Com tanto funcionário público lentinho a trabalhar nas diversas repartições de Finanças deste país, logo tinha de me calhar o mais info-excluído da nossa praça. Bem sei que foi com substancial atraso – cerca de dois meses – que hoje me desloquei à repartição de Finanças de Santo Tirso (podia ter sido outra qualquer, mas por motivos profissionais é em Santo Tirso que me encontro durante todo o dia de hoje), a fim de pagar o Imposto Único de Circulação. Primeiro contratempo: à hora do almoço, a referida repartição estava fechada. Abriria às 14 horas, para encerrar às 16 horas (“Quem quer bons empregos arranja-os”, pensei). Quando o relógio anunciou as duas da tarde, lá fui eu. Estavam oito pessoas à minha frente e dois balcões a funcionar. Num deles, o funcionário olhava demoradamente para um cheque apresentado por um contribuinte, tentando resolver o facto de a validade do dito documento ter expirado em Julho passado. Nada havia a fazer – o cheque não valia nada! –, mas o funcionário, o contribuinte e a mulher deste tentaram, durante longos minutos, e necessariamente de forma infrutífera, resolver o problema, até que desistiram, para gáudio da assistência, que então era já bastante mais volumosa. Entretanto abria um terceiro balcão, e eu, tendo por base o ar menos saloio do funcionário que acabava de chegar, rezava para ser atendida por ele. Mas não… Calhou-me, que nestas coisas sou muito azarada, o senhor que não sabia o que fazer ao cheque sem validade do casal que por ali se mantinha, encostado ao balcão. A coisa era simples: eu queria pagar o imposto, a multa, os juros de mora e ir trabalhar. Quaisquer dois minutos seriam suficientes, mas o senhor levou cerca de meia hora a atender-me, enquanto nos balcões ao lado eram aviadas nove (nove!) pessoas! E por que razão se demorava? Porque queria entrar numa secção do site das Finanças e sempre que digitava a password recebia uma mensagem de erro que lhe dizia “já efectuou o login noutra janela”. Ele franzia o sobrolho e, sem indagar que janela seria essa, entre as tantas que tinha abertas, voltava a digitar a password e a receber a mesma mensagem de erro. Novamente o sobrolho franzido, o meu suspiro, uma certa gargalhada interior… Isto passou-se umas cinco ou seis vezes. Até que me subiu a mostarda ao nariz e não aguentei. Disse-lhe que fechasse todas as janelas, e que tentasse de novo. E não é que resultou? Meia hora depois, e com os impressos na mão, saí da repartição. À espera de serem atendidos estavam já mais de 20 contribuintes. Lancei um sorriso a um deles, que aguardava junto à porta, e desejei-lhe boa sorte. De certeza que ele, como todos os outros, ia precisar dela…
Sem comentários:
Enviar um comentário