O Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social está a acompanhar de perto a situação dos 32 jornalistas de O Primeiro de Janeiro. Segundo soube o DN, o ministério está a analisar atentamente o caso e a tentar perceber não só se existe uma situação de lock out, mas também se se está perante uma situação de despedimento colectivo, tendo em conta que toda a redacção do Janeiro foi despedida, ou se se trata de uma extinção dos postos de trabalho.O porta-voz dos jornalistas do PJ, Paulo Almeida, procura esclarecer tal situação. "Para ser um despedimento colectivo tínhamos de ter recebido um aviso com pelo menos dois meses de antecedência, o que não sucedeu", explica. Paulo Almeida relembra que os trabalhadores foram avisados no dia 31 de Julho que seriam despedidos no dia seguinte. A 1 de Agosto, último dia em que conseguiram entrar na redacção, uma secretária da administração tentou entregar-lhes "uma carta de despedimento com base na extinção do posto de trabalho". Documento que os 32 jornalistas não assinaram e que, na segunda-feira seguinte, começou a chegar a casa de cada trabalhador.
Para o Sindicato dos Jornalistas, relembra a vice-presidente Ilídia Pinto, "o despedimento é ilegal, pois a empresa deveria ter comunicado previamente a intenção de proceder ao despedimento colectivo e abrir o respectivo processo, com uma negociação arbitrada pelo Ministério do Trabalho". Assim, e no entender do SJ, os trabalhadores, além da indemnização e das remunerações ainda em atraso, "têm direito a receber o salário correspondente a todos os meses até que haja uma decisão". Para o SJ, "o posto de trabalho existe e está ocupado". Os jornalistas do PJ foram ontem recebidos pela socialista Isabel Santos, da Federação Distrital do Porto, para exporem a actual situação. Segundo explicou à comitiva, Isabel Santos, que é bisneta de um antigo revisor do Janeiro, tem vindo a acompanhar a situação e tem, ainda, estado em contacto com o secretário de Estado do Trabalho.
Hélder Robalo
«Diário de Notícias»
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