Sinto que vos abandonei. Que tenho andado por aí – qual ovelha tresmalhada –, sem tempo para ter tempo de estar convosco, ou sequer de vir aqui deixar-vos as minhas tão intensas, apaixonantes e tantas vezes fúteis emoções quotidianas. Sinto que os dias têm sido curtos – demasiado curtos – para a confraternização a que já estávamos habituados, e para recuperar o tempo, e as distâncias, que nos separam, a mim de todos vós. Sobretudo, sinto a vossa falta! Não que não haja saudades. Mas tenho andado calada, taciturna até, às vezes sozinha na multidão, metida dentro de mim. E o tempo de ter tempo, esse…
Não tenho tido tempo de estar com dois dos meus melhores amigos, grávidos e felizes. Como queria dividir com eles a emoção da barriga que cresce, as dúvidas, os anseios e os medos que os assaltam, os saberes que se colecciona nestas alturas, as gargalhadas partilhadas tantas e tantas vezes naquele tempo em que ela e ele ainda não eram eles, e ela e ele eram dois e ainda não eram três! E como queria conjugar os meus tempos para ter tempo de viver a inveja que tenho deles, por trazerem ao mundo, a breve trecho, o meu sobrinho Henrique!
Não tive tempo de estar com dois outros grandes amigos quando a Maria vinha a caminho, e depois dela já nasceu a Sara, e depois também o Miguel, que ainda nem conheço, nem com outros dois, que sofreram tanto para ver chegar a Mafaldinha, que só conheci, por acaso, num corredor de um centro comercial quando ela já tinha dois anos. Portei-me mal. A ausência de um amigo é crime sem perdão, mas ainda assim sinto que eles me perdoam, porque sabem que a verdadeira amizade suporta as ausências e supera as distâncias.
Não tenho tido tempo para trocar duas palavras que seja com alguns amigos que vou encontrando, e essa solidão que me imponho – perdoem-me! – não sei explicar. O acaso fez com que por estes dias encontrasse uma amiga de uma amiga que não vejo há muito tempo. E como tenho saudades dela! E há tantas e tantas pessoas de quem sinto falta, e a quem, mesmo assim, não tenho tido tempo, nem coragem ou iniciativa de telefonar, de saber por onde andam. Guardo as saudades dentro de mim, e se me ligam tudo se ilumina no meu coração. Mas não sou capaz de lhes ligar, de ir ao seu encontro ou de perguntar onde estão.
Tornei-me mais só. Premeditada e conscientemente. Não me dou como antes às emoções, e com isso perco o tempo de ter tempo para os meus amigos. Penso neles. Tanto. Não há dia em que não pense na Raquel e no Rodrigo, na Marlene e no Pintas, na Graça e no Jorge, na Lídia e no Carlos, na Judite, na Liliana, na Sofia, na Luísa, no David, na Isabel, no Orlando e no Pedro, que há dias perderam o emprego de forma quase tão inglória como o despedimento de que fui também alvo, juntamente com mais de 30 camaradas… e tenho saudades de todos (bem, de quase todos) aqueles com quem partilhei momentos importantes da minha vida. Mas tornei-me mais solitária. Não mais infeliz, não mais preocupada, não mais sozinha no fundo. Tenho o amor da minha vida e tenho a minha família. Tenho os meus amigos, assim mesmo, na distância, mas também no quentinho do meu coração. Só que não tenho tido tempo para sair de mim e ir mais longe. Desculpem-me por isso. É o egoísmo a que tenho direito e que nunca tinha usado. Qualquer dia voltamos a falar. Combinado?
Love you all.
Não tenho tido tempo de estar com dois dos meus melhores amigos, grávidos e felizes. Como queria dividir com eles a emoção da barriga que cresce, as dúvidas, os anseios e os medos que os assaltam, os saberes que se colecciona nestas alturas, as gargalhadas partilhadas tantas e tantas vezes naquele tempo em que ela e ele ainda não eram eles, e ela e ele eram dois e ainda não eram três! E como queria conjugar os meus tempos para ter tempo de viver a inveja que tenho deles, por trazerem ao mundo, a breve trecho, o meu sobrinho Henrique!
