terça-feira, 5 de agosto de 2008

“Ilegalidade e desrespeito”

Ao longo dos últimos dias tenho repetido, por diversas vezes, em conversas com os amigos e colegas que invariavelmente caem para o tema «O Primeiro de Janeiro», que não tenho mais para onde abrir a boca, visto que o queixo, de tanto espanto somado, está já a tocar o chão, arrastando a minha perplexidade da mesma forma que o nome do nosso jornal tem sido enxovalhado e arrastado pela lama. Merecia melhor um jornal com quase 140 anos! Merecia muito mais, e toda a gente entende isso, à excepção de quem devia entendê-lo melhor do que ninguém, e zelar por dar à cidade e ao país a imagem do «Janeiro» que o «Janeiro» merece. No entanto, e para gáudio de quem investiu naquela redacção fétida os seus anos mais dourados, «O Primeiro de Janeiro» é um título respeitável e respeitado por quase todos, e só quem lá manda parece não saber disso.
Ao início da tarde de hoje, e à semelhança do que tinha acontecido ontem com o PCP, uma delegação do BE liderada pelo deputado José Soeiro encontrou-se com os jornalistas que continuam a contestar o seu despedimento à porta da redacção. Em frente às instalações, agora encerradas, e depois de ouvir as queixas de todos os trabalhadores dispensados, o parlamentar eleito pelo círculo do Porto questionou o Governo relativamente à actuação do Ministério do Trabalho neste caso, e referiu os “contornos de ilegalidade e de desrespeito” que a administração da empresa tem deixado bem patente em relação aos jornalistas dispensados, desde que fechou as portas e nunca mais deu as caras. Postos na rua, sem explicações ou fundamento, os cerca de 20 profissionais que ali se têm reunido diariamente estão a ser alvo da mais ignóbil manobra de despedimento colectivo de que há memória, de que são coniventes os colegas que têm mantido o silêncio.
Reunido com os jornalistas despedidos, José Soeiro garantiu ainda que pretende interpelar a tutela, através de um requerimento a ser entregue nos próximos dias na Assembleia da República. Nesse documento, o deputado tenciona questionar o PS e o Governo sobre o facto de Eduardo Oliveira Costa, “um empresário que trata os seus trabalhadores assim, e que actua de forma aparentemente ilegal, depois de ter sido condenado por fraude na utilização de fundos do Estado”, ter sido apresentado na cerimónia de atribuição de verbas do QREN, que teve lugar em Abril passado no Porto, como um empresário-modelo. É que, precisamente no mês anterior, Eduardo Oliveira Costa tinha sido condenado por fraude, reiterando a sentença proferida em Abril de 2003, quando foi dado como provado que tinha forjado uma publicação e burlado o Estado, em vários milhares de euros, com o porte-pago.
Sentenciado com uma pena de dois anos e meio de prisão, suspensa por um ano, o “empresário” de Oliveira de Azeméis, que parece movimentar-se entre altas esferas políticas e ter as costas bem quentes, por fraude na obtenção indevida de subsídios estatais, continua a pavonear-se por aí, livre, leve e solto, e a lançar projectos e a receber fundos como se não devesse nada a ninguém. Visivelmente surpreendido (can you blame him?) por todas as revelações que lhe foram feitas junto ao número 63 da Rua Coelho Neto, na Invicta, José Soeiro acusou Eduardo Oliveira Costa de “não ter qualquer respeito pelas pessoas”, enveredando por uma atitude “totalmente condenável”, e rematou afirmando que, “se esta não for uma situação ilegal, é com toda a certeza uma situação ilegítima, de total desrespeito pelas pessoas”. O Mente Despenteada III não podia estar mais de acordo.

Fotos: Mente Despenteada

1 comentário:

  1. Força Carla e malta do Janeiro, não deixem que esses gatunos vos calquem... Estou convosco... É imperdoável aquilo que estão a fazer ao «PJ». Os gatunos a esta hora devem estar a ler o jornais e a comer lagosta algures no Brasil e ainda por cima com o dinheiro do pessoal que eles exploraram... Estou convosco... Força nisso :)

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