Está situada no concelho de Santo Tirso e é a única fábrica de pneus a operar em solo português. Setenta por cento da produção da CAMAC destina-se ao mercado britânico, mas por causa da desvalorização da libra esterlina está a passar por dificuldades que afectam sobretudo os 290 trabalhadores da empresa, que desde Junho não recebem os seus salários. Hoje, tomaram uma posição e interromperam a produção. Para breve planeiam uma manifestação à porta da câmara municipal, para exigir a intervenção do autarca local, Castro Fernandes.«O Primeiro de Janeiro» nasceu em 1868, e foi, durante largos anos, um dos baluartes da imprensa nacional, graças à sua isenção e à aposta feita no noticiário internacional. Há uns meses deixou de pagar os salários a tempo e horas, começou a fraccioná-los, e depois acabou mesmo por deixar de os pagar. A redacção foi demitida, ilegalmente e em bloco, e prontamente substituída por um grupo de jornalistas de Desporto, que no dia 1 de Setembro, ontem portanto, receberam a segunda metade do salário de Julho. Continuam, obviamente, a trabalhar. Não ponderaram fazer greve, como os da versão primeira do «Janeiro» não pensaram, até ao momento em que já era demasiado tarde para isso.
Em ambos os casos há salários em atraso desde Junho. Em ambos os casos há muitos trabalhadores cujos direitos foram violados, que sobrevivem com muitas dificuldades. No primeiro caso há uma explicação (ao menos isso!) para o que aconteceu, e ninguém foi chutado pela porta fora, sem dó nem piedade. No segundo, há um empresário que acaba de ser condenado por fraude contra o Estado, mas que também, mesmo assim, foi agraciado com verbas do QREN, e há um grupo de jornalistas que, sem saber que o presente de uns há-de ser o futuro deles mesmos, continua, serenamente, a produzir trabalho sem a justa contrapartida. Dá que pensar, não dá?
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