sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Se isto não se tivesse passado comigo, talvez não acreditasse...


Se, como eu, são daquelas pessoas que sempre acharam que a política é terreno de gente pouco séria, então preparem-se para ter a certeza, pois a situação que vou agora relatar-vos, e que se passou comigo (se não fosse comigo nem sei se acreditava!) é verdadeiramente reveladora…

Não sou, nunca fui e sempre disse que jamais seria militante de qualquer partido político. Não acredito em partidos nem na filosofia que lhes está subjacente, e arrepia-me a disciplina que é inerente a quem pensa e age em conjunto, de forma premeditada e ponderando todos os ângulos e efeitos de uma acção ou de uma palavra, pois sempre fui muito mais do tipo de pensar pela cabeça que trago em cima dos ombros, e que não serve só para ser emoldurada pelos caracóis do cabelo. 

A verdade é que nunca tomei qualquer medida no sentido de me inscrever como militante em qualquer formação político-partidária, e foi por isso com enorme espanto que hoje descobri, por um inacreditável acaso, que afinal parece que sou militante do Partido Socialista. Não sei como, não sei desde quando. Sei apenas que figuro como tal, segundo me foi hoje comunicado pelo site para inscrição e participação, apenas como simpatizante, nas eleições primárias do próximo dia 28 no PS.

Sendo certo que sempre recusei ser militante de qualquer partido, mesmo tendo sido convidada várias vezes para aderir a pelo menos dois, e que continuo a sentir essa aversão (a bem dizer começo a senti-la de forma cada vez mais clara e absoluta), hoje quis inscrever-me como simpatizante do PS para poder votar no candidato que prefiro ver no lugar de secretário-geral socialista e como provável candidato a primeiro-ministro nas eleições legislativas do próximo ano. 

Visando esse objectivo, fui então ao site das primárias e preenchi o formulário respectivo. Pretendia afirmar-me como simpatizante e usar esse estatuto apenas no acto eleitoral referido, e nunca tornar-me militante, mas assim que cliquei para envio da proposta de inscrição recebi a mensagem de que não poderia inscrever-me como simpatizante por já ser militante…


Ora, como já aqui disse, em momento algum anuí na militância, apesar dos convites que me foram feitos. Nunca fiz sequer um gesto ou tomei uma atitude que fosse no sentido da militância, no PS ou em qualquer outro partido. Parece óbvio que alguém o fez por mim, o que nem é assim tão espantoso, se tivermos em conta que ainda recentemente, no mesmo partido, houve quem inscrevesse pessoas já falecidas e lhes pagasse as quotas! Será que também pagaram as minhas?!

Tive o cuidado de enviar estas e outras perguntas ao PS, usando o endereço de e-mail constante na secção de contactos do site. Até ao momento não recebi resposta, o que é perfeitamente compreensível porque apenas se passaram alguns minutos desde o envio dessa comunicação. A verdade é que estou tão furiosa com isto que não consigo ficar calada nem mais um segundo! 

Como é possível que uma pessoa seja inscrita como militante de um partido sem saber, e sobretudo sem querer ser militante?! A falta de ética e de seriedade já chegou a este ponto?! E agora, como é que saio disto? Como é que me desvinculo de uma militância que não escolhi e que só descobri por acaso?! E se por acaso eu fosse, por minha vontade, militante de outra formação partidária, quem assumiria a responsabilidade pela aparente má-fé da minha suposta dualidade?!

Tudo isto é sujo. É nojento. Doentio.
Como pode a política ser tão fascinante, se os políticos são capazes de ser tão abjectos?!

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