A intenção de despedir, de uma assentada, 32 jornalistas do "Primeiro de Janeiro" por parte da Folio – Comunicação Global, Lda, a empresa proprietária do jornal é, para além de uma situação dramática para os camaradas do periódico centenário portuense, um sintomático sinal dos tempos. Constitui, desde logo, um triste sintoma da apatia que reina entre os profissionais da classe, cada vez mais submissos aos mandos e desmandos dos donos de jornais e de outros órgãos de informação. Os proprietários sabem-no muitíssimo bem e não têm pudor em tomarem medidas desta natureza. Fazem-no, em primeiro lugar, porque, não obstante poderem cometer ilegalidades – e no caso do "Primeiro de Janeiro" há fortes suspeitas de que assim seja –, o "ambiente" laboral lhes é cada vez mais favorável. Os ataques aos direitos de quem trabalha são constantes, criando um clima de grande auto-confiança nos patrões sem escrúpulos. Cada vez que o actual e os anteriores governos elaboram um diploma a vida dos trabalhadores fica mais difícil. Há muito que é assim, o mundo dos jornalistas não tem sido excepção. Em segundo lugar, e como consequência do primeiro, os profissionais no activo sentem os seus postos diariamente ameaçados, tornando-se presa fácil de quem os manipula e explora. Precariedade laboral, formação académica e, sobretudo, profissional pouco cuidadas, geram trabalhadores alienados, reféns da luta desenfreada por um lugarzinho ao sol. Em terceiro lugar, e mais uma vez decorrente do que atrás ficou enunciado, o rigor profissional é pouco, a ética (quase) inexistente.
O resultado é a produção de jornais, de programas de rádio, de televisão, ou de matéria informativa em qualquer outro suporte ir baixando de qualidade, passando a misturar-se entretenimento com reportagem, propaganda com notícia, negócio com informação. A deterioração da qualidade jornalística é, assim, secundarizada, desde que o negócio seja lucrativo. Por isso, para alguns tanto faz ter bons como maus jornalistas, o que interessa é haver quem produza "conteúdos", sejam notícias ou "histórias da carochinha". A curto prazo, e do ponto de vista empresarial, tudo correrá às mil maravilhas, de melhor ou pior qualidade, o que importa é "vender". A médio e longo prazo é que a coisa é pior e não é para as empresas deste tipo, que podem, num abrir e fechar de olhos, despedir toda gente, vender os títulos e mudar de ramo, passando a negociar em sabonetes, especular na bolsa ou fundar uma universidade num lugar qualquer. Quem, a médio e longo prazo, acabará por sofrer são os portugueses. Privados de bons jornais, estações de rádios sérias, televisões com princípios, deixarão de andar bem informados, perderão capacidade crítica, serão mais facilmente manipulados, ficando, afinal, à mercê de quem os quer despedir sumariamente e de quem permite que isso seja feito. Ser solidário e defender os jornalistas do "Primeiro de Janeiro" que o proprietário quer despedir não é apenas uma questão de classe profissional, nem de classe social, é uma questão de preocupação com o futuro da sociedade portuguesa.
O resultado é a produção de jornais, de programas de rádio, de televisão, ou de matéria informativa em qualquer outro suporte ir baixando de qualidade, passando a misturar-se entretenimento com reportagem, propaganda com notícia, negócio com informação. A deterioração da qualidade jornalística é, assim, secundarizada, desde que o negócio seja lucrativo. Por isso, para alguns tanto faz ter bons como maus jornalistas, o que interessa é haver quem produza "conteúdos", sejam notícias ou "histórias da carochinha". A curto prazo, e do ponto de vista empresarial, tudo correrá às mil maravilhas, de melhor ou pior qualidade, o que importa é "vender". A médio e longo prazo é que a coisa é pior e não é para as empresas deste tipo, que podem, num abrir e fechar de olhos, despedir toda gente, vender os títulos e mudar de ramo, passando a negociar em sabonetes, especular na bolsa ou fundar uma universidade num lugar qualquer. Quem, a médio e longo prazo, acabará por sofrer são os portugueses. Privados de bons jornais, estações de rádios sérias, televisões com princípios, deixarão de andar bem informados, perderão capacidade crítica, serão mais facilmente manipulados, ficando, afinal, à mercê de quem os quer despedir sumariamente e de quem permite que isso seja feito. Ser solidário e defender os jornalistas do "Primeiro de Janeiro" que o proprietário quer despedir não é apenas uma questão de classe profissional, nem de classe social, é uma questão de preocupação com o futuro da sociedade portuguesa.
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