domingo, 31 de maio de 2009

São manifestações ou são comícios?

Jornal de Notícias

Os professores portugueses voltaram a manifestar-se nas ruas da capital. As notícias apontavam números entre os 50 e os 80 mil docentes, mas o «Diário de Notícias» descobriu, por exemplo, que um dos “manifestantes” era, na realidade, um técnico de holografia que estava na concentração “por causa do convívio”. “Já é a quarta manifestação a que venho”, dizia ele. Ficou assim comprovado o que há já muito tempo se sabia: os 50, 60, 80, 100 ou 120 mil professores (números claramente inflacionados por interesses políticos) que saíram à rua nas mais recentes manifestações não eram, se calhar nem em 50%, professores. Eram amigos, familiares, simples curiosos. Mas a verdade é que as “manifestações de professores” também não eram manifestações de professores. Eram comícios políticos conduzidos pelo indizível Mário Nogueira, que em vez de reflectir sobre os problemas da sua classe – classe de que já nem é legítimo representante, visto que há quase 20 anos não põe os pés numa sala de aula – preferiu lançar atoardas ao Governo, preconizando a necessidade de retirar a maioria absoluta ao PS. “Não podemos admitir que a próxima legislatura volte a funcionar num quadro de maioria absoluta”, disse o dirigente da FENPROF, considerando que “há gente como o Eng. Sócrates e a ministra Lurdes Rodrigues, que não sabem governar com maioria absoluta”.

Como disse o primeiro-ministro, “os sindicalistas têm mostrado mais interesse pelos interesses dos partidos do que pelos dos seus associados", e no caso concreto de Mário Nogueira essa constatação é flagrante. É comum vê-lo, em gritos ensandecidos, a dizer mal do Governo, e a fazer-se de forma descarada ao lugar de Carvalho da Silva, que diz que não quer. Afinal, como pode um homem que foi professor há mais de 18 anos, e que desde então vive do ordenado de sindicalista a tempo inteiro, saber o que é dar aulas hoje em dia? Sabemos que ele quer dar a ideia de que nada mudou durante esse tempo, e que a Educação é o parente pobre da actuação dos sucessivos governos nacionais. Não é. Não tem sido nos últimos anos. A meu ver, o actual governo cometeu alguns erros no que ao sector da Educação diz respeito. É verdade, e de nada serve dizer que não. Mas não é verdade que o Governo não esteja a investir empenhadamente na melhoria das condições de aprendizagem dos estudantes portugueses. E a pôr, claro está, um travão na empáfia dos professores, que tendem a considerar-se seres superiores e acima da regulação do Estado.

Os professores têm razão em algumas das suas queixas, designadamente no que à avaliação do seu desempenho diz respeito. Isso não está sequer em causa para mim. O que me parece claro é que, se continuarem a ser representados por sindicalistas profissionais (que só têm razão de existir enquanto houver problemas e mobilização), que já pouco sabem do que é dar aulas, e que procuram apenas assegurar um tacho para o futuro mais próximo, estarão sempre mal representados. Mário Nogueira é um exemplo claro do aproveitamento que muitos sindicatos fazem da crença dos seus associados em que estes estão a lutar pelos seus direitos. Na maior parte dos casos, os sindicatos estão apenas a lutar para se manterem, eles próprios, acima da linha de água. Insistem em pormenores sem grande importância e dissecam-nos até à exaustão, e até se dão ao luxo de violar acordos assinados na véspera. Mário Nogueira é um flop como sindicalista, e será um flop político, se alguém tiver a ideia de o deixar chegar a um lugar de destaque no seu partido. O que é profundamente lamentável é que um sindicato se aproveite assim, descaradamente, da ingenuidade dos professores. Eu julgava-os mais inteligentes do que isso…

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Moura Guedes faz “jornalismo reprovável”

O Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas considera reprovável o desempenho da jornalista Manuela Moura Guedes na condução do "Jornal Nacional - 6ª", na sequência da discussão que a apresentadora teve em directo com o bastonário da Ordem dos Advogados.

