segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Remodelações e despedimentos

Bem sei que o tempo é de crise e de vacas magras - diria mesmo escanzeladas -, mas ainda assim atrevo-me a fazer uma sugestão aos senhores editores e livreiros deste cantinho à beira-mar plantado: para quando um dicionário de Língua Portuguesa que, fazendo justiça à realidade, faça alinhar, como sinónimos, as palavras "remodelação" e "despedimento"? Não sei se já notaram, mas cada vez mais estes dois conceitos são usados de forma indistinta, como se fossem de facto uma e a mesma coisa! E nos últimos anos, muitos empresários portugueses praticaram este novo exercício. Depois do encerramento de «A Capital» e de «O Comércio do Porto» (após tentativas falhadas de remodelação, e daquele acto de absoluta perfídia no jornal «O Primeiro de Janeiro», agora é a revista «Visão» que entra em remodelação e, a pretexto de uma fusão com a redacção do «Expresso», atira borda fora (embora neste caso, tanto quanto julgo saber, com os ordenados em dia e todos os direitos legais reconhecidos) uns quantos jornalistas. Quando é que isto acaba, afinal?

6 comentários:

  1. A "Capital" e "O Comércio do Porto" foram fechados porque o patrão decidiu que não ia continuar. Pura e simplesmente. Não houve qualquer remodelação encapotada de despedimentos ou vice-versa. Apesar de lamentar a perda dos dois títulos, penso ser preferível uma morte do que uma agonia como aquela em que sobrevive o Janeiro. Quanto ao caso do Expresso e da Visão.... grupos! Os "grupos" fazem isto. Esperem pelo que há-de acontecer ao Público, que só se mantém porque o Belmiro de Azevedo o considera o seu "luxo", como o próprio já referiu.
    Por outro lado, percebo o ponto de vista de quem paga os salários: afinal, todos sabemos que nas redacções há muitos pesos mortos. Normalmente a ganharem salários principescos. Para quê manter malta que não trabalha?

    ResponderEliminar
  2. O encerramento de «A Capital» e de «O Comércio do Porto» foi precedido de uma remodelação das redacções, que culminou justamente na alienação da sua propriedade a favor dos espanhóis da Prisa. Não terá sido uma remodelação com todas as letras, mas também não o foi nenhuma das outras. Concordo contigo quanto ao facto de que devemos eliminar os pesos mortos, e ambas sabemos que os há em todo o lado. Mas também sabemos que nem sempre são os que ganham mais, e nem sempre há ordenados principescos. Conheço muito boa gente, e acho que tu também, que ganhava pouco mais do que o salário mínimo nestas empresas, e que mesmo assim (ou talvez por isso), pouco mais fazia do que peso. Morto, claro.

    ResponderEliminar
  3. São as sinergia. Um milagroso remédio que tudo cura, nem que isso signifique engordar a conta bancária dos poucos que têm milhões em detrimento dos muitos milhões que têm cada vez menos. E, hoje, os Jornalistas são caros porque não exercem. Para fazer o que hoje se faz, textos de linha branca, qualquer um serve. Mesmo aqueles que quando têm se assinar um desses textos perguntam: onde ponho o dedo?

    ResponderEliminar
  4. Já repararam que grande parte das nossas empresas continua a ser gerida por Patrões?

    Poucos são os empresários.

    ResponderEliminar
  5. Reparo: Prisa é detentora da TVI.
    A Prensa Ibérica é que tomou conta dos jornais "A Capital" e "O Comércio do Porto" em 2001. Os jornais fecharam em 2005 e durante este período não ocorreram remodelações. Apenas houve a mudança do director e já os espanhóis detinham os títulos há algum tempo.
    Aquando do encerramento dos dois jornais os trabalhadores receberam todos os direitos.
    Não houve trapalhadas como as que envolvem os trabalhadores do Janeiro.

    ResponderEliminar
  6. Tens razão, Isa. Foi confusão minha. Troquei a Prensa Ibérica pela Prisa. Obrigada e volta sempre.

    ResponderEliminar