quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Algarve em duas rodas: o BTT veio para ficar!

FOTO: CARLA TEIXEIRA

São cada vez mais e estão por toda a parte. Homens e mulheres, equipados mais ou menos a rigor, com máquinas mais ou menos apetrechadas, aproveitando os fins-de-semana ou aquela horinha depois do trabalho, sozinhos ou em grupo, os algarvios estão rendidos ao charme da bicicleta. A prática de BTT tem crescido de forma exponencial nos últimos anos, e se para alguns a coisa não passa de uma moda, para outros é garantidamente um amor para a vida. Nada estranho numa região com mais de 300 dias de sol por ano e que detém a maior rota ciclável do país, com 214 quilómetros.

| CARLA TEIXEIRA

Famoso pelas praias de areia branca e águas tépidas, pelos invernos curtos e amenos e verões longos e quentes, pela rica gastronomia e pelo vasto património natural e construído, o Algarve é hoje a terceira região mais rica de Portugal, depois do Vale do Tejo e da Madeira, com um PIB per capita de 86% da média da União Europeia (Eurostat 2011). É também o mais importante destino turístico nacional e um dos mais relevantes a nível europeu. Palco perfeito para a prática de desportos de ar livre, tem na bicicleta a sua maior embaixadora: com um histórico de vitórias na Volta a Portugal (1947, 1948, 1988, 2008, 2009 e 2010) e presença assegurada dos melhores atletas do mundo na Volta ao Algarve, no BTT a região destaca-se pelos imensos praticantes, mais ou menos conhecidos do grande público, e pelo facto de aqui, no Clube BTT Terra de Loulé, estar sediada a maior escola de ciclismo do país.
Miguel Raimundo, conhecido no meio desportivo como Mike, e Rui Silvestre, que na sua Algarve Nature Adventure dinamizam diversas actividades ao ar livre em terra, mar e ar, consideram que “o BTT está na moda” e por isso “tem conquistado muitos adeptos no Algarve”, que reúne condições de excelência para a prática da modalidade: “O clima é muito agradável durante grande parte do ano, temos a maior ciclovia do país, colectividades muito activas na organização de provas e o apoio de várias entidades”, públicas e privadas. “Vemos com bons olhos este aumento do interesse pelo BTT, que concilia a prática de exercício físico com o usufruto da Natureza e das características únicas da região”, explicam.
À margem da Mike & Friends Ultra BTT 2014, prova organizada pela Algarve Nature Adventure que em Outubro ligou Vila Nova de Mil Fontes a Faro, num percurso de cerca de 160 quilómetros, Miguel e Rui confidenciaram que “o apoio da Câmara Municipal de Faro tem sido inexcedível”, materializando-se, naquela prova, na cedência de um autocarro para transportar os participantes até Milfontes, de onde depois pedalaram até Faro, e dos balneários da Escola Afonso III para os banhos no final da prova. Apontando a crise como “a desculpa mais fácil para as empresas recusarem dar apoio” a este tipo de iniciativas, Mike diz que na verdade “há muitos eventos a decorrer praticamente ao mesmo tempo, e por vezes há empresas que ficam desagradadas com o amadorismo na organização de algumas provas, e que depois se retraem na hora de apoiar estes eventos”.
Bruno Rosa, atleta da equipa BTT Loulé que habitualmente vemos em provas do campeonato nacional, da Taça de Portugal ou do Open de Espanha, e que há meses se sagrou Campeão Nacional Universitário de BTT Cross Contry, foi o primeiro a cortar a meta na Mike & Friends 2014, ao fazer os 160 quilómetros em 6h25m. “Não tinha noção da concorrência, porque não tinha visto a lista de inscritos antes da prova, mas estava optimista e confiante. Esperava ficar no top 5, mas felizmente acabei por vencer”, disse o atleta no final da maratona, acrescentando que “nestas provas de maior distância é preciso fazer uma boa gestão da parte física e da parte psicológica, e ter algumas noções de leitura de GPS, esperando que ele não falhe. Hoje tive alguns problemas com isso, mas acabei por conseguir ultrapassá-los e terminar a prova em primeiro lugar, o que me deixa bastante feliz”.

PEDALAR NO FEMININO
FOTO: CARLA TEIXEIRA
“A Ultra acaba de ficar mais bonita! Há uma senhora inscrita”. Foi assim que a Algarve Nature Adventure apresentou, no evento criado no Facebook para reunir os participantes da Ultra BTT, a única atleta do sexo feminino a registar-se na prova. Ana Sofia Cruz, técnica de contabilidade de Faro, ousou, aos 44 anos, ser a única mulher entre mais de 60 homens, e percorreu, taco a taco com eles, os 160 quilómetros da prova. E não, não foi a última classificada!
Demorou mais de 10 horas a cumprir o percurso, mas a satisfação de participar foi enorme, pois embora pratique desporto desde sempre (atletismo na adolescência e actualmente ginástica localizada, spinning e canoagem), desde que descobriu o BTT não imagina a sua vida sem pedalar. Desafiada por uma amiga a participar num passeio de bicicleta de 25 quilómetros em Alte, no Concelho de Loulé, há cinco anos, nem pensou duas vezes: “Não andava de bicicleta desde criança, e nem tinha uma, mas a minha amiga emprestou-me a antiga dela e fui. A partir daí nunca mais parei, e pouco tempo depois estava a comprar a minha primeira bicicleta”, recorda. Em média pedala duas vezes por semana, e fá-lo essencialmente por lazer, embora reconheça que “o bichinho da competição” a faz tentar ir sempre um pouco mais longe.
Ana faz parte de uma equipa informal de BTT, a Gurus Bike Team, “um grupo de amigos de ginásio que descobriram no gosto por pedalar um interesse comum”. É normalmente com esse grupo que pedala, considerando que é sempre mais agradável praticar em grupo do que sozinha. Atraída pela “sensação de liberdade” que o BTT proporciona, e pela certeza de poder ir a qualquer lado de bicicleta, limitada apenas pela sua capacidade física e pelas características da máquina, diz-se também “fascinada” pela forma como a modalidade permite “o contacto com a Natureza, a possibilidade de conhecer lugares lindíssimos, muitas vezes inacessíveis por outros meios, e o convívio saudável que surge naturalmente entre os praticantes. Até hoje não houve desporto que me apaixonasse mais”, assegura.
Mulher num desporto ainda muito tomado pelos homens, garante não sentir discriminação: “Os que me conhecem sabem que partilhamos os mesmos interesses e que não gosto de ser tratada de modo diferente por ser mulher. Sempre fui muito bem recebida e aprendi imenso com os amigos que praticam BTT comigo”. Sobre o facto de haver ainda poucas mulheres na modalidade, responde assim: “Suponho que a ausência das mulheres se deva a diversos factores, um dos quais, talvez o mais determinante, a falta de disponibilidade, em geral, das mulheres, que na nossa sociedade têm um papel mais activo a nível familiar, o que lhes toma muito tempo”. Tendo dois filhos já adultos, admite que teria sido muito complicado quando eles eram menores dedicar o tempo que hoje dedica ao BTT, e por isso compreende que haja poucas mulheres a dispor desse tempo.
Desafiada a deixar uma mensagem aos praticantes em geral e às mulheres em particular, Ana Sofia diz aos que já praticam para continuarem a pedalar e aos que ainda não experimentaram que o façam, pois “a sua vida mudará para melhor! O BTT é um desporto que se adequa a todas as fases da nossa vida. Acho que as mulheres devem procurar encontrar tempo para o praticar e não devem deixar-se intimidar por ainda sermos poucas. Venham e tragam amigas! Assim seremos mais”. Em jeito de conclusão, atesta que conheceu mais gente desde que pratica BTT do que no resto da sua vida. “Quanto mais pedalo, mais vontade tenho de pedalar e de aceitar novos desafios, e de testar os meus limites. A prática do BTT tornou-me uma pessoa melhor, mais feliz e mais segura, pessoal e profissionalmente. Hoje não tenho medo arriscar e estou sempre pronta para descobrir novos trilhos, mesmo que sejam sinuosos”…

