“Como jornalista que sou, pese embora estar hoje a exercer outras funções, acompanho naturalmente com preocupação a situação no Primeiro de Janeiro, um título emblemático da imprensa portuguesa. Aparentemente, trata-se de mais um caso revelador da crescente precariedade em que se encontram os profissionais da media, em termos de emprego e estatuto. A permanente evolução tecnológica e os legítimos objectivos da gestão privada dos órgãos de comunicação social têm imposto aos jornalistas, nos últimos anos, um enorme esforço de adaptação o que eles têm, com sacrifício, consentido. Mas há um limite para tudo. E ele passa, certamente, pelo respeito da dignidade de quem trabalha, como aliás as leis consagram.De há muito que defendo que sem um reforço do estatuto do jornalista, a par de medidas de auto-regulação que garantam a observância dos critérios básicos de rigor, qualidade e comportamento ético por parte dos profissionais, a liberdade do exercício da profissão tenderá a ficar cada vez mais condicionada. Nesse sentido, gostaria naturalmente que este caso fosse resolvido de forma consensual e desse ensejo a um debate na sociedade portuguesa sobre a profissão de jornalista, seus objectivos e condicionantes. Um jornalismo independente, vibrante e equilibrado do interesse geral é até condição do próprio desenvolvimento. Mas isso pressupõe a existência de direitos e o seu respeito por todos. Espero sinceramente que ainda seja possível, pelo diálogo entre as partes, chegar a uma solução para o problema”.
Carlos Fino
Dado ao interesse da peça de Carlos de Fino, tomamos a liberdade de a transcrever para um dos nossos blogues.
ResponderEliminarSaudações
José Martins
conheci carlos fino aqui no Brasil em 2006... foi um prazer como foi um prazer ter conhecido seu blog
ResponderEliminarObrigada, muito obrigada pelo apoio e interesse, e pela passagem pelo Mente Despenteada. Voltem sempre, a porta está aberta a todos os amigos.
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