
Mais uma ficha, mais uma viagem. Cinco dias depois de terem sido "dispensados", os jornalistas de «O Primeiro de Janeiro» voltaram às ruas e os colegas dos outros meios de informação foram, uma vez mais, excepcionais na cobertura que deram à situação. O grupo dos 18 trabalhadores do jornal que se opõem ao despedimento cresceu, e hoje eram já 24. Depois de Honório Novo (PCP), receberam uma delegação do BE liderada por José Soeiro, deputado à Assembleia da República pelo Círculo Eleitoral do Porto. Soeiro ouviu os jornalistas, solidarizou-se com eles, escutou todas as queixas e recolheu os testemunhos de situações muito pouco claras no passado e no presente do seu proprietário. No final, o deputado prestou declarações aos meios de informação presentes, e despediu-se com votos de "muita força".

Mas nem só a delegação do BE prestou solidariedade aos jornalistas que se mantêm firmes na defesa dos seus postos de trabalho, que não foram extintos, mas antes reocupados, como bem lembraram no encontro desta tarde com o deputado do Bloco. Surgiu também um comunicado de antigos trabalhadores da empresa, que não pouparam argumentos para questionar o carácter de quem trata desta forma pessoas que, durante anos, deram tanto de si ao «Janeiro», lembrando sempre que nem só os jornalistas saem a perder neste processo. O título, que é centenário e tem prestígio na região, anda por estes dias nas bocas do povo, e pelos piores motivos...

Também um antigo trabalhador do «Janeiro» compareceu no piquete à porta da redacção, para dar a conhecer o seu apoio aos jornalistas que ali se mantinham. Se a administração está, como afirma, de boa fé, por que razão estarão todos os ex-trabalhadores e todas as forças vivas da cidade e da região convencidas do contrário? Dá que pensar, não dá?

Fotos: Mente Despenteada
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