quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Porque não basta ter cérebro, é preciso saber usá-lo...



Gosto de pensar que tenho um cérebro e que sei usá-lo. Não digo que sou um novo Einstein, ou coisa que o valha, mas gosto de pensar pela minha cabeça – acho que ela serve também para isso, e não apenas para experiências com os champôs e os colorantes da moda –, de ter opiniões minhas, fundamentadas pelo meu conhecimento e pela carga empírica que a vida me vai pondo em cima dos ombros. Não entendo, por essa razão, aquela coisa tão tipicamente portuguesa de “emprenhar pelos ouvidos”. Fulano diz-nos uma coisa (normalmente diz mal de Beltrano), e nós, sem tentar sequer averiguar se o que ele diz é verdade, passamos a ter um ódio de morte pelo Beltrano, esse escroque que se finge de simpático mas na verdade deve ter a chave do Inferno debaixo da almofada que usa para dormir! :P

Convenhamos... As opiniões de cada um são isso mesmo: opiniões de cada um. Se uma pessoa – mesmo que seja o teu melhor amigo – tem uma má opinião sobre algo ou alguém, convém que percebas, antes de tomares as dores dele, se essa opinião é válida. Se tem de facto uma razão de ser, ou se resulta, como tantas vezes acontece, do diz-que-disse da malta da zona! Eu, como já disse, gosto de pensar pela minha cabeça. Foi assim que nasceu o nome deste blog, aliás! Numa certa noite do longínquo ano de 2003, quando falava com um amigo sobre tantas e tantas coisas que nos enchem os dias, disse-me ele que achava interessante o facto de eu nunca fazer juízos de valor sobre pessoas e realidades que não conhecia. Que achava muito sensato o facto de eu não tecer comentários, bons ou maus,  sobre determinada coisa, até ter pelo menos a chance de a conhecer com os meus olhos, com os meus ouvidos e com a minha capacidade de pensar. Para esse meu amigo, a minha era uma mente despenteada que recusava ser penteada por pentes alheios. Gostei da metáfora, e assim ficou.

Ao longo dos últimos meses tenho confirmado o que, bem no fundo, sempre soube: as pessoas não pensam. Preferem comer a papa que outros prepararam, que dá menos trabalho e no fim é menos a louça que têm para lavar. É sempre mais fácil dizer, quando se prova que estão errados, que “foi fulano que me disse”. Os fulanos mentem. Premeditadamente ou não, por maldade ou ignorância, por descuido ou impreparação, as pessoas mentem, adulteram, traficam ideias que nem sempre correspondem à verdade. E as outras pessoas ouvem, assimilam, não questionam sequer a veracidade dessas ideias. Pois eu não vou por aí. Eu questiono tudo, e depois destes meses a confirmar como a humanidade pode ser mentirosa, dissimulada e hipócrita, faço ainda maior questão de pensar por mim. Costumo dizer que tenho olhos grandes para poder ver bem. E mesmo não tendo orelhas de abano, gosto de pensar que têm o tamanho suficiente para me fazer chegar o que preciso de ouvir. E tenho cérebro, para usar, para pensar, para desconstruir conceitos e construir novas ideias, minhas e só minhas.

Acusam-me frequentemente de ser demasiado frontal. Politicamente incorrecta, verdadeira além da conta, se é que me entendem. Pode ser. Pode ser que, como me dizem, isso me tenha prejudicado ao longo da vida. Nisso acredito piamente, nem contesto. É mais do que certo que por diversas vezes me dediquei a causas que não mereciam o meu empenho e me aproximei de pessoas que não tinham nível para aguentar a minha amizade, ou sequer para a apreciar, até porque as pessoas só gostam de nós enquanto lhes dizemos o que querem ouvir e lhes damos “oupas” às opiniões e aos juízos de valor que proferem, por mais toscos que sejam. Ora, eu não gosto de ser tosca. Estive quase 10 meses na barriga da mãe, acho que tenho a obrigação de ter nascido bem acabada! E por isso, caros amigos, não tenciono mudar uma vírgula na minha forma de ser e de agir, que é sempre – disso faço questão – educada e respeitadora, mas não servil e idiota. Quem não gostar da pinga pode sempre mudar de tasco! ;)

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Por que é que as pessoas não têm filhos?

