário foi diversificando os seus negócios para as áreas da construção civil, águas engarrafadas, passando pela organização de espectáculos e agências de viagens. Nunca realizou, no entanto, qualquer investimento na redacção de «O Primeiro de Janeiro», que se manteve, desde 1990, na Rua Coelho Neto, no Porto, num espaço sem condições. No início da presente década, o mesmo empresário alterou a constituição da empresa fundadora do jornal, registada em 1919, mudou-lhe o nome para Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, SA, e transferiu a sede para Gondomar, para uma morada fictícia.

Já sob a direcção de Nassalete Miranda, e apesar do desinvestimento votado pelo empresário, o jornal foi conquistando espaço no panorama da imprensa regional do Norte, não tendo praticamente concorrentes. Todavia, no dia 31 de Julho de 2008, a directora, cumprindo ordens da administração da empresa, demitiu em bloco mais de 30 jornalistas e outros funcionários administrativos, sem uma justificação plausível, sem qualquer indemnização e com salários em atraso. Os jornalistas despedidos, que se viram obrigados de um momento para o outro, em pleno Verão, a lutar pela sua sobrevivência, não querem agora deixar de assinalar os 140 de existência de um dos mais importantes jornais que se publica em Portugal e para o qual contribuíram, por longos períodos, com muito esforço e dedicação.

Os jornalistas despedidos de «O Primeiro de Janeiro» reúnem-se amanhã, domingo, pelas 21 horas, num jantar comemorativo dos 140 anos do diário portuense, no Restaurante Mar Norte, na Rua Mouzinho da Silveira, na cidade do Porto. Assinalam o aniversário do jornal, manifestando respeito pelos seus leitores, pelas suas fontes, pelos antigos trabalhadores e por todos aqueles que demonstraram solidariedade com os seus despedimentos ilegais.

Estado de graça

Uma amiga é uma irmã escolhida por nós. É alguém que amamos como se fosse parte de nós, um pozinho da nossa existência, que nos diz muito num olhar, que nos toca no coração com a simplicidade de um laço de sangue, com quem partilhamos tanto da nossa vida e do nosso pensamento que de repente parece estar dentro de nós, mesmo que o ritmo a que nos movemos diariamente nos mantenha fisicamente mais longe do que desejaríamos estar. Uma amiga casada e feliz transforma-se em dois irmãos a quem queremos tanto como se fossem realmente da família. Por isso, a minha família está em estado de graça, e este é o tamanhão do meu sobrinho! :)

Esta imagem, que recebi acompanhada de um “Olá, tia. Já estou muito grande”, deixou-me de lágrimas nos olhos. É com base em sensações como esta que se constrói a felicidade. Obrigada, Raquel e Rodrigo! Estamos (todos) em estado de graça.

sábado, 22 de novembro de 2008

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Se não fosse aquele "e"...

Como eu gostava que o Oliveira (e) Costa detido fosse outro (ainda que pudessem deter também este, claro)! Mas, se fosse esse o caso, e o detido fosse aquele que vocês sabem, seria muito pouco provável que este jornal falasse no assunto...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Os meus dois mundos

Todas as cidades deviam ter um rio. E um fim de tarde ameno, um dourado de Outono a espraiar-se nos olhos, como que a dizer adeus, na linguagem da alma, ao cansaço que se vai apoderando do corpo, mirradas as horas de sono. A circunstância de viver num permanente vai e vem entre duas cidades brinda-nos – além das dores de costas de quem anda sempre com as malas atrás e daquele espírito tão próprio de quem por vezes acorda a 130 quilómetros do emprego – com o melhor e o pior de dois mundos, numa vivência espartilhada por dois lugares diversos, mas que se ancoram no peito em recantos de similar encantamento. As minhas cidades, os meus dois mundos, são feitas de um rio e de uma cascata que se desenha nas suas margens, recortada do céu com a mestria de um artista sublime, deitando-se na memória dos olhares apaixonados que por ali deambulam. Quando se vive assim, cá e lá ao mesmo tempo, e se transporta no coração o calor da saudade, do que existe aqui e do que ficou lá, acende-se uma tocha dentro de nós. Quando temos, como eu tenho, duas cidades aos pés das quais nos deitamos – os pés molhados, a alma intensa –, duas cidades que se completam como eu e tu, aqui e aí também, nos completamos, então sabemos que a beleza existe. E eu, mais do que duas cidades, trago em mim as mais belas cidades do mundo…
PORTO (Foto: Luís Silva)
COIMBRA (Foto: Mente Despenteada)

domingo, 16 de novembro de 2008

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esta é particularmente bonita...