Trocar o comboio pela bicicleta

Foi entre comboios e estações que, há quase dois anos, vários profissionais do Centro de Manutenção da REFER (Rede Ferroviária Nacional) em Tunes descobriram um interesse e uma paixão em comum: a bicicleta. Alguns eram já praticantes assíduos, outros estrearam-se nessa altura, com a organização de passeios e convívios. Nem sempre conseguem reunir o grupo completo, mas há um pequeno núcleo que pelo menos uma vez por semana, depois do trabalho, troca o comboio pelas duas rodas e parte à descoberta de novos trilhos…
| CARLA TEIXEIRA

FOTO: DIREITOS RESERVADOS

Aproximadamente 40 anos após o seu surgimento, na década de 1970, nas montanhas da Califórnia, nos Estados Unidos, o BTT continua a reunir adeptos em todo o mundo. No Algarve tem sido especialmente evidente, nos últimos anos, o crescimento da modalidade. São imensas as associações que promovem o uso da bicicleta, e que dinamizam a realização de provas e passeios para reunir os apaixonados, e é raro o dia, principalmente aos fins-de-semana, em que não os vemos, às dezenas, circular nas estradas e nos trilhos mais ou menos difíceis da região. Foi em busca dessa adrenalina, e da fuga ao stress que o BTT permite, que nasceu, há cerca de dois anos, no seio do Centro de Manutenção da REFER, em Tunes, um grupo de colegas de trabalho apostado em vencer obstáculos em cima das duas rodas. E se nem sempre é fácil reunir toda a gente, já que são muitas as condicionantes da vida e dos horários de cada um, há quem aposte a sério na assiduidade. Alexandre Vieira, de 32 anos, Luís Silva, de 36, Paulo Oliveira, de 44 anos, e Rui Justo, de 37, estão no grupo dos mais perseverantes e tentam nunca faltar à chamada. Uma vez por semana, normalmente às terças-feiras, partem para a sua “voltinha”, seguindo um percurso previamente definido, no âmbito de um grupo que já ultrapassou as fronteiras da REFER e acolhe agora elementos externos à empresa.

FOTO DO FACEBOOK
Apesar de ser o mais jovem dos quatro, Alexandre é o praticante com mais experiência e assiduidade: há 14 anos, uma queda aparatosa levou-o a abandonar o motocross, que até aí praticava, e foi depois disso que comprou a sua primeira bicicleta. Foi na zona de Coimbra, de onde é natural e onde vivia na altura, que se estreou nos passeios em duas rodas, e o BTT fascinou-o de tal forma que nunca mais parou: a primeira bicicleta, de um modelo mais simples e económico, foi rapidamente substituída por uma superior, e depois desse houve vários outros upgrades para ir melhorando o equipamento e a performance. Garante que não fica caro praticar BTT se houver alguns cuidados essenciais com a máquina, que deverá ser bem lavada, lubrificada e revista após cada saída. “O que custa mais é o investimento inicial, na compra da bicicleta. Depois o que se gasta é pouco significativo: em média não devo gastar mais do que 10 ou 15 euros por mês em barras de cereais, geles e bebidas isotónicas”. Já no que toca a manutenções extraordinárias, a despesa é menos previsível, porque depende do material que vai avariando ou sofrendo desgaste e que é preciso substituir.
Casado e com uma filha bebé, Alexandre reconhece que não tem hoje o tempo que gostaria de dedicar a este desporto, mas ainda assim tenta praticar uma ou duas vezes por semana. Gosta mais de pedalar com amigos, mas também o faz sozinho, quando isso não é possível. O que mais importa, diz, é sermos capazes de “libertar um pouco a pressão que temos diariamente em nós, devido a questões pessoais ou familiares, de trabalho ou outras. Devia haver maiores incentivos ao uso da bicicleta como meio de lazer e transporte”, diz, lamentando que, no BTT ou no ciclismo de estrada, os ciclistas não sejam respeitados como utilizadores de direito da via pública que são.
FOTO: SANDRA CONCEIÇÃO
Luís Silva sempre teve bicicletas, mas começou a pedalar “mais a sério” há três anos, altura em que vivia e trabalhava em Torres Vedras, berço de Joaquim Agostinho (ícone do ciclismo português que viria a morrer na sequência de uma queda na X Volta ao Algarve, em 1984) e terra de grandes tradições no desporto em duas rodas. Por influência de amigos, e porque queria iniciar algum tipo de actividade física, começou a pedalar regularmente. Fazia-o quase sempre em grupo, mas ocasionalmente também sozinho, tendo chegado a deslocar-se de casa para o local de trabalho (a Estação de Caminhos-de-Ferro do Ramalhal, a sete quilómetros da cidade) montado numa bicicleta que entretanto lhe foi furtada. O revés não o fez desistir do BTT.
A viver em Faro desde 2012, Luís participa religiosamente nas voltas das terças-feiras (que inicialmente eram às quartas, mas foram alteradas para não interferirem nas aulas da Licenciatura em Engenharia Eléctrica e Electrónica que frequenta em horário pós-laboral na Universidade do Algarve), e sempre que é possível vai pedalar nas manhãs de sábado ou de domingo, sozinho ou na companhia de Alexandre. O que Luís mais aprecia no BTT é a comunhão com a Natureza, e pedalar duas vezes por semana “sabe a pouco: se tivesse oportunidade, pedalaria mais vezes”, assevera. Depois de algum treino, diz, “o cansaço que sentimos no fim de cada jornada torna-se saboroso, porque representa mais alguns quilómetros percorridos e novos desafios superados”.
Consciente de que a prática regular de exercício físico nos ajuda a manter a mente sã num corpo são, sobre as vantagens de pedalar com colegas de trabalho, Luís é peremptório: “Acaba por ajudar a criar laços de amizade no emprego, o que torna mais agradável e descontraído o nosso quotidiano”, questão particularmente importante quando, como acontece amiúde na REFER, os funcionários são muitas vezes deslocados das suas cidades para outras, onde têm de viver e trabalhar. Natural de Vila Nova de Anços, no Concelho de Soure, Distrito de Coimbra, Luís reconhece que o Algarve tem características únicas para a prática do BTT: “Pelo clima e pela geografia, a região é bastante interessante para a prática deste desporto, que está na moda e tem conquistado muitos praticantes nos últimos anos”. Só falta, diz, que as cidades se adaptem melhor a este fenómeno: “O BTT, e o ciclismo em geral, é essencialmente um desporto, mas poderia ser visto também como um meio de transporte ecológico. Se as cidades se adaptassem a essa realidade teríamos menos tráfego automóvel e menos poluição, o que seria bom para todos”.

