segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Saudades, ou talvez não...

Não deixa de ser irónico que tenha sido Coelho Neto, o escritor que dá nome à rua em que fica a redacção do extinto «O Primeiro de Janeiro», quem disse que “a saudade é a memória do coração”. Eis algumas das coisas de que tenho efectivamente saudades daquele espaço e daquele tempo:

- Da hora de entrada, que me deixava livres quase todas as manhãs,
- Da hora de saída, que raramente correspondia às 21 horas impostas pelo horário formal,
- Das reportagens por iniciativa própria, e dos elogios de quem dizia “salvaste mais uma edição”,
- De comprar o «Janeiro» nos dias de folga, e de o ler na internet logo à meia-noite
- Dos tempos de ociosidade enquanto os chefes iam para o café e pareciam perder-se pelo caminho,
- Das gargalhadas da Joaninha,
- Dos segredos partilhados com a Lídia,
- Do sorriso cúmplice e do altruísmo da Sofia,
- Da “rabugice” do Carlos Machado,
- Das conversas com a Luísa, a Goreti ("a menina mais bonita da redacção"), a Eduarda, o Filinto e a Caridade, a Filipa e o Mário,
- Da prepotência, apenas aparente, do David Pinto,
- Da dedicação e do empenho do David Furtado,
- Do sentido de profissionalismo do Paulo Almeida,
- De quase toda a gente, como que por instinto, me chamar Carlinha,
- Das alturas em que o Mike me chamava “Charles”...

E do que NÃO tenho saudades:

- Das gotas de "chuva" que caíam no meio da redacção,
- Das avarias constantes dos computadores, que eram velhos e nem chegavam para todos.
- Do cheiro a fossa no cantinho da Cultura,
- Dos abusos de poder de algumas pessoas,
- Da incompetência de algumas outras,
- Dos arranjos convenientes a certas e determinadas criaturas,
- Da hipocrisia de algumas dessas pessoas,
- Do veneno destilado em conversas fora daquelas paredes amarelas,
- Da falta de coragem e de carácter de outros...

Balanço: Cá fora está-se melhor!

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