quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Depois do silêncio...

O empresário Eduardo Costa, proprietário do jornal O Primeiro de Janeiro, afirmou hoje, em comunicado enviado à Lusa, que a continuidade daquele matutino portuense, publicado há 140 anos, "não está em causa". "A minha intervenção em 1992 salvou O Primeiro de Janeiro da falência", afirma aquele empresário, que sublinha ter pessoalmente investido muito naquele diário, o que tenciona continuar a fazer, "para manter e elevar este centenário matutino". Estas são as primeiras declarações que Eduardo Costa faz desde que o Primeiro de Janeiro suspendeu a sua publicação em 01 de Agosto, após o despedimento colectivo de toda a redacção (34 jornalistas e três administrativos), regressando às bancas três dias depois pela mão de Rui Alas, ex-director do suplemento desportivo do jornal, e quatro jornalistas do mesmo suplemento.
A anterior directora do jornal, Nassalete Miranda, tinha anunciado em 31 de Julho que O Primeiro de Janeiro cessaria a sua publicação durante o mês de Agosto "para modernização em termos gráficos e de conteúdo". Um mês depois de terem sido despedidos, cerca de 20 trabalhadores de O Primeiro de Janeiro juntaram-se hoje de novo frente à administração para exigir respostas quanto aos salários em atraso. "O assunto está a ser tratado e irá ser dado seguimento aos pagamentos logo que possível", afirmou a secretária da administração do jornal, que recebeu, esta tarde, os trabalhadores. No comunicado enviado à Lusa, após sucessivos pedidos de entrevista a que nunca acedeu, Eduardo Costa argumenta que as dificuldades que atravessa actualmente toda a imprensa escrita e o passivo que o Primeiro de Janeiro acumula desde meados dos anos 80 estão na origem da actual situação. "Tendo conhecimento de que a velha empresa não tinha dinheiro para pagar os salários nomeadamente da sua redacção e que não tinha outra solução e rescindir com os trabalhadores, a proprietária do título viu-se obrigada a rescindir os acordos que vinha mantendo com a centenária empresa e retirar-lhe a exploração do título", afirma Eduardo Costa.
Acrescenta que agora, "noutro modelo, imposto pelas circunstâncias", tem "um projecto de desenvolvimento" para o qual procura parceiros e uma nova solução empresarial que faça crescer o jornal, "beneficiando do valioso património que representa". "Lembramos que demos ao Porto, ao Norte e ao País durante 15 anos um valioso diário, que foi cumprindo sempre a sua missão e pagando aos seus trabalhadores, porque é do conhecimento que a estes está por regularizar pouco mais de um mês de salário", afirma, sem dizer quando será saldada esta dívida. Paulo Almeida, jornalista despedido e porta-voz da redacção, disse à Lusa desconhecer "totalmente o novo projecto", aguardando que desta vez a administração cumpra com o prazo de duas semanas para os pagamentos devidos.

Agência Lusa
Foto: Mente Despenteada

2 comentários:

  1. Vamos esperar para ver o que vai acontecer...
    Já é tempo de algo de correcto se fazer.
    O "nosso" jornal merece mais e melhor

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  2. O Sr. Eduardo já tinha falado à Visão... A Sra. Nassalete é que continua sem nada para dizer, certo?

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