Poderá soar a hipocrisia isto que agora me preparo para vos dizer, mas não é. É antes a constatação, feliz, de que ainda há pessoas de bem, empenhadas em agir com rectidão e com seriedade, que não se limitam a fazer figura de corpo presente apenas quando a ocasião favorece uma posterior recolha de dividendos. Honório Novo é deputado, pelo círculo do Porto, à Assembleia da República. Manteve, durante anos, estreita relação com «O Primeiro de Janeiro», chegou a visitar as instalações da redacção e a reunir-se ali com alguns camaradas meus, e cruzou-se milhares de vezes com alguns de nós, em serviço de reportagem, quando o acompanhávamos nas visitas que fazia aos bairros e a outros cenários sociais, quer no Porto, quer em Matosinhos, cidade em que detém o cargo de vereador.Ideologias à parte, que a dele é a dele e as nossas são as nossas, Honório Novo é uma pessoa que inspira confiança. Nunca se furtou a comentar temas polémicos, quando a isso o desafiávamos (mesmo por telefone), e defendeu sempre a sua perspectiva das coisas com uma seriedade inabalável. Nos primeiros dias após o despedimento ilegal de mais de 30 pessoas no «Janeiro», Honório Novo interrompeu as férias e foi saber o que se passava, de viva voz, no local. Reuniu-se connosco, e prometeu acompanhar a situação e diligenciar, dentro das suas competências enquanto representante da nação e da cidade, no sentido de defender os direitos e os interesses dos despedidos. No dia seguinte, retomou as suas férias, e ninguém ousaria censurá-lo por isso. Já tinha feito mais do que muitos, com mais obrigações, em ter dado a cara por nós, ao nosso lado à porta de uma redacção trancada a sete chaves.
No entanto, Honório Novo não se ficou por aí, nessa promessa de empenho e de acção que, à falta de continuidade, poderia parecer um mero pro forma. Não! Assim que veio de férias, o deputado contactou-me para saber em que pé andavam as coisas, dizendo que pretendia inteirar-se de tudo para melhor poder preparar os requerimentos e as perguntas que pretendia endereçar ao Governo, mal reabrisse o Parlamento. E assim fez. A edição de hoje do «Público» – com uma “primeira” um nadinha mais vestida do que a de ontem –, relata que os requerimentos do deputado do PCP deram entrada na Assembleia da República, e desvenda um pouco do seu conteúdo. Hoje, novamente, o parlamentar comunista contactou-me, alertando para a notícia do «Público» e dando conta da sua disponibilidade para enviar ao grupo de jornalistas alvo de despedimento ilegal os dois requerimentos que apresentou. Aí está um homem que cumpre a palavra dada. Um homem que não se esquece, como nós também não esqueceremos. Receba, caro Honório, um cordial abraço! Obrigada.
Subscrevo, não que tenha ficado minimamente surpreendido.
ResponderEliminarO homem é um senhor, de facto! Já tinha essa ideia dele, de tantos anos de convívio em trabalho, mas a forma como se envolveu no nosso caso, e noutros semelhantes - não faltam por aí despedimentos deste tipo, infelizmente - deixou-me um enorme sorriso. Terá sempre em nós um amigo, e esse é o melhor bem que podemos ter.
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