sábado, 23 de agosto de 2008

A resposta dos touros

Não sei o que era, onde era, e não quero saber. Repugna-me esse tipo de espectáculos, e a única explicação para ter visto aquelas imagens foi o facto de passar, em má hora, por uma televisão que não era minha e sobre a qual não tinha qualquer controlo. Falo da tourada em que um ou vários animais, depois de picados, ensanguentados e violentados nos seus direitos por um grupo de homens que ganham a vida com essa barbárie – e acham graça, e acham que isso é cultura e história de um povo –, passaram, eles próprios, ao ataque, e derrubaram tudo e todos os que ousaram fazer-lhes frente. Regozijei. Tenho consciência de que nada de muito relevante acontecerá a esses senhores, ditos forcados. Talvez uns arranhões, umas cornadas em sítios incómodos, e os 15 minutos de fama a que todos parecemos ter de facto direito nos dias de hoje, quase sempre por razões muito discutíveis. Hoje, logo pela manhã, dou de caras com uma pseudo-notícia em que o deputado europeu e antigo presidente do CDS José Ribeiro e Castro manifesta o seu repúdio pela decisão judicial que proibiu a transmissão, em directo na RTP, da 44.ª Corrida RTP, que se realiza às 17 horas de amanhã em Santarém.
Diz ele que “a imposição judicial de restringir a transmissão de touradas na RTP é um sinal lamentável de activismo judiciário, uma decisão irresponsável que insulta gratuitamente todo o mundo taurino e que ofende uma componente importante da cultura portuguesa e de outros povos”. A minha modesta opinião, que não passa disso mesmo e vale o que vale, a tourada é um acto de selvajaria, esse sim gratuito, em que um punhado de homens desfere golpes brutais em animais que nada lhes fizeram, e faz espectáculo das suas inglórias tentativas de defesa. O que aqueles touros fizeram ontem era o que deviam fazer os touros todos, todos os dias, quando são submetidos a tais atrocidades. Lamentavelmente, sabemos que apenas os touros sofrerão as consequências do que aconteceu, e serão abatidos por terem sido "maus". A violência de imagens como as de ontem – e que me recuso reproduzir aqui –, a acontecer, devia ter sujeitos e complementos invertidos, partindo dos touros para os que os maltratam. Cornos pelo corpo dentro e sangue derramado, nunca o dos animais, que nada fizeram para participar num espectáculo deplorável que, liminarmente, recuso associar aos conceitos de cultura e de História de Portugal. Porque se assim fosse, efectivamente, teria vergonha de ser portuguesa!

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