O relógio marcava 12h45, ia eu a caminho do almoço, quando o telefone tocou. Perscrutei, dentro da mala, qual das três máquinas me chamava, e lá estava, no visor do 91, um número de telefone da rede fixa, de Lisboa, que de imediato me pareceu ser conhecido, apesar de não estar registado na memória do aparelho. Atendi, e do outro lado falou-me Fernando Jesus, deputado socialista à Assembleia da República eleito pelo círculo do Porto. Queria solidarizar-se, também ele, com os jornalistas ilegalmente despedidos pela administração de «O Primeiro de Janeiro» e também ter uma noção mais exacta de alguns contornos deste maquiavélico processo. Dentro do possível, tentei expor a situação, e Fernando Jesus perguntou como poderia ajudar a redacção demitida em bloco, tendo sugerido a emissão de um comunicado. Horas depois, leio no «Jornal de Notícias» que o PS/Porto assumiu publicamente o seu apoio aos 32 trabalhadores dispensados pela empresa de Eduardo Costa e penso que são cada vez mais as vozes de apoio à nossa causa. Pena é que os tribunais não sejam tão inteligentes como as pessoas, e demorem anos a encarcerar um corrupto que todos já querem ver atrás das grades. Eu prometo levar-lhe o tabaco ao xelindró, só pelo prazer de o ver a ver o sol aos quadradinhos.
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