Porque nem só más memórias sobraram do velho «Janeiro», reproduzo aqui o desabafo de um miúdo espectacular que conheci por lá. O Ricardo, que durante algum tempo paginou os nossos textos, saiu de livre vontade quando achou que já tinha que sobrasse de desaforos. Fez ele bem! Mas o Ricardo tem o que não têm muitos dos que por lá ficaram: carácter. Leal às amizades que ali construiu, esteve sempre atento àqueles de quem gostava e nunca deixou de ter uma palavra carinhosa, mesmo quando também ele precisava de um incentivo. O Ricardo é cinco estrelas, e é por isso que o que ele escreve merece ser lido. Cá vai disto!
Jamais poderei esquecer aquele 21 de Julho de 2003. Foi o dia em que entrei na redacção do «PJ», ainda mal tinha entrado, e já estavam a mandar para casa metade da produção, ora sobrava eu e mais 3 ou 4, até ficarmos apenas 3 a fazer uma carrada de jornais e a receber uma mísera quantia em troca, eu nem vou dizer que é para ninguém se rir. Mas independentemente de tudo aquilo que a direcção fazia aos seus funcionários, havia um sentimento estranho não só comigo mas com toda a gente, aquelas paredes parece que nos sugavam e não nos deixavam sair, o ambiente era tão pesado que mal dava para respirar decentemente e então quando chegava o verão, amigos, nem queiram sentir aquele inferno, pois era realmente muito mau, mas acima de tudo acho que não só eu, mas toda a gente sentia amor pela casa, era o único sentimento que podia haver por, até porque nem os ordenados justificavam a nossa presença durante tanto tempo.
Infelizmente sempre fui da opinião que a administração era exploradora e não posso esquecer frases do género: "Se vocês não estão bem, saiam, não falta quem queira estar no vosso lugar", era uma espécie de ditadura laboral, mas sinceramente nunca se levou muito a sério a ditadura, porque no fundo todos nós faziamos aquilo que mais gostávamos. Realmente com o passar dos tempos chegámos à conclusão de que aquelas paredes são mágicas. Não me posso esquecer das pessoas fantásticas que lá dentro conheci e que ainda hoje tenho um sentimento especial por todas elas, afinal foi a minha casa durante mais de dois anos. A Madame Teixeira*, Raquel, Lídia, o Maia, o Miguel, o grande Nuno Santos (Búbú), o mestre Jacinto, Filinto, Cátia, Liliana, Goreti, Dora, PVO, Tiago, Pedro Tavares, Álvaro, Pedro, a Zizi, Ana Caridade, a Eduarda, o Paulo Francisco, Isabel, entre muitos outros que garanto que não esqueci. É com saudade que recordo todas as pessoas, de vez enquando ainda falo com uma ou com outra, mas existem pessoas com quem já não falo desde que saí, no dia 12 de Novembro de 2005.
Parece muito tempo, mas a mim parece-me que foi ontem. Mas como tudo tem o seu tempo, o meu tempo naquela casa estava a acabar, não dava para continuar mais, até porque eu tinha que começar a abrir novos caminhos para um futuro melhor e aquela casa por muito mágica que fosse não me podia segurar. Para mim o Primeiro de Janeiro morreu na sexta-feira, o que existe agora é uma falsidade liderada por falsos, corruptos e «mamões». Nunca mais gastarei dinheiro naquele jornal, e sempre que tiver oportunidade irei transmitir a imagem verdadeira do PJ às pessoas, para que elas tenham a ideia certa daquele jornal, por muitas belas palavras que usem para limpar o vosso nome, nós estaremos aqui para vos calcar de novo. Levem-nos para tribunal, espalhem por todo o país aquilo que vos fizeram, destruam a imagem do maior capitalista que conheço. Estou convosco.
Abraços e beijinhos e Adeus «PJ»
*A "madame Teixeira" sou eu. Só para que conste! A imagem, suspeito, é da autoria do Ricardo.
Olá! Aproveito mais uma vez para dizer...não sei bem o quê, mas ...espero que essa situação se resolva o mais depressa possível. Desejo-te boa sorte para os desafios futuros e que essa mente continue bem aberta como um belo pára-quedas.
ResponderEliminarBeijos aqui do sul...e diverte-te. Até breve...num computador perto de ti. rui lança