Muitas pessoas têm a mania dos filhos. Se os têm só falam deles, se os não têm fazem contas ao dia em que hão-de tê-los ou lamentam o tempo que perderam a preparar-se para os ter até ao momento em que, quando estavam prontas, já ser demasiado tarde. Se as pessoas não se perguntam por que é que (ainda) não tiveram filhos, há sempre alguém pronto a fazer essa pergunta por elas! "Então, quando é que tens um filho?", "Para quando o rebento?", "Já estão juntos há tanto tempo, não pensam nisso?!"...

Bem sabemos que a população portuguesa está envelhecida, e que faz falta que nasçam muitas crianças, mas nem toda a gente pode ou quer contribuir para esse crescimento demográfico, ainda que reconheça nele um desígnio nacional premente! O que me choca nem é tanto a pergunta, mas antes a insistência, a cobrança, a ideia de que é obrigatório a quem está num relacionamento estável ou atinge uma certa idade o projecto de ter um "rebento". Ou vários. E depois aquela ideia nojenta de que "uma mulher sem filhos é incompleta, é apenas meia-mulher"...

Ter filhos não é nem pode ser algo imposto pelos outros. Ter filhos, ou não os ter, é um assunto nosso, do foro íntimo de cada um de nós, do casal, da família, de cá de casa. Privado! Sei que nem sempre há maldade na pergunta, mas caramba... Se duas pessoas estão juntas há cinco, 10, 15 anos e não têm filhos, ou é porque não querem ou é porque não podem, não vos parece claro?! Parem de perguntar, de exigir, de cobrar um prazo para o que nunca vai acontecer!

Já vos passou pela cabeça que essa pergunta que repetem até à exaustão ecoa todos os dias na cabeça de milhões de pessoas em todo o mundo, como uma obrigação a satisfazer para gáudio e capricho de terceiros, para quem é fraco e não pensa pela própria cabeça, ou como uma triste confirmação de uma incapacidade, de um "defeito" que nos tolhe e nos deprime, se ter filhos era algo que queríamos muito, desde miúdos, mas que afinal nos é impossível ter? "Para quando um rebento?", perguntam vocês. E para quando meteres-te na tua vida, perguntamos nós!

Por circunstâncias imensas e muito variáveis há pessoas que não podem ter filhos ou que escolheram não os ter. Get over it! Mesmo sendo pessoas amorosas, que adoram crianças, que se emocionam com as crianças dos outros, há pessoas que nunca vão ter filhos, fixem bem isto! Habituem-se à ideia! E parem de os exigir, de os reclamar! Porque um dia destes a pessoa farta-se de ouvir a pergunta e quando lhe perguntarem pelo rebento arriscam-se a que ela vos rebente a cara toda! Just saying... 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Do amor, que é cego e louco...


Tenho um amigo que está a sofrer por amor. Bem, pelo menos um! É possível que tenha vários amigos acometidos pelo mesmo mal, mas apenas este o demonstrou de forma inequívoca e falou comigo sobre o assunto. Ouvi-o, tentei dar-lhe bons conselhos. Não que seja guru nestas coisas, mas com o saber feito de quem ajudou outras pessoas com problemas semelhantes, e de quem, há anos-luz, tantos que parecem já ter pertencido a outra existência, também sofreu dos males do coração. Acontece aos melhores...

O meu amigo só quer ser feliz. Diz que encontrou a pessoa que há-de fazê-lo feliz, e que ele quer fazer feliz. Eu não acredito em pessoas felizes. Ninguém é feliz. Há momentos felizes, e todos os queremos em grande número, mas não é possível ser-se feliz a toda a hora, e por isso ninguém “é” feliz. As pessoas “estão” felizes em dado momento, “ficam” felizes quando estão com outras pessoas, quando partilham com elas os melhores momentos das suas vidas, mas ninguém “é” feliz, e sobretudo ninguém faz outra pessoa ser feliz. Nem por amor, nem por falta de amor (há pessoas que mais nos vale que não nos amem, acreditem!).

O amor é simples. Verdadeiramente simples, na verdade. Como quase tudo na vida. O amor tem uma lógica: duas pessoas encontram-se, apaixonam-se, querem estar juntas. Amam-se. O chato é quando o processo é unilateral, e um ouve campainhas e sente borboletas no estômago de cada vez que o outro se aproxima, mas o outro revela a sensibilidade de uma pedra... E isso é complicado. O amor é simples, o não-amor é uma complicada tormenta...