"Consideramos esta forma de estar no jornalismo e de fazer jornalismo reprovável", afirmou o presidente do Conselho Deontológico (CD), Orlando César, em declarações à Lusa."O Conselho Deontológico não pode deixar de reprovar o desempenho de Manuela Moura Guedes na condução do 'Jornal Nacional - 6.ª feira' e concitar a própria e a direcção da TVI ao cumprimento dos valores éticos da profissão", refere o órgão em comunicado hoje divulgado. Numa reunião realizada hoje, os membros do CD analisaram a emissão de 22 de Maio do "Jornal Nacional", em que a jornalista Manuela Moura Guedes e o bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, tiveram uma discussão em directo. "Analisámos apenas este caso, que constitui um avolumar de situações e nos levou a tomar uma posição. Além disso, recebemos pedidos de pareceres e queixas de jornalistas e telespectadores", explicou Orlando César.
Os membros do CD analisaram, de acordo com o presidente, "questões de profissionalismo e aspectos éticos da profissão, o que deve ser a função de quem é pivot de um telejornal". "Considera-se inaceitável que, para além de outros aspectos, na apresentação das notícias, o jornalista confunda factos e opiniões e se exima da responsabilidade de comentar as notícias com honestidade", refere o comunicado, acrescentando ainda que "os pivôs devem estar claramente conscientes de qual o seu papel, se o de 'entertainer' ou o de jornalista, não devendo confundir o conflito e o espectacular com a importância das notícias". Para os membros do CD, os jornalistas que conduzem telejornais, "devem abster-se de introduzir apartes, comentários, expressões e recorrer à linguagem não oral, susceptíveis de conotarem e contaminarem o conteúdo informativo, comprometendo a própria isenção dos profissionais que, conjuntamente, trabalham naquele espaço de informação".
Na nota, o CD sublinha ainda que os jornalistas "não podem substituir a acutilância pela agressividade", e devem "permitir que os seus entrevistados expressem os seus pontos de vista com serenidade e não sejam apenas convidados a participar num espectáculo de enxovalho, em que eles são as vítimas". A Lusa tentou obter uma reacção da jornalista que apresenta o Jornal Nacional de 6ª, mas até ao momento tal não foi possível.

Notícia publicada pela Agência Lusa

sábado, 23 de maio de 2009

Vila Nova de Cerveira, lá no Alto Minho!






Vila Nova de Cerveira é uma cidade que nos conquista. Pela simplicidade, pelo arrojo estético, pela liberdade de caminhar e descobrir, pela importância atribuída à arte (são muitas as esculturas que se oferecem à fruição de quem passa) e pelo incentivo à prática do desporto, gratuito e acessível a qualquer cidadão, num qualquer jardim. Há anos que não passava por lá, mas nos últimos dias pude perceber que o que nos seduz realmente nas antigas “Terras de Cervaria” é que, se por um lado tudo parece estar sempre na mesma, por outro lado há sempre algo novo que nos faz desejar lá voltar. Era capaz de me habituar a viver por lá…

terça-feira, 19 de maio de 2009

Podem anotar: Nokia nunca mais!