FOTO DO FACEBOOK
Paulo Oliveira estreou-se no BTT há cerca de ano e meio. “No início fui apenas pelo convívio, mas depois isto tornou-se um hobby e uma forma de fazer alguma actividade física. Por viver longe da maioria dos colegas nem sempre tenho disponibilidade para as voltas em grupo, por isso às vezes vou pedalar sozinho. Normalmente saio de bicicleta uma vez por semana, mas se tivesse mais tempo aumentaria de certeza o número de saídas”, refere. Vincando que pedala essencialmente por prazer, recusa para já a participação em provas de competição, e foca-se nas “grandes vantagens deste desporto: o convívio, a realização de actividade física, a hipótese de conhecer locais que de outra forma não seria expectável que conhecesse”.
Tal como Alexandre e Luís, Paulo considera que “participar neste tipo de actividades com colegas de trabalho melhora as relações laborais e torna o dia-a-dia mais agradável”. Admitindo que, “se levada a sério, a prática de BTT pode ficar muito cara”, Paulo garante não ter muitos gastos, já que pedala apenas por prazer, sem grandes preocupações com a performance: “Comprei uma primeira bicicleta, que custou 400 euros, e mais tarde outra, um pouco melhor e mais cara. Além disso tenho de considerar a compra de consumíveis ou produtos de limpeza, e às vezes compro calções ou luvas. A busca do equipamento perfeito nunca acaba, mas temos de ter em conta o orçamento de que dispomos”, avisa.
FOTO: SANDRA CONCEIÇÃO
Rui Justo (ao centro na foto) estreou-se no BTT há cerca de 15 anos, mas registou um interregno de “sete ou oito” na sua prática. Casado, o engenheiro civil admite que nem sempre tem a disponibilidade que desejaria ter para a prática desportiva. Actualmente pedala em norma uma vez por semana, embora gostasse de o fazer pelo menos duas. Gosta especialmente de pedalar com amigos, usufruindo “ao máximo do ar livre e da paisagem” escolhida em cada saída. Procura o prazer quando pedala, mas reconhece que com a prática mais regular deste exercício o desempenho tende a ser mais eficaz e os limites físicos de cada praticante vão sendo naturalmente ultrapassados: “O BTT reforça a capacidade física, as relações interpessoais e a camaradagem, e potencia uma maior qualidade de vida e até uma melhor condição de saúde”.
No que respeita aos custos desta paixão, Rui considera que “podem ser reduzidos ou extremamente altos, em função da regularidade e do tipo de treinos ou competições em que se participa”. Pedalar no final de um dia de trabalho, na companhia de alguns colegas, “é uma excelente forma de aliviar algum stress”, assevera, acrescentando que compreende a prática de qualquer desporto como “um exercício de liberdade e de permanente superação dos próprios limites”.

Algarve na mega-ciclovia
que cruza toda a Europa


A Ecovia do Litoral Algarvio é a maior rota ciclável existente em solo português. Liga Sagres a Vila Real de Santo António, atravessando os 12 concelhos do litoral meridional do Algarve, e mergulha nas paisagens de rara beleza da Ria Formosa e da Ria de Alvor. São 214 quilómetros que servem também de ponto de partida para a primeira rota da Eurovelo, a mega-ciclovia europeia que em 2020 ligará 43 países, cruzando o continente em 14 rotas, num total de mais de 70 mil quilómetros…

| CARLA TEIXEIRA

A Comissão Europeia publicou, em Dezembro de 2013, o seu barómetro relativo à atitude dos europeus face à mobilidade urbana. À luz daquele documento, 49% dos cidadãos do Velho Continente fazem uso regular da bicicleta como meio de transporte no seu quotidiano. Uma média relativamente elevada que esconde as enormes discrepâncias verificadas numa análise da informação em cada um dos países: na Holanda, líder deste ranking, 43% dos cidadãos usam a bicicleta pelo menos uma vez por dia, 28% várias vezes por semana, 16% apenas algumas vezes por mês e só 13% referem não ter o hábito de pedalar. No outro extremo do gráfico, em Malta, só 1% dos cidadãos utiliza a bicicleta diariamente, 2% várias vezes por semana, 4% algumas vezes por mês e uns estrondosos 93% não têm ou nunca pegam na bicicleta. Algures pelo meio, embora a pender para o lado mais negro da tabela, surge Portugal, onde 7% dos cidadãos dizem utilizar a bicicleta todos os dias, 8% várias vezes por semana, 10% algumas vezes por mês e 75% nunca.
Sem números oficiais relativos às regiões de cada país, resta-nos a convicção de que o Algarve subverte um pouco o cenário traçado para Portugal, já que, pelas suas características únicas de clima e geografia, é raro o dia em que não vemos dezenas de pessoas montadas nas suas bicicletas, ao longo das estradas e ciclovias ou em trilhos mais ou menos acidentados e desafiadores. Para isso contribuirá certamente a existência de numerosos percursos cicláveis, com especial destaque para a chamada Ecovia do Litoral, a maior rota ciclável existente em Portugal. De Sagres a Vila Real de Santo António, estende-se ao longo de 214 quilómetros recheados de paisagens de tirar o fôlego ao mais capaz dos ciclistas e coincide, em toda a sua extensão, com a parte inicial do traçado da primeira rota da Eurovelo, a extensíssima rede de ciclovias actualmente em construção ao longo de todo o continente europeu e que em 2020 deverá ligar 43 países, num total de mais de 70 mil quilómetros.
Baptizada como Rota da Costa Atlântica, a Eurovelo 1 decalca precisamente todo o trajecto da Ecovia do Litoral e no final desta, em Vila Real de Santo António, atravessa a fronteira e prossegue por Espanha, França, Irlanda e Reino Unido, terminando na Noruega, mais de oito mil quilómetros depois. A rota que arranca em Portugal é a segunda mais extensa das 14 previstas, no âmbito de um ambicioso e muito interessante projecto que preconiza o fomento do uso da bicicleta, quer em passeios turísticos quer nas deslocações diárias das populações servidas por estas rotas. A conclusão desta enorme ciclovia deverá permitir, em teoria, que a partir de 2020 seja possível percorrer toda a Europa em duas rodas, de acordo com o ritmo e a disposição de cada ciclista, sendo que cada rota permitirá a fruição das paisagens, do património e dos costumes dos países em que se integra. No caso português, ao cruzar a paisagem singular do litoral algarvio a Eurovelo 1 brindará os visitantes com dunas, baías, enseadas e vastos areais espraiados ao longo da Ria Formosa e da Ria de Alvor.

REDE EM CRESCIMENTO

Surgido numa reunião da Federação Europeia de Ciclistas com as suas associadas Sustrans e Frie Fugle, o projecto Eurovelo foi formalmente apresentado em 1997 na cidade de Logroño, em Espanha, prevendo a criação de 12 rotas cicláveis de longo curso. Dez anos mais tarde, a federação assumiu a coordenação do projecto, que hoje contempla 14 percursos, numerados segundo a orientação que seguem: as rotas ímpares estendem-se de Norte para Sul, as rotas pares no sentido Este/Oeste (não existe o número 14, já que há oito percursos “verticais” mas apenas seis “horizontais”): 1 – Rota da Costa Atlântica: Cabo Norte/Sagres (8.168 km); 2 – Rota das Capitais: Galway/Moscovo (5.500 km); 3 – Rota dos Peregrinos: Trondheim/Santiago de Compostela (5.122 km); 4 – Rota da Europa Central: Roscoff/Kiev (4.000 km); 5 – Via Romea Francigena: Londres/Roma/Birindisi (3.900 km); 6 – Rota do Atlântico ao Mar Negro: Nantes/Constança (4.448km); 7 – Rota do Sol: Cabo Norte/Malta (7.409 km); 8 – Rota do Mediterrâneo: Cádis/Atenas e Chipre (5.888 km); 9 – Rota do Báltico ao Adriático: Gdansk/Pula (1.930 km); 10 – Circuito do Mar Báltico (7.980 km); 11 – Rota da Europa de Leste: Cabo Norte/Atenas (5.984 km); 12 – Circuito do Mar do Norte (5.932 km); 13 – Rota da Cortina de Ferro: Mar de Barents/Mar Negro (10.400 km); 15 – Rota do Reno: Andermatt/Hoek van Holland (1.320 km).


