domingo, 10 de agosto de 2008

Morte em vida: o melhor do leitor

O jornal online Portugal Diário tem sido absolutamente fenomenal na cobertura do lamentável «caso Janeiro», dando eco de todas as acções dinamizadas pelo grupo de jornalistas que contestam a demissão em bloco da redacção do centenário, há pouco mais de uma semana. Há minutos, consultando o site, deparei com isto:

O MELHOR DO LEITOR
Artigo do leitor Carla Teixeira
(para quem não sabe, sou eu)

Morte em vida. «O Primeiro de Janeiro» não morreu formalmente, já que continua a sair para as bancas um pasquim com o mesmo nome, mas que pouco dignifica os 140 anos daquele que já foi um baluarte da imprensa nacional. De qualquer modo, se o jornal estivesse a mais teria simplesmente desaparecido, ou lutado por um lugar ao sol. O que aconteceu, no entanto, é inenarrável. A administração demitiu em bloco a redacção, para depois entregar a feitura do jornal a um grupo de jornalistas de desporto. Ao mesmo tempo, agiu ilegalmente e não fez sequer a tentativa de falar com os despedidos, nem lhes pagou os dois meses e meio que lhes deve. O «PJ» morreu, porque o sucedâneo que agora se apresenta nas bancas não chega sequer aos calcanhares do que era o nosso jornal. Repete notícias, faz uso de reportagens nossas mudando os nomes de quem as assina, enconsta a directora a um canto, sem que ela mesma perceba, enquanto põe outro no seu lugar, e tudo isto numa altura em que começam a ser demasiado evidentes os actos ilegais desta quadrilha. Moradas falsas? Empresas-fantasma? Há de tudo neste processo! Até um empresário-modelo, agraciado com verbas do QREN, conhecido pelos seus sucessivos trambiques e condenado há menos de meio ano por fraude que lesou o Estado em milhões de euros. Há muito mais em jogo aqui do que a morte de «O Primeiro de Janeiro». Há também a morte dos valores, da Justiça, do decoro. Este caso é vergonhoso, como será vergonhoso este país se ninguém puser cobro a estas situações. Isto é o que verdadeiramente está em causa.

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