É a maior empresa fabricante de telemóveis a nível mundial, e até há bem pouco tempo era líder incontestada de vendas em numerosíssimos países. No entanto, nem a finlandesa Nokia escapou à crise, e há poucas horas anunciou, uma vez mais, que, a coberto de um grandioso programa de redução de custos, se prepara para dispensar mais 490 trabalhadores, apontando como causa para esta nova onda de despedimentos a quebra de mais de 90 por cento nas vendas. É um rombo considerável nos cofres da empresa e obviamente, pensando apenas nas pessoas que hoje souberam que a breve trecho vão perder o seu emprego, lamento que tal aconteça. Por outro lado, e pensando apenas na marca, não lamento nem um pouco. A Nokia não é uma empresa séria, e percebi isso da forma mais eficaz: à minha própria conta.
Pensava ser uma cliente de luxo da Nokia, até porque só há cerca de três anos “ousei” adquirir um telemóvel de outra marca (um Sony Ericsson que nunca me qualquer problema). Sempre usei telefones da marca finlandesa, e não foram poucos. Uso-os há quase 15 anos. Todos os Nokia que tive sofreram uma ou duas intervenções, idas à fábrica, actualizações de software e afins, mas nada que não fosse possível resolver sem grandes delongas e sem demais consequências. Até há cerca de um ano. Nessa altura comprei um N73, por 189,90 euros. Não se trata de uma compra milionária, tendo em conta os aparelhos de elevada qualidade – com preços directamente proporcionais – a que estou habituada, mas nem era para mim. Era um presente para uma das minhas irmãs, e acabou por se revelar a pior ideia do milénio!

Com apenas alguns meses, o telemóvel começou a emitir mensagens de erro que davam conta de um problema que, haveríamos de descobrir depois, é recorrente naquele modelo (disse-nos uma fulana de um dos centros NoKia Care Point, no Porto, que “todos os N73 têm esse problema”). E o problema era o surgimento de uma mensagem de erro que dizia “memória cheia”, “memória quase cheia” ou “memória insuficiente para concluir a operação”. Um detalhe: a memória do telefone não tinha nada que não tivesse vindo lá instalado, e o cartão de memória adicional esteve sempre bem longe de estar cheio. Graças a esta moda, em certos momentos era impossível realizar ou atender chamadas, enviar ou receber mensagens, até desbloquear o telefone parecia uma missão tão complexa como a redacção da Bíblia. Com pouco mais de três meses, o telefone não servia para nada.

Foi enviado para a fábrica. Uma vez, duas vezes, três vezes, quatro… cinco! Cinco vezes em 10 meses! À terceira vez, no passado mês de Novembro, valendo-me da legislação vigente na área da defesa do consumidor, apresentei-me no Nokia Care Point com o telefone e uma única exigência: não queria o telefone de volta. Queria reclamar o direito de substituição que a lei me confere. Foi-me negado. O telefone foi para Lisboa e voltou, um mês depois, e em Fevereiro estava novamente com problemas. Dessa vez, enviei o telefone novamente para a fábrica, com uma extensa carta dirigida à Nokia Portugal, reclamando, já não a simples substituição do aparelho, mas a resolução do contrato, que a lei também prevê. Uma reclamação que reforcei por telefone, numa longuíssima chamada em que ainda tiveram a lata de me fazer um inquérito sobre satisfação do cliente. Conseguem adivinhar o que aconteceu? Pois… A reclamação caiu em saco roto e o telefone voltou. O mesmo! E no momento da entrega nem uma referência à carta e ao telefonema que fiz. Perguntei o que se passava, mas ainda tive de ouvir a adolescente que me atendia, com ar superior, a rir-se do “bug” que “todos os N73 têm”, e a asseverar-me que o meu “não é caso único”. Caso único deve ser a minha paciência…


Dizia-me ela que “agora já há uma solução para esse problema”. Novo detalhe: de cada vez que o telefone foi “a reparar”, e voltou exactamente na mesma, o relatório da intervenção feita dava conta de uma nova operação: mudança dos circuitos disto, dos circuitos daquilo, da memória de não sei onde, limpeza daquilo e daqueloutro, uma série de tarefas tão complexas que demoravam sempre um mês. O escárnio da miúda que me atendia fez-me saltar a tampa, e então, uma semana depois, voltei à loja e entreguei novamente o telefone, queixando-me do mesmo problema, mas fazendo algo diferente: no momento em que entreguei o aparelho, liguei para a linha de reclamações da marca e disse que o telefone ia seguir para Lisboa e que estava farta da atitude da Nokia, que ficassem com ele e me devolvessem o dinheiro, porque já tinha comprado outro, de outra marca, para oferecer à minha irmã. O discurso mudou um pouco: garantiram-me que agiriam “no sentido de minimizar o seu descontentamento”, e que dentro de dias seria contactada para acordar os moldes de substituição do aparelho. Aguardei.

