Era um homem já velho, pequenino e curvado sobre si pelo peso dos anos, talvez das preocupações. Trazia no rosto uma espécie de cansaço desenhado naquele fim de tarde e num estranho esgar dos olhos, de cor indefinida. Esquecido na vertigem dos carros que voavam pertinho dos pés, não ousava sequer um passo para atravessar a movimentada estrada. Notei, ao passar por ele, que ninguém mais parecia notar a sua presença. Ele ali, parado num tempo em que tudo corria à sua volta, bem pertinho de quem passava, captou um momento da minha atenção, voando eu também num ansiado regresso a casa. Pensei, naquele momento, que não mais recordaria o rosto daquele desconhecido. Enganei-me. Sem saber por que razão, recordo-o ainda, agora e aqui, tão longe já daquele momento e daquele lugar. Percorre-me o cérebro uma luz difusa, e entre os seus raios a imagem de solidão daquele homem velho, pequenino e curvado sobre si, à espera de poder atravessar a movimentada estrada ao fim da tarde. Paciente, sozinho, só. Solidão sem palavras, num olhar cansado e sem arrogância. A simpatia por aquele velhinho nasceu assim, repentina e inexplicada, projectada talvez na velhinha que hei-de ser também. Talvez por isso tenha gostado dele…
Um texto lindo.... Parabéns.
ResponderEliminarJM
Se fores como eu ficas logo com lágrimas nos olhos. Por isso é melhor pensares que ele estava ali à espera de uma amiga virtual que conheceu numa sala de chat com a alcunha Fredo375. Coisas parvas à parte, gostei muito. E agora vou imaginar que ele é mesmo o Fredo 375 porque há gente a desconfiar dos meus olhos inchados.
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