sábado, 23 de agosto de 2008

Do silêncio ao disparate pegado!

Alguém disse que é subtil a diferença entre pescar e ficar horas à beira de um rio a fazer figura de idiota. Do mesmo modo, é também muito curta a distância que vai do estar calado ao dizer asneiras. Depois de terem vindo a público várias ao silêncio da presidente do PSD sobre alguns dos problemas do país (e que diria ela de novo?), a comissão permanente do partido laranja apressou-se a emitir um comunicado em que toma (a mais disparatada) posição relativamente ao aumento da criminalidade no país, exigindo a demissão do ministro da Administração Interna, como se tivesse sido ele a cometer os assaltos. “O PSD recusa pactuar com a tentativa enganosa do primeiro-ministro em transmitir aos portugueses uma ideia de normalidade em matéria de segurança, e exige a substituição do ministro da Administração Interna, bem como o esclarecimento das medidas que serão postas em prática, de forma a ultrapassar o aumento da criminalidade violenta”, lia-se no comunicado. Atrevo-me a inquirir os social-democratas também sobre o seguinte: por termos em Portugal muitos pobres e mandriões a viver à custa do Rendimento social de Inserção, mas que nunca se inserem, devemos demitir o ministro da Segurança Social? Por termos igualmente muitos desempregados devemos demitir o ministro do Trabalho? E por termos doentes, devemos demitir a ministra da Saúde? E por termos este governo, devemos demitir-nos todos, PSD incluído, por termos votado no PS? Não deve o PSD demitir-se também, e começar de novo, depois de há anos vir deixando cair os números dos seus resultados eleitorais para marcas nunca antes vistas? Bem sei que há na Oposição, e por isso se chama assim, a vontade exasperada de opor. Mas há limites para tudo. Até para aquela estupidez fundamentalista que grassa entre os políticos deste país.

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