(Muitos) dias depois, recebi um telefonema insólito. Do outro lado, uma senhora perguntava-me se eu estava satisfeita com o “telemóvel novo” que a Nokia me tinha dado, no seguimento da reclamação feita e do pedido de substituição do aparelho avariado. Com o queixo a tocar no chão de tanto espanto, disse à senhora que não me tinham contactado ainda e que não tinha, nem queria, qualquer telefone de substituição, porque tinha esgotado a minha paciência e queria era o dinheiro de volta. Disse-me que esta era a solução definida pela Nokia, e que fosse à loja buscar o telefone novo. Fui. Estava a almoçar na zona e fui logo nessa tarde ao Nokia Care Point. O “telefone novo” vinha numa caixa pequenina, riscada e rasurada, e era o mesmo telefone de sempre. Pasmei de novo. Garantiu-me o adolescente da praxe (a Nokia só emprega adolescentes nestas lojas, mas este era um rapaz bem mais educado que a miúda que se ri dos clientes) que “a capa é a mesma, mas a máquina é nova”, porque “é assim que a Nokia faz”. Consultei o IMEI e, de facto, não era o mesmo…
Fiquei como o tolo no meio da ponte… Que fazer? Gritar com o miúdo? Dizer que não queria o telefone nem o dinheiro? Parti-lo ali mesmo e virar costas? Mandá-los à merda? Tudo me passou pela cabeça naquele momento, mas pensei noutra coisa: trazer o telefone para casa e, dias depois, ir lá entregá-lo e queixar-me do mesmo problema. Mesmo que não o tivesse, só para ver o que diziam. Não o fiz. Efectivamente trouxe o telefone, mas não voltei lá. É certo que aquela gentalha merecia o meu mau humor durante mais umas semanas, mas não me dispus a perder mais tempo. Há uns anos, o presidente da Associação Portuguesa de Direito do Consumo, o meu bom amigo Mário Frota, disse-me que esse é exactamente o problema dos consumidores portugueses: pelo trabalho que têm para fazer valer os seus direitos, acabam por desistir deles. Lamentavelmente, foi o que me aconteceu. Só que com uma nuance: face à decisão que tomei, de nunca mais utilizar telemóveis da marca Nokia, ontem vendi o N73. NOKIA NUNCA MAIS!

Agora quero um Blackberry 9000 Bold… :)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Feliz aniversário, Lili!

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A Lídia é uma das melhores pessoas que conheço, e tenho enorme orgulho em ser sua amiga. Esteve ao meu lado em momentos menos bons da minha vida, como eu estive sempre ao lado dela naqueles momentos em que as lágrimas teimavam em substituir os sorrisos. As amizades nascem assim, e são as amizades assim nascidas que perduram para lá do tempo, da distância e da saudade. Hoje, a Lídia está de parabéns. Faz 31 anos. Para ela, e para todos os que ela carrega no coração, votos de um dia acima do espectacular. Como ela merece!

domingo, 17 de maio de 2009

Porque vale sempre a pena passear...




