sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Jornalistas entregam manifesto

Uma delegação de trabalhadores de «O Primeiro de Janeiro» entregou esta quinta-feira à governadora civil do Porto, Isabel Oneto, um manifesto em que chamam a atenção para a ilegalidade do encerramento e reabertura daquele jornal, noticia a agência Lusa. «Este acto infame constitui o culminar de uma situação escandalosa que deveria ser inadmissível num Estado de Direito», afirmam os trabalhadores no referido manifesto. No manifesto, os trabalhadores salientam que o empresário Eduardo Costa (tal como a empresa Fólio e a sua subsidiária Sedico, proprietárias de «O Primeiro de Janeiro») tem «um historial de práticas ilegais». Estas práticas vão «desde a ausência de seguros para os trabalhadores à prática de troca de facturas por salários, passando pelo não pagamento de Julho e dos subsídios de férias, bem como o pagamento de Junho apenas pelo valor do salário mínimo nacional».
Consideram que o processo envolve a prática de «lock out», já comprovado pelas autoridades competentes e recordam que «Eduardo Costa foi condenado por fraude ao Estado na obtenção de subsídios, o que não impediu que bem recentemente fosse de novo contemplado com fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional - os fundos comunitários para 2007/2013)». Os trabalhadores estão em luta contra os despedimentos de que foram alvo sexta-feira, quando foi declarado pela administração o encerramento daquele matutino. O jornal viria a reabrir segunda-feira, com novo director, sendo a sua nova versão produzida pelos jornalistas de «O Norte Desportivo», em colaboração com o «Diário XXI» e o «Notícias da Manhã», pertencentes ao mesmo grupo empresarial. Os trabalhadores têm comparecido esta semana diariamente à porta da redacção do jornal, apresentando-se ao serviço, atitude que foram aconselhados a seguir pelo Sindicato dos Jornalistas (SJ).
Entretanto, alguns dos 32 jornalistas de «O Primeiro de Janeiro» começaram a receber as cartas de despedimento da empresa, que alega uma «reestruturação» por força de uma «redução anormal da contratação de publicidade e das vendas das publicações», o que, sustenta aquela empresa, terá provocado um «desequilíbrio económico e financeiro». Juntamente com a carta, os trabalhadores receberam a declaração necessária para o subsídio de desemprego. O Sindicato está a apoiar os jornalistas demitidos colectivamente e apelou, em comunicado, à «solidariedade activa da classe» com os trabalhadores do matutino portuense que desde a passada sexta-feira se encontram impedidos de ocupar os seus postos de trabalho.
Para o Sindicato, o silêncio e atitude da administração «é reveladora da falta de valores que norteiam a Folio - Comunicação Global, Lda. e deve ser um alerta para os profissionais que estão a ser instrumentalizados para substituir os trabalhadores que a empresa pretende despedir ilicitamente». A empresa Fólio - Comunicação Global, Lda, proprietária de «O Primeiro de Janeiro», colocou nas bancas uma nova edição do diário portuense, produzida pelos dez trabalhadores do «Norte Desportivo», suplemento desportivo das anteriores edições do centenário jornal do Porto.
Judite França

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