sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fica uma espécie de vazio...

Passar a um colega – ou a vários colegas – dossiers que nasceram connosco, que saíram da nossa veia e do nosso coração, nos quais depositamos o melhor da nossa escassa sabedoria, é como deixar fugir um filho. Fica uma espécie de vazio, e a vontade de gritar “ei, isso é meu, fui eu que fiz isso”. E fui. Porque muitas vezes fui além do que me pediam, criei mais do que era suposto inicialmente, e agora, na hora da despedida, vejo partir esses meus filhos, sem meios ou legitimidade para os segurar. Hoje ligo o computador e vejo circular por aí, anonimamente, muitos e muitos textos que produzi, e alguns projectos que considero muito interessantes. Serão consultados por muita gente. Lidos, assimilados ou criticados por muita gente. E essa é a beleza da coisa! Mas porque ponho sempre muito de mim em tudo o que faço, fica a expectativa: que virá a seguir? Quem dará continuidade ao que iniciei? E será exequível continuar algo que, em alguns casos, ficou tão marcado por um estilo que é só meu? Como uma mãe que vê sair de casa um filho, continuarei atenta ao percurso de tudo o que fiz nascer, desejando sempre, obviamente, o maior sucesso possível a todos os projectos, e mantendo aquela pontinha de saudade característica de todas as mães que estão longe das suas crias. Mas como diz o outro, vou andar por aí, cruzando-me insistentemente com os filhos que deixei fugir da minha mão. É deixá-los aprender a estar sem mim. Embora fique uma espécie de vazio cá dentro…

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