Santa Maria da Feira, com o seu castelo altaneiro, é o destino que o meu coração escolhe sempre que penso num lugar para passear o corpo e descansar a mente. Uma cidade cheia de verde, de gente que aproveita o tempo livre para uma voltinha no parque, para passear o cão, namorar ou frequentar uma aula de yoga... Santa Maria da Feira is cool!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

segunda-feira, 11 de maio de 2009

"A cidade das aldeias", by Mário Mesquita

aqui vos falei do Mário. O “Super Mário”, que num dos momentos mais conturbados da vida de um grupo de pessoas que começaram por ser colegas e depois se tornaram amigas, se destacou pela generosidade de um gesto. O Mário tem patente uma nova exposição, e é em honra dele que aqui vos deixo o texto de apresentação da mesma, com a certeza – e a promessa – de que, assim que puder, também lá darei um salto. A exposição está patente no Centro Português de Fotografia (Sala Aurélio da Paz dos Reis), na cidade do Porto, até ao próximo dia 28 de Junho de 2009. Apareçam, que o autor merece! Ao grande Mário, o abraço do costume! Até breve!


“A Cidade das Aldeias
– Traços de ruralidade no Porto contemporâneo”

O presente trabalho, realizado sob a forma de reportagem fotográfica e vídeo, visa possibilitar a leitura do que subsiste dos antigos Lugares da cidade do Porto e dos caminhos entre eles, registando e divulgando o que ainda hoje se pode observar, revelador de uma forma de assentamento e formação de território, de construção e de vivência de uma outra cidade, a cidade das aldeias, que corre o sério risco de ser literalmente engolida pela velocidade desenfreada própria dos dias em que vivemos, resultado das dinâmicas de desestruturação urbana e social que, infelizmente, vão esquecendo estes espaços, as suas gentes e os conjuntos edificados.

Comparando a planta da cidade do Porto desenhada sob a direcção de Augusto Teles Ferreira e impressa no ano de 1892 com a cidade actual verificamos que, ainda hoje, subsiste uma substrutura rural que, à época, constituía uma rede de caminhos e lugares exteriores ao centro urbano em processo de consolidação. Esses lugares, aquando da delimitação administrativa da cidade ocorrida no final do século XIX, seriam integrados no perímetro urbano, ficando a Estrada de Circunvalação como linha de fronteira da nova cidade que acolhia no seu interior um conjunto de lugares e de freguesias novas, incorporava áreas de freguesias vizinhas e deixava de fora algumas parcelas de terreno, que, embora pertencentes ao concelho, sempre foram consideradas exteriores à cidade que se havia circunvalado.

Pela imagem, pretende-se tornar pública essa outra cidade que abrange, na área geográfica do concelho do Porto, núcleos como Pinheiro de Campanha, S. Pedro, Azevedo, Areias, Contumil, Pego Negro, Granja, Vila Cova, Campo, Aldeia Nova do Monte, Fojo, Águas Férreas, Outeiro do Tine, Aval de Baixo, Ramalde do Meio, Vilanova de Cima, Furamontes, Ribeirinho, Campinas, Arrábida, Olivais, entre muitos outros lugares que nos vão falando de percursos, de espaços, de construções e de gentes.

O sentimento de viver periférico, presente nos lugares visitados, poderá, um dia, vir final e felizmente a desaparecer e dar lugar a uma realidade policêntrica, assente em contínuos de território, o qual, ligado por redes e canais, será capaz de unir e esbater as sensações de dentro e fora, contribuindo para minimizar a sensação de centro e periferia, quer no plano físico quer no plano das mentalidades e sentimentos, consolidando e dando espessura ao tecido urbano. Assim, as redes vão-nos ligar os pontos e os canais vão-nos traçar as rectas e articular a sobreposição das redes, cosendo-as ao concelho ao qual pertencem e aos concelhos limítrofes, promovendo um tecido forte e coeso, permitindo que não sejam áreas conflituantes, mas sim conjugadas e convergentes num só objectivo: a ampliação da cidadania e a gestão participada do território municipal pelas populações, comprometendo todos num esforço unitário, em busca de uma estrutura onde todos tenham lugar.