Não tive tempo de estar com dois outros grandes amigos quando a Maria vinha a caminho, e depois dela já nasceu a Sara, e depois também o Miguel, que ainda nem conheço, nem com outros dois, que sofreram tanto para ver chegar a Mafaldinha, que só conheci, por acaso, num corredor de um centro comercial quando ela já tinha dois anos. Portei-me mal. A ausência de um amigo é crime sem perdão, mas ainda assim sinto que eles me perdoam, porque sabem que a verdadeira amizade suporta as ausências e supera as distâncias.
Não tenho tido tempo para trocar duas palavras que seja com alguns amigos que vou encontrando, e essa solidão que me imponho – perdoem-me! – não sei explicar. O acaso fez com que por estes dias encontrasse uma amiga de uma amiga que não vejo há muito tempo. E como tenho saudades dela! E há tantas e tantas pessoas de quem sinto falta, e a quem, mesmo assim, não tenho tido tempo, nem coragem ou iniciativa de telefonar, de saber por onde andam. Guardo as saudades dentro de mim, e se me ligam tudo se ilumina no meu coração. Mas não sou capaz de lhes ligar, de ir ao seu encontro ou de perguntar onde estão.
Tornei-me mais só. Premeditada e conscientemente. Não me dou como antes às emoções, e com isso perco o tempo de ter tempo para os meus amigos. Penso neles. Tanto. Não há dia em que não pense na Raquel e no Rodrigo, na Marlene e no Pintas, na Graça e no Jorge, na Lídia e no Carlos, na Judite, na Liliana, na Sofia, na Luísa, no David, na Isabel, no Orlando e no Pedro, que há dias perderam o emprego de forma quase tão inglória como o despedimento de que fui também alvo, juntamente com mais de 30 camaradas… e tenho saudades de todos (bem, de quase todos) aqueles com quem partilhei momentos importantes da minha vida. Mas tornei-me mais solitária. Não mais infeliz, não mais preocupada, não mais sozinha no fundo. Tenho o amor da minha vida e tenho a minha família. Tenho os meus amigos, assim mesmo, na distância, mas também no quentinho do meu coração. Só que não tenho tido tempo para sair de mim e ir mais longe. Desculpem-me por isso. É o egoísmo a que tenho direito e que nunca tinha usado. Qualquer dia voltamos a falar. Combinado?
Love you all.
Combinadissimo!
ResponderEliminarbeijos (tb com saudade)
Sei que não faço parte da lista das pessoas em que pensas diariamente...mas eu também tenho saudades tuas...todos os dias venho ler o teu cantinho, e quando não encontro palavras tuas fico triste...
ResponderEliminarMas compreendo-te...ando o usar também o egoísmo a que acho ter direito...
beijos
Cátia Alves da Silva
Obrigada, querida G., pela saudade (dividida parece que pesa menos). Beijinhos para a minha família preferida em S. Mamede/Moledo! :)
ResponderEliminarCatita, estás enganada! Tu és uma daquelas pessoas que englobo nos (quase) todos com quem partilhei parte da minha vida e de que tenho saudades. E penso em ti muitas vezes, acredita! Mesmo que seja em silêncio, estás no lado bom do meu coração. Goza o teu egoísmo, porque tens certamente direito a ele. Mas um dia destes marcamos um cafezito com as meninas todas. Beijo grande!
ResponderEliminarOlá cá estou eu de novo,O sonho de consumo como é que está?
ResponderEliminarOlá, Modesto!
ResponderEliminarÉ um prazer voltar a vê-lo por cá. Infelizmente, e por algum tempo, o meu sonho de consumo terá de ser adiado. Se há algum tempo criticaria - e cheguei a fazê-lo - alguém que abandonasse um emprego sério e certo sem ter outro em vista, agora entendo o que poderá ter motivado essas pessoas. Também eu estou desempregada, e desta vez de forma voluntária. Por motivos estritamente pessoais, demiti-me há alguns dias e neste momento não tenho qualquer colocação profissional. Estou novamente no mercado, e num momento particularmente difícil na área do Jornalismo em concreto e do emprego em geral. Como o poeta, espero e confio. Algo se há-de arranjar. Obrigada pela sua visita e pela sua sempre bem-humorada preocupação com os meus pequenos sonhos! Um beijinho e até breve.