domingo, 7 de setembro de 2008

Momento de fragilidade

Quando a morte se cruza connosco e invade o quotidiano de pessoas que conhecemos, mesmo que não tenhamos com elas muito em comum – porque são de outro tempo e defendem outras ideologias –, há sempre uma onda de tristeza que se apodera de nós. Há um momento de fragilidade que toma conta das nossas lágrimas, que as espalha ao vento, quando vemos chorar compulsivamente alguém que fica só, irremediavelmente só, numa altura da vida em que a idade já tornava mais caseira a existência, e que o companheiro de mais de meio século era a figura mais presente e mais querida. Nesse momento, sentimos forçosamente que não somos imortais, e quando parte alguém de quem gostamos, o mundo se transforma, subitamente, num lugar mais cinzento. Deixo à D. Belarmina, que nos últimos dias viu partir o seu marido, os meus sentimentos.

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