domingo, 28 de setembro de 2008

Persistir na persistência

A três dias de completar dois meses sobre o despedimento ilegal de mais de 30 jornalistas e demais funcionários de «O Primeiro de Janeiro», e quando o assunto já parece ter caído no esquecimento dos meios de informação e da sociedade em geral, são ainda muito poucos os camaradas que conseguiram recomeçar. Alguns deles, que lançaram âncora a um velho e cobarde subterfúgio chamado silêncio, adiantaram-se no marcador dos recebimentos, e graças à recusa de lutarem pelos seus direitos (agora começam a pensar nisso, segundo apurou o Mente Despenteada junto de fontes bem informadas) contam já no bolso com os dois salários que estavam em atraso naquele dia em que o «Janeiro» ia fechar, mas acabaria por reabrir escassas horas depois, com um grupo de jornalistas do suplemento desportivo a tomar conta do barco. Dois meses depois, o balanço é francamente negativo, se pensarmos que engrossam as fileiras do desemprego cerca de 30 pessoas que, na maioria dos casos, carregam nos ombros a proeza de ter mantido vivo o «Janeiro», antes da reviravolta que o transformou no lixo que é hoje. A atitude da administração foi inclassificável, para dizer o mínimo, e ainda mais hedionda para com o grupo que tinha sido “dispensado” cerca de um mês antes de nós, já que os três jornalistas continuam sem receber nem um cêntimo referente aos ordenados de Junho e Julho (a nós pagaram uma parte de Junho). Para esses meus amigos, que tanto deram àquela casa e que continuam sem nada, deixo aqui os votos sinceros de que, como eu consegui, como outros conseguiram, em breve se levantem de novo e recomecem a sua vida profissional, em espaços novos, amplos, limpos de ar e de vícios, com boa gente, com camaradagem e com boas práticas. Até lá, persistam! Vão ao fundo de vós encontrar a força, a garra e a coragem necessárias. Persistam na persistência. Estarei sempre a torcer por vós. Um abraço a todos.

2 comentários:

  1. Obrigada. Igualmente. Mas prefiro ser parva a ser cobarde e a ter de assinar comentários com um tão pouco caloroso "anónimo". Não me assentaria nada bem, porque gosto de assumir sempre as minhas opiniões! Mas, ao contrário do que certamente pensaste, não vou apagar este teu atestado de cobardia. No Mente Despenteada há sempre espaço para mais um, mesmo que seja alguém que recusa assumir claramente as suas opiniões e que faz do insulto anónimo a sua forma de ser e de estar. Volta sempre!

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