O BTT visto através da câmara fotográfica

FOTO DO FACEBOOK
Terra de aficionados pelo BTT, o Algarve conta sempre muitos espectadores nas muitas provas que se vão realizando na região. Há quem se limite a assistir às competições, mas há também quem registe para a posteridade os momentos mais marcantes. A maioria fotografa familiares e os amigos, mas outros, como Sandra Conceição, fotografam tudo e todos. É a paixão pela bicicleta vista de outro ângulo…

| CARLA TEIXEIRA

Sandra Conceição é uma das presenças mais assíduas nas inúmeras provas de BTT que se vão realizando por todo o Algarve. Não monta uma bicicleta, mas está quase sempre lá, de câmara fotográfica na mão, a registar os momentos mais marcantes de cada competição. Em 2009 foi desafiada por uma amiga para integrar a Secção de BTT «Os leões de Olhão», mas cedo percebeu que “não era grande ciclista” e optou por acompanhar os amigos como fotógrafa. Hoje, aos 39 anos, a recepcionista diz que venceu a timidez dos primeiros tempos e está à vontade atrás da câmara: “De início tinha receio de que as pessoas não gostassem de ser fotografadas por uma desconhecida, mas hoje vejo que não havia motivo para esse receio, porque sempre fui bem recebida. Os atletas ficam contentes por ter registos do seu esforço e as organizações ficam com meios para documentar as suas provas e para as divulgarem”, revela.
Não faz qualquer uso comercial das imagens. Partilha-as nas redes sociais e até as envia aos atletas que o solicitem. Quando lhe perguntam por que razão não tenta ganhar dinheiro com este hobby, diz que “isso implicaria uma logística mais complexa”. Apesar disso, reconhece que acompanhar estas provas dá bastante trabalho, pois é preciso preparar tudo com antecedência: “Temos de analisar bem o percurso, perceber qual a abordagem a fazer e posicionar-nos de modo a obter o melhor ângulo sem atrapalhar a prova. Acima de tudo não podemos ter receio de nos sujarmos. Quando vou acompanhar uma prova sei que vou apanhar lama, chuva e frio, e que apesar de me deslocar de carro, posso ter de fazer vários quilómetros a pé até encontrar um trilho visualmente agradável. Sei que terei de me sentar nos muros para deixar espaço para os atletas passarem, abstrair-me dos ruídos rastejantes ao redor…”.
Sobre a escassa participação das mulheres no BTT, Sandra é clara: “Não considero que seja por falta de capacidade ou coragem que há menos mulheres do que homens nas provas com percursos mais longos! Há atletas femininas com melhores resultados do que os participantes masculinos. Podem não estar mentalizadas de que são capazes de fazer mais, ou gostar de apreciar os percursos sem o sofrimento que uma maratona ou uma ultra-maratona implicam. Depois há a menor disponibilidade das mulheres, com os afazeres domésticos e os filhos, especialmente se forem pequenos, mas acho que é uma questão de tempo até que haja mais mulheres a apostar neste desporto”, vaticina.


NOTA
Esta reportagem foi realizada com o intuito de ser publicada no primeiro número de uma nova revista de âmbito nacional, com lançamento nas bancas previsto para Dezembro de 2014 ou Janeiro de 2015. Porém, esse lançamento acabou por ser adiado sine die, razão pela qual optei por publicar a reportagem no meu site e neste blog, já que seria injusto para todos os meus interlocutores que o tempo que me concederam, em entrevistas e na disponibilização de informações, fosse dado como perdido. A todos o meu agradecimento e o meu pedido de desculpas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Portugal assinala hoje, dia 1 de Dezembro, o Dia da Bandeira

FOTO | CARLA TEIXEIRA

Celebra-se hoje, em Portugal, o Dia da Bandeira. Se a maior parte dos portugueses associa o dia 1 de Dezembro apenas ao feriado comemorativo da Restauração da Independência, que em 2012 deixou de existir, a verdade é que esta data assinala também o aniversário da Bandeira Nacional tal como hoje a conhecemos. Na sequência da implantação da República Portuguesa, consumada a 5 de Outubro de 1910, foi criada, apenas 10 dias depois, uma comissão governamental que deliberou alterar as cores do maior símbolo nacional. Caíram o azul e o branco do estandarte monárquico, e em seu lugar pintou-se a Bandeira Portuguesa de vermelho e verde, cores que ainda ostenta.

A apresentação da nova Bandeira ocorreu no dia 1 de Dezembro de 1910 (que tinha já sido declarado pelo governo como Dia da Bandeira), por ocasião dos 270 anos da Restauração da Independência, numa cerimónia realizada junto ao Monumento dos Restauradores, em Lisboa. Sendo certo que muitos portugueses não dão grande valor à Bandeira Nacional, às suas cores e ao significado que cada uma delas tem, foi o futebol, e nomeadamente o Campeonato Europeu de 2004, de que Portugal foi anfitrião, que fez com que, naquele ano, a Bandeira Nacional povoasse muitas janelas e varandas deste país, exaltando o orgulho lusitano. São os caminhos sinuosos da vaidade que se agiganta por paixões, mais do que por conhecimento histórico ou determinação política. Que bom seria se este orgulho se traduzisse noutras lutas, e a Bandeira Nacional fizesse erguer outras bandeiras…

domingo, 26 de outubro de 2014

Desafios e testemunhos de superação para inspirar felicidade no outro


Elsa Freitas tem hoje 25 anos e é “uma lutadora desde que nasceu”, altura em que lhe foi diagnosticada espinha bífida. Atirada para uma cadeira-de-rodas aos 12 anos e a sofrer de insuficiência renal desde os 13, experimentou já alguns problemas de saúde e por duas vezes esteve mesmo muito perto da morte, afirmando mesmo que tem “um óbito de uma hora” no seu registo clínico. Mónica Ribeiro, hoje com 23, sobreviveu, em Dezembro de 2004, ao tsunami na Tailândia, o terceiro maior de que há registo, em que perdeu os pais e lutou pela própria vida. Pedro Pinto tem 28 anos e há oito meses perdeu a namorada. Carolina, de apenas 22 anos, morreu subitamente durante o sono, vítima de uma embolia pulmonar. Estas são três histórias de luta, de perda e de superação que os três jovens têm partilhado com diversas plateias nos últimos dias, no âmbito do projecto «Superar o impossível». O objectivo, dizem, é inspirar os outros e mostrar-lhes que é possível vencer o desalento que os acontecimentos mais dramáticos provocam nas nossas vidas e renascer para a felicidade. Depois de Olhão, na sexta-feira, e de Portimão, ontem, estiveram hoje na Universidade do Algarve, em Faro. O Mente Despenteada foi ouvi-los.

TEXTO | CARLA TEIXEIRA


Elsa e Mónica fundaram o projecto «Superar o impossível» no passado mês de Maio, na Ilha da Madeira. Participando nas IV Jornadas da Associação Entrelaços, que tiveram lugar no Instituto S. João de Deus, no Funchal, discursaram para cerca de duas dezenas de pessoas, e o sucesso das suas intervenções foi tanto que o convite para repetirem a experiência não tardou. Dessa vez falaram para uma plateia mais restrita, de cerca de 80 convidados, mas o entusiasmo não foi menor. E se a ideia teve receptividade no arquipélago, rapidamente começou a ganhar impulso nas redes sociais, encorajando as suas mentoras a transportar a experiência para o Continente. Com a ambição de tocar os portugueses, de Norte a Sul do país, conceberam um programa de palestras em que contam as suas experiências de vida, procurando deixar mensagens de incentivo e coragem a quem as ouve, mostrando sempre que é possível vencer as barreiras que a vida nos coloca, ultrapassando obstáculos e alcançando a paz interior e a felicidade que está reservada a cada um. A ideia passava também por dar voz a cidadãos locais com testemunhos de superação de momentos particularmente difíceis nas suas vidas, e nesse sentido contaram, nas sessões realizadas em Olhão, Portimão e Faro, com a presença do algarvio Pedro Pinto.

