Há vários meses que a administração de O Primeiro de Janeiro prometia que a celebração dos 140 anos ia ser marcante. E foi. "Não exactamente como esperávamos", afirmou Paulo Almeida, porta-voz dos 32 jornalistas que foram despedidos em Agosto passado e anteontem à noite se juntaram num jantar no Porto para comemorar o aniversário do jornal.
"O Primeiro de Janeiro tem uma história relevante, que se confunde em parte com a história do país e é uma pena que o próprio jornal não festeje esta data", justifica Paulo Almeida. Ninguém quer falar da nova versão do jornal, que o novo director, Rui Alas Pereira, diz estar "novamente rejuvenescido, com mais fantasia e imaginação", num editorial escrito ontem a propósito dos 140 anos. Mas não escondem a tristeza de ter deixado o jornalismo. "Infelizmente ninguém conseguiu integrar outra redacção", lamenta Paulo Almeida. Mesmo assim, o tom não é de resignação. A maioria está a trabalhar, uma grande parte em assessoria de imprensa. As cerca de duas dezenas de profissionais da comunicação social presentes anteontem no jantar evitam os comentários, enquanto permanecer o litígio contra a empresa proprietária do diário (Fólio) e a empresa que lhes pagava os salários (Sédico). Querem a reintegração. O julgamento da acção proposta por um grupo de jornalistas sindicalizados está marcado para 14 de Maio do próximo ano no Tribunal de Trabalho do Porto. A reivindicação de outro grupo, não sindicalizado, está mais atrasada. A audiência de partes está marcada para o próximo dia 12, mas com poucas expectativas. É que o advogado da Sédico nem sequer compareceu à audiência com o primeiro grupo.
Em Julho, os jornalistas começaram a duvidar da viabilidade do jornal, perante os atrasos sucessivos dos salários. Mas a então directora Nassalete Miranda garantiu que o diário não fecharia. Contudo, a 31 de Julho, em reunião geral, a directora anunciou que a empresa falira e que o jornal iria ser suspenso durante um mês. A redacção seria demitida em bloco, mas quem quisesse seria contratado para fazer o novo jornal. No dia seguinte, uma secretária da admininistração avisava que afinal a empresa não falira. Os postos de trabalho seriam extintos. Três dias mais tarde, O Primeiro de Janeiro volta às bancas, com o director e a equipa de jornalistas de O Norte Desportivo. Ontem, o presidente da Câmara do Porto avaliava as últimas três décadas do diário como um "somatório de atribulações e angústias" num texto na primeira página sobre o aniversário do jornal. Sob o título de 140 anos de ideais, Rui Rio disse esperar que o Janeiro "de novo regresse aos trilhos da afirmação dos ideais em que foi moldada a sua matriz, em nome da justiça que é devida às grandes figuras que lhe deram o ser nos seus 140 anos de vida".
Mariana Oliveira, in «Público»
A Mariana foi a única jornalista no activo que marcou presença no nosso jantar, respondendo ao repto que lançámos a toda a Comunicação Social da cidade do Porto. Foi agradável a presença e foi, sem dúvida, muito importante esta nota que escreveu. Eu, que nem gosto do «Público» e que não conhecia a Mariana, gostei de privar com ela. Obrigada!
"O Primeiro de Janeiro tem uma história relevante, que se confunde em parte com a história do país e é uma pena que o próprio jornal não festeje esta data", justifica Paulo Almeida. Ninguém quer falar da nova versão do jornal, que o novo director, Rui Alas Pereira, diz estar "novamente rejuvenescido, com mais fantasia e imaginação", num editorial escrito ontem a propósito dos 140 anos. Mas não escondem a tristeza de ter deixado o jornalismo. "Infelizmente ninguém conseguiu integrar outra redacção", lamenta Paulo Almeida. Mesmo assim, o tom não é de resignação. A maioria está a trabalhar, uma grande parte em assessoria de imprensa. As cerca de duas dezenas de profissionais da comunicação social presentes anteontem no jantar evitam os comentários, enquanto permanecer o litígio contra a empresa proprietária do diário (Fólio) e a empresa que lhes pagava os salários (Sédico). Querem a reintegração. O julgamento da acção proposta por um grupo de jornalistas sindicalizados está marcado para 14 de Maio do próximo ano no Tribunal de Trabalho do Porto. A reivindicação de outro grupo, não sindicalizado, está mais atrasada. A audiência de partes está marcada para o próximo dia 12, mas com poucas expectativas. É que o advogado da Sédico nem sequer compareceu à audiência com o primeiro grupo.
Em Julho, os jornalistas começaram a duvidar da viabilidade do jornal, perante os atrasos sucessivos dos salários. Mas a então directora Nassalete Miranda garantiu que o diário não fecharia. Contudo, a 31 de Julho, em reunião geral, a directora anunciou que a empresa falira e que o jornal iria ser suspenso durante um mês. A redacção seria demitida em bloco, mas quem quisesse seria contratado para fazer o novo jornal. No dia seguinte, uma secretária da admininistração avisava que afinal a empresa não falira. Os postos de trabalho seriam extintos. Três dias mais tarde, O Primeiro de Janeiro volta às bancas, com o director e a equipa de jornalistas de O Norte Desportivo. Ontem, o presidente da Câmara do Porto avaliava as últimas três décadas do diário como um "somatório de atribulações e angústias" num texto na primeira página sobre o aniversário do jornal. Sob o título de 140 anos de ideais, Rui Rio disse esperar que o Janeiro "de novo regresse aos trilhos da afirmação dos ideais em que foi moldada a sua matriz, em nome da justiça que é devida às grandes figuras que lhe deram o ser nos seus 140 anos de vida".
Mariana Oliveira, in «Público»
A Mariana foi a única jornalista no activo que marcou presença no nosso jantar, respondendo ao repto que lançámos a toda a Comunicação Social da cidade do Porto. Foi agradável a presença e foi, sem dúvida, muito importante esta nota que escreveu. Eu, que nem gosto do «Público» e que não conhecia a Mariana, gostei de privar com ela. Obrigada!
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