sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jornalistas apresentam queixa-crime

A impossibilidade de os 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro (PJ) acederem às instalações do jornal desde sábado passado levou, esta semana, à apresentação, no Departamento de Investigação e Acção Penal do Porto, de uma queixa-crime contra a empresa por lock out. A Constituição da República, no número 4 do seu artigo 57.º, proíbe o lock out.
A situação dos 32 trabalhadores continua a despertar a solidariedade dos vários quadrantes políticos. Depois do Bloco de Esquerda e do PCP, coube ontem ao socialista Pedro Baptista, candidato à distrital do Porto, visitar os jornalistas, que continuam a comparecer na porta da redacção. Lamentando a forma como estão a ser tratados pela entidade empregadora, que não se mostra disponível para pagar indemnizações e salários em atraso, Pedro Baptista recordou que o proprietário do PJ é o mesmo que recentemente foi distinguido numa cerimónia pública referentes a candidaturas a verbas do QREN. À Lusa, Renato Sampaio, actual líder da distrital do PS, manifestou "total solidariedade" com os trabalhadores e disponibilizou-se para "tudo fazer" para que os seus direitos sejam "devidamente assegurados".
Ontem, ao final da tarde, os jornalistas foram recebidos pela governadora civil do Porto, Isabel Oneto, entregando-lhe um manifesto alertando para o seu problema. Em especial que a Fólio, proprietária do PJ, "tem um historial de práticas ilegais que vão desde a ausência de seguros para os trabalhadores à prática da troca de facturas por salários". No texto é ainda referido que "os responsáveis das duas empresas [Fólio e Sedico] mentiram sem qualquer pudor para se descartar dos jornalistas ao seu pudor". Simultaneamente, afirmam ainda que, no dia 4 de Agosto, também uma jornalista do Norte Desportivo foi ilegalmente dispensada.
Texto de Hélder Robalo, foto de Amin Chaar, no DN

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