ELSA FREITAS
“Tenho uma doença, não sou a doença”

Do alto dos seus 25 anos, mesmo que a vejamos baixinha e sentada na sua cadeira-de-rodas, Elsa Freitas é o retrato da confiança, da segurança e da auto-estima que apregoa. Peremptória na afirmação de que para ela “não há impossíveis”, deixa bem patente a consciência que tem de que a espinha bífida é a sua realidade, de que não pode fugir “por muito que queira”. Recorda que viver com esta doença é, como com outras, “um desafio permanente” que a leva a valorizar todos os momentos e a desafiar sempre os seus limites: “Nasci com uma doença, tenho uma doença, mas não sou a doença”, assevera. Não tem memórias do pai, que morreu quando ela tinha apenas dois anos, mas percebe-se que é imensamente grata à mãe, “uma lutadora”, e à irmã que, inspirada nela, acabou por se formar em Medicina, estando actualmente a trabalhar em Inglaterra. Gratidão é também o sentimento que nutre pelos médicos que a acompanharam ao longo da vida, de entre os quais salienta os neurocirurgiões Gil Bebiano e Gentil Martins, a quem, com apenas 11 anos, se dirigiu dizendo-lhe que seria ele a salvar-lhe a vida.

Salientando o papel essencial da família em todo este processo, dos amigos diz apenas isto: “Há amigos e amigos, mas os verdadeiros nunca te excluirão ou questionarão. Nunca te apontarão o dedo. A sociedade sim. A sociedade estigmatiza-te, mas estamos a tentar mudar isso e vamos conseguir. Roma não se fez num dia”, dispara. Mais do que a maioria de nós, Elsa sabe que a vida pode ser frágil e breve, e por isso considera que é fundamental vivermos todos os momentos. “Não é viver um dia de cada vez! É viver momento a momento”, explica. Recordando que passou a andar numa cadeira-de-rodas aos 12 anos, e que aos 13 já sofria de osteoporose e insuficiência renal (faz hemodiálise quatro vezes por semana e sabe que se falhar uma sessão morrerá), que esteve duas vezes em coma e que quase morreu de sepsis (inflamação severa que causa a falência de vários órgãos) num desses episódios, tendo mesmo sido registado “um óbito de uma hora” de que miraculosamente acordou “quando ninguém esperava”, frisa que é preciso aproveitar a vida ao máximo.

A permanente luta pela vida não inibiu Elsa de responder a alguns dos seus desafios e de concretizar o seu maior sonho: dançar. É fundadora do grupo Dançando com a Diferença, que tem já 14 anos de vida e de sucesso a nível nacional e internacional, e foi a primeira bailarina em cadeira-de-rodas a entrar no Conservatório de Dança da Madeira. Sabe que essa sua conquista “abriu portas a outras pessoas”, e por isso lança o repto aos que, julgando que não conseguirão alcançar os seus sonhos, se deixam ficar sentados, sem lutar por eles: “Desafiem-se! Os sonhos não são para dormir à noite. Sonhem durante a noite, mas realizem-nos durante o dia”. Dona de uma forte presença, Elsa Freitas pode bem ser o corpo da lição que devemos aprender e ter sempre presente: ser diferente não é ser incapaz, e sonhar é poder. Com vontade, com coragem, com resiliência, podemos atingir os nossos objectivos. Basta que lutemos verdadeiramente por eles…

MÓNICA RIBEIRO
“Queria viver, conhecer o amor verdadeiro e ajudar a salvar o mundo”

O relato é extenso e muito pormenorizado. Recuando ao dia 26 de Dezembro de 2004 como se tudo se tivesse passado ontem, Mónica explana todos os pormenores daquela manhã fatídica. De como ela e os pais tinham adormecido e perdido o último autocarro do hotel para a praia, das várias tentativas do pai para fazer com que chegassem lá por outros meios, de como, uma vez lá chegados, constataram que ao contrário do que era habitual não havia mar na praia naquele dia. O tsunami de Dezembro de 2004 no sudeste asiático foi o maior registado até àquele dia (actualmente figura em terceiro lugar do ranking) e deixou um rasto de mais de 300 mil mortos. Com apenas 13 anos, Mónica foi uma das sobreviventes, e a história que partilhou com a plateia da palestra de hoje em Faro evidencia a batalha dificílima que teve de travar para se manter viva, fugindo à imensa “parede de água” que levou tudo à frente naquela linda e inesperadamente tão negra manhã.

Depois de “uma eternidade” a correr, a nadar, a pairar sobre a água, no meio de escombros e corpos, e de um momento em que, exausta, a sobrar dores onde faltavam as forças, chegou a pensar que talvez a morte fosse uma coisa boa, mas Mónica “queria viver. Queria conhecer o amor verdadeiro e ajudar a salvar o mundo”, e finalmente teve essa força e venceu a luta: a percepção de que estava viva e a salvo deixou-a profundamente feliz. “Não senti revolta”, relata, acrescentando que “Estava tão feliz por estar viva que não havia espaço para mais nada”. A viver em Macau à data da tragédia, foi depois de confirmada a morte dos pais que veio para Portugal, para casa de uma tia. Tudo era novidade por cá, e enquanto assim foi a mente, distraída por tantas coisas diferentes e novas, conseguiu calar a dor e a saudade que vieram mais tarde. “Cheguei a desejar ter morrido naquele dia também, mas uma vozinha dentro de mim dizia-me para ter coragem e força, que tudo ia melhorar, até porque piorar também seria difícil”, enfatiza.

Chegou então a revolta. Revoltava-me que me dissessem para não pensar mais no tsunami. Que tinha de ser forte, que aguentasse e não pensasse mais naquilo. E eu pensava que aquelas pessoas não eram normais! Como é que se pode não pensar numa coisa daquelas?! Como é que não se pensa no tsunami que matou os meus pais e me levou tudo?!”, questionava-se Mónica quando ouvia esses conselhos. Foi por isso que, conta, deixou de ouvir os outros. “Passei a ouvir-me, abri uma fase de introspecção”. Nessa altura “perguntava-me por que razão aquilo tinha acontecido comigo, que tinha feito para merecer algo assim, logo eu que tinha uma vida perfeita”, recorda Mónica. Foi então que percebeu, com orgulho, que os seus pais “não eram pessoas normais” e que lhe ensinaram muitas coisas que só muito mais tarde entendeu. Eles diziam-me que “temos sempre muito mais a aprender com as perguntas que fazemos do que com as respostas que obtemos, e de facto o tsunami aconteceu num dia mas as lições que me deu vão durar a minha vida inteira”. Em jeito de conselho, Mónica Ribeiro diz que “devemos lutar pelo que queremos como se a nossa vida dependesse disso, porque às vezes depende mesmo”…

 PEDRO PINTO
“Conhecer a Carolina era um desafio”

As histórias de amor começam quase sempre por acaso, e no caso de Pedro Pinto e Carolina Tendon também foi assim. Ele tinha um projecto musical e cantava, ela fazia parte de um grupo de dança e era poesia em movimento. Tinham outra coisa em comum: ambos gostavam de ficar quietinhos no canto da sala, mais a observar do que a intervir, e quando a convivência se tornou frequente Pedro exclamou, embevecido, que ela era como ele. Que conhecê-la seria um desafio. Namoraram durante quatro anos. Ele programador informático com a paixão pela música, ela estudante de Medicina Veterinária com um amor desmedido pela dança, ambos com pouco tempo mas disponibilidade total para o amor. Encontraram-se. Encontraram-se e o amor nasceu. Esse amor que é ainda visível nos olhos de Pedro, oito meses depois de ter enviado uma série de mensagens de telemóvel a Carolina e de ela nunca lhe ter dado uma resposta. São olhos que se embaciam, que se emocionam ao ponto de lhe embargar a voz, a boca seca de saudade.

