terça-feira, 23 de julho de 2013

A toponímia e os candidatos às eleições autárquicas...

Que a política em Portugal - desconfio que no resto do mundo também - anda pelas ruas da amargura já todos sabemos, e que político que se preze é sempre muito, mas muito mentiroso também, mas vejam lá que agora virou moda os candidatos às autárquicas de Setembro próximo começarem a mentir assim que chegam junto das populações e se apresentam aos cidadãos! É que começam a mentir mal dizem o nome! Não acreditam? Então reparem nisto:

Basílio Horta é candidato pelo Partido Socialista. A que câmara é que ele concorre? Será à Câmara Municipal da Horta? Não. Basílio Horta é candidato do PS à Câmara Municipal de Sintra! 

E de Élio Maia já ouviram falar? Élio Maia é cabeça-de-lista de uma candidatura independente a uma câmara do Norte do País... Será a Câmara da Maia? Nã... Isso seria demasiado fácil. Élio Maia concorre à presidência da Câmara de Aveiro!

Herlander Mira. Dou um doce a quem acertar na câmara a que este senhor concorre. Alguém disse Mira?! Estará alguém a ler este texto desde o início?! Herlander Mira veste a camisola da coligação PSD/CDS mas não é a Câmara de Mira que ele quer. Nada disso! Ele quer mesmo é ser presidente em Mértola, que fica um bocadinho mais abaixo...

Envergando as cores do Bloco de Esquerda, Joana Mortágua é apontada como candidata do partido não a Mortágua, mas à Câmara Municipal de Almada...

E esta, hein? São uns enganadores estes candidatos. Mal chegam junto da populaça e se apresentam - "Olá, eu sou o Fulano de Tal" - já estão a falar de concelhos que não são os deles e de que não querem saber para nada, pelo menos por agora! Longe vão os tempos de políticos como Fátima Felgueiras, que ao menos mal se apresentavam diziam logo ao que vinham... :)

NB: Este texto é uma brincadeira e não visa ofender nenhum dos candidatos citados. 

domingo, 21 de julho de 2013

"Todas as relações são feitas de pedra"...

“Uma relação entre duas pessoas que se amam tem de se basear na capacidade de erigir um edifício. Pedra a pedra. Tijolo a tijolo. Poucas obras de engenharia são mais complexas do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Nenhuma obra de engenharia é mais complexa do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Nada é mais exigente fisicamente do que uma relação entre duas pessoas que se amam. Tem de haver uma entrega absoluta. Até à última gota. Para que cada pedra esteja no local certo. E por vezes há que caminhar quilómetros com essa pedra às costas para a colocar no local certo. Nem mais um centímetro à frente nem mais um centímetro atrás. Cada pedra que constróis também pode ser cada pedra que destrói, que faz derrubar todo o edifício. Todas as relações são feitas de pedra. Mas está na nossa mão. Está na mão dos dois constituintes de uma relação entre duas pessoas que se amam definir se a pedra serve para separar se a pedra serve para unir. Todas as relações são feitas de pedra. E é assim que construo. É assim que pela primeira vez construo. Estou a construir. Digo-te cada verdade e sei que estou a colocar as pedras que nos separavam nos locais certos. Para que o edifício cresça quando já estava quase a cair. Para que possas depois perceber se queres construir comigo ou se queres que tudo isto que somos caia de vez. Olho-te nos olhos e sei que choras. Sei que choras a cada verdade que te entrego, a cada pedra que te coloco nas mãos. Não sei se terás força para as suster, se terás força para as aguentar, para as suportar dentro de ti. Não sei se algum de nós conseguirá levar mais longe este edifício. Mas sei que me sinto enfim a ser eu em ti como tu sempre foste em mim. Todas as relações são feitas de pedra. Há que construir. Há sempre que construir”.

Pedro Chagas Freitas, no livro «In Sexus Veritas»

sábado, 6 de julho de 2013

Sou boa quando sou boa, mas quando sou má sou ainda melhor...


Há, entre os poucos que me conhecem bem, os que gostam muito de mim e os que não me suportam. Alguns gostam muito de mim por motivos que desconheço, mesmo até quando eu nem gosto muito deles. No extremo oposto, há os que me detestam, mesmo quando nada fiz que justifique tamanha ira. Em qualquer dos casos, é para o lado que durmo melhor. Gosto de quem gosto, tento inspirar nos outros o tipo de sentimento que nutro por eles. Se consigo, óptimo; se não consigo, paciência.

O que não entendo é aquele tipo de gente que se faz constantemente de vítima, que inventa ódios que nunca senti, que vê em mim uma fonte de inesgotáveis desamores. Eu até sou boa pessoa, juro. E tento ser melhor a cada dia que passa. Dou aos outros muito mais do que recebo deles, e mesmo assim, na hora de criticar e de insultar, com ou sem razão, é sobre mim que recai a escolha dessa gente, mesmo daqueles a quem já dei provas bastantes do meu afecto e da minha disponibilidade. Se a ideia é escolher um alvo preferencial, I'm the one! E sabem de uma coisa? I could care less. É verdade que podia não me importar. Afinal, sou o que sou e não aquilo que querem fazer de mim nessas tristes interpretações da realidade muito particular que só existe na cabeça dessa gente. Mas sempre me perturbou o raciocínio de quem vê sempre nos outros a culpa para os seus males.

De uma coisa eu sei: não sou perfeita. Longe disso. Sou boa quando sou boa, mas quando sou má sou ainda melhor. E quem se mete comigo fica sempre com histórias para contar. Os que amei hão-de amar-me para sempre. Os que poderia ter odiado - mas que optei por apenas ignorar - hão-de para sempre lembrar-se de mim. Felizmente, e a idade tem-me ajudado nisso, sou mais de perdoar do que de revidar. Não perco tempo com a mesquinhez alheia. Vivo melhor assim. Quando a minha paciência acaba tendo a ter mau feitio, mas para já, para meu bem e para bem de todos, opto pelo silêncio. É sempre uma boa arma. A quem me ataca, num acesso de umbiguismo sem precedentes, fica dado o recado: quem vai à guerra dá e leva, e um dia veremos quem ganhou a maior parte das batalhas. Não tenho medo desse julgamento.