É assim que eles se intitulam, usando estas exactas palavras. E parece que nos últimos anos se afeiçoaram a essa ideia de tal forma que já não querem fazer outra coisa. Eles querem ser e fazer oposição. E a vontade de se oporem é tanta, que até já a usam uns contra os outros, mesmo dentro do partido, e perdem mais tempo com questõezinhas internas do que com os assuntos do país e da sua governação. O PSD anda à deriva e, por este andar, corre sérios riscos de deixar de ser “o maior partido da oposição”, mas não por deixar de ser oposição, entenda-se!Não sou exactamente fã de Luís Filipe Menezes, mas considero que aquilo que fizeram ao homem enquanto era presidente do PSD foi indigno de um partido que anseia ser, e que se afirma como tal, alternativa de governo, mesmo em Portugal. Bocas foleiras nos bastidores da social-democracia, uns bitaites maldosos, espalhados com a ajuda de um grupinho de diligentes assessores e de uns lambe-botas à espera de um tacho, a par de umas entrevistas com vista a lançar para o ar umas candidaturas à liderança que nunca haveriam de se concretizar, foi uma estratégia quase infantil, imprópria portanto do tal partido que se diz grande, mas cujas últimas lideranças têm sido demasiado pequenas para o resgatar do marasmo que lhe custou uns quantos milhares de votos nas últimas votações a que se apresentou.
Luís Filipe Menezes surpreendeu o mundo – ou então foi só a mim, mas confesso que a surpresa foi grande – quando se demitiu do cargo que há tanto tempo ambicionava ter e desligou o interruptor que alimentava a má-língua no seio do partido laranja. Foi um “basta!” literal, que marcou uma viragem na forma como passei a ver Menezes. É que, por muito que um gajo queira uma coisa, ser achincalhado por aqueles deveriam ser os primeiros a respeitá-lo (porque ele era seu presidente, e estava num lugar para o qual nenhum dos seus delatores tinha ousado candidatar-se, tentando genuinamente fazer algo que salvasse o PSD do estado comatoso em que se encontra há largos anos), deixa qualquer um com vontade de mandar tudo à fava. E Menezes mandou.
O erro dele veio depois. Primeiro, porque nunca se deve dizer nunca. Segundo, porque nunca é demasiado tempo. Portanto, quando disse que não ia falar, errou. E portanto, a promessa – que não tinha pernas para andar – foi quebrada, e o autarca de Gaia fez o que há muito se sabia que ele faria: falar. E falou para criticar a actual líder, a tal que parece gozar de imunidade no seio do partido, defendida por um trabalhador grupo de acossados pseudo-barões, que se atiram como cães aos críticos da senhora. Menezes é o ex, o passado, o último cromo da colecção, e como tal – pensam os senhores a quem se convencionou chamar “aparelho” – já não interessa. Na edição de hoje de um jornal gratuito da nossa praça, Menezes foi literalmente convidado a calar-se. Primeiro com uma pseudo-notícia que dava conta de que o PSD começaria a estar farto do autarca, e depois com um artigo de opinião assinado pelo director (que afinal escreve um cadito melhor do que fala, já que da última vez que o vi falar em público não foi sequer capaz de articular uma única frase com sentido), e que chega mesmo ao ponto de aconselhar o social-democrata a trocar a cadeira da política pelo divã do psiquiatra (a liberdade de imprensa NÃO é isto!).
Diz a referida nota que qualquer dia é o PSD que diz “basta” a Menezes. Estou ansiosa. Talvez seja mais um a bandear-se para o partido dos cidadãos independentes. E depois vai ser bonito: já temos a abstenção a sair vencedora de qualquer acto eleitoral que se realize neste país, agora só faltava termos o “partido dos independentes” a conquistar mais câmaras e deputados do que “o maior partido da oposição”…
Regionalização: PRECISA-SE.
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