sábado, 20 de fevereiro de 2016

Do amor, que é cego e louco...


Tenho um amigo que está a sofrer por amor. Bem, pelo menos um! É possível que tenha vários amigos acometidos pelo mesmo mal, mas apenas este o demonstrou de forma inequívoca e falou comigo sobre o assunto. Ouvi-o, tentei dar-lhe bons conselhos. Não que seja guru nestas coisas, mas com o saber feito de quem ajudou outras pessoas com problemas semelhantes, e de quem, há anos-luz, tantos que parecem já ter pertencido a outra existência, também sofreu dos males do coração. Acontece aos melhores...

O meu amigo só quer ser feliz. Diz que encontrou a pessoa que há-de fazê-lo feliz, e que ele quer fazer feliz. Eu não acredito em pessoas felizes. Ninguém é feliz. Há momentos felizes, e todos os queremos em grande número, mas não é possível ser-se feliz a toda a hora, e por isso ninguém “é” feliz. As pessoas “estão” felizes em dado momento, “ficam” felizes quando estão com outras pessoas, quando partilham com elas os melhores momentos das suas vidas, mas ninguém “é” feliz, e sobretudo ninguém faz outra pessoa ser feliz. Nem por amor, nem por falta de amor (há pessoas que mais nos vale que não nos amem, acreditem!).

O amor é simples. Verdadeiramente simples, na verdade. Como quase tudo na vida. O amor tem uma lógica: duas pessoas encontram-se, apaixonam-se, querem estar juntas. Amam-se. O chato é quando o processo é unilateral, e um ouve campainhas e sente borboletas no estômago de cada vez que o outro se aproxima, mas o outro revela a sensibilidade de uma pedra... E isso é complicado. O amor é simples, o não-amor é uma complicada tormenta...

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