Ditou a sorte, ou talvez tenha sido apenas o acaso, que hoje, por tarefas inerentes ao meu novo emprego, tivesse de contactar a redacção da versão segunda de «O Primeiro de Janeiro». Obviamente não me identifiquei como uma daquelas 32 pessoas descartáveis do lamentável episódio do fatídico dia 31 de Julho, como também não maltratei qualquer das pessoas com quem falei, e foram várias, até chegar à fala com o jornalista que tinha de contactar. Foi simpático, e disponibilizou-se de imediato para uma futura conversa, a fim de agilizarmos a prossecução de um objectivo comum: a divulgação de um evento. Foi apenas no momento da troca de endereços electrónicos – sabendo eu exactamente com quem falava, e não tendo ele a mínima ideia de que do outro lado da linha tinha uma ex-colega (as redacções do «PJ» e de «O Norte Desportivo» não eram exactamente contíguas, e por isso não tínhamos, no rés-do-chão, um nível de familiaridade com os colegas do primeiro andar que nos permitisse identificar as suas vozes ao telefone) –, que ele me explicou que o final do e-mail que me fornecia (...@onortedesportivo.com) fazia alusão ao que definiu como “um jornal que fazíamos antigamente”. Nessa altura não contive um sorriso, amarelo, algo tristonho até, mas em jeito de uma gargalhada para dentro de mim. Foi há pouco mais de um mês que correram connosco, mas aquele “antigamente” fez cair, com um baque na minha cabeça, a crueza da coisa: eles tomaram o nosso lugar, e nós passámos à história! Já somos do "antigamente"...
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