Não sei se gosto mais da manchete (são sempre do melhor humor que se faz em Portugal), ou se é daquela chamadinha quase discreta à notícia daquelas 2300 PME que recorrem aos apoios do QREN, lado a lado com a dos desvios de dinheiro para o Brasil (ele há coisas...). Também não é mau aquele "adeus e... até já" do reitor da U. (?) Lisboa... Lá que isto tem piada, tem…

Feliz aniversário, Mãe!


terça-feira, 11 de novembro de 2008

Memorando de (des)entendimento

De acordo com uma notícia avançada hoje pela Agência Lusa, o secretário de Estado adjunto e da Educação, Jorge Pedreira, terá afirmado que os sindicatos da Educação “perderam credibilidade como parceiros” no processo de negociação, e recordado que o memorando de entendimento assinado em Abril foi violado por aquelas estruturas, que deveriam ser representativas dos docentes. Eu conheço alguns professores, tenho amigos nessa vida, e entendo – como talvez não entenda a maioria das pessoas, para quem essa é uma realidade um pouco mais distante – algumas das críticas que fazem à avaliação de desempenho, nomeadamente ao modelo actual. Mas convenhamos… Se bem me recordo, essas violações ao acordo assinado tiveram lugar no dia seguinte, ou coisa que o valha! Aliás, estavam uns professores em São Bento a assinar o acordo com o Ministério da Educação e andavam outros a agendar protestos e paralisações para os dias seguintes. A Fenprof, pela boca do seu coordenador, Mário Nogueira, veio logo a público, poucas horas depois de ter assinado o memorando de entendimento, garantir que os protestos iam continuar. Efectivamente, que credibilidade pode ter alguém que assina um acordo e momentos depois anuncia a intenção de continuar a protestar?

sábado, 8 de novembro de 2008

Um preto na Casa Branca

Nota prévia: Barack Obama é preto. Ok, não é novidade (a não ser, talvez, para Silvio Berlusconi), mas será que foi por isso que ele ganhou as eleições? Ou terá sido porque soube apresentar o seu projecto e capitalizou o insucesso de Bush e dos republicanos? Já me cansa um pouco ouvir as pessoas dizer que o mundo mudou porque agora está um preto na Casa Branca. Caramba! Será que é mesmo assim tão importante que ele seja negro? Ou estamos a menosprezar a mais-valia de um homem, inteiro, e a resumir todo o seu potencial a uma mera contingência chamada cor de pele? Que fique claro que, se fosse americana, teria votado em Obama. Que fique claro que considero que é, de facto, histórica a sua eleição. É um sinal de que o mundo está em mudança, e está a mudar para melhor. Mas é apenas um homem que ganhou uma eleição. Num mundo justo e não racista, o tom da sua pele não teria a mínima importância…

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Presidenciais 2008


Será que lendo esta chamada à primeira página do jornal gratuito «Meia Hora», alguém se lembrará de que as eleições presidenciais não foram em Portugal, mas nos Estados Unidos? Ou será que foi para compensar o facto de em 2009 - o "ano de todas as eleições" - só não haver presidenciais no nosso cantinho?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

E haveria localização mais adequada?

Foto: Luís Silva

Caso «Janeiro» na barra do tribunal

Volvidos exactamente três meses e cinco dias sobre o despedimento colectivo ilegal de 32 jornalistas e três funcionários de «O Primeiro de Janeiro», o Tribunal do Trabalho do Porto dá hoje início ao julgamento. Para a primeira sessão, marcada para as 10h30, foram notificados os jornalistas sindicalizados e os representantes da administração da Sedico – Serviços de Edição e Comunicação, a empresa detentora do título até poucos dias antes do encerramento, que é igualmente alvo de um pedido de insolvência apresentado no Tribunal do Comércio de Gaia por um antigo trabalhador da empresa (há processos com mais de 20 anos). A sessão do julgamento destinada a ouvir os jornalistas não sindicalizados e os demais funcionários do centenário portuense terá lugar uma semana depois.