A notícia chegou por telefone, numa segunda-feira de má memória, na voz de uma amiga a quem, estranhando a falta de respostas às suas mensagens, Pedro interpelara: Carolina tinha partido. Tinha morrido em Évora, cidade onde estudava. Sucumbira, durante o sono, a uma embolia pulmonar bilateral que chegara sem aviso. Por isso tinha deixado por responder as mensagens! Oito meses depois, ainda é com grande emoção que ele fala dela. Na palestra de hoje na Universidade do Algarve passou uma série de fotografias dela, dos dois, de vídeos da Carolina a dançar, dos momentos felizes que viveram, e leu as mensagens que ela lhe escrevera, testemunhos de um amor seguro e eterno. Carolina queria viver com Pedro todos os seus aniversários, mas não esteve no último, celebrado precisamente ontem. Não esteve fisicamente, porque em espírito continuam juntos, e é precisamente em nome desse amor que ele anda de cidade em cidade a promover o livro «De mim para mim», composto por textos que a namorada vinha escrevendo desde os seus 10 anos. “Eu sabia que este livro ia existir. Só não sabia que seria tão cedo”, explica Pedro.

Pedro e a família de Carolina escolheram e compilaram os textos que compõem a obra, cujo prefácio foi escrito pela própria autora, em 2012, sem imaginar que o sonho de escrever um livro seria concretizado de forma póstuma pelos que mais a amaram e amam:


Os textos escritos ao longo de 12 anos surgem por ordem cronológica, para darem conta da evolução do pensamento e da escrita da autora. De leitura simultaneamente fácil e difícil, porque contagiante mas emocionante e emocionada, «De mim para mim» revela o espírito livre, de uma menina entre os 10 e os 22 anos de idade, mas com uma personalidade forte e um pensamento muito à frente do seu tempo, com uma paixão imensa pela dança e pelos animais e uma enorme vontade de viver. Carolina vive agora na memória daqueles que tiveram o privilégio de privar da sua amizade, e vive também nestas páginas. E se numa das últimas páginas da obra nos explica que “a vida é eterna, o contrário não o digo! Porque se assim não fosse, nada faria sentido”, na contracapa do livro, como que falando-nos de lá, de onde está agora, Carolina tranquiliza-nos pela sua ausência física: “Deixei de andar pelos campos, mas passei a bailar no céu”. Pedro acredita nisso. Acredita que a sua namorada, liberta no mar da praia que gostava de frequentar, dança hoje pelo céu. Que é livre, como teria de ser para ser Carolina.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

PRAVI/Faro resgatou cães em situação dramática na Horta da Areia

AVISO: IMAGENS FORTES

TEXTO CARLA TEIXEIRA | FOTOS PRAVI/FARO

Poucos dias depois da entrada em vigor da lei que criminaliza os maus-tratos a animais de companhia em Portugal, Faro foi ontem palco de um episódio dramático envolvendo animais: cinco cães foram resgatados do bairro social da Horta da Areia em condições deploráveis: desnutridos, muito magros, cobertos de pulgas e carraças. Os voluntários do Núcleo de Faro da PRAVI, em conjugação de esforços com a veterinária municipal e os bombeiros da cidade, encontraram ainda um sexto cão já sem vida, e um dos resgatados acabou por morrer hoje no Centro Veterinário da Estação, para onde todos tinham sido transportados.

De contornos especialmente dramáticos, este é, no entanto, apenas mais um caso de negligência, maus-tratos e abandono de animais, que mesmo tendo “donos” ficam entregues a si mesmos, muitas vezes passando fome e resistindo estoicamente a tantas outras privações. Na luta contra este flagelo, a PRAVI de Faro tem desenvolvido um imenso e meritório trabalho, contando sempre com o apoio da autarquia e de muitos cidadãos incapazes de ficar indiferentes a cenários como este. Agindo sempre no sentido de garantir a prestação de cuidados médicos aos animais abandonados e errantes que encontram doentes, os voluntários da associação não poupam esforços na promoção da adopção de todos os que, depois de devidamente observados e cuidados, estão finalmente em condições de ter uma família.

Os meios disponíveis são, no entanto, sempre muito inferiores à garra e à vontade de intervir desta e de várias outras associações que operam a este nível na região, que não raras vezes esbarram na falta de espaço e de voluntários para acolher e ajudar mais animais, e principalmente de verbas capazes de assegurar a prestação dos cuidados necessários aos animais que vão sendo resgatados. A (sobre)viver de donativos, associações como a PRAVI estão de mãos e pés atados numa luta que é diária e desigual, e quando surge uma situação com a dimensão e a carga dramática da agora conhecida na Horta da Areia é comum surgirem apelos a novos contributos. Assim, quem puder e quiser apoiar financeiramente estes animais e a PRAVI de Faro pode contactar a associação, através do e-mail faro.pravi@gmail.com, e fazer um donativo, utilizando os dados seguintes:

NIB: 0033.0000.45415941649.05
IBAN: PT50. 0033-0000-45415941649-05
SWIFT/BIC: BCOMPTPL 

Como o Mente Despenteada oportunamente noticiou, no final do mês passado os deputados municipais eleitos pelo PSD para a Assembleia Municipal de Faro apresentaram uma moção pela defesa dos direitos e do bem-estar dos animais no concelho, elencando medidas a adoptar para proteger todos os animais de companhia e principalmente os que vivem nas ruas. O documento foi aprovado por todos os partidos representados na Assembleia Municipal, com excepção da CDU, que preferiu abster-se. Marta Correia, deputada social-democrata naquele órgão e activista pró-animal, fez nessa altura o relato da reunião na sua página de Facebook, tornando público o texto da moção apresentada pelo PSD, que defende, entre outras medidas, a criação de um centro oficial de recolha de animais, e que poderá ser consultado aqui.

SITUAÇÃO NA HORTA DA AREIA NÃO É NOVA

As medidas sugeridas pelos deputados do PSD na Assembleia Municipal visam combater a existência de situações como a que agora ocorreu no Bairro da Horta da Areia, mas fontes ligadas a uma associação de apoio à causa animal explicaram ao Mente Despenteada que o problema naquele bairro social está longe de ser novidade. Construído na década de 1970 com o objectivo de realojar pessoas provenientes das ex-colónias portuguesas em África, o conjunto habitacional, situado junto ao Cais Comercial, é hoje ocupado maioritariamente por cidadãos portugueses, muitos de etnia cigana, e são também muitos os animais, principalmente cães, que vivem naquele lugar. “Há muitos no estado destes que agora foram resgatados, mas há outros que vivem acorrentados, cheios de pulgas e carraças, e muitos escondidos do olhar de quem passa, dentro das casas”, disse ao MD uma fonte que pediu anonimato.