Este é um trabalho de recolha e fixação de imagens e ambientes que se formalizam num documento visual unitário, contributo para que a memória do território, das construções e das pessoas que o foram fazendo, não se perca no tempo. É um registo fotográfico que permite pensar que, numa cidade equilibrada, esta diversidade de ocupação do solo ajuda a qualificar o ambiente urbano, oferecendo a leitura de várias épocas históricas, de vários tempos, de vidas que podem, trinta e cinco anos passados sobre o 25 de Abril, se todos quisermos, coexistir em harmonia, derrubando a última muralha desta cidade e pensar, quando falamos de Área Metropolitana do Porto, mais do que na metropolitanidade, na rur-urbanidade.

E é um sentimento que defino assim:


I
Sobretudo o tempo,
somente as horas,
decerto os dias não serão mais
iguais sem ti.

Na rota das imagens,
procurando no espaço,
decerto te não verei mais
para além da curva da estrada.

No entanto, à sombra dos dias que,
docemente, visitamos por aí,
por certo fica o terno e doce sentimento de amor eterno.

II
Para hoje não há poemas
possíveis. Só as letras das palavras.

Para hoje, não há poemas.
Possíveis, só as letras das palavras.

Para hoje não há. Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

Para hoje não. Há poemas?
Possíveis só. As letras das palavras.

Para hoje? Não! Há Poemas
possíveis? Só as letras das palavras.

E as imagens.

III
E então, da estrangulada perspectiva
do horizonte nos resta a imensidão
dessas palavras de que falávamos atrás,
dos gestos e olhares que combinavam
somente para ser dia, decerto para ser nosso.

E então, por entre as cordas da amizade,
perpassa essa luz aberta que nos faz viver
regulando contrastes
e nos conduz
e nos desvia,
e nos seduz,
sempre que pensamos cidade,
liberdade.


Mário João Mesquita
Porto, 25 de Abril de 2009

Campeões, campeões, campeões!

"Se és portista que Deus te abençoe!
Se não és que Deus te perdoe"...

sábado, 9 de maio de 2009

Obesidade infantil em debate em Anadia

O Centro de Saúde de Anadia, em colaboração com a Rede Social local e com a Câmara Municipal de Anadia, organiza na próxima quinta-feira, dia 14 de Maio, no Cine-Teatro, o Fórum Obesidade Infantil. Porque a alimentação tem uma influência determinante no desenvolvimento emocional, intelectual e social dos cidadãos, é urgente debater a forma como se alimentam os mais novos, ainda mais numa altura em que o número de obesos em todo o mundo é crescente e que a procura de consultas para este problema disparou, sem que os hospitais consigam dar resposta a tantas solicitações. No âmbito desta iniciativa, que merece o aplauso de todos os anadienses pela importância do tema em análise, passarão pelo Cine-Teatro de Anadia alguns dos especialistas que lidam mais de perto com o problema da obesidade nas crianças, em particular no concelho de Anadia, sendo também de destacar a presença do médico João Breda, em representação da Direcção-Geral de Saúde.
Numa altura em que cerca de metade da população mundial sofre já de problemas relacionados com excesso de peso e obesidade, entre as crianças portuguesas esta começa a ser também uma questão prioritária: a procura de consultas de obesidade infantil aumentou exponencialmente ao longo dos últimos anos, de tal forma que os hospitais nacionais não têm conseguido encontrar resposta para as inúmeras solicitações de tratamento que recebem. Em virtude dessa situação, muitas unidades de saúde limitam-se a aceitar os casos mais graves ou em que existem outras doenças associadas ao excesso de peso (hipertensão ou diabetes, por exemplo), declinando o atendimento aos restantes. O «Diário de Notícias» referia há dias que, no Hospital de São João, no Porto, um dos poucos que tem uma consulta organizada para crianças e adolescentes, “mais de metade dos casos referenciados não são aceites”.
Nos casos menos graves, a tendência dos hospitais parece ser a de encaminhar os doentes para os centros de saúde, onde os médicos nem sempre têm o tempo e o apoio adequados, designadamente no que diz respeito a consultas de nutrição ou psicologia. É exactamente por isso que esta iniciativa do Centro de Saúde de Anadia se reveste de enorme importância: porque mais vale prevenir do que remediar, e porque só conhecendo as normas para uma alimentação mais equilibrada e saudável, bem como os mecanismos para potenciar a luta contra a obesidade, teremos condições de ajudar as nossas crianças a evitar cair nessa situação. Segue, por isso, o programa completo do Fórum sobre Obesidade Infantil, cujo lema é «Dizem que sou gordinho. Serei?».

