Gosto de pensar que tenho um cérebro e que sei usá-lo. Não digo que sou um novo Einstein, ou coisa que o valha, mas gosto de pensar pela minha cabeça – acho que ela serve também para isso, e não apenas para experiências com os champôs e os colorantes da moda –, de ter opiniões minhas, fundamentadas pelo meu conhecimento e pela carga empírica que a vida me vai pondo em cima dos ombros. Não entendo, por essa razão, aquela coisa tão tipicamente portuguesa de “emprenhar pelos ouvidos”. Fulano diz-nos uma coisa (normalmente diz mal de Beltrano), e nós, sem tentar sequer averiguar se o que ele diz é verdade, passamos a ter um ódio de morte pelo Beltrano, esse escroque que se finge de simpático mas na verdade deve ter a chave do Inferno debaixo da almofada que usa para dormir! :P
Convenhamos... As opiniões de cada um são isso mesmo: opiniões de cada um. Se uma pessoa – mesmo que seja o teu melhor amigo – tem uma má opinião sobre algo ou alguém, convém que percebas, antes de tomares as dores dele, se essa opinião é válida. Se tem de facto uma razão de ser, ou se resulta, como tantas vezes acontece, do diz-que-disse da malta da zona! Eu, como já disse, gosto de pensar pela minha cabeça. Foi assim que nasceu o nome deste blog, aliás! Numa certa noite do longínquo ano de 2003, quando falava com um amigo sobre tantas e tantas coisas que nos enchem os dias, disse-me ele que achava interessante o facto de eu nunca fazer juízos de valor sobre pessoas e realidades que não conhecia. Que achava muito sensato o facto de eu não tecer comentários, bons ou maus, sobre determinada coisa, até ter pelo menos a chance de a conhecer com os meus olhos, com os meus ouvidos e com a minha capacidade de pensar. Para esse meu amigo, a minha era uma mente despenteada que recusava ser penteada por pentes alheios. Gostei da metáfora, e assim ficou.
Ao longo dos últimos meses tenho confirmado o que, bem no fundo, sempre soube: as pessoas não pensam. Preferem comer a papa que outros prepararam, que dá menos trabalho e no fim é menos a louça que têm para lavar. É sempre mais fácil dizer, quando se prova que estão errados, que “foi fulano que me disse”. Os fulanos mentem. Premeditadamente ou não, por maldade ou ignorância, por descuido ou impreparação, as pessoas mentem, adulteram, traficam ideias que nem sempre correspondem à verdade. E as outras pessoas ouvem, assimilam, não questionam sequer a veracidade dessas ideias. Pois eu não vou por aí. Eu questiono tudo, e depois destes meses a confirmar como a humanidade pode ser mentirosa, dissimulada e hipócrita, faço ainda maior questão de pensar por mim. Costumo dizer que tenho olhos grandes para poder ver bem. E mesmo não tendo orelhas de abano, gosto de pensar que têm o tamanho suficiente para me fazer chegar o que preciso de ouvir. E tenho cérebro, para usar, para pensar, para desconstruir conceitos e construir novas ideias, minhas e só minhas.
Acusam-me frequentemente de ser demasiado frontal. Politicamente incorrecta, verdadeira além da conta, se é que me entendem. Pode ser. Pode ser que, como me dizem, isso me tenha prejudicado ao longo da vida. Nisso acredito piamente, nem contesto. É mais do que certo que por diversas vezes me dediquei a causas que não mereciam o meu empenho e me aproximei de pessoas que não tinham nível para aguentar a minha amizade, ou sequer para a apreciar, até porque as pessoas só gostam de nós enquanto lhes dizemos o que querem ouvir e lhes damos “oupas” às opiniões e aos juízos de valor que proferem, por mais toscos que sejam. Ora, eu não gosto de ser tosca. Estive quase 10 meses na barriga da mãe, acho que tenho a obrigação de ter nascido bem acabada! E por isso, caros amigos, não tenciono mudar uma vírgula na minha forma de ser e de agir, que é sempre – disso faço questão – educada e respeitadora, mas não servil e idiota. Quem não gostar da pinga pode sempre mudar de tasco! ;)


