quarta-feira, 24 de junho de 2009

Um desabafo que é uma mensagem

Ao longo da minha ainda curta existência, nem sempre pelos melhores motivos, descobri que sou uma pessoa marcante. Sou directa e frontal, não olho às hierarquias, tenho a tendência para dizer sempre o que penso, doa a quem doer, e até gosto de provocar alguma celeuma com as coisas que sei e que digo. Sou leal para com os meus amigos, apesar de muitos não terem merecido nem honrado essa lealdade, e dou sempre muito mais de mim do que aquilo que recebo.

Normalmente não desisto das coisas de que gosto, porque sei que estou à altura de as alcançar e manter. Agora que estou quase a entrar nos 33 anos, idade que sonhei reiteradamente (durante 12 longos anos, noite após noite) que não conseguiria atingir, encontro-me numa fase de balanço e, acredito, esse balanço é francamente positivo. Porque preferi ser dona de uma moeda do que escrava de duas. Sempre. E porque sou feliz com as escolhas que fiz.

Outra coisa que sempre soube é que, na política como em muitas outras coisas, há gente capaz de ir muito baixo. Gente capaz de se esfregar no lodo que deixou criar na pedra que tem no lugar do coração. Gente capaz de ofender e injuriar, apenas porque não consegue chegar ao mesmo nível daqueles a quem dedica tão viscerais sentimentos.
Sempre tive inimigos, e sempre gostei de os ter, porque como me disse a certa altura uma pessoa que muito prezo, ser consensual é sinónimo de ser desinteressante, incapaz de chocar, de marcar, de ser. E eu sou tudo aquilo que quis ser. A título pessoal, sou até uma das pessoas mais coerentes e honestas que conheço. Por isso faço aqui este parêntesis, e peço a vossa compreensão por isso.

Contrariamente ao que é normal em mim, que raramente desisto daquilo que quero, houve dois episódios em que o fiz: quando desisti de lutar contra a administração de «O Primeiro de Janeiro» pelos ordenados em atraso e pela indemnização a que tenho direito, por ter sido, há já quase um ano, alvo de um despedimento colectivo ilegal, e quando me demiti do emprego que tive depois, por razões estritamente pessoais, mas profundamente importantes para mim.

Desse emprego, na área da assessoria política e de imprensa, constava uma relação profissional com o presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, pessoa com quem aprendi muito e de quem gostei desde o primeiro instante. Castro Fernandes é uma pessoa profundamente dedicada à política, conhecedora dos dossiers e dos procedimentos, envolvida no quotidiano do seu município, divertida e disponível. No entanto, razões pessoais levaram-me à demissão, consumada no final de Março deste ano.
Curiosamente, nunca pensei que ficasse tão conhecida – e tão odiada – em Santo Tirso. Fiz amigos, é certo. Amigos de quem guardo boas recordações e alguns números de telefone e endereços de e-mail. Já lá voltei inúmeras vezes depois da demissão, para estar com alguns deles, se bem que a minha vida – que agora se divide entre as cidades do Porto, de Aveiro, Coimbra e Torres Vedras – não me tem permitido dedicar à amizade tanto tempo quanto desejaria.

Ainda assim, há quem pense que o meu fantasma ainda trabalha na Câmara de Santo Tirso e – pasme-se! – têm lançado ameaças à minha pessoa, como se me ofendessem muito por dizer que eu trabalho lá, se de facto lá trabalhasse. Fui alertada por uma amiga que trabalha lá que há comentários a circular em vários blogs, que se referem directamente a mim, que utilizam informações que disponibilizo neste blog, e que inclusivamente me ameaçam de “expor” a minha vida, e a das pessoas que gosto. Dizem que vão mostrar fotografias minhas, da minha família, do meu carro…

Enfim!
Já viram ao que isto chegou? Pormenor: eu não trabalho em Santo Tirso desde Março deste ano. E mesmo antes disso, só por artes mágicas poderia alguém saber exactamente o tipo de trabalho que ali desenvolvia, visto que não tinha directamente a ver com a Câmara, de onde nunca recebi um tostão. Não sei exactamente que medidas poderei tomar para evitar estas referências à minha pessoa em sites e blogs que desconheço, que não me ofendem, mas que se tornam descabidas e até absurdas.

Um amigo meu, advogado na Vila da Feira, assegura-me de que posso processar os blogs em questão e formalizar uma queixa contra desconhecidos. Eu acho que quem desistiu de exigir o que é seu (no caso Janeiro) não tem grande grande vontade de se ir meter em tribunais por causa disto. No entanto, não é agradável ser ameaçada por pessoas que não conheço, e que acham que publicar fotos minhas ou da minha família e do meu carro (onde as arranjariam não faço ideia) me faria parar o que quer que estivesse a fazer que as ofendia.

Nunca tive medo de nada, nem de ninguém. Espreitei os blogs em causa e, creiam, são tão deprimentes que nem vale a pena pensar mais nisso. Aliás, dá mesmo vontade de criar um e falar da vida política de Santo Tirso, mas assinando como sempre assinei tudo o que disse e escrevi. Uma coisa é certa, porém: nisto não posso decidir apenas por mim, e se alguém ofender a minha família ou os meus amigos, ou por qualquer motivo expuser a vida privada de qualquer dessas pessoas, terei necessariamente que tomar medidas.

Porque sei que as pessoas que orquestraram essa ridícula tentativa de desmascarar alguém – que julgam ser eu – lêem este blog, optei por deixar também aqui o aviso. Caso o meu nome venha a ser envolvido em qualquer polémica relacionada com os blogs de Santo Tirso, concelho que nada me diz desde o passado mês de Março, farei as necessárias diligências no sentido de processar os envolvidos. Nunca tive vocação para bode expiatório, muito menos num concelho que nem sequer é o meu. Obrigada pelo vosso tempo, e desculpem os que nada têm a ver com isto nem encontram nesta situação qualquer ponto de interesse. Eu continuo a achar que a mente humana é profundamente insondável…


Vou de férias.
Portem-se bem!

4 comentários:

  1. Estou solidário, para o que precisares. Se for preciso dar um arresto de porrada nessa malta avisa (mas não contes ao advogado).
    Bj


    Pedro Guimarães

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  2. Obrigada, Dr. Guima! Conto contigo para dar porrada em quem quer que seja, se chegarmos a esse ponto de ignorância! Beijinhos para Braga. Cumprimentos ao Xandinho!

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  3. Caro RL, agradeço as bjocas e a passagem pelo Mente Despenteada, essa janela da Capital do Império para o Norte e Centro do País. Em breve estarei mais perto daí, por terras de Torres Vedras. Parece que mais tarde ou mais cedo vou mudar-me para lá, mas por agora é só viajar, viajar, viajar! Assim é que é! Beijo para ti, para a tua esposa e para o pequenito Miguel. Um abraço nortenho!

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