domingo, 20 de fevereiro de 2011

O (des)acordo ortográfico e o servilismo lusitano...

Quando andávamos na escola primária e tínhamos de fazer os famosos ditados, se por acaso escrevêssemos palavras como "ação", "ator", "tato", "fatura" ou "reação", entre outras, ganhávamos uns símbolos vermelhos nos cadernos e umas quantas reguadas nas mãos. Hoje, graças a um alegado acordo, com o qual eu, pelo menos, não estou de acordo, temos de ser nós, os “donos” da língua, a adaptá-la aos do outro lado do Atlântico, numa demonstração de servilismo nunca vista em nenhuma das línguas oriundas do Latim, que sempre mantiveram as consoantes mudas dos vocábulos originais. Ora, se a origem do Português é a Europa, por que carga de água têm os portugueses, europeus, de imitar os do outro lado do mundo nesta questão? Fica a pergunta, à espera de respostas.

4 comentários:

  1. Cara Carla!
    Já que defendes tanto a ortografia com bases etimológicas e deploras as palavras do vocabulário atual como:
    "ação", "ator", "tato", "fatura" ou "reação" deverias escrever:
    telephone, commercio, fructo.
    Cumprimentos

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  2. Pois é. Ora então, para que o mundo nos entenda, devemos nós os fumantes (ou fumadores?) continuar de facto (ou de fato?) de barriga cheia de filé (ou bife?), conscientes de que as enquetes (ou sondagens?) serão favoráveis aos adeptos (ou à torcida?) que usam celular (ou telemóvel?). Além disso, pelo sim e pelo não, vamos guardar no freezer (ou no frigorífico?) uma fotocópia (ou xerox?) do acordo ortográfico, enquanto brindamos com um fino (ou com um choupe?).

    Bjs.

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  3. Caro anónimo,

    Não sei se somos conhecidos e se tem a familiaridade necessária para me tratar por tu, pelo que vou manter o você: sou, efectivamente, defensora da minha língua, que é a Portuguesa. Como tal, acredito que as línguas são vivas e evoluem, e foi o que se passou com as alterações desses vocábulos que enunciou. Já não se escreve assim há muito tempo, e isso em nada veio subverter ou prejudicar Portugal. Já o abrasileiramento da nossa língua, com muitas cedências absurdas do colonizador ao colonizado não fazem sentido. Ponto final.

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  4. A melhor resposta ao primeiro comentário, foi o segundo comentário. Grande resposta, Sr. Orlando.

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