Quinta-feira
14 de Maio de 2009

8h45: Abertura do Secretariado

9h00: Sessão Solene de Abertura

9h30: Pandemia do Séc. XXI – Factos Mundiais, Nacionais e Locais: Abordagem sócio-económica
Prelector: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Professor Doutor Jorge Simões, Universidade de Aveiro

10h15: Monitorização IMC numa Escola do Concelho
Prelector: Enfª Carmen Santos, Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Profª Alexandra Gonçalves, Agrupamento de Escolas de Vilarinho do Bairro

10h45: Intervalo para Café

11h15: Alimentação e Obesidade — Perspectiva Sociocultural
Prelector: Dr. João Breda, Direcção-Geral da Saúde
Moderador: Drª Marisa Santos, Psicóloga no Centro de Saúde de Anadia

12h15: Intervalo para Almoço

14h00: Alimentação da Criança e Comportamentos Saudáveis
Prelector: Paulo Abrantes, Dietista no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Rui, Centro de Saúde de Anadia

14h45: Obesidade: Consequências para a Saúde
Prelector: Dra Maria João, Pediatra no Hospital José Luciano de Castro
Moderador: Dr. Mário Sousa, Centro de Saúde de Anadia

15h30: Intervalo para Café

15h45: Estratégia de Intervenção na Comunidade
Prelector: Dra Fernanda Pinto, Delegada de Saúde do Centro de Saúde de Anadia
Moderador: Enfª Silvana Marques, Centro de Saúde de Anadia

15h45: Conclusões

17h15: Sessão de Encerramento

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Liberdade ou brutalidade?

Escassos dias depois de o 25 de Abril ter completado 35 anos, e de, como há muito tempo não se ouvia, serem recorrentes as reminiscências da Revolução dos Cravos e as críticas à democracia actual, um episódio insólito ocorrido nas comemorações do 1º de Maio em Lisboa veio demonstrar que os portugueses ainda estão muito longe de saber o que é de facto a democracia, ou de estar preparados para ela. Foi num país alegadamente democrático que Vital Moreira, candidato socialista às eleições europeias de Junho, foi hoje insultado e agredido por manifestantes que participavam no desfile da CGTP, que pretendia assinalar o 1º de Maio. A delegação do PS (Vital Moreira, Vítor Ramalho e Ana Gomes), que como habitualmente se preparava para apresentar os seus cumprimentos à delegação da central sindical, foi atacada por um grupo de manifestantes, tendo o cabeça-de-lista às europeias sido cuspido, insultado e agredido com murros, na cabeça e nas costas, ao mesmo tempo que era “brindado” com gritos de “traidor” e “mentiroso”. Este é mais um episódio absurdo, que denota uma clara dificuldade de alguns portugueses em praticar essa tal democracia que proclamam, e que prevê, entre outras coisas, a liberdade de ser, estar, falar e reunir com quem muito bem se entende. Não interessa qual o motivo que levou estas pessoas a fazer isto, porque não há no mundo um só motivo que o justifique.

Mar calmo, mar revolto, mar manhã...


O mar pela manhã.
Mar calmo, tranquilidade.
Mar revolução, ondas, marés…
Desabafo, solidão, pensamento.
O mar, tanta água! Mar nos meus olhos,
mar dentro de mim. Tristeza e saudade...

Hoje sinto-me um pouco assim...