Se não tivesse valido para mais nada, e a verdade é que aprendi muito, a vários níveis, durante os mais de sete anos em que fiz parte da redacção de «O Primeiro de Janeiro», a experiência teria, ainda assim, valido a pena, pelas pessoas que conheci. No dia 31 de Julho deste ano, quando nos empurraram porta fora e mudaram a fechadura daquele espaço que durante anos também foi nosso – apesar das incompetências, das palavras azedas de quem vive na inveja, das inundações, dos curto-circuitos, da falta de meios, do cheiro a fossa de alguns dias, da lata de algumas pessoas, dos comentários trocados em surdina na “sala de chuto” no meio da rua, da maldadezinha soletrada aos ouvidos, que fingiam acreditar na sinceridade dos argumentos –, saímos de mãos a abanar, com meses de ordenados em atraso, palavras vazias de sentido e de sentimento, mentiras, promessas fora de prazo e silêncio, muito silêncio. Houve pessoas que nunca mais vi, e sobre essas também aprendi algumas coisas (de algumas já esperava essa atitude, mas houve outras cuja colagem confrangedora ao lado errado da barricada me deixou um sabor amargo na boca). Mas a verdade é que não saí de lá de mãos a abanar. Trouxe amigos. Trouxe memórias, cheiros (nem todos bons, é certo), trouxe olhares, alguns momentos dourados. Trouxe as lágrimas e os sorrisos partilhados com grandes amigas que ficarão para sempre. Trouxe a calma de uns, a exaltação de outros, a coragem e o medo, os ensinamentos, as atrapalhações, a elevação de carácter, a falta dele. Tudo. E tudo valeu a pena. Porque não há dinheiro no mundo que pague os amigos que fiz, os sonhos que partilhei, as vitórias que dividi e as derrotas que ajudei a carregar. Não há dinheiro que pague a amizade, o carácter e a força de quem hoje, fora daquelas quatro paredes amarelas, continua dentro do meu coração. Apenas por isso, que é tanto, teria sempre valido a pena.
Tudo na vida vale a pena,mesmo que nestas experiencias da vida por vezes existam coisas,pessoas e momentos menos bons,no fim recordamos o fazemos do bom e do melhor,armas pacíficas para o nosso presente e encaramos a vida de uma maneira muito melhor.
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