Defendendo uma intervenção profunda das autoridades no bairro, a mesma fonte deixou evidente a sua convicção de que, “mesmo que fossem retirados todos os animais que vivem ali naquelas condições, em poucos meses haveria outros tantos a viver lá, exactamente da mesma forma. Isso já aconteceu”, frisou. “Várias associações já resgataram animais que viviam sem condições naquele bairro, e todos eles foram rapidamente substituídos por outros”. Além do resgate dos animais negligenciados e em risco, deve ser levada a cabo uma política de sensibilização forte e atenta, com aplicação de coimas aos prevaricadores e com penas efectivas de prisão nos casos em que tal se justifique, afirmou o mesmo activista. Um canil, acrescentou, poderia resolver alguns problemas, mas não todos. “A sensibilização é fundamental, a par de uma política rigorosa de punição dos responsáveis pelos maus-tratos aos animais”, vincou.










sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Autarquia e associações de Faro assinalam Dia Mundial do Animal


A Cidade de Faro é amiga dos animais. Se houvesse dúvidas de que é de facto assim, o vasto programa previsto para o Dia Mundial do Animal, que se celebra amanhã, prontamente as dissiparia. A efeméride justificará a realização, ao longo de todo o dia, de vários eventos, em diversos pontos da cidade. Como organizadores ou parceiros, a Câmara Municipal e as diferentes associações que apoiam a causa animal na cidade prometem celebrar em grandes estilo a data, sensibilizando a população para os problemas que atingem estes nossos amigos.

Com os objectivos de “sensibilizar a população para a necessidade de proteger os animais e garantir a preservação de todas as espécies, mostrar a importância dos animais na vida das pessoas e celebrar a vida animal em todas as suas vertentes”, a edilidade farense organiza, logo pela manhã, a Cãominhada no novo Parque Ribeirinho. Com início agendado para as 10 horas e uma extensão de aproximadamente três quilómetros, esta caminhada poderá ser feita por todos os munícipes na companhia dos seus cães e demais animais de estimação, mediante uma inscrição que pode ser feita no dia e no local e que obriga ao pagamento de dois euros por pessoa, que revertem para as associações e os movimentos de defesa dos direitos dos animais do concelho. Segundo informa a autarquia, esta iniciativa será apadrinhada por Rogério Bacalhau, presidente da Câmara Municipal de Faro; Marisa Rodrigues, jornalista; e Cristóvão Norte, deputado à Assembleia da República, contando ainda com o apoio do Núcleo de Faro da PRAVI, da Animais de Rua, do Movimento Pr’ó Animal de Faro e da Husse. 

Igual destaque merece o II Troféu de Obedience DogAlgarve, com arranque previsto para as 16 horas no Parque de Lazer das Figuras. Esta é uma prova organizada pela DogAlgarve que integra o Campeonato Nacional de Obedience, estando prevista a participação dos atletas que compõem a Selecção Nacional, de referência naquela modalidade. Já na programação da Biblioteca Municipal de Faro terão lugar várias actividades relacionadas com esta efeméride. Com início às 15h30, «A Hora do Conto» será dedicada ao tema dos animais, seguindo-se um desfile de animais e um lanche. Estas actividades têm como alvo o público em geral, desde que todos os participantes se façam acompanhar por um ou mais cães, já que as actividades previstas se destinam a este tipo de animais, numa iniciativa da autarquia que tem o apoio da Husse.

Fora da esfera autárquica, há muitas outras propostas de comemoração do Dia Mundial do Animal 2014 em Faro, a cargo de diferentes movimentos e associações que actuam nesta área:



terça-feira, 30 de setembro de 2014

Assembleia Municipal de Faro aprovou ontem à noite moção do PSD que visa garantir os direitos e o bem-estar dos animais no concelho


Os deputados municipais eleitos pelo PSD no Concelho de Faro submeteram ontem à noite à Assembleia Municipal uma moção pelos direitos e pelo bem-estar dos animais, elencando medidas que, na opinião daqueles eleitos, deveriam ser adoptadas no município para proteger todos os animais de companhia e designadamente os animais abandonados que vivem nas ruas. O documento foi aprovado com os votos favoráveis de todas as bancadas, à excepção da CDU, que se absteve. 

Eis o texto da moção:
(clique nas imagens para ler)


domingo, 28 de setembro de 2014

Silves assinala Dia Mundial do Coração em acções com a população


Entre os dias 29 de Setembro e 3 de Outubro, os praticantes do programa Desporto Sénior – promovido pela Câmara Municipal de Silves através do seu sector de Desporto – irão assinalar o Dia Mundial do Coração através de diversas acções, onde está contemplada a realização de caminhadas e de actividades de grupo e de interacção com a população local.

São participantes as classes deste projecto existentes em Alcantarilha, Algoz, Amorosa, Armação de Pêra, Azilheira, Enxerim/Poço Barreto/Fontes da Matosa, Pêra, S. Bartolomeu de Messines, S. Marcos da Serra, Silves e Tunes, tendo como local de actividade as ruas e locais públicos como jardins e praças das diversas freguesias.

Relembre-se que, numa iniciativa da Federação Mundial do Coração, da qual a Federação Portuguesa de Cardiologia faz parte, o Dia Mundial do Coração se assinala a 29 de Setembro. Em Portugal a FPC é a responsável pela organização e dinamização das comemorações desta data no nosso país, através da realização de um conjunto de actividades físicas e desportivas, de modo a mobilizar uma grande parte da população e consciencializa-la quanto à importância da prática de exercício físico, bem como a adopção de estilos e hábitos de vida mais activos, que permitam ter um coração e uma vida mais saudáveis.

Texto: Gerson Ingrês/Local.PT

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve recebe amanhã «Fórum Muda de Vida» dedicado à água e ao consumo


A Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve, através do seu CIED – Centro de Informação Europe Direct, recebe amanhã o Fórum Muda de Vida!, com os temas “EU e a água, EU e o consumo local, EU e o turismo sustentável”, das 9h30 às 13h00, organizado pela GEOTA e pela Designways no âmbito do Projeto EUropa – “União Europeia: sustentabilidade e uso eficiente de recursos”. Uma iniciativa da Comissão Europeia e do Centro de Informação Europeia Jacques Delors, para o qual está convidado o Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Francisco Gomes da Silva.

A acção enquadra-se na Estratégia Europa 2020 e visa desencadear a participação e consciência dos cidadãos para a importância do seu papel como agentes actuantes na promoção da economia sustentável, «o EU na Europa». O principal objectivo deste projecto é munir o cidadão de informação essencial para que este se torne um EU activo e actuante, bem como relevar a sua importância como agente/EU individual, EU local, e EU EUROPEU, e também como uma entidade influenciadora de boas práticas e atitudes correctas face ao ambiente, à sua sustentabilidade e ao uso eficiente dos recursos.

Os trabalhos têm vindo a ser desenvolvidos desde o início deste ano, mediante a realização de diversos fóruns a nível nacional, com o título «Muda de Vida! Um desafio para a sustentabilidade na região». Em Maio deste ano foi lançado o concurso «EU Sou Sustentável», que consiste na realização de iniciativas simples como desafios/gestos que promovam as boas práticas, sempre na óptica da sustentabilidade e do uso eficiente dos recursos. O primeiro classificado vai poder fazer uma viagem a um destino turístico gerido de forma responsável. O evento acontece em Faro, uma das cidades algarvias que aderiu ao evento em 2014, a par de Lagoa, Loulé e Portimão. A entrada é livre não estando sujeita a inscrição.

Consultar o programa.

Fonte: Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Se isto não se tivesse passado comigo, talvez não acreditasse...


Se, como eu, são daquelas pessoas que sempre acharam que a política é terreno de gente pouco séria, então preparem-se para ter a certeza, pois a situação que vou agora relatar-vos, e que se passou comigo (se não fosse comigo nem sei se acreditava!) é verdadeiramente reveladora…

Não sou, nunca fui e sempre disse que jamais seria militante de qualquer partido político. Não acredito em partidos nem na filosofia que lhes está subjacente, e arrepia-me a disciplina que é inerente a quem pensa e age em conjunto, de forma premeditada e ponderando todos os ângulos e efeitos de uma acção ou de uma palavra, pois sempre fui muito mais do tipo de pensar pela cabeça que trago em cima dos ombros, e que não serve só para ser emoldurada pelos caracóis do cabelo. 