Entretanto, o Mente Despenteada recebeu a informação de que andará a circular pelas empresas de Leça da Palmeira, no concelho de Matosinhos, um comunicado da Junta de Freguesia em que se pede a “colaboração” dos empresários locais para com aquele jornal. Fontes bem informadas disseram tratar-se de uma circular em papel timbrado da autarquia, que dá conta da alegada edição de um caderno especial sobre o tecido empresarial local, mas um elemento do Executivo explicou que “a junta apenas acedeu a um pedido de um comercial de «O Primeiro de Janeiro», que nos solicitou aquele documento. Fizemos o comunicado, mas não andamos a distribuí-lo. Quem faz isso é o jornal”. Uma resposta meio tosca que, apesar de tudo, não me extingue a dúvida: será isto legal? Até que ponto pode uma junta de freguesia dar o seu beneplácito aos interesses de uma empresa privada? Será legítimo que a autarquia emita um comunicado, em papel timbrado, a pedir publicidade para um jornal? Não creio…

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Remodelações e despedimentos

Bem sei que o tempo é de crise e de vacas magras - diria mesmo escanzeladas -, mas ainda assim atrevo-me a fazer uma sugestão aos senhores editores e livreiros deste cantinho à beira-mar plantado: para quando um dicionário de Língua Portuguesa que, fazendo justiça à realidade, faça alinhar, como sinónimos, as palavras "remodelação" e "despedimento"? Não sei se já notaram, mas cada vez mais estes dois conceitos são usados de forma indistinta, como se fossem de facto uma e a mesma coisa! E nos últimos anos, muitos empresários portugueses praticaram este novo exercício. Depois do encerramento de «A Capital» e de «O Comércio do Porto» (após tentativas falhadas de remodelação, e daquele acto de absoluta perfídia no jornal «O Primeiro de Janeiro», agora é a revista «Visão» que entra em remodelação e, a pretexto de uma fusão com a redacção do «Expresso», atira borda fora (embora neste caso, tanto quanto julgo saber, com os ordenados em dia e todos os direitos legais reconhecidos) uns quantos jornalistas. Quando é que isto acaba, afinal?

Do anedotário tirsense

Não fosse o facto de esta história ter como cenário um cemitério, e atrever-me-ia a dizer que o que se tem passado na freguesia de São Martinho do Campo, no concelho de Santo Tirso, é de morrer a rir. E o que é que se passa? A Câmara Municipal investiu largos milhares de euros nas obras de ampliação do cemitério da freguesia, e agora anda o presidente da junta de freguesia a vender as sepulturas, acto para o qual não tem legitimidade ou competência legal (ainda mais depois de ter recusado a assinatura de um protocolo que previa a transferência dessa tarefa). Não contente com o facto de estar a incorrer numa desobediência à lei, o presidente da junta ainda garante vender mais campas e capelas, para ajudar a custear empreitadas como a que a junta assumiu no mesmo espaço, e que se traduziram na colocação de uma placa à porta do cemitério e na instalação de uma cobertura na pedra onde se reza a última oração! No passado dia 31 de Outubro, deslocou-se ao cemitério com os jornalistas da cidade, e foi lá que se referiu a estas alteraçõezinhas como “a obra do século”. Depois emendou, e disse que será, afinal, a “a referência deste mandato”. Uma lápide e um coberto! Estamos conversados sobre a obra feita no mandato da junta…

Soube desta magnífica empreitada no site do Santo Tirso Digital, que começa um texto ESCRITO COM OS PÉS a dizer que esta obra foi feita “a pensar nas senhoras e até nos homens”…

Bom dia!

É só para dizer que faço minhas as palavras dele. E que continuo um bocadito afónica...

Até jazz...