segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Dois empresários, duas medidas

Noticia a Agência Lusa que “um empresário decidiu suspender o trabalho de uma fábrica têxtil da Covilhã e entregar as chaves nos serviços de Finanças, em protesto contra a acção do Estado. António Lopes protesta contra o facto de a firma ser alvo de penhoras por dívidas ao fisco, mas ao mesmo tempo ter verbas bloqueadas e acesso à banca vedado devido ao atraso de decisões judiciais. O empresário reabriu a fábrica de fiação depois de a ter adquirido em Dezembro de 2005, num processo de insolvência no Tribunal da Covilhã, mas até hoje nunca houve trânsito em julgado da aquisição. A recuperação da empresa “tem sido feita com capital próprio dos gerentes, porque sem o processo concluído, não temos acesso à banca”, disse o empresário. Por outro lado, “a Fiper depende do trânsito em julgado para boa cobrança de 388 mil euros de IVA, ao passo que as dívidas ao fisco são de 36 mil euros. É fácil fazer as contas”, desabafou António Lopes” (Agência Lusa).

Este homem, que comprou uma empresa falida e investiu do seu próprio bolso para a reabilitar, conservando numerosos postos de trabalho que, de outro modo, teriam deixado de existir, é alvo de perseguição por parte do Estado. Por outro lado, e nem é assim tão longe da Covilhã, um outro empresário, que em Março deste ano até foi condenado a dois anos e meio de prisão, com pena suspensa por um, pelo facto de ter burlado o Estado em milhões de euros, e que há cerca de uma semana demitiu todos os trabalhadores de uma das suas empresas, sem dar a cara, sem lhes pagar dois meses e meio de ordenados ou qualquer tipo de indemnização, e anunciando o despedimento colectivo ilegal pela boca de uma responsável sua subordinada, é referenciado pelo Governo como um “empresário-modelo”, e até foi agraciado com verbas do QREN para uma das suas empresas, mesmo tendo uma colossal dívida às Finanças e à Segurança Social, para que arrastou quase todos os funcionários que despediu ilicitamente. Portugal é um país bestial, não é?

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