A verdade é que nunca tomei qualquer medida no sentido de me inscrever como militante em qualquer formação político-partidária, e foi por isso com enorme espanto que hoje descobri, por um inacreditável acaso, que afinal parece que sou militante do Partido Socialista. Não sei como, não sei desde quando. Sei apenas que figuro como tal, segundo me foi hoje comunicado pelo site para inscrição e participação, apenas como simpatizante, nas eleições primárias do próximo dia 28 no PS.

Sendo certo que sempre recusei ser militante de qualquer partido, mesmo tendo sido convidada várias vezes para aderir a pelo menos dois, e que continuo a sentir essa aversão (a bem dizer começo a senti-la de forma cada vez mais clara e absoluta), hoje quis inscrever-me como simpatizante do PS para poder votar no candidato que prefiro ver no lugar de secretário-geral socialista e como provável candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas do próximo ano. 

Visando esse objectivo, fui então ao site das primárias e preenchi o formulário respectivo. Pretendia afirmar-me como simpatizante e usar esse estatuto apenas no acto eleitoral referido, e nunca tornar-me militante, mas assim que cliquei para envio da proposta de inscrição recebi a mensagem de que não poderia inscrever-me como simpatizante por já ser militante…


Ora, como já aqui disse, em momento algum anuí na militância, apesar dos convites que me foram feitos. Nunca fiz sequer um gesto ou tomei uma atitude que fosse no sentido da militância, no PS ou em qualquer outro partido. Parece óbvio que alguém o fez por mim, o que nem é assim tão espantoso, se tivermos em conta que ainda recentemente, no mesmo partido, houve quem inscrevesse pessoas já falecidas e lhes pagasse as quotas! Será que também pagaram as minhas?!

Tive o cuidado de enviar estas e outras perguntas ao PS, usando o endereço de e-mail constante na secção de contactos do site. Até ao momento não recebi resposta, o que é perfeitamente compreensível porque apenas se passaram alguns minutos desde o envio dessa comunicação. A verdade é que estou tão furiosa com isto que não consigo ficar calada nem mais um segundo! 

Como é possível que uma pessoa seja inscrita como militante de um partido sem saber, e sobretudo sem querer ser militante?! A falta de ética e de seriedade já chegou a este ponto?! E agora, como é que saio disto? Como é que me desvinculo de uma militância que não escolhi e que só descobri por acaso?! E se por acaso eu fosse, por minha vontade, militante de outra formação partidária, quem assumiria a responsabilidade pela aparente má-fé da minha suposta dualidade?!

Tudo isto é sujo. É nojento. Doentio.
Como pode a política ser tão fascinante, se os políticos são capazes de ser tão abjectos?!

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Faro acolhe primeira conferência sobre a nova legislação que criminaliza os maus-tratos e o abandono de animais de companhia


É já no próximo dia 9 de Agosto que a Cidade de Faro recebe, nas instalações do Instituto Português do Desporto e da Juventude (junto à Biblioteca Municipal), a primeira conferência subordinada à temática dos maus-tratos e do abandono animal, que recentemente deu origem a uma lei que criminaliza aquele tipo de comportamentos para com os animais de companhia. Esta sessão, com arranque previsto para as 21h30, é de entrada livre, estando por isso aberta a todos os interessados no assunto, e terá como oradores Cristóvão Norte, deputado à Assembleia da República e autor da nova lei, Inês Real, jurista e membro fundador da Associação Jus Animalium, e Sandra Duarte Cardoso, presidente da Associação SOS Animal, veterinária e apresentadora do programa televisivo SOS Animal. A moderação do encontro estará a cargo de Marta Correia, advogada e coordenadora da Associação PRAVI – Núcleo de Faro.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Infarmed avisa: venda de sabonetes que parecem alimentos é proibida


A Autoridade Nacional do Medicamento e dos Produtos de Saúde (Infarmed) lançou ontem um alerta para o que diz ser um aumento do comércio de sabonetes ilegais, sobretudo de fabrico artesanal, que, pela forma, pela cor, pelo odor ou mesmo pela embalagem, podem ser confundidos com alimentos.

Em comunicado, aquela entidade recorda que a comercialização desse tipo de produtos é proibida por legislação nacional e europeia, já que estes produtos poderão pôr em causa a segurança dos utilizadores e, no caso de crianças, provocar acidentes, asfixias ou intoxicações. No mesmo documento, o Infarmed avisa que “as entidades que fabriquem ou distribuam este tipo de produtos têm de tomar as medidas necessárias para suprimir a perigosidade de tais produtos e colocarem no mercado apenas aqueles que cumpram a legislação aplicável”, vincando que os produtos que não estejam de acordo com este princípio não poderão ser vendidos. 

A mesma fonte explica que “os consumidores não devem comprar produtos cosméticos semelhantes a alimentos”, acrescentando que, no caso de já os terem adquirido, deverão optar pela sua não utilização, podendo ou não destruí-los, mas mantendo-os sempre fora do alcance dos mais pequenos. “A violação das disposições legalmente previstas será punida em conformidade”, assegura a mesma autoridade na conclusão do comunicado.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Tradicional concentração motard regressa a Faro já amanhã


A cidade de Faro está a postos para a 33.ª Concentração Internacional de Motos, que arranca já amanhã e onde são esperadas mais de 20 mil pessoas, atraídas pelas motas e pelo ambiente do recinto do Vale das Almas. Até domingo o evento, já intitulado por alguns como “Meca Europeia do Motociclismo”, vai contar com animação de rua, performances artísticas, tatuadores, stands profissionais, bares abertos 24 horas por dia e exposições.

Desde 2011, altura em que a concentração recebeu cerca de 30 mil visitantes, a afluência tem diminuído, sendo a crise económica nacional e internacional apontada como a principal razão dessa redução pelo presidente do Moto Clube de Faro, entidade responsável pelo evento. Também por esse motivo o preço dos bilhetes é de 45 euros desde 2011, contou José Amaro, observando que muitos participantes estrangeiros estão a optar pelas viagens de avião, que são baratas e rápidas, até porque o recinto dista cerca de 500 metros do aeroporto. Esta edição tem como cabeça de cartaz dos concertos Steve Harris, guitarrista dos Iron Maiden, que se apresentará em palco acompanhado pelos British Lion, no sábado, dia em que também atuarão os portugueses Moonspell. O baterista dos Xutos& Pontapés, Kalu, e as bandas espanholas Mu e Los Inhumanos tocam na sexta-feira.

A partir de hoje, além dos concertos gratuitos marcados para a Baixa de Faro, já é possível visitar no Clube Farense uma exposição dedicada à temática motard da autoria do artista plástico espanhol António Marinelo. O presidente do Moto Clube de Faro explicou à Lusa que, a manter-se a tendência de outras edições, a maior parte dos participantes serão de nacionalidade espanhola, portuguesa, inglesa e irlandesa. O recinto, localizado no Ludo, entre o aeroporto e a praia de Faro, sofreu remodelações em algumas áreas, como é o caso do espaço Oasis, local de convívio onde também se realizam concertos num palco secundário. A segurança rodoviária continua a ser motivo de preocupação da organização, que já está a disponibilizar informação no exterior e também no recinto apelando a uma condução segura e apontando as precauções que os motociclistas devem ter, explicou José Amaro.

A despedida desta edição está marcada para domingo, pelas 10h00, altura em que os participantes vão percorrer a capital algarvia com um desfile de motas. José Amaro disse que se espera conseguir angariar verbas que permitam oferecer algum material a instituições sociais. Em edições anteriores o Moto Clube de Faro entregou um carro de transporte de doentes à Cruz Vermelha, duas motas aos bombeiros, uma ambulância e desfibrilhadores, entre outros.

Fonte: Agência Lusa

FOTO: LUÍS FORRA/EPA