domingo, 24 de agosto de 2008

Gastronomia fora de horas

Não é comum, mas desta vez, em vez de rumar a Coimbra, como há largos meses vem sendo hábito nos meus fins-de-semana, fiquei pelo Porto. E aproveitando essa circunstância, sabendo que estava a funcionar, desde o passado dia 18, a VIII Feira de Gastronomia de Vila do Conde, a dois passos daqui, pensei: “E se fosse lá almoçar?”. Fiz-me ao caminho, mas ao chegar lá tive uma surpresa. Eram exactamente 14 horas, e não me deixaram entrar. Disse-me um rapaz de cabelo amarelo encaracolado que segurava a porta – uma grade de obras – que a feira fechava das 14 às 15 horas. Foi aí que pensei que me tinha enganado, e fui consultar o letreiro afixado, que confirmava a minha crença: era, de facto, a Feira de Gastronomia, mas estava encerrada à hora de almoço. Lá dentro, no entanto, havia centenas de pessoas a almoçar tranquilamente. E por que razão? Porque tinham entrado antes das 14 horas, momento a partir do qual passava a ser proibido entrar.
A Câmara de Vila do Conde anuncia o certame, a decorrer nos jardins da Avenida Júlio Graça entre os dias 18 e 27 deste mês, como “uma oportunidade a não perder para saborear o melhor da cozinha tradicional portuguesa”. Uma oportunidade que eu, infelizmente ou não, perdi. Porque me recuso a voltar lá, e porque me recusei a aguardar uma hora para poder entrar e almoçar naquele espaço. Mas a história não acaba aqui, e foi pior a emenda do que o soneto: impedida de entrar na feira, fui a uma esplanada ali perto, onde fui prontamente atendida para o almoço, mas depois esperei mais de meia hora pela sobremesa e pelo café, de que acabei por desistir, e pela conta, que optei por pagar ao balcão. Pelo meio, acenei umas quantas vezes ao empregado, que me fez sinal de que viria em seguida, mas que continuou, impávido e sereno, encostado ao balcão, a fazer contas ou simplesmente a olhar para um horizonte qualquer que mais ninguém via. Meia hora nisto! Findo esse tempo, fui pagar ao balcão e pedi para ir à casa de banho. Um cubículo onde mal cabia uma pessoa, que não tinha papel e onde o autoclismo não funcionava. A limpeza também não era o forte daquele espaço. Despenteados amigos, queiram perdoar este meu desabafo, e entendam a minha revolta interior. Nem sou gaja de feiras e certames gastronómicos, mas em Vila do Conde, é certo, não me apanham mais. E tenho dito.

Sem comentários:

Enviar um comentário