
Os jornalistas do centenário «O Primeiro de Janeiro» que na passada quinta-feira foram alvo de despedimento ilegal, e que, desde essa altura, se têm apresentado diariamente na redacção, para reivindicar a manutenção dos postos de trabalho e a integração na empresa, continuam a somar apoios junto das forças vivas da região. Depois de a Câmara Municipal de Gaia ter emitido um comunicado em que se associava à luta daqueles profissionais, também a Câmara Municipal da Maia decidiu não celebrar qualquer contrato publicitário com as empresas do grupo liderado pelo empresário de Oliveira de Azeméis Eduardo Oliveira Costa. No mesmo dia, a CGTP associou-se ao protesto do grupo, manifestando a sua solidariedade aos trabalhadores despedidos e o seu “veemente repúdio” pelo comportamento da administração do jornal.
Se é verdade que na luta constam apenas 18 dos 32 jornalistas atirados borda fora pela administração, a mesma que prontamente (e aparentemente sem que ela tenha percebido) se livrou também da directora do «Janeiro», a verdade é que têm sido muitas as manifestações de apoio e de carinho da cidade e da região Norte pelo título do (até aqui) jornal diário, que já foi referência na imprensa portuense e nacional.

Hoje, uma delegação do PCP liderada por Honório Novo, deputado à Assembleia da República eleito pelo círculo do Porto e um velho amigo do nosso «Janeiro», foi ao encontro dos jornalistas em luta, a quem expressou a sua solidariedade face aos últimos acontecimentos e ao comportamento da administração, salientando o rol de ilegalidades cometidas por Eduardo Oliveira Costa e dando conta da sua importante disponibilidade para levar o assunto ao Parlamento, denunciando o que classificou como “uma situação inaceitável e ilegal”. Ao grupo de 18 jornalistas que recusaram baixar os braços diante da “guia de marcha” emitida pela Sedico, “sem fundamento nem explicação”, Honório Novo garantiu “não conseguir entender como é possível, num estado de direito, assistirmos a uma situação verdadeiramente inaceitável de um despedimento aparentemente ilegal”.
Aproveitou, contudo, para criticar o desempenho da Inspecção-Geral do Trabalho, que considerou ser de “inércia” e de “silêncio”, já que, apesar de ter acompanhado o processo ao longo dos últimos dias, e de ter confirmado a presença no piquete de ontem junto às instalações, acabou por não comparecer, optando por mandar os jornalistas para casa. “Estamos perante uma empresa que conta com 32 jornalistas que durante anos lhe deram o que tinham e o que não tinham. Não é aceitável que estas pessoas sejam despedidas desta forma indigna, sem indemnizações, direitos ou justificações”, frisou o deputado, em declarações aos jornalistas que cobriram o encontro dos comunistas com os profissionais do «Janeiro». No final, visivelmente surpreendido pelo que ouviu e leu, já que teve acesso às “cartas de despedimento” enviadas aos 32 funcionários dispensados, Honório Novo prometeu levar o caso ao conhecimento dos responsáveis pelos ministérios do Trabalho, das Finanças e do Desenvolvimento Regional.
Fotos